Capítulo 15

776 Palavras
Lutando contra sua intuição, Laura abriu o portão e caminhou até o carro preto que estava estacionado. Ao mesmo tempo em que ela fazia isso, Juan abriu a porta do carro e saiu, ficando frente a frente com ela. Eles se olharam fixamente, porém, Laura cortou seu contato visual. Encostou na lataria do veículo e cruzou seus braços. — Parece que o universo não gosta de mim. Tudo o que faço dá errado, tudo o que penso em fazer já dá errado. Eu estou começando achar que estou errada também. — Ei! Vai com calma, morena — Juan riu. Seu braço esticou até a porta do carro onde ele se apoiou. O rosto de Laura ficou a poucos centímetros da mão dele. Sem que ela notasse, inalou o aroma do perfume do homem. Tinha um cheiro forte e gostoso. — Laurinha, as coisas só estão assim por causa do seu pai. Se não fosse ele, não estaríamos aqui tendo essa conversa. Ele estava certo, e ela sabia disso e começava a sentir raiva de sempre está errada. — Perdi minha mãe. Meu pai sumiu. Não tenho emprego. Não tenho casa, e para piorar, acabei de ser roubada aqui dentro do abrigo. — Laura limpou as lágrimas que molhavam seu rosto. — O que roubaram? — Juan parecia preocupado, mas Laura sabia que aquilo era coisa da sua cabeça. — Minha bolsa, mas não me importo que tenham a roubado, mas dentro dela estava o anel de noivado da minha mãe. Ela ganhou da minha avó. Era como uma herança de família. E agora eu o perdi. Laura não era o tipo de mulher que se importava com bens materiais, porém, o valor sentimental que esses bens que pertenciam a ela, era o que realmente importava. Ela não queria acreditar que a única lembrança de sua mãe havia se perdido. Era seu dever cuidar do anel, usá-lo quando fosse noivar e passar adiante para sua irmã e depois filhas. Juan parecia querer decifrar os pensamentos de Laura. Ela era diferente das mulheres que ele conhecia pela cidade. Havia um jeito doce que fazia Juan querer protegê-la. Suspirando como se tentasse tirar um peso de suas costas, ele ergueu o queixo da morena que tinha o rosto banhado em lágrimas e a encarou. — Olha, não sou igual aos homens de filmes ou livros. Não faço propostas a qualquer um, muito menos imploro por algo. — Fez uma pausa. — Mas tenho um amigo que pode te arrumar lugar para morar. — Olha... — Laura o olhou de cima a baixo. — Qual o seu nome mesmo? — Juan. — Muito bem, Juan. — Laura ergueu seu corpo, olhou nos olhos de Juan. — Eu nem te conheço, e mesmo que conhecesse, jamais aceitaria tal coisa. Você esqueceu que a poucas horas me ofereceu um emprego como “dançarina” na sua boate. Juan era de poucas palavras, mas compensava com ações. Ele estava começando a perder a paciência, era a segunda vez que ela recusava sua proposta, e isso não o agradava. Ele era acostumado a conseguir tudo o que queria, e não importava de quem ele teria que tirar. — Você vai mesmo ficar nesse abrigo? Com sua irmã pequena? Será que você não pensa na segurança dela? — Juan sabia como atingir seus oponentes, e ele não descartaria a carta que tinha em sua manga. Laura não teria como rebater aquilo. — Você mesma falou que não tinha uma casa. Estou oferecendo moradia, e quem sabe um emprego, mas isso a gente pode conversar amanhã. Agora quero saber, você vai comigo ou não? Metade do corpo de Laura gritava para que ela aceitasse logo. Ela teria um teto seguro sob sua cabeça, uma cama para deitar e um lar para criar sua irmã. Porém, a outra parte do corpo de Laura implorava para que ela o deixasse falando sozinho. Juan não era de confiança, não era amigo e muito menos generoso, por trás de toda sua bondade, com certeza havia segundas intenções. — Eu não vou perguntar duas vezes. — Fechado. — Ela estendeu sua mão em forma de agradecimento. — Vou aceitar, por essa noite. Amanhã vejo o que farei. Juan não disse nada, apenas sorriu de lado, e esperou que Laura pegasse suas coisas e sua irmã. Dentro do abrigo, Laura explicou o que tinha acontecido com ela. Relatou o roubo aos donos do local e com um abraço de gratidão, se despediu de Elise e Tom. Caminhando ao lado de Nicolle em direção ao portão de saída, Nicolle não parava de sorrir. Ela estava feliz por não ter que dormir naquele lugar.
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