*Amber Lee PoV*
Minha irritação não passa despercebida pelo Rico, quando retorno para o meu setor e me deixo cair bufando na minha cadeira.
ㅡ Dormiu m@l, ojitos?
ㅡ Pessimamente!
ㅡ Nossa! Que mau humor! Até parece alguém que eu conheço…
Olho de lado para ele e suspiro.
Se você soubesse…
ㅡ Vamos trabalhar?
ㅡ Sabe o que vai te animar? Dançar! Hoje, no Star Club! Vou chamar a Lauren também.
ㅡ Que seja…
Não estou com ânimo para retrucar e sair pode melhorar meu humor de qualquer forma.
Não é uma boa ideia ir para a balada no meio da semana, mas faço qualquer coisa para tirar aquele homem da minha cabeça.
Mergulho no meu trabalho como se não houvesse amanhã. O que se transforma em uma tarefa de fritar o cérebro. Estou tão distraída que, se não fosse pelo meu amigo, teria trocado as informações de três clientes.
Não sei que ho®as vou chegar e combino com a Stefani, minha ex-gerente no Butterfly e que passei a chamar pelo primeiro nome, afinal ela não é mais minha chefe, de levar a Mylla para a casa dela essa noite. Assim fico despreocupada com minha filhota.
O clima tem esquentado, então me atrevo a usar um vestido curto, justo e sem alças. Lauren e Rico me pegam às oito em ponto e seguimos para a boate. Ficamos em uma mesa com sofá em um canto e logo começo a afogar minha frustração no álcool.
Sei que vou acordar com uma ressaca horrorosa, porém é melhor que ficar pensando nele.
ㅡ Então, querida. Conte-me todos os detalhes sórdidos…
Arregalo meus olhos para a minha amiga. Ela está me encarando como se eu fosse o pote de ouro no final do arco-íris da luxúria.
ㅡ Não sei o que o Rico te falou, porém não tem nenhum detalhe sórdido. Michael veio, consertou meu computador e se foi.
ㅡ Simples assim?
ㅡ Simples assim.
Ela faz um biquinho adorável de descontentamento e eu me vejo impelida a contar sobre a situação da manhã.
ㅡ Bom, como ele foi prestativo, eu resolvi mostrar um pouco de educação, já que isso é algo que ele parece desconhecer. Levei café para ele hoje, como forma de agradecimento.
Meus dois acompanhantes ficam de boca aberta, enquanto beberico meu drinque.
ㅡ Ah, foi o copo que você segurava quando chegou!
ㅡ Foi sim, amiga. Porém, antes eu tivesse deixado essa ideia de lado. Achei que, como temos amigos em comum, poderíamos tentar nos dar bem. Eu não poderia estar mais enganada. O cara é simplesmente um neanderthal volátil. Muda de atitude mais rápido que um piscar de olhos.
ㅡ Como assim, ojitos? Se ele faltou o respeito com você, juro que dou um corretivo nele!
Rico tem um sorriso malandro nos lábios, contudo, não duvido que ele arrume confusão com Michael, se achar que ele me magoou de alguma forma. Ele me defende com unhas e dentes e eu não poderia ser mais grata por ter um amigo assim.
ㅡ Obrigada, Rico. Eu não sei nem como explicar o que aconteceu. Assim que cheguei, ele pareceu furioso com a minha presença. Depois, mudou completamente e ficou até amável. No final, me enxotou de seu escritório como se eu fosse uma criança indesejada. Até disse que não queria ser minha babá. Puxa, eu só queria que tivéssemos uma boa convivência, mas eu acho que vai ser impossível.
Lauren sorri e segura a minha mão sobre a mesa.
ㅡ Sabe, faz quatro anos que eu trabalho na McGregor Corporation e, assim que comecei, a fama do Michael já era lendária. Ele vive isolado em seu escritório absurdamente chique e ouvi boatos de muitas funcionárias indo até lá para tentar a sorte, apenas para voltarem completamente frustradas. Quando eu te disse que ele não mistura negócios e prazer, eu não estava brincando. Demorou meses para ele trocar mais de duas palavras comigo, mesmo tendo o Rico como nosso ponto em comum, que normalmente saíam espremidas pelos dentes. Acho que vocês precisam de mais convivência, só isso.
Só isso? Acho que nem mesmo mil anos seriam suficientes!
Guardo meus pensamentos para mim e mudamos o tópico para as fofocas da empresa. Algo mais leve e, entre uma conversa e outra, minha mente volta para aquele homem s&xy e irritante. Não que ele tenha estado longe, de qualquer forma.
Logo, estou na pista dançando com Lauren, tentando espantá-lo dos meus pensamentos. Rico ficou na mesa, disse que não gosta muito de dançar. O que eu acho estranho é que, sempre que olho para ele, seu celular está apontado para nós duas.
Provavelmente está batendo fotos nossas só para nos mostrar como ficamos ridículas.
A ideia me diverte e eu capricho nos meus passos. Bato quadris com minha amiga e executo algo bobo da minha coreografia de quinze anos. Eu morri de vergonha na época, porém, hoje, já tenho álcool suficiente no juízo para mandar o bom senso passear.
Mesmo nesse ambiente que não lembra nada o Michael, ele não sai da minha cabeça. Seus olhos me desnudando não me abandonam. Não creio que tenha sido imaginação minha, ele realmente parece interessado. No entanto, ele tem esse dom de me acender e me irritar na mesma velocidade. Às vezes, tudo ao mesmo tempo.
É tão confuso…
Lembro de suas mãos ágeis sobre o teclado enquanto trabalhava, do seu corpo me envolvendo ao lidar com o meu computador, e não consigo evitar desejar que essas mesmas mãos estivessem em mim. Que ele cumprisse a ameaça sensual que seus olhos tanto fazem.
É loucura, eu sei. Como posso ficar a fim de alguém que vive me dando patadas?
Eu danço, imaginando seus dedos experientes acariciando meu corpo e, logo, sinto o calor tomar conta de mim. No meio da minha “performance”, um par de mãos abraça minha cintura por trás. Eu congelo no lugar e viro apenas meu rosto. Um homem que nunca vi está atrás de mim, com um sorriso m@ldoso na boca.
ㅡ Quer dançar?
ㅡ Não.
N&go com a cabeça para consolidar minha resposta e tento me desvencilhar, muito constrangida, mas o mar de pessoas ao nosso redor parece querer me levar contra ele todas as vezes.
ㅡ Ah, qual é? Não quer me dar uma chance? Você vai gostar.
Ele me gira e ficamos de frente um para o outro, minhas mãos em seu peito tentando impor alguma distância. Porém, o cara parece um polvo e provavelmente está bêbado, a julgar pelo bafo alcoólico que me alcança.
ㅡ Eu já disse que não quero!
Dessa vez, bato com força em seu peito e não leva dois segundos para o cara sumir das minhas vistas. Rico aparece em seu lugar, com um sorriso triunfante, tirando-me para dançar. Eu respiro aliviada.
ㅡ Ninguém encosta na minha ojitos se ela não quiser.
Eu sorrio e me aconchego em seu peito, enquanto ele me leva pela pista. Ele dança muito bem, não entendo porque preferiu ficar mexendo no celular ao invés de se divertir conosco. De qualquer jeito, ele surgiu no momento certo. Noto sua cabeça virar e olho na mesma direção. Tem um outro cara perto da Lauren e ela não está com um semblante feliz.
ㅡ Só um minuto, ojitos.
Logo, ele também espanta o homem cercando Lauren. Ela veio para se divertir conosco, não para se envolver com ninguém, e ela agradece a ajuda dele para se livrar do abusado. É assim o nosso amigo. Sempre de olho em suas meninas. Há pessoas que maldam a relação dele conosco, porém ninguém entende ou acredita que possa existir uma amizade sincera entre um homem e uma mulher.
A noite segue sem mais problemas e confesso que estou arrasada quando entro no meu apartamento. Jogo os sapatos em algum canto e entro no banheiro para tomar um banho relaxante. A água quente alivia meus músculos exaustos e minha cabeça, que está um pouco aérea por causa dos drinques que tomei.
Ah… Levantar de manhã para trabalhar vai ser um suplício…
Eu caio sobre a cama, ainda vestindo o roupão, com o rosto enfiado nos lençóis.
“ㅡ Você está interessada em mim, porém não quer admitir.”
Viro meu corpo para me sentar e inspeciono a escuridão do quarto com o olhar. Eu me jogo de costas sobre o colchão, suspirando profundamente. Poderia jurar ter ouvido a voz dele.
Era só o que me faltava… Sonhar acordada com o Michael…
Rolo de um lado para o outro e, apesar de estar extremamente cansada, não consigo dormir. Toda vez que fecho os olhos, vejo os dele me encarando intensamente. Ouço sua voz s&xy no meu ouvido. Até arrepio, pois parece muito real. Ou, talvez, seja apenas a embriaguez me pregando peças.
“ㅡ Você está interessada em mim, porém não quer admitir.”
ㅡ É… Estou… Mas nem morta vou dizer isso na sua cara! Portanto, saia dos meus sonhos agora!
ㅡ Ao vivo é melhor?
Olho para o lado e quase desmaio por ver Michael deitado ao meu lado, com nada além do lençol escondendo a parte mais interessante de sua nudez das minhas vistas. Eu engulo em seco quando demoro meus olhos no volume.
ㅡ Eu estou alucinando. Você não é real…
ㅡ Posso ser tão real quanto você quiser que eu seja…
Eu rosno baixo e volto a me deitar, cobrindo o meu rosto com as duas mãos.
Devo estar muito bêbada, ou muito carente, para estar vendo justamente o Michael… Ele vai sumir assim que eu abrir os olhos.
Sequer termino minha linha de raciocínio, sinto seus lábios na minha bochecha. Arregalo os olhos e ele continua aqui, pairando sobre mim, com seus longos cabelos formando uma cortina ao redor de nós.
ㅡ Por que você luta tanto? Não é isso o que você quer?
Sua voz sussurrada ecoa pelo meu crânio e expulsa toda a minha razão.
Que se dane! Ele nunca vai saber mesmo!
Escorrego minhas mãos por sua nuca, sentindo os fios macios e puxando sua boca contra a minha. Sua língua quente domina a minha e eu me deixo levar. O peso do seu corpo perfeito se molda sobre o meu e não contenho os meus gemidos. Tento me convencer que é só um sonho. Um muito real. Deixo todas as fantasias virem à tona e o viro na cama, montando sobre ele. O sorriso malicioso em seus lábios cresce, assim como seu memb®o embaixo de mim.
ㅡ Dominadora… Gosto disso.
Ele desfaz o laço do meu roupão, expondo meu corpo para o seu olhar voraz. Suas mãos exploram meus s&ios e eu mexo meu quadril, buscando sua penetração. É como levar um choque na alma senti-lo dentro de mim. O suor escorre pela minha testa, enquanto o cavalgo com todas as minhas forças, até praticamente entrar em combustão.
Meu corpo treme de êxtase, minhas pernas o apertam, porém ele não pára, projetando-se mais fundo dentro de mim. Logo, vejo estrelas dançarem diante dos meus olhos e eu caio ofegante sobre a cama.
ㅡ Abra os olhos, little bunny.
Assim o faço, para me surpreender por estar sozinha na cama. Nua, mas sozinha.
ㅡ Michael?
Levanto-me confusa e inspeciono o flat. Nenhum sinal dele. A fúria me toma.
Era só o que me faltava! É bem a cara dele ir embora depois de conseguir o que queria!
Então, dou-me conta que não houve tempo hábil para isso. Nem um mágico se vestiria em meio segundo, a não ser que ele tenha saído pelado. Eu bato na minha testa um punhado de vezes, ao perceber o que aconteceu.
ㅡ Merd@, Amber Lee! Você sonhou isso tudo!