Depois do almoço, Nicolle correu para a sala. Ela estava animada para assistir ao filme de desenho que passaria. Enquanto isso, Laura procurava nos jornais por uma escola de balé. Ela queria voltar a dançar, não na boate, mas profissionalmente. Seu sonho era ser uma bailarina mundialmente conhecida, mas seu sonho estava sendo deixado de lado. Fazia tempo que ela não colocava uma sapatilha de balé e nem vestia tutu. Ela sentia falta da sua vida normal, de ter que pegar o ônibus cheio até a escola. De ouvir as mesmas piadas sem graça das mesmas pessoas. De ter que se esforçar ao máximo para não perder a bolsa de dança. Porém, Laura sabia que sua antiga vida estava morta.
Três batidas na porta chamaram sua atenção. Ela dobrou o jornal, deixou sobre a pequena mesa de centro da sala e seguiu até a porta.
— Boa tarde, Laura. — Juan sorriu. — Podemos conversar?
Tinha algo nele que mexia com a cabeça de Laura. Poderia ser o fato dele ser perigoso ou suas tatuagens. Ela não sabia ao certo, apenas sentia sua v****a pulsar com a sua presença máscula.
— Claro! — Ela deu passagem para ele entrar. — Vamos para a cozinha, Nicolle está na sala.
Juan fez menção com a mão para que Laura fosse na frente e depois a seguiu. Juan estava calado, pensativo, porém, decidido do que havia ido fazer.
— Laura, vou ser direto. — Juan a cercou. Prendeu seu corpo contra a parede e a encarou. — Você a melhor dançarina da boate. Os homens vão à loucura quando você sobe no palco. Eles fazem filas para vê-la tirar a roupa. Imagina o quanto você ganharia se fosse uma acompanhante de luxo?
Os olhos de Laura quase saltaram para fora das órbitas quando ela o ouviu.
— Você quer que eu me torne uma prostituta? — indagou. — É isso?
— Não, Laura. Uma acompanhante de luxo. Você teria apenas os melhores clientes, eu até deixaria você escolher quais os clientes. Eles pagam bem, e sei que você precisa de dinheiro, ou já se esqueceu da dívida do seu pai?
Se Juan não fosse tão perigoso, Laura já teria esbofeteado seu rosto, mas ela o temia não só por sua vida, mas também pela sua irmã que está estava a poucos metros dali assistindo televisão sem saber o tamanho da merda em que elas estavam atoladas.
— A resposta é não!
— Pense bem, Laura. Não vou oferecer outra vez. Já estou dando muitas segundas chances a sua família e eu não sou assim.
Ele a soltou. Segurou firme em seu queixo, e ali depositou um beijo no canto de seus lábios.
Laura sentiu seu corpo estremecer assim que ele saiu. Ele a deixava com medo, e também a fazia sentir desejo.
“Louca! Estou ficando louca.”
Não descriminava quem seguia aquele tipo de vida, não julgava ninguém por suas ações, mas ela tinha o direito de dizer não a propostas como a de Juan. Se fosse necessário ter que dançar por mais três, quatro anos até que a dívida de seu pai estivesse paga, ela dançaria.
Tentando esquecer o ocorrido com Juan, Laura decidiu ligar para sua antiga escola de dança.
— Sim, eu sei que não tenho mais direito a bolsa... Sim, também sei que estamos no meio do ano e eu abandonei as aulas. — Laura estava a mais de dez minutos tentando convencer a reitora da sua antiga escola que tinha condições de pagar pelas aulas. — Eu posso pagar. Quero continuar de onde parei, por favor. Sim, amanhã estarei aí bem cedinho. Obrigada. Boa tarde!
Pulando de alegria com o celular na mão, Laura fez um dos passos de balé que sempre fazia nas aulas, plié.
— Me ensina a fazer isso também? — Nicolle surgiu surpreendendo Laura.
— Claro que ensino, meu amor. Vamos, é assim....
Naquela tarde, Laura e Nicolle riram e dançaram até se esquecerem da dor que as atormentavam.
***
Vida normal.
Essas eram as duas palavras que não saiam da cabeça de Laura. Ela não sabia mais o que significava ser normal. Seus dias se resumiam em levar sua irmã para escola e a noite dançar na boate. A ideia de que logo sua vida poderia voltar ao normal a assustava. Trabalhar com Pietro seria a oportunidade que ela estava esperando.
— Então, Laura? — Vitoria a chama. — Você vai com a gente?
— Oi?
Vitoria riu.
— Você não está prestando atenção em nada nesses últimos dias. O que está acontecendo com você, Laura?
Vitoria era uma das dançarinas da boate tentação. Sempre com um sorriso no rosto, a ruiva de curvas miúdas e olhos verdes, encantava com o seu bom humor.
— Nada demais, apenas problemas — respondeu Laura, suspirando.
— Entendi. Quando quiser conversar saiba que estarei aqui. Mas mudando de assunto. Juan nos dá uma noite de folga por mês. Nesse dia sempre saímos juntas para beber e dançar como qualquer pessoa faz. Vem com a gente, vai ser bom para você.
Laura ponderou.
Aquilo realmente seria bom para ela. Sair com pessoas e se divertir pelo menos uma vez era o que ela precisava.
— Sim. Quando?
— Amanhã às 20h.
“Que m*l haveria?”
Sorrindo, ela voltou a refazer sua maquiagem. Sempre escura e com os lábios marcados pelo batom vermelho. Os cabelos soltos, lingerie preta e saltos da mesma cor. Uma máscara prata coberta com pedras brilhantes, a deixava ainda mais sexy e misteriosa.
As horas se passaram até que finalmente chegasse a hora dela começar o show. Não sentia mais vergonha por estar ali tirando sua roupa e se expondo para vários homens desconhecidos, ela até gostava da sensação do frenesi que aquilo lhe causava. Estava sendo cobiçada, todos a queriam, mas ninguém poderia ter, nem tocar, ao menos que ela quisesse, pois, essa era a principal regra da boate.
Andando lentamente sobre seus saltos ao som calmo e sedutor da música, Laura começou a dançar. A maneira que ela se mexia, arrancava os mais brutais gemidos. Os homens estavam à beira da loucura, assim como Juan que a observava dançar todas as noites e desejava provar de toda aquela sedução que a morena tinha. Era a própria Afrodite, a deusa do amor e sexualidade.
“Gostosa! Tira tudo!”
Gritou alguém do meio da plateia.
“Gostosa!”
Gritavam sem parar.
Laura sorriu ao virar de costas e tirar seu sutiã.
Juan a encarou. Seus olhos pegando fogo e seu m****o duro, pulsante dentro da calça jeans.
Continuando a dançar de costas para a plateia, rebelou e lentamente tirou sua pequena calcinha rendada e os homens foram à loucura. Rodopiando nua sobre o palco, Laura encerrou a noite com um passo de balé, abrindo suas pernas e encostando sua v****a no chão.
Juan não se conteve, saiu às pressas de onde estava e correu para seu escritório. Ele precisava aliviar aquele desejo acumulado. Com a porta fechada de seu escritório, Juan se desfez da calça. Seus pensamentos foram de encontro com a imagem de Laura, nua e dançando para ele. Seu m****o pulsava, pedindo por libertação. Então, Juan começou a se masturbar. Aquilo era novo para ele e estranho. Ele nunca precisou fazer aquilo antes para satisfazer seus desejos, porém, Laura era diferente das outras mulheres. Gemendo feito um animal, gozou. Aquilo seria o suficiente para continuar o resto da noite ao lado dela.
Duas batidas na porta fizeram com que Juan jogasse alguns papéis sobre a mesa, onde ele havia acabado de despejar todo o seu desejo. Vestindo sua roupa, ele passou as mãos pelos cabelos e respirou.
— Pode entrar — disse, firme.
Laura entrou na sala cabisbaixa. Algo a incomodava, dava para ser notado a quilômetros de distância. Seu semblante estava carregado, suas sobrancelhas franzidas.
— Juan, precisamos conversar.