27 - As reais intenções dela

1603 Palavras
*Michael PoV* Minimizo rapidamente a tela na qual estava trabalhando. É um trabalho confidencial, ninguém pode ver isso, até porque é crime o que estou fazendo. Se me pegarem, vou preso e a imagem da empresa vai para a lama. Tiro os fones de ouvido e os deixo cair sobre a mesa. Além de perturbar meus pensamentos, essa mulher quer me ferrar também? Ela é uma espiã? Ninguém vem à minha sala assim! Estou tão put0 da vida que, se meu olhar matasse, ela estaria esticada no chão. ㅡ Mas que infe®no! O que di@bos você está fazendo aqui? ㅡ Oh... Uh... Eu te trouxe um café... Para agradecer por ter arrumado meu computador ontem... Não estou convencido, isso soa como uma desculpa para ela bisbilhotar meu trabalho. Ignoro o copo que ela me estende e me levanto para encará-la. Sou bem mais alto, isso me dá uma vantagem. Meus olhos vagam para o copo em suas mãos e me pergunto se não está batizado. Talvez tenha sonífero nessa merd@ e, quando eu dormir, ela irá vasculhar minha sala. Como ela soube onde eu trabalho para início de conversa? Tomo o copo de suas mãos com rispidez. ㅡ Rico te contou onde eu estava? ㅡ Eu fiz algumas pesquisas para encontrá-lo, porém não foi tão difícil. O quê? Minha cara não deve ser a mais amistosa do mundo, pois ela parece assustada. Também parece sincera. Talvez não seja uma espiã afinal. Pego o copo e o cheiro, tomando um pequeno gole do expresso que ela me trouxe. O sabor parece normal. Será que ela também pesquisou que gosto de café sem açúcar? Para que se dar a esse trabalho? Se ela não está aqui para bisbilhotar, a razão só pode ser outra. Amber Lee força um sorriso tímido e, por meio segundo, meus olhos recaem sobre seus lábios. Michael, controle-se... ㅡ Aqui, tome. Eu não coloquei açúcar, mas trouxe alguns sachês para você. Ela vasculha em sua bolsa e me mostra cerca de meia dúzia de sachês de açúcar, o que me faz sorrir. ㅡ Eu tomo puro. ㅡ Eca! Como consegue? Apenas dou de ombros, enquanto ela guarda os sachês de volta na bolsa. Apesar de adorar um doce de vez em quando, minha condição me impede de abusar. Além do mais, o amargo do café me mantém alerta. Considerando que durmo muito pouco, não posso me dar ao luxo de cometer erros por estar com sono. Ela se apoia na beirada da mesa, olhando ao redor, tentando disfarçar. A mim ela não engana. Você veio atrás de mim. Interessante... ㅡ Então... Você trabalha aqui já faz muito tempo? ㅡ Minha expressão muda, suaviza. Ainda não tirei os olhos de sua boca. Queria fazer muito mais que apenas olhar. ㅡ Então, por quanto tempo? ㅡ Alguns anos. ㅡ O que faz exatamente no seu refúgio geek, além de resgatar donzelas em perigo com seus computadores? Isso vai ser divertido. ㅡ Se você é uma donzela em perigo... Eu seria o seu príncipe encantado? Ergo uma sobrancelha, desafiando-a a me contradizer. ㅡ Um nerd aficionado por computadores? Não mesmo. Você seria o pirata feio, não o príncipe encantado. Apenas aceno com a cabeça e a observo tentar esconder seu desconforto, passando os dedos sobre a mesa e olhando ao redor, tudo para não encarar meu olhar. Você é uma coisinha misteriosa, não é, Amber Lee? Está morrendo de vontade de se jogar em meus braços, no entanto luta contra isso veementemente. Não poderia te culpar por estar tão encantada comigo. Eu sou muito melhor que aquele tal de Kevin, não sou? ㅡ Então, você passa os seus dias fazendo o quê? Jogando videogame? Prometo que seu segredo vai para o túmulo comigo. Dou de ombros de novo e continuo mudo um tempo. É divertido vê-la se enrolar assim. Embora, eu possa pensar em algo bem mais excitante para fazermos. ㅡ Está tão interessada assim na minha vida? ㅡ Suponho que você esteja mais acostumado a ter calcinhas jogadas na sua cara do que perguntas. Perdão por estar interessada em outro lado seu. Agora ela entra na defensiva, cruzando os braços diante do peito. Isso me dá uma visão mais do que generosa de seu decote. Tentação… Eu suspiro e me afasto um pouco, passando a mão por meus cabelos. De repente, o desconfortável aqui sou eu. Deveria ser proibido alguém ser tão tentadora... ㅡ Eu gerencio a rede da empresa. ㅡ É possível ser menos preciso que isso? ㅡ Você passou pelas salas dos servidores na entrada até chegar aqui. Eu cuido de todas essas coisas e me certifico de que tudo esteja funcionando. Crio ferramentas no sistema, resolvo falhas. É isso o que te permite trabalhar. ㅡ Desenvolvedor e vocalista de uma banda de metal. Você tem outros talentos? Eu estreito os olhos e a encaro intensamente. É fascinante tê-la assim interessada em mim. Só me pergunto aonde isso irá parar. Aproximo-me mais, colando meu corpo ao dela. Cada vez mais gosto dessa aproximação e esse jogo que fazemos é muito excitante. O verde de seus olhos é intenso, se eu não tomar cuidado posso me perder neles. É algo totalmente novo. Ela se esquiva e se afasta um pouco. É esperta e já está começando a me conhecer, não vai me dar espaço para provocá-la. Existe uma razão para ter vindo até aqui e, quanto mais conversamos, mais percebo que ela não leva jeito para ser uma espiã. Suas emoções a denunciam, ela é transparente e verdadeira demais. Só posso crer que sua motivação seja eu mesmo. Eu como pessoa, não a fantasia das tietes. ㅡ Você trabalha aqui por conta própria? Vi seus colegas no espaço compartilhado lá fora. Por que não está com eles? Acabo sorrindo, dessa vez sem malícia. É sincero da minha parte. Volto a sentar na minha cadeira e coloco o copo de café sobre a mesa. Nunca uma garota perguntou tanto sobre mim, sobre a minha vida, em um espaço tão curto de tempo. Porém, eu tenho que me ater às minhas responsabilidades. Tenho que descobrir uma forma de invadir esse sistema e conseguir provas contra eles. Não vai dar para fazer isso com esse bichinho curioso no meu pé. Por mais s&xy que seja. Está na ho®a de encerrar o assunto. Por enquanto. ㅡ Gosto de ficar sozinho. Agora eu tenho que trabalhar. Foi um prazer te ver, Amber Lee. ㅡ É uma forma gentil de dispensá-la para que eu volte a trabalhar. Ela parece surpresa. Talvez esperasse que eu jogasse alguma provocação. Não n&go que é a minha vontade, no entanto, aqui não é o lugar. ㅡ Obrigado pelo café. Ela me observa completamente desconcertada. Ah, qual é? Não sou um homem das cavernas... “Obrigado” faz parte do meu vocabulário. Sorrio diante de sua incredulidade por eu ter demonstrado um pouco de educação. Ela se inclina um pouco na minha direção. ㅡ Estou ouvindo coisas ou você acabou de me agradecer? Ela realmente me acha um neandertal. Não posso culpá-la, afinal, nosso primeiro “encontro” não foi dos mais cativantes. Apesar disso, sua presença é inestimável. Ela se aproxima tanto, que seu belo rosto está a apenas alguns centímetros do meu. Tão perto, que eu poderia agarrá-la, beijá-la e muito mais. Cuidado, garota. Está brincando com fogo aqui... Ergo uma sobrancelha só para disfarçar. Na verdade, queria arrancar suas roupas e correr minhas mãos e minha boca por esse corpo que pede pelo meu. ㅡ Você parece chocada. ㅡ Surpresa. ㅡ De uma forma boa ou ruïm? ㅡ Gosto de surpresas. Essa resposta ativa um alarme no meu cérebro. A conversa está ficando séria e em algum ponto não vou ser capaz de responder por minhas atitudes, que envolveriam um s&xo selvagem. Ho®a de encerrar. ㅡ Bom saber. Tenho que trabalhar agora. Ela parece decepcionada com minha resposta, porém não há o que fazer. Então, endireita seu corpo e seus olhos vagam pela minha mesa. Eles descansam sobre algumas partituras que deixei a esmo. Quando minha cabeça ferve de tanta informação digital, faço pequenos intervalos e os preencho com música. Os olhos dela se demoram sobre uma pasta. Ah, merd@! A pasta que o McGregor me deu sobre o Grupo MEI! Tem um confidencial escrito em vermelho bem grande. Como pude me esquecer disso com ela por aqui? Realmente, ela me perturba. Não tenho dúvidas quanto a isso. Instintivamente, coloco minha mão sobre o logotipo para que ela não veja o nome da empresa. Será que deu tempo para ela ler? ㅡ Você é uma pequena fuxiqueira! Dou-lhe um olhar solene. Estou tão tenso novamente, que afundo os dedos no braço da minha cadeira. ㅡ O que eu poderia estar procurando, além de uma forma de nos darmos bem, já que temos amigos em comum? Como você consegue me desarmar assim? Procuro manter o controle e jogo uma outra pasta qualquer por cima da que McGregor me deu e a encaro de novo. Dessa vez, volto às provocações para tirar sua atenção do arquivo. ㅡ Você está interessada em mim, porém não vai admitir. ㅡ Você é tão arrogante! Funcionou. Melhor despachá-la logo, antes que veja mais alguma coisa que não deveria. ㅡ É melhor você ir. Tenho outras coisas para fazer hoje e ser babá não é uma delas. Ela me mostra a língua e se vira para ir embora. Sigo o movimento do seu traseiro com o olhar e lamento imensamente quando ela sai e fecha a porta. Bato com o punho cerrado sobre a mesa levemente e coço o queixo. Essa mulher vai me deixar maluco!
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR