Em Seattle, Pietro andava de um lado para o outro, impaciente. Ele não queria aceitar e nem acreditar no fato de sua mãe ter destruído uma família.
Aquilo era demais para ele.
— Como a senhora teve coragem? — perguntou sem olhá-la.
— Meu filho, você não entende. Eu o amo e temos um filho juntos, seu irmão — Briana, falou.
— Não entendo? — Achando engraçado, Pietro indagou. — O que eu não entendo é que você aceitou ser a outra durante sete anos, p***a! A senhora disse que o romance de vocês dois havia acabado, mas agora, assim do nada descubro que aquele filho da p**a está de mudança para cá. É isso o que eu não entendo!
Pietro estava em seu direito de reclamar. Ele não julgava certo uma mulher viúva ficar de romance com um homem casado. Ele não havia sido
criado assim, o certo era certo e o errado era errado, pronto! Não tinha discussão, mas sua mãe estava indo contra tudo o que ele havia aprendido com
o casamento de seus pais.
— Por favor, pelo bem da nossa família, o trate bem, ele é pai do seu irmão.
— Família? Que família? — Pietro, suspirou. Ele precisava manter o controle, mesmo Briana estando errada, ainda era a sua mãe. — Adam sempre
será o meu irmão, independente do pai que tem, mas não tenho como ficar sob o mesmo teto que ele. A senhora vai ter que escolher eu, seu filho, ou
àquele homem. — Um silêncio pairou no ambiente. Briana fitou o chão como se procurasse algo, mas na verdade estava com tanta vergonha de falar que já havia escolhido há muito tempo. — Seu silêncio diz tudo.
Briana não falou nada, ela sabia que seu filho era irredutível em suas decisões, quando ele decidia alguma coisa ninguém o fazia mudar de ideia. Era
igual ao seu falecido marido nesse aspecto, embora ele se parecesse fisicamente com ela.
Ainda com raiva de sua mãe, Pietro entrou em seu quarto e começou a pensar no que faria. Ele não queria nem imaginar qual seria a sua reação ao ver
o homem que havia feito sua mãe de amante por tantos anos. A melhor saída seria ir embora de casa, Pietro se conhecia bem, e sabia que perderia a cabeça acarretando uma possível tragédia.
Respirando fundo, ele começou a arrumar suas coisas. Pegou uma mochila e jogou de qualquer jeito seus livros de arquitetura. Pegou seus
documentos e objetos pessoais. Em uma mala média, guardou suas roupas. Pietro queria sair de casa o quanto antes, e pouco se importava se as roupas estavam dobradas ou não. Olhou pela última vez para seu quarto se despedindo do lugar onde passou sua infância e adolescência. Fechou a porta atrás de si e saiu.
— Pietro, como vai? — Assim que chegou na sala, ele foi recebido por David, que mantinha seu braço enroscado na cintura de Briana. — Está de
viagem?
“Sim, para p**a que te pariu.”
Ele ficou imóvel diante deles. Encarando-os e pensando em tudo o que seu pai lhe ensinou enquanto vivo: “Quando alguém te provocar, não revide. Você é melhor do que eles. Às vezes é necessário ouvir e ficar calado, o silêncio é a melhor resposta.
"Ame com intensidade, mais que isso não machuque ninguém.”
Eram essas as palavras que vinham em sua mente, mas era difícil quando tudo o que mais queria era socar com toda a sua força a cara do homem parado à sua frente.
— Responda, Pietro. — Sua mãe falou, baixo. — Não seja m*l-educado. David te fez uma pergunta.
— Estou de partida. Não vou ficar acobertando a sua traição.
— Do que está falando, moleque? — David tirou o braço da cintura de Briana e o encarou. — De que traição você está falando?
Nervoso, Pietro riu.
— Não se finja de desentendido. Ficou todos esses anos vivendo uma vida dupla! Com duas famílias. Você não pensou em momento algum na sua
esposa e filhas. Que tipo de pai é você que abandona esposa e filhas? Que tipo
de homem é você que não se contenta com apenas uma mulher, mas precisa ter duas, três ou mais? Você não é homem, é um pedaço de carne podre!
David não perdoou, partiu para cima dele e o segurou pela gola da camisa. O encarou com os olhos vermelhos de raiva. Seu punho havia parado a poucos centímetros de distância do rosto de Pietro. — Só não vou te bater em consideração a sua mãe e ao meu filho, mas não ouse nunca mais colocar minhas filhas no meio dessa história. — Como se estivesse com nojo, David soltou Pietro. O empurrando para trás e voltou para
perto de Briana. — Da minha vida cuido eu, não preciso que um moleque insolente fique me dizendo o que fazer, e Laura é adulta, sabe se virar se isso
faz alguma diferença para você.
— Eu esperava mais da senhora — dito isso, Pietro pegou suas malas que haviam caído no momento em que David o segurou, colocou nas costas e
sem olhar para trás foi embora.
Sua mãe não o chamou, não correu para abraçá-lo e nem pediu para que ele ficasse, ela simplesmente fez a escolha, e escolheu o homem que amava.
Agora a única preocupação de Pietro era encontrar a família que David havia abandonado para ajuda-los.