Ester Narrando Já fazia uns dias. Uns dias desde que tudo virou ao avesso. Desde que o sangue da Sombra sujou o chão da praça. Desde que vi DV quebrar por dentro, e mesmo assim continuar de pé. A quebrada tava diferente. Mais quieta, mais respeitosa. As pessoas cochichavam quando eu passava. Mas não era fofoca. Era temor. Era respeito. Eu não tava preocupada com isso. Minha cabeça só girava em torno de uma coisa: proteger o que sobrou da minha vida. Proteger minha irmã. Eloá era meu coração fora do peito. Meu motivo. Minha luz. Acordamos cedo aquele dia. Ela queria ir até o mercadinho comprar bala, pipoca e refrigerante. Coisa de criança que ainda não viu o mundo todo podre como ele é. Segurei a mãozinha dela e fomos andando devagar pela rua. O morro tava calmo, mas eu s

