Capítulo 7

1000 Palavras
Juan acelerava em sua moto pelas ruas de Nova Iorque. O vento batia contra sua jaqueta de couro preta e o som do ronco do motor embalava sua corrida, aquela era a vida que ele levava. Perigoso e implacável. Destemido e sedutor. Não era o tipo de homem romântico e galante, ele era intenso. Com seu olhar penetrante conseguia arrancar suspiros por onde passava, sabia disso, e gostava. Para ele não tinha tempo r**m, se fosse preciso caçar alguém nos confins do inferno ele iria. Não seria diferente com David. Juan atingiria um por um até chegar em seu alvo principal. Ele não perdoava ninguém, o que era dele, ele pegava, e o que não era, ele levava também. Juan havia sido criado assim, e assim seria para sempre. Estava a poucos metros de seu destino, a casa de Laura. Ele não sabia o que encontraria lá, e pouco o importava qual seria a reação dela, tudo o que Juan queria era receber o que era dele por direito, nem que para isso fosse preciso derramar sangue. Ele avistou o prédio e reduziu a velocidade até parar. Saltou da moto e colocou o capacete no banco. — Erick, cuide das motos. Não vamos demorar — disse, sem olhar para o garoto que acabara de completar vinte anos, mas parecia não ter mais que dezesseis. Acompanhado dos seus capangas, Juan entrou no prédio sem fazer barulho. Subiu pela escada até o andar onde a moça morava. Continuo caminhado a passos lentos e largos até a porta do apartamento certo. Tudo estava sendo feito em perfeito silêncio. Com o auxílio de uma ferramenta, ele abriu a fechadura da porta e entrou. O escuro do lugar os abraçou e foi quase impossível de achar o interruptor da luz. Assim que as luzes da sala se acederam, um dos homens que estava com ele, esbarrou em um jarro de plantas fazendo um barulho enorme ecoar pela casa. Laura que dormia tranquilamente em seu quarto, acordou assustada com o barulho. Ela olhou para seu lado da cama e viu que sua irmã continuava a dormir. “O que será esse barulho?” Vozes cochichando fizeram com que todos os seus cabelos se arrepiassem. Ela estava sendo assaltada. Temendo pela vida de sua irmã, preferiu ficar ali, quieta. Não moveria um músculo sequer enquanto não tivesse a certeza que estava sozinha de novo. Por um mísero momento de fraqueza, ela cogitou a possibilidade de que talvez, seu pai tivesse se arrependido e voltado. Mas ela não era burra, sabia muito bem que aquilo jamais aconteceria. Seu pai era um homem orgulhoso e preferia morrer a pedir perdão. Laura ficou ali, durante minutos em silêncio, rezando para que nada de m*l acontecesse a elas. Bastava a dor da perda da mãe, o abandono do pai. A necessidade que estavam passando, agora tinha isso. Outro barulho, porém, de porta se fechando. Ela suspirou aliviada por saber que eles já haviam ido embora, seja lá quem fosse. Calçou seus chinelos, pegou o abajur do quarto e saiu, mas antes, passou a chave na porta do quarto. Ela não correia o risco em deixar a irmã desprotegida. Andou até a sala e viu que não estava sozinha. Suas mãos tentaram, mas falharam na tentativa de jogar o objeto que segurava no homem parado a sua frente. —É assim que você recebe as visitas, Laura? — A voz de Juan era calma. Mas era quando ele estava calmo que as coisas de fato aconteciam. Ela tentou correr, porém Juan foi mais rápido e a segurou firme. Ele afundou seu rosto nos cabelos soltos de Laura e inalou seu perfume. Aquilo lhe causou medo, e a todo momento tudo o que ela queria era que ele não fizesse nada com sua irmã. Laura conseguia superar qualquer medo, mesmo passando por situação terríveis. Ela só conseguia pensar no bem-estar dos outros ao seu lado. — Então você é a filha do canalha que está me devendo? — Juan sabia muito bem que ela sentia muito mais do que medo, repudiava à proximidade dele. Seu corpo inteiro tremia e sua respiração estava acelerada. — Me diga, onde está o seu pai? Com muito esforço, Laura o encarou. Desejara chorar, gritar por socorro, mas ao lembrar que sua irmã dormia logo ali ao lado, calou-se. — Eu não sei. — Vai me dizer que você não sabe onde o seu pai está? — Seus olhos brilhavam com toda a perversidade que ele tinha em mente. — Vamos, Laura, faça um esforço e me diga para o bem da sua irmã, onde está o seu pai? — Por favor, não toque na minha irmã, ela é só uma criança. — A moça não conseguia sequer imaginar sua irmã machucada ou longe dela. As duas eram tudo o que ambas tinham. — Realmente não sei onde meu pai está. Ele fugiu de casa pouco antes da minha mãe... da minha mãe falecer. Juan não sentia compaixão por ninguém; dinheiro e mulheres gostosas eram o que realmente interessava, o resto era lixo. E Laura se encaixava perfeitamente, nas duas coisas que ele mais gostava. — Diga ao seu papai, que ele tem uma semana para me pagar. Não sou o tipo de homem que perdoa dívidas. Não quero ter que voltar aqui e pegar outra coisa em troca, ou quero? Ele se virou e deixou Laura ali, com aquelas palavras martelando em sua cabeça como se fosse uma marreta. Até instantes atrás ela não sabia da existência daquele homem, e nem de dívida alguma de seu pai, agora estava no meio de uma confusão que não era dela. Assim que Juan e os demais homens que ali estavam, passaram pela porta, Laura correu e se jogou contra a mesma. Ela usava seu corpo como se fosse uma barreira. Raiva! Aquele era o sentimento que sentia. O medo já havia passado, o que restara foi somente a raiva por ser filha de um homem que ela julgou conhecer.
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