Capítulo 17

1052 Palavras
Juan não conseguia aceitar o fato de que Laura sempre o dizia não. Ele não gostava da sensação que ela causava em seu corpo. Depois que a morena saiu e o deixou parado no meio da calçada, sozinho, decidiu que não desistiria. Ele sempre foi temido pelos demais gangster de Nova Iorque. Com seu jeito frio, olhar marcante e tatuagens, Juan era implacável. Ele a seguiu até a entrada de um abrigo. Não a forçaria a nada, ele sabia que as coisas ficariam piores, ainda mais vivendo sob o teto de um abrigo. Juan esperou a tarde inteira e foi no início da noite que ele a viu caminhando a passos lentos como se carregasse o peso do mundo nas costas. Assim que saiu do apartamento onde Laura e sua irmã dormiam, Juan pegou seu carro e dirigiu até sua boate. Ele sabia que não conseguiria dormir naquela noite. Ele precisava de agitação, e nada melhor do que ver várias mulheres lindas tirando suas roupas. Só de pensar ele já ficava e******o. Mulher sempre resolvia, mas às vezes elas eram o problema. Dirigindo rapidamente e avançando alguns sinais fechados, estacionou seu carro na frente do prédio enorme. Jogou as chaves para Ed, o manobrista, e entrou. Quem olhasse para o ambiente, pensaria que era apenas mais uma boate comum, mas o que muitos não sabiam, era que por trás da parede escura do DJ, ficava a entrada para a verdadeira boate. — Papi. — Lupi, uma das suas melhores strippers, o chamou. Ela era uma morena de curvas incríveis e s***s fartos. Sua pela caramelizada e seu sotaque cubano a deixava sexy. — ¿Qué haces aquí en este momento, Papi? — Já disse para não falar em espanhol. Você não está mais em Cuba. — Lo siento, papi. — Cabisbaixa, Lupi falou. — Dance para mim. Ela sorriu e correu para o centro de um dos palcos vazios. A boate que Juan gerenciava era grande, suas paredes em tons escuros davam ao ambiente um ar sombrio. Luzes baixas, sofás de cantos, algumas mesas espalhadas pelo lugar e cinco palcos. Haviam dois palcos pequenos de cada lado e um maior no centro da boate. Nesse palco, era onde acontecia os shows de strip-tease. Mulheres dançando e tirando as roupas ao mesmo tempo. Homens desejando tê-las em suas camas, era isso que Juan gostava. Lupi dançava, sensualmente, olhando fixo para ele que parecia estar em outro lugar. Sua cabeça não parava de repassar a cena de Laura chorando. A forma como ela batia na almofada. Uma raiva que somente uma pessoa machucada de verdade pode sentir. Ele bebeu o último gole de seu uísque, tragou seu cigarro e levantou. Cansando, ele deixou algumas notas de dinheiro sobre o palco e saiu. Ele não precisava pagar, mas aquele era o trabalho de Lupi, dançar para poder mandar dinheiro para sua mãe doente. Juan não foi para casa, ele estava cansado demais para dirigir. Entrou em seu escritório, deitou no sofá e dormiu. *** Enquanto todos da cidade dormiam, Laura já tinha levantado. Olhou em seu celular e viu que não passava das cinco horas da manhã. Nicolle ainda dormia. Sem fazer barulho, saiu com cautela do quarto em direção a sala. Ela precisava pensar no que faria de sua vida. Sua irmã precisava de comida, escola e cuidados especiais que todas as crianças precisam. Ela tinha que agir, fazer com que aquela situação fosse resolvida. — Laura, estou com fome. — Olhando para trás, ela viu Nicolle acordada, descalça e com o rosto vermelho. — Tem biscoito? Como se um trator estivesse passando por cima dela, sentiu seu coração ser esmagado. Seu pulmão doía pela falta de ar. Laura não sabia o que fazer. Sua irmã estava com fome e ela não tinha nada para acabar com aquilo. Lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, lágrimas silenciosas de desespero. Não conhecia ninguém ali, era um lugar novo e estranho, não tinha a dona Cecília para ajudá-la. “Me ajude, mamãe” — pediu em pensamento. — Volte a dormir, quando você acordar o café estará pronto. — Concordou e voltou arrastando seus pés para o quarto. *** Juan acordou mais cedo do que o costume. Seu pescoço doía devido ao mau jeito que dormiu. Espreguiçou-se, passou as mãos em seu rosto, pegou sua jaqueta de couro e seu celular. Ele precisava ir para casa tomar um banho. Passando por algumas garotas que trabalhavam ali, seguiu até onde seu carro estava. Ed, entregou as chaves e Juan cantou pneus pelas ruas ainda vazias. Ele queria chegar o quanto antes em casa e tomar um banho, jogar algo dentro de sua barriga que gritava por comida, e foi só então que se lembrou de Laura. Ela deveria estar com fome, e essa era uma ótima hora para fazer uma visita e tentar mais uma vez trazê-la para a boate. Juan deu a volta e seguiu rumo ao prédio onde a jovem estava. Ao lado do prédio, tinha uma padaria, ele pararia ali e compraria o café da manhã dos três. Ele tinha tudo armado em sua cabeça e daquela vez não aceitaria um não como resposta. Dirigindo confiante, não demorou muito para chegar. Estacionou seu carro em frente ao prédio e entrou na padaria. — Juan, meu filho! — Mirtes, uma senhora com seus quase setenta nos de idade, o cumprimentou assim quando o viu. — Que bom vê-lo por aqui. — É bom revê-la — Juan disse. Mirtes era a única quem Juan deixava que se aproximasse dele. Era a única que sabia das coisas que fazia, mas não o julgava. — Quero que prepare uma cesta de café da manhã. Capriche. Mirtes não fez perguntas, como sempre. Limitou-se a sorrir de lado para ele e começou a preparar seu pedido. Dentro da cesta ela colocou bolo de chocolate, torradas, geleia de morango, a garrafa de café e outra de achocolatado. Algumas frutas e frios. Tudo pronto, Juan pegou a cesta e saiu dali. Cinco passos e ele já estava entrando no prédio. Subindo devagar os degraus das escadas, Juan mantinha um sorriso de vitória nos lábios. Apertou a campainha do apartamento e não demorou muito para que uma Laura de olhos inchados e rosto molhado o atendesse. — Bom dia, Laura.
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