*Michael PoV*
O dia passa rapidamente e eu sequer pude mexer na missão extra que McGregor me deu. Um dos servidores entrou em pane e tive que refazer toda a rota da conexão de rede. Além de acionar um backup para não perder informações. Passei ho®as monitorando o sistema até os técnicos conseguirem resolver o problema de hardware. Depois, tive que voltar o fluxo de dados para sua rota original e fazer dezenas de testes, só para ter certeza de que tudo estava funcionando bem. M@l me lembrei de almoçar. Oscar me trouxe algo para comer do Butterfly, que sinceramente nem perguntei o que era. Apenas agradeci sua consideração.
O horário do expediente acabou e aqui estou eu, sentado em minha cadeira, com o queixo apoiado no punho, observando a confusão de papéis, arquivos, cabos e chips sobre minha mesa. Eu suspiro profundamente para me dar coragem de arrumar tudo.
Essa bagunça não vai se organizar sozinha.
Levanto-me, pego os cabos, levo-os para um canto da sala e os coloco em uma caixa de papelão para serem levados pela manhã para o setor de reciclagem. Os chips estão queimados, jogo todos no lixo. Agora é a vez dos papéis e pastas. Pego a pasta do Grupo MEI e a guardo na primeira gaveta da minha mesa, trancando-a em seguida, e guardo a chave no meu bolso do terno. Começo a separar os papéis. As letras de músicas e partituras coloco em um envelope para levar para casa. Um bocejo me invade e dou-me conta que o que deveria ter feito, desde que voltei de viagem, ainda está pendente. Dormir uma noite inteira. Porém, hoje isso vai ser adiado mais uma vez. Pete, Dorothy e eu iremos ensaiar no meu estúdio mais tarde.
O resto da papelada... Bem, é o resto e eu estou cansado demais para ver o que é agora.
Pego meu celular sobre a mesa e quase o deixo cair quando ele vibra com uma mensagem do Rico.
“Mano, estamos no Star Club. Amber Lee está dançando...”
Praguejo contra ele por colocar imagens dela rebolando na minha cabeça. O aparelho apita de novo. Ele enviou um pequeno vídeo de um minuto. Quando o abro, vejo Amber Lee e Lauren dançando. É claro que o foco da gravação dele é na ruiva que me atormenta desde que a conheci.
Porr@, Rico! Quer me matar?
Desligo a tela sem terminar de assistir o vídeo e respiro fundo. Saio bufando do escritório, trancando a porta. Não posso negar o quanto essa garota mexe comigo. Ela me assombra, me distrai, me consome. Qualquer outra pessoa que tivesse entrado no meu escritório hoje, não teria visto a pasta do Grupo MEI, pois eu teria me lembrado de escondê-la. Entretanto, a presença dela me fez esquecer completamente. Foi um erro inaceitável que não pode se repetir.
Chego em casa me jogando no sofá. Arranco a gravata e o terno e os atiro na poltrona. Tiro meus sapatos com os pés e abro os braços, me espalhando. Não gosto de fazer bagunça em casa para não ter o trabalho de arrumar depois. É uma perda de tempo. Porém, meus olhos pesam.
Posso tirar um cochilo de meia ho®a e depois tomar um banho para despertar. Aqueles dois sempre se atrasam de qualquer forma.
Eu salto de lado com a merd@ do celular vibrando. Outra mensagem do Rico. Sei que vou me arrepender, contudo, a curiosidade leva o melhor de mim. Ele mandou algumas fotos, todas dela. Dá para ver seu sorriso despojado e alegre. Solto o ar pesadamente.
O dia que você sorrir assim para mim, acho que não me seguro.
Resolvo voltar para o vídeo e terminar de assisti-lo. Ela dança como se ninguém estivesse olhando para ela. Bate quadris com sua amiga, faz um passo ridículo e eu rio de sua alegria.
É o meu oposto total, eu jamais faria isso em público, mesmo que bebesse. Odeio dançar.
Depois de alguns segundos, ela sensualiza de uma forma rápida, porém inédita para mim. Suas mãos passam pelas laterais de seu rosto, seguindo por seus cabelos brilhantes. Então, elas repousam um momento em sua nuca, para descerem pela lateral do seu corpo em seguida. Seus olhos estão fechados, sua boca semiaberta. Seus dedos delicados moldam as curvas que eu tanto desejo desnudar.
ㅡ Espero que tenha gostado, mano.
É o comentário idïota que o Rico faz para encerrar o vídeo. Eu reviro os olhos e volto a gravação do começo. É compulsivo, não consigo evitar. Ela me excita de um jeito que só senti na adolescência, com os hormônios à flor da pele. É um desejo louco e inexplicável. Quando me dou conta, sinto uma e®eção descontrolada.
Ah, merd@! Recuso-me a fazer isso!
Jogo o celular de qualquer jeito sobre o sofá e decido tomar um banho. Gelado. Retiro o resto da roupa pelo caminho e me jogo debaixo da água fria, porém meu p@u lateja quando me lembro dos movimentos dela dançando.
Que se dane! Ela nunca irá saber...
Desligo o chuveiro e começo a me estimular, acariciando as bolas e a base do meu memb®o. Massageio toda a extensão, aumentando o ritmo do movimento gradativamente. Fecho os meus olhos e mantenho na mente essa ruiva que me enlouquece em todos os sentidos. Seu corpo s&xy com as medidas exatas que eu adoro. Seus olhos vibrantes e verdes como o mais puro jade imperial. Sua boca tentadora que me desafia sempre que tem a chance. Seus dedos delicados, capazes de me hipnotizar com sua música.
Meu coração dispara e eu ofego por ar, enquanto busco o meu alívio, desejando essa mulher que me assombra desde o dia em que a conheci. Consigo até sentir o cheiro do seu perfume, o calor do seu corpo, a maciez de sua pele. Na minha cabeça, é a mão dela me m@sturbando, com sua boca pronta para receber meu g0zo. Ele vem em jatos potentes e tenho que me apoiar contra a parede do box. Eu até arrepio com a sensação deliciosa e me concentro em recuperar o fôlego. Olho para baixo, minha mão toda cag@da de espe®ma, e praguejo internamente.
Merd@... Estou ferrado…
Ainda com a respiração fora de ritmo, abro o chuveiro, apenas para pular que nem um gato assustado e xingar todos os palavrões que conheço. Havia me esquecido de ligar a água quente e, obviamente, depois de g0zar e levar essa água fria, meu p@u finalmente pára de me atormentar e vai dormir. É tempo de me arrumar para o ensaio.
A situação com a Dorothy está ficando caótica. Pete nunca chegou no horário, porém ela conseguiu se atrasar mais que ele, apenas para ir embora logo depois. Ela estava chapada, para variar, e não pude segurar o esporro. Tentei levá-la em casa, porém ela recusou. Só espero que chegue em segurança. Não adianta pedir que me ligue, ela nunca o faz.
ㅡ As coisas estão ficando fora de controle, Michael.
ㅡ Eu sei…
Pete está sentado do meu lado no sofá. Ambos estamos tomando uma cerveja para matar o tempo. Já passa das vinte e três ho®as. Estou agitado demais para dormir. Então, ele faz a pergunta mais descabida do mundo.
ㅡ Teve notícias da Amber Lee?
De onde saiu isso?
Eu o encaro surpreso.
ㅡ Por quê? Está interessado?
Ele dá de ombros e apoia os cotovelos sobre os joelhos.
ㅡ Que homem não ficaria? Ela é bonita, inteligente, divertida...
ㅡ Pois, eu a achei extremamente irritante!
Um sorriso malicioso aparece em seu rosto e já me preparo para o inquérito que virá a seguir.
ㅡ Nunca te vi tão empolgado assim por uma garota.
ㅡ Pete, não estou empolgado. Até parece que não me conhece.
ㅡ É justamente por ter conhecer, que sei que ela mexeu com você.
ㅡ Uma ova!
Minha voz se eleva e ele ergue as duas sobrancelhas de forma gozadora. A ironia em sua voz me irrita.
ㅡ Sei...
ㅡ Qual é o seu problema? Está querendo me emputecer hoje?
ㅡ Calma, parceiro! Não sabia que já tinha chegado nesse ponto!
ㅡ Ponto? Que ponto?
Ele ri e não me responde, disfarçando ao tomar um gole de sua cerveja.
Era só o que me faltava!
ㅡ Já que você não está interessado, se importa se eu tentar?
ㅡ O quê?
ㅡ É brincadeira!
Minha cara de incredulidade o diverte. Pete dá uma gargalhada e eu forço uma risada desdenhosa.
Conversa esquisita.
Meu celular vibra sobre a mesa de centro e, quando vejo o número no identificador, rosno de desgosto, contudo não atendo.
ㅡ É o teu velho?
ㅡ Pois é. ㅡ Tomo um gole longo da minha bebida. ㅡ Deve estar bêbado de novo.
ㅡ Quer que eu atenda?
ㅡ Não, deixe tocar. Não estou com humor para aturá-lo hoje.
ㅡ Se você quiser, posso ir lá ver como ele está.
O Pete é como o Rico, porém menos sacana. Sempre disposto a ajudar os amigos. São dois irmãos.
ㅡ Não vai te atrapalhar?
Ele sacode a cabeça e finaliza sua cerveja. Levanto-me e pego minha carteira sobre a mesa de centro e tiro duzentos dólares, que estendo na direção dele. Ele suspira e enterra as mãos nos bolsos.
ㅡ Michael, sei que você pensa que está ajudando dando dinheiro para ele, porém você sabe que só está alimentando o vício dele.
ㅡ O que mais eu posso fazer?
ㅡ Você sequer falou com ele e já está deduzindo o que ele quer.
ㅡ Pete... ㅡ Eu me aproximo, puxo um de seus braços e coloco o dinheiro na mão dele. ㅡ Mesmo que ele quisesse qualquer outra coisa de mim, o que duvido, eu não estaria disposto.
ㅡ Algum dia você vai ter que enfrentá-lo.
Faço uma carranca e coço o nariz.
ㅡ Você não tem moral para falar de paternidade aqui!
Peguei pesado, eu sei, e me arrependo no momento que as palavras deixam a minha boca. A relação do Pete com o pai dele também não é das melhores. Eles nem se falam porque o pai dele odeia surf, pois a mãe dele fazia a mesma coisa e perdeu a vida no mar. Ele coloca o dinheiro no bolso de trás da calça e segue para a porta.
ㅡ Sabe, cara, deveria parar de atacar as pessoas que só querem o seu bem. Você pode acabar perdendo uma grande oportunidade.
Não tenho tempo de perguntar o que ele quer dizer com sua observação, pois some pela porta afora. Eu a tranco, pego meu celular pelo caminho e vou para o quarto, desabando sobre a cama. Ajusto o alarme do aparelho para as seis da manhã. Não resisto em dar uma olhada nas fotos dela.
Será que ele se referia à você?
Coloco um braço sob o pescoço, enquanto passo uma foto atrás da outra. Acabo apagando em minutos e durmo como há muito tempo não fazia, com Amber Lee em meus sonhos. Sem pesadelos, apenas ela.