Capítulo 22

770 Palavras
Como se fosse um raio, uma ideia surgiu em sua cabeça. Seria perfeito para se aproximar dela sem levantar suspeitas. — Verdade, conseguir um bom emprego que pague bem está muito difícil, creio que para todo mundo. Laura o olhava atentamente enquanto ele falava. Ela estava encantada com a sua beleza. Seus olhos demonstravam confiança, uma confiança que ela não via há tempos. Seu celular piscou a tirando do encantamento. — Merda! Estou ficando sem bateria — disse ela, e desligou a lanterna. Outra vez a escuridão pairou sobre o lugar. Laura odiava ficar no escuro, sempre teve medo, porém, disfarçava bem para que sua mãe, na época, não descobrisse. Ela sempre se fez de forte, corajosa, tanto para sua mãe quanto para sua irmã, mas desde que seu pai as deixara e sua mãe faleceu, ela descobriu o quanto, realmente, era forte. — Precisa usar o celular? — perguntou, Pietro colocando a mão no bolso. — Pode usar o meu se quiser. — Não, obrigada! — disse, sorrindo. — Eu só quero que essa chuva passe logo. Preciso urgentemente arrumar um emprego. — Não quero ser intrometido, mas porque tanto desespero? Laura ponderou, antes de responder. — Não está sendo intrometido. — Riu. — Tenho uma irmã pequena para cuidar, escola para pagar e aluguel. Alimentação e coisas básicas. Por isso estou tão desesperada — suspirou. — Minha mãe faleceu tem poucos meses, nosso pai nos abandonou no dia em que ela... ela... — Não precisa falar. — Pietro tocou sua mãe sobre a mesa. — Tudo bem. Pietro já odiava o pai de Laura por saber que ele tinha abandonado a família, seu sentimento de ódio e raiva só fez aumentar quando soube que sua esposa havia falecido e Laura estava à mercê da sorte. Ele sabia o que ela fazia a noite para ganhar a vida e não a julgava, mas ele tinha que fazer algo para que ela se reerguesse. — Tenho uma proposta para fazer. — Seus olhares de conectaram. — Estou prestes a fechar um negócio. Sou arquiteto e irei fazer a reforma de um café, posso falar com o dono do lugar e arrumar para você um emprego lá. O que acha? Laura franziu o cenho. Aquilo estava bom demais para ser verdade. Ninguém oferece um emprego assim do nada para outra pessoa sem ao menos ver o currículo ou conhecê-la. — Por que está querendo me ajudar? Você nem me conhece. Quem garante que não estou mentindo? Ou que não sou uma garota de programa querendo dar o golpe do baú? Ela queria aceitar, mas ao mesmo tempo algo dentro dela gritava para que o ignorasse e saísse de lá. Pietro riu, mas ela não conseguiu ver muito bem devido a escuridão. — Digamos que, me identifico um pouco com a sua história de vida. Então, o que me diz? — perguntou de novo. Laura ficou calada. Ela colocou na balança os prós e os contras, até chegar na resposta certa. — Não custa nada tentar. — Ela sabia que corria um grande risco de acabar se dando m*l naquela história, mas também sabia que tinha que pagar suas contas e uma dívida alta. Quanto mais dinheiro ganhasse, mais cedo ela se livrava de Juan e da boate. Pietro e Laura continuaram a conversar durante alguns minutos até que a luz voltasse. A chuva ainda caía lá fora, o que impossibilitava Laura de ir embora. Já estava quase na hora da sua irmã sair da escola, e ela teria que correr contra o tempo para não se atrasar. — Tenho que ir. — Laura levantou. Pegou sua bolsa e colocou no ombro. — Daqui a pouco minha irmã sairá da escola e eu não posso me atrasar. Pietro fez menção de se levantar, mas Laura o interrompeu. Sua mão pousou sobre o ombro largo de Pietro. Seu olhar cruzou com o dele e por um curto período, ela sentiu seu corpo reagir. Um calor incontrolável atingiu sua v****a a fazendo suspirar, e logo em seguida retirou sua mão de onde estava. — Não se incomode. — Por favor, deixe-me levá-la. A chuva ainda está forte e não quero que minha futura colega de trabalho fique doente. Sem esperar uma resposta, Pietro levantou e seguiu até a porta da pequena lanchonete. Laura que ainda estava parada, foi trazida de volta quando Pietro se aproximou outra vez dela. Circulou sua cintura com seu braço e a guiou para fora. Pietro estava sem carro, mas isso não foi um problema. Com apenas um levantar de dedos, ele chamou o táxi e assim entraram os dois.
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