Capítulo 25

1233 Palavras
Ele a olhou de cima a baixo. Laura estava vestida com um roupão roxo, seus cabelos ainda estavam soltos e sua boca convidativa com aquele batom vermelho. — Diga. Ela respirou fundo. — Não gosto de ser forçada a fazer algo que não quero. Você foi até a minha casa e insinuou que eu fizesse algo que vai contra os meus princípios. Eu já disse que não tenho preconceito com quem faça, mas isso não é para mim. Então, estou aqui pedindo, por favor, que você evite de ir até a minha casa fazer tais tipo de convite. Nicolle é pequena, ela não sabe da merda que o nosso pai nos deixou e pretendo que continue assim. Juan não falou nada, apenas a ouviu. Ela ficava ainda mais linda quando estava determinada. A imagem da garota inocente de antes já havia sido destruída, agora ela estava mais forte, tinha se tornado uma mulher de verdade disposta a fazer o que fosse necessário para o bem de quem amava. — Estamos entendidos? — indagou ela. Cruzou os braços em frente aos seus s***s e o encarou séria. — Juan? — Não gosto de ser pressionado, Laura. — Ele caminhou até ela. Laura deu um passo para trás. — Aqui, quem faz as regras sou eu, e você as cumpri. Quando eu falar para você fazer alguma coisa, você faz. Se tem um teto para morar com sua irmã é por minha causa. Fui bondoso uma vez, Laura. Garanto que não serei de novo. Agora se me der licença, tenho assuntos para tratar. Laura estava furiosa. Ela tinha a certeza de que se pudesse o mataria naquele exato momento, porém, resolveu sair calada. O táxi deixou Laura em frente ao prédio onde ela morava, às onze e meia da noite. Ela estava cansada, mas acima de tudo, irritada por ele ter falado daquele jeito com ela. Laura caminhou para dentro do prédio, subiu os degraus até seu andar e parou em frente à porta do apartamento da senhora Judith. — Oi, minha filha — disse a senhora. — Chegou cedo. — É! — Laura respondeu, cansada. — Obrigada por cuidar da minha irmã. Com cuidado, Laura pegou Nicolle em seus braços. Sua irmã dormia tranquilamente, seu peito subia e descia devagar. — Ela é um amor. Boa noite. — Boa noite. Caminhando a passos lentos, Laura entrou em sua casa e deitou Nicolle em sua pequena cama cor-de-rosa. Deu um beijo em sua testa e saiu. Dentro do banheiro, despiu-se. Abriu o chuveiro e deixou que a água morna caísse em seus ombros, massageando seus músculos. Sua cabeça rodava sem parar, eram tantas coisas que ela nem sabia como ainda estava de pé. Uma noite era tudo o que ela queria para poder ser outra vez a velha Laura de antes. *** O sol m*l havia raiado e ela já estava de pé. Nervosa. Essa era a palavra que a definia naquela manhã de sexta-feira. Em frente ao espelho do banheiro, Laura penteava seu cabelo. Era um grande dia para ela, finalmente seu sonho de ter um trabalho comum se tornaria real. Seu corpo estava agitado com a possibilidade de recomeçar uma vida normal, mesmo que fosse apenas por meio período. Sua blusa impecavelmente branca de mangas três por quatro, combinava perfeitamente com a saia social preta que chegava quase aos joelhos. Os dois primeiros botões da blusa estavam abertos. Laura deixou a escova de cabelo sobre a pia do banheiro. Retocou o batom da cor nude e sorriu. — Vamos, meu amor? — disse ela à sua irmã ao sair do banheiro. — Você está muito bonita — comentou Nicolle. — Obrigada, Nick. Agora vamos, não podemos chegar atrasadas. — Laura pegou sua bolsa e a colocou no ombro. — Dona Judith irá buscá-la na escola. Obedeça. — Posso brincar com o Floquinho? — Pode, agora vamos. Nicolle sorriu, alegre. Ela adorava o cachorrinho branco que sua vizinha tinha em casa. Sempre que podia, ela corria para brincar com o filhotinho. Andando sobre seus saltos altos, Laura chamava atenção dos homens. Seus cabelos balançando ao vento, o aroma do perfume de flores do campo e claro, suas belas curvas eram a visão do paraíso para aqueles que a viam desfilar na calçada naquela manhã. Ela sabia que eles estavam olhando, sabiam também que estava em suas mentes sujas, imaginando como seria seu corpo sem aquela roupa, porém, aquilo não a incomodava mais. Laura sabia do seu poder de sedução e gostava das sensações que provocava nos outros. Assim que Nicolle entrou na escola, Laura apressou seus passos. Pontualidade, seriedade e profissionalismo essas eram as três palavras que sua mãe sempre dizia a ela. Faltavam dez minutos para as oito horas da manhã quando passou pela porta da frente do café. O sininho soou anunciando a sua chegada. O local estava vazio, mas Pietro havia dito através de uma mensagem, que ela poderia entrar assim que chegasse. E foi exatamente isso o que fez. — Olá? — disse Laura, desconfiada. — Tem alguém aqui? Pietro respirou fundo e saiu da cozinha. Passou pelo balcão e assim que Laura virou em sua direção, ele sentiu seu coração falhar uma ou duas batidas. — Laura... — gaguejou. — Você está... está muito bonita. — Obrigada, senhor Pietro. Ele a olhou sério como se a repreendesse. — Senhor? — perguntou ele. — Sou tão velho assim? Laura sentiu seu rosto queimar tamanha era a vergonha que ela sentia naquele momento. Pietro estava longe de ser velho. Seus olhos a encaravam de uma maneira diferente, era como se ele quisesse ler a sua alma, como se tentasse ver através da máscara de mulher normal e feliz que ela adotou logo depois que sua mãe faleceu e seu pai a abandonou. — Não, claro que não. Eu só estava sendo educada. Ele riu, revelando seus dentes incrivelmente brilhantes. — Eu estava brincando, mas peço que não me chame mais de senhor. Pode me chamar de Pietro. — Tudo bem, Pietro. — Ela parecia estar experimentando a sonoridade do nome do lindo homem parado à sua frente. — Vamos começar — disse ele. — O café abre as oito horas da manhã em ponto. O dono do estabelecimento chegará depois do almoço. Você vai ficar responsável pelo balcão, então Mary fica pelas mesas. — Entendi. — Você sabe usar uma máquina de café expresso, não é? — Arqueou uma sobrancelha. — Eu disse ao Sr. Koll, que você fazia um café maravilhoso. — Nada do que uns vídeos não ensinem. — Brincou. — A reforma começa hoje? Pietro andou até a porta e virou a pequena placa pendurada por uma correntinha branca, indicando que já estavam abertos. — Hoje irei ver o que o Sr. Koll tem em mente. Farei alguns esboços e o mostrarei. Se ele estiver de acordo, começaremos a reforma dentro de duas semanas no máximo. Mas confesso que já tenho algo em mente para melhorar esse lugar. Enquanto ele falava, Laura o observava atentamente. Seus braços se movimentavam enquanto ele apontava para as paredes. Ele parecia ser musculoso. A camisa preta de mangas compridas despertava a curiosidade em Laura de querer saber como ele era sem aquela camisa. Depois da breve explicação dele, Laura seguiu para o balcão onde iria trabalhar. O primeiro cliente chegou. Caminhou até o balcão e sentou em uma das banquetas livres.
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