Capítulo 12

1141 Palavras
- E se ele tiver outra pessoa e só está me usando ? - Será que tudo foi uma mentira? Não posso acreditar que faria isso! Me tranco no toalete e me sento no vaso sanitário , o odor forte de urina parece sumir e em momento algum me incomodo com aquilo. Desbloqueio o celular e olho algumas fotos com ele , minha perna não para de tremer. Respiro fundo até perceber, que o meu bruxismo veio a tona. Tantas coisas se passavam na minha cabeça, que antes de parar para pensar direito , e em como agir em tal situação. Saio da galeria e mando uma mensagem para ele em tom de ironia. - Por que não disse antes que tinha vergonha de mim , ou tinha outra pessoa ? Envio com os olhos em fúria. Levou questão de segundos para ele me responder. Sem entender, Benjamin apenas me perguntava o que tinha feito para que pensasse daquela forma. E me Pedindo desculpas mesmo sem ter feito nada . Talvez o medo de ser enganado me levasse ao extremo de começar a imaginar coisas onde não existia, de uma certa forma aquilo era um gatilho para mim. O fato de imaginar que alguém poderia estar me usando e depois querer me jogar fora me deixava louco. Para mim amar é ser sempre verdadeiro com o outro em todos os sentidos. E não iria admitir, que nem Benjamim nem ninguém fizesse aquilo comigo. - Eu não consigo compreender, meu amor. O que foi que eu fiz para me jogar uma intriga dessas ? Me responde. Ignoro... - Théo, você está aí ? Amor ? A pessoa que sofre de ansiedade é horrível, em momento algum parei para pensar que poderia estar sendo exagerado. Parte de mim sabia que poderia estar agindo por impulso e acabar afastando alguém que me amava, mas o outro lado aflorava uma ira que eu não conseguia controlar, desejava socar meu próprio rosto ou fazer qualquer coisa que pudesse me fazer pôr para fora toda aquela ira. Camila tinha toda razão quando falava que eu era Dramático, que fazia uma tempestade num copo d'água. Mas era medo de ser enganado, receio de servir de chacota ou pior , me transformar no passatempo dele e isso eu não iria admitir. Coloquei o meu celular no modo silencioso e joguei dentro da mochila. Ainda sentado dentro do toalete, roía minhas unhas impaciente as mãos ansiosas para pegar o celular , mas ao mesmo tempo com receio. Passando - se um tempo não consegui mais resistir aquela ansiedade, algo me mandava pegar o celular de volta e para minha surpresa, tinha uma mensagem sua dizendo que estava na cidade e que dissesse um lugar para que eu pudesse encontrá-lo. Boquiaberto lia e relia a mensagem e a acreditar no que ele tinha feito e sem pestanejar surgiu a ideia de onde poderíamos nos ver. - No shopping. Respondo... - Onde você está agora ? Onde estuda ? Eu vou agora até você. Ainda sem acreditar que ele seria capaz de sair feito um louco atrás de mim por uma cidade que m*l conhecia, sentia meu coração bater tão forte que chegava a pensar que a qualquer momento sairia pela boca. Estava com tanta saudade dele vontade de vê-lo de novo, beijar, sentir o cheiro do seu perfume que me deixava louco. Dizem que quando se ama alguém faz - se de tudo, o possível e o impossível acho que minha vó falou isso para mim e o meu amor me procurou feito um louco. Acredito que saiu perguntando o nome da instituição de qual eu estudava a cada pessoa que encontrava pelas ruas, e como a cidade que morava não era tão grande foi fácil de conseguir chegar até mim. Sua primeira reação ao me ver foi descer da moto feito um bobo apaixonado com flores em uma das mãos o capacete preto em detalhes amarelos e correr até mim. Quando vi aquela cena sentia vergonha das pessoas, que nos olhassem com indiferença e na minha posicao de estudante se passava em minha cabeca que em algum momento, algum colega homofobico surgisse do nada e nos atacasse juntamente com um grupo de atletas. Mas ele me beijou na frente de todos e perdido no doce sabor dos seus labios , esqueci de todos que estavam a nossa volta. Os aplausos tao altos que me sentia como se estivessemos sendo a atracao principal do momento o que na verdade, era. As flores seguradas por uma de suas mãos, enquanto a outra por trás de minha cintura transformando aquele beijo gay em uma cena de filme clichê adolescente. Anjos como Benjamim nao merecem garotos como eu, e rapazes com a minha insegurança nao são merecedores de homens perfeitos. Entregue aquele momento sentia como se estivesse prestes a flutuar. Por um momento cheguei a me sentir péssimo com meu ataque de ansiedade, talvez, ele não fosse quem pensei ser graças as intrigas que Luis me jogou. - Mas o que eu deveria fazer ? Tinha tanto medo de ser trocado ou enganado que chegava a me sentir ameaçado. Esquecendo do que tinha feito, apenas me deixei se envolver cada vez mais naquele beijo gostoso e lento. - Vem comigo! Ele me pede depois de largar os meus lábios. - Para onde ? Pergunto recuperando a minha respiração. - Não importa, só diz que sim e vem comigo, meu amor. Montando em sua garupa saímos sem rumo, na verdade eu sair porque Benjamin sabia exatamente para onde estava me levando. Sentindo o vento soprar no meu rosto, o ar puro adentrando nas minhas narinas enquanto meus braços por volta de sua cintura me fazia se sentir em paz. - Que lugar é esse ? Pergunto para mim mesmo sem saber para onde ele estava me levando, forçando minha mente vou criando ideias de onde poderia estar mas não fazia ideia do que estava acontecendo. A única coisa que eu tinha certeza era só que estava em outra cidade e bem longe de casa. Mas aos poucos os pingos foram sendo colocados nos "i" e comecei a perceber, que possivelmente estava onde eu jamais pensaria que poderia estar. - Não, você não está fazendo isso, Benjamim Soares. Será que estamos onde eu acho que estou ? Me questiono... A dúvida me consumia, e embora eu estivesse prestes a arrancar meu capacete e começar a roer as unhas, coisa que seria praticamente impossível, me mantive calado e na curiosidade até que paramos de frente uma casa de portões grandes e muros brancos. Com o coração prestes a pular de dentro do peito e com as mãos trêmulas e suadas, apenas desci de sua moto e agir como se nada estivesse acontecendo , mas com o desejo de sair correndo dali antes que ele tentasse me parar.
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