Já estava prestes a eu mesmo ter que tomar uma atitude e falar para Verônica que ele e eu éramos namorados, e gentil como ela era tinha certeza que se fosse uma surpresa a mesma saberia exatamente como lidar com a situação.
- Então, mãe! Senti como se o meu coração fosse parar quando ouvir Benjamin falar daquela forma.
- Será que é agora o tão esperado momento? Tento controlar tamanha emoção, sinto que as minhas mãos começam a suar e engolindo em seco olho de soslaio para ele esperando que finalize.
- Na verdade eu e o Théo não somos amigos. Tudo já tinha sido jogado da forma mais rápida possível, a compressão daquelas palavras era fato que nós dois éramos namorados.
De repente torci o lábio sem entender o que aconteceu a seguir. Contraindo as sobrancelhas e olhando para Verônica, que deu uma gargalhada que cheguei a pensar que estava sendo debochada e sarcástica.
- Desculpe - me por isso, mas é que desde que vocês dois passaram por aquela porta sabia exatamente o que vocês dois eram um do outro.
Aliviados em saber que ela tinha perfeita noção do que estava acontecendo foi fácil para conversarmos mais, sem receios que a mãe de Benji percebesse qualquer coisa que pudesse nos denunciar.
- Perdão, senhora. Ela me olha levantando uma das sobrancelhas.
- Desculpe, Verônica. Me corrigo.
- Mas como sabia ? Não me lembro de em momento algum mostrarmos algo que pudesse te fazer pensar que eu era o namorado do seu filho.
Começando uma conversa prazerosa ela me contou que sempre soube que Benji era Gay. Segundo ela: as mães sabem dessas coisas. E vindo dele era algo que praticamente todos já tinha ideia , não por ele ter jeito porque seu porte era realmente másculo.
Mas o fato de nunca ter levado uma garota em casa, as únicas mulheres que frequentavam seu quarto era ela e suas primas quando chegavam de viagem. Passava parte do seu tempo se dedicando aos estudos e aos desenhos que gostava de fazer. O que fazia daquilo o seu maior talento.
- É isso mesmo que eu estou vendo ? Uma reunião família e ninguém me chamou.
- Querido, que bom que está aqui. Esse é Théo o mais novo namorado do nosso Benjamin e m****o da família.
Admito que esperei ser escurrassado de lá quando olhei para Emanuel, senti como se estivesse prestes a ouvir coisas que jamais ouviria e passar por um momento constrangedor.
Alto. Braços peludos, barbudo. Levantando um ar de homem sério o que fazia com que pensasse que também era machista e preconceituoso. Mas tudo não se passou de uma breve impressão, tanto ele quanto a mãe de Benji eram pessoas maravilhosas.
Me receberam bem e com um sorriso de orelha a orelha. Todas as minhas paranóias tinha sido esquecidas depois que os conheci, meu Benjamin não era a pessoa que o meu subconsciente estava tentando me mostrar era só o cara que eu já conhecia. Amoroso, delicado, safado, fiel a mim e aos seus sentimentos.
Tivemos um dos melhores dias de nossas vidas, mesmo sendo tao pouco o que estava vivendo naquele tarde era o suficiente para eu saber que ali poderia me sentir em casa, sem preconceito, sem receio de sermos nós dois.
Ele acariciava os meus cabelos, beijava o meu rosto e falava que me amava, enquanto seus pais eram praticamente transparentes. Mesmo estando tão presentes nunca vi pessoas tão tranquilas ao ver um filho ao lado de outro homem trocando carícias de amor e nada daquilo chegar a incomodar eles.
E sempre tive a certeza do quanto eles passaram a me amar também com o passar do tempo. No natal fomos a fazenda de sua avó onde tivemos uma inesquecível noite de amor, lembro como se fosse ontem.
Meus dedos percorrendo pelo seu corpo, os lábios se tocando. A respiração ofegante e o desejo de nos amar transformando aquele momento único.
Andamos a cavalo, fomos até as colinas juntos com seus primos Tales e Aldemar.
Tomamos banho de cachoeira e juntos vivemos os dias mais lindos que alguém poderia viver. Tudo sempre se encaixou bem a nossa química a nossa amizade éramos como o perfeito casal, nada nem ninguém poderia atrapalhar aquilo.
Estar com Benjamim era sonhar os sonhos perfeitos, ele me falava que quando acordava a primeira coisa que vinha em sua cabeça era olhar para mim, acariciar o meu rosto enquanto estava adormecido e falando baixinho soltava as palavras mais sensatas e verdadeiras que o seu coração sentia "Eu amo você"
- Você tem me que dizer isso quanto eu estiver acordado do seu lado. Era o que sempre falava.
-Uma vez ouvi de minha avó que quando a gente fala que amamos alguém enquanto elas dormem, as nossas palavras entram no subconsciente da outra pessoa para que ela nunca esqueça o quanto a amamos.
Era o que ele sempre respondia tornando aquilo a minha estória favorita.
Estávamos em nosso último quando começamos a fazer planos. Iríamos morar juntos. Seus pais eram donos de uma loja no centro da cidade e pelo que entendi, Benjamim sonhava em trabalhar lá para poder ter o próprio dinheiro para não viver dos pais.
Eu já tinha um pensamento contrário, não que desejasse passar a vida inteira morando com meus pais, mas sempre desejei terminar o ensino médio e entrar na universidade.
Com o passar dos meses e a formatura do ensino médio se aproximando meus nervos estavam a flor da pele, tinha prestado vestibular e de antemão já tinha passado com a maior nota de toda a classe.