CAPÍTULO 18

1071 Palavras
Como havia me dito, Pedro não apareceu na escola no dia seguinte, e eu acho que fiquei um pouquinho feliz com isso, porque só assim ele teria que ir lá em casa me entregar o estojo. Eu meio que fiquei com medo de receber uma mensagem como "hey Nick, acho que não vai dar de ir não. Vou te entregar o estojo na escola amanhã" durante boa parte do dia, mas resolvi não ficar pensando nisso. A aula foi até legalzinha, e passou rápido pra caramba (graças a Deus). Eu fui e voltei com Lucas, apesar da gente nem ter conversado nada demais, mas pelo menos estamos nos dando bem pela primeira vez na vida, e ele parou de ouvir músicas no último volume e de deixar o meu banheiro todo sujo, o que me leva a crer que ele realmente estava fazendo de propósito. Quando chegamos em casa, nossos pais já estão colocando a comida na mesa, como de costume, então subimos para tomar banho e trocarmos de roupa. Lucas toma banho primeiro, enquanto eu aguardo do lado de fora do banheiro, esperando a sua porta bater, o que indica que ele já saiu. Depois de tomar um banho rápido, visto uma roupa confortável e desço para o primeiro andar de novo, praticamente morrendo de fome. (***) Quando a campainha da casa toca, já são pouco mais de 6:00 da tarde. Eu meio que fiquei aqui na sala esperando esse tempo todo, porque ele avisou que estava vindo pouco mais de uns trinta minutos atrás, então fiquei aqui mesmo, depois de falar pro meu pai que um amigo viria aqui. Pulo do sofá e corro até a porta, abrindo-a rapidamente e dando de cara com ele, que é bem mais alto do que eu e está vestindo uma camisa branca e um calção azul. — Oiê! — Abro um sorriso e saio da porta, para ele entrar. Pedro abre um sorriso também e entra na sala meio sem jeito, enfiando a mão livre no bolso, já que a outra está segurando o meu estojo pelo chaveiro fofinho preso no zíper. — Nossa! Sua casa é bem bonita. — Ele diz, olhando ao redor enquanto caminhamos até as escadas. Meu pai surge da cozinha (onde ele passa boa parte do dia quando não está trabalhando) e caminha até nós de forma tranquila. — Olá. Você deve ser o Pedro. — Ele aperta a mão de Pedro, dando-lhe aquele típico sorriso gentil que não sai nunca do seu rosto. — É um prazer, senhor. — Pedro responde, então eu pigarreio e chamo a sua atenção, antes que meu pai o leve para o sofá e resolva ficar conversando com ele pelo resto da noite. Ele entende a minha deixa e começa a me seguir, enquanto subimos o resto das escadas e caminhamos pelo corredor. Eu estou praticamente surtando internamente quando chegamos até o meu quarto. Não tive tempo de arrumar nada, mas também não sou tão desorganizado à ponto dele ficar horrorizado com o interior do cômodo. Na verdade só acho que tenho coisas demais num espaço tão limitado. — Bom... Esse é meu quarto. — Murmuro assim que entramos no quarto. Ele olha ao redor, observando cada detalhe. — você toca? — Pedro aponta para o violão preso na parede, enquanto coloca o estojo em cima da minha escrivaninha repleta de coisas. — Praticamente nada, na verdade. — Sento na minha cama e dou de ombros. Ganhei o violão do meu pai quando estava fazendo aulas, alguns anos atrás, mas é difícil pra caramba e eu simplesmente desisti de tentar aprender. — Eu toco um pouco, mas nada muito impressionante também. — Ele diz, com um sorriso no rosto, que o deixa ainda mais bonito do que ele já é. Pedro vem até mim e senta ao meu lado na cama, olhando para mim de forma descontraída. Eu consigo sentir o calor do seu corpo, e não consigo parar de de encarar seus olhos escuros. A gente meio que fica conversando durante um tempo, embora os seus olhos estejam diretamente focados nos meus, e os meus sem conseguir desviar dos seus. O tempo parece passar em câmera lenta, principalmente quando vejo Pedro inclinando a cabeça na minha direção, e eu só consigo observar e sentir a minha pulsação aumentar, enquanto fecho os olhos e sinto a sua respiração quente bater no meu rosto. Quando seus lábios macios tocam os meus e ele enfia a mão no meu cabelo de forma gentil, eu solto um grunhido de prazer. Consigo sentir o seu corpo quente contra o meu, e não consigo evitar quando as minhas mãos agarram os seus antebraços. O beijo dele é gentil e doce, e eu consigo senti-lo tentar abrir os meus lábios devagarinho para aprofundar o beijo e... — Tô interrompendo alguma coisa? — A porta do banheiro é aberta bruscamente e bate na parede do quarto, me fazendo separar as nossas bocas apressadamente e olhar para o canto do quarto, quase morrendo de susto. Encontro Lucas com os braços cruzados e nos encarando atentamente, vestindo nada mais do que um daqueles seus tópicos calções de jogar futebol. Um verde claro dessa vez, que assim como todos os outros, marca mais do que deveria. — Na verdade, tá sim. — Lanço-lhe um olhar maligno por ter nos interrompido, mas o desgraçado simplesmente dá de ombros e analisa o meu quarto com calma, já que ele nunca tinha entrado aqui. — Seu papai me mandou vir ver o que vocês estavam aprontando. E parece que cheguei bem na hora, né? — Lucas move sua atenção para Pedro, que parece está com um pouquinho de vergonha, não por ter sido pego me beijando (até porquê seus dedos ainda estão entrelaçados nos meus), mas sim por estarmos aqui na minha casa, e a situação ter ficado um pouco desconfortável. — Bom... A-acho que já vou indo então, Nick. — Ele diz, apertando levemente a minha mão e me lançando um olhar triste, como se pedisse desculpas silenciosamente. — A gente se fala depois, então? — Tento ignorar Lucas, mas o desgraçado continua alí, nos observando atentamente. Sua presença parece tomar metade do espaço do cômodo. — Claro!! — Pedro exclama, me lançando um daqueles sorrisos lindos. — Vou te acompanhar até a porta, então. — Solto um suspiro longo e levanto da cama, vendo os meus planos irem por água à baixo.
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