Laura secou seu rosto, olhou para as mãos de Juan, que seguravam uma cesta parecida com uma que sua mãe tinha e usava para fazer piqueniques.
— Oi — respondeu. — Trouxe o café da manhã. — Ignorando o olhar assustado de Laura,
Juan entrou no apartamento e foi direto para a cozinha. Depositou sobre a mesa a cesta e voltou para a sala.
Laura estava virada para a janela e chorava baixinho, agradecendo a Deus por ele ter mandando Juan ali com comida. Ela não se importava com mais nada a não ser sua irmã. Seu bem-estar era o que importava. Ali, chorando em silêncio, Laura tomou uma decisão.
— Juan? — ela o chamou, e quase gritou quando virou e o viu parado atrás dela. — Eu aceito.
— Aceita o que, Laura? — Fingindo de desentendido, Juan cruzou seus braços e arqueou uma das suas sobrancelhas.
— Aceito ser dançarina da sua boate.
Juan sabia que ela já estava no fundo do poço, e por mais que tentasse ficar de pé e tentar fugir, ela jamais conseguiria sem ajuda dele.
— Onde está sua irmã?
— Dormindo, por quê?
Ele andou até o sofá e sentou. Laura fez o mesmo, porém manteve um pouco de distância.
— Quero explicar como isso irá funcionar. — Laura concordou. — Você dançará na minha boate, mas não é uma boate qualquer, é uma boate de
strippers. — Laura fez menção de falar, mas ele não a deixou. — Você não precisa dormir com ninguém, a não ser que queira. Dançará tirando a roupa,
igual as demais mulheres que trabalham lá. Isso trará comida para sua casa e aos poucos a dívida de seu pai vai sendo paga. Prometo não fazer nada contra você ou sua família, se, cumprir com o combinado. Ninguém tocará em você na
boate.
Laura ponderava se aquilo era certo. Ela não queria ter que se despir para ganhar a vida, mas parecia que aquela era única opção. Todos estavam de
prova do quanto ela correu atrás de um emprego, de quantas respostas negativas ela recebeu todas as manhãs que saía de casa com apenas um copo de
água no estômago, pois dava seu café da manhã para sua irmã. Ela não queria mesmo seguir um caminho desconhecido e talvez assustador, mas não tinha outro jeito. Sua irmã dependia dela.
— Feito. Mas não me deitarei com nenhum homem. — Tudo bem. Mas responda uma coisa, você é virgem? — Juan sentiu seu m****o pulsar dentro da cueca preta que usava. Ele estava enlouquecendo de curiosidade para saber se ela já havia se entregado para algum homem antes.
— Isso não é da sua conta — Laura respondeu com raiva e levantou do sofá. — Vou chamar Nicolle para tomar café. Só te peço uma única coisa, que não fale isso para ninguém. Não comente coisas relacionadas a boate quando minha irmã estiver por perto. Não quero que ela saiba.
Juan sorriu em concordância. Ele não teria o porquê de discutir com ela, já tinha conseguido o que queria. Ele estava matando dois coelhos com uma
tacada só.
Depois de um café da manhã um tanto estranho, Juan deixou instruções para Laura de como chegar na boate. Deixou também um dinheiro para que ela pegasse um táxi e, com aprovação de Laura, ele contratou alguém para que cuidasse de Nicolle enquanto ela trabalhasse.
A noite se aproximava com rapidez, e quando Laura percebeu, já estava parada do lado de fora da boate. Seu corpo todo tremia de medo. Ela quis
voltar, sair correndo dali, mas toda vez que lembrava de sua irmã pedindo comida, seu coração se partia ainda mais.
Respirando fundo, caminhou até a entrada. Disse seu nome ao segurança que liberou sua entrada. Seguiu até a porta secreta que Juan havia dito mais cedo e se assustou quando viu algumas mulheres dançando nos palcos. Não tinha ninguém além delas na boate, pareciam estar em algum tipo
de ensaio.
Uma mulher de olhos puxados avistou Laura e foi em sua direção.
— Está perdida, minha flor?
— Procuro por Juan. Sou...
— Laura! Bem na hora. — Ele surgiu em seu campo de visão. Trajava um terno três peças muito bem desenhado para ele. Seu cabelo penteando de
forma certa, alguns botões da camisa de dentro abertos, revelando parte de alguma tatuagem que ele tinha no peito. — Venha, vamos trocar essa roupa.
Laura segurou em sua mão, assustada. Andaram até uma sala que parecia um camarim. Um espelho grande cobria uma das paredes do cômodo.
Araras de roupas espalhadas pelos lados. Luzes fortes iluminavam o lugar.
— Eu...
— Sua roupa está naquela bolsa. — Juan apontou para uma mochila vermelha. — Vista rápido. Faça uma maquiagem forte, e coloque a máscara que
está junto com a roupa. Você será minha atração principal. Bem-vinda ao meu mundo, Laura.
Juan saiu a deixando sozinha. Ela poderia chorar de arrependimento, poderia denunciar aquilo tudo para a polícia, mas de qualquer maneira ela
ficaria na pior.
De frente para o espelho, começava a fazer sua maquiagem. Olhos marcantes em tons escuros, boca vermelha como sangue. Ela estava quase
pronta, faltava apenas a máscara e pronto.
— Sua vez. — A voz de uma das meninas da boate lhe trouxe de volta a realidade. — Vamos?
— Sim — respondeu, insegura.
Caminhando a passos lentos até a escada lateral que dava acesso ao palco. Contou mentalmente até dez e subiu. Em cima do palco, olhou toda a
plateia a sua volta. Homens de várias idades estavam lá para lhe ver dançar.
Olhou para o lado e encontro Juan lhe observando. Seus intensos olhos azuis sobre ela, lhe encorajavam e amedrontavam ao mesmo tempo. Ela não queria estar ali, mas era necessário.
Respirou fundo quando o som envolvente e sensual da música começou a tocar. Segurou com força no poste de pole dance e começou com os
primeiros movimentos. Na arte da dança, você não precisa apenas saber dançar, tem que gostar do que faz, e ela gostava. Rodopiou para um lado e depois para o outro, deslizou subindo sem perder o contato visual com a plateia. Ela estava ali não apenas para dançar e sim, seduzir. Seus dedos trabalhavam no fecho do sutiã preto. Respirou fundo quando se livrou da peça, deixando seus s***s
amostra. Eles estavam loucos, gritando e batendo palmas pedindo por mais.
Voltou a dançar, lentamente, se deixando ser levada pela melodia. O clima era propício. As luzes baixas, o som da música no nível certo, até o perfume que escolheu para aquela noite estava de acordo, mas o que mais chamava atenção era a máscara. Uma máscara preta com pedras brilhantes cobria metade do seu rosto. Não era um adereço que sempre usaria, mas era necessário para a sua
estreia. Ao final da dança ela iria se livrar delas, e assim revelando seu rosto.
Como Juan disse horas atrás, mistério é a alma no negócio, e ela seria o mistério
da noite. Novamente parou de dançar. Outro suspiro e se livrou da calcinha que fazia par do sutiã. Nua. Ela estava completamente nua diante de vários olhos famintos por sexo. Sentiu sua pele arder como se estivessem lhe ateando fogo.
Os olhares a queimavam, proporcionando-lhe um misto de sensações novas e prazerosas.
Os acordes finais da música são tocados, dando fim a dança. Virada de costas, tirou a máscara e a deixou cair ao seu lado. Sensualmente, olhou por
cima do ombro e sorriu para os homens que pareciam estar hipnotizados.
Pronto, agora não tinha mais volta.