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Entre segredos e Suspiros

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Sinopse

Disfarçada de intérprete para obter informações valiosas, ela buscava seduzir o chefe da máfia, mas despertou o olhar do guarda-costas do inimigo. Entre tentação e perigo, o que pesa mais: o dever ou o amor?

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1
Scarlett. Os dois homens à minha frente personificam o perigo. Eles não apenas sugerem isso — eles irradiam. Como se o ar ao redor deles tivesse sido afiado. Um é loiro, o outro moreno. Pela lógica, deveriam ser opostos completos, homens moldados por naturezas diferentes. E ainda assim, há algo perturbadoramente semelhante entre eles. A mesma presença. A mesma pressão invisível. O mesmo aviso instintivo que desliza pela minha espinha e me deixa gelada por dentro. — Tenho um assunto delicado que gostaria de discutir com você — diz Konstantin Romanov, o oficial russo sentado ao meu lado. Seus olhos desbotados, quase sem cor, permanecem fixos no homem de cabelos escuros do outro lado da mesa. Romanov fala em russo, em um tom calculado e controlado. Eu traduzo imediatamente, meu inglês fluido e preciso, sem qualquer traço de sotaque. Anos de treinamento garantem que não haja hesitação. Sou uma intérprete excelente — mesmo que esse não seja meu verdadeiro trabalho. — Prossiga — responde o homem de cabelos escuros. Otávio Zaytsev. Eu sei o nome dele. Sei sua reputação. Memorizei cada detalhe do dossiê que estudei esta manhã. Um dos traficantes de armas mais poderosos em atividade. Impiedoso. Escorregadio. Obscenamente rico. Ele é o motivo de eu estar aqui. O verdadeiro objetivo. Querem que eu me aproxime dele. Perto o suficiente para ouvir. Perto o suficiente para interpretá-lo. Perto o suficiente, se necessário, para quebrá-lo. Não deveria ser difícil. Ele é absurdamente bonito de um jeito quase calculado. A pele morena contrasta com os olhos azuis intensos — olhos que analisam, calculam, pesam tudo o que tocam. Em outra vida, em outras circunstâncias, eu poderia me sentir genuinamente atraída por ele. Se não fosse por aquela sensação. Aquele frio sutil que sussurra perigo, não importa o quão encantador seu sorriso pareça. Ainda assim, atração pode ser fabricada. Interesse pode ser encenado. Se eu precisar fingir, eu fingirei. Ele não vai perceber. Eles nunca percebem. — Tenho certeza de que você está ciente das dificuldades em nossa região — continua Romanov. — Gostaríamos que nos ajudasse a resolver essa questão. Traduzo, escondendo o aumento de adrenalina que pulsa sob minha postura serena. Petrov estava certo. Algo está acontecendo aqui. Algo perigoso. Ele suspeitou no instante em que soube que Zaytsev estaria em Moscou. Esta reunião só confirmou. — Ajudar como? — pergunta Zaytsev. Seu tom é casual, quase entediado, como se estivéssemos discutindo o clima, e não um conflito armado. Enquanto traduzo sua pergunta, meu olhar desliza — apenas por um instante — para o outro homem à mesa. Cabelo loiro. Corte curto. Preciso. Quase militar. Christian de luca. O braço direito de Zaytsev. Tenho evitado encará-lo. Ele me inquieta mais do que o próprio chefe. Talvez porque não tenha dito uma única palavra. Talvez porque o silêncio, em homens como ele, nunca seja vazio. Felizmente, ele não é meu alvo. Não preciso encantá-lo, nem fingir interesse. E ainda assim, meus olhos traem minha intenção, voltando aos traços duros de seu rosto como se fossem puxados por gravidade. Alto. Ombros largos. Corpo forte sob o terno impecável. O maxilar quadrado e a expressão severa lhe dão a aparência de algo antigo e brutal. Ele me lembra um Bárbaro — um guerreiro das lendas russas. Nobre. Implacável. Feito para batalhas, não negociações. Ele percebe meu olhar. Seus olhos claros se erguem e se fixam nos meus, afiados e inabaláveis. O contato dura menos de um segundo, mas é suficiente. Um arrepio percorre meu corpo. Desvio o olhar rapidamente, controlando minha expressão. Aqueles olhos me lembram lascas de gelo no inverno — azul-acinzentadas, impiedosas e letais. Graças a Deus, não é ele que preciso seduzir. Seria muito mais fácil fingir desejo pelo chefe. — Existem certas regiões da Ucrânia que necessitam de nossa assistência — diz Romanov. — No entanto, considerando o atual estado da opinião mundial, seria… problemático prestarmos essa ajuda diretamente. Traduzo com rapidez, concentrando-me novamente no que realmente importa. É por isso que estou aqui. Coletar informações vem primeiro. Sedução é secundária — embora provavelmente inevitável. — Então vocês querem que eu resolva isso por vocês — conclui Zaytsev. Romanov confirma com um aceno enquanto traduzo. — Sim. Gostaríamos que uma remessa significativa de armas e suprimentos fosse entregue aos combatentes da liberdade em Cazã. A operação não pode ser rastreada até nós. Em troca, você receberá sua taxa habitual e passagem segura para o Camborja. Quando transmito as palavras, os lábios de Zaytsev se curvam em um sorriso frio. — Só isso? — Também preferiríamos que você evitasse negociações com a Ucrânia neste momento — acrescenta Romanov. — Dois bancos e um único traseiro, como diz o ditado. Faço o possível para traduzir com fidelidade, embora a frase perca parte do impacto em inglês. Ainda assim, memorizo cada palavra. Cada nuance. Cada implicação. Petrov vai querer todos os detalhes. É exatamente o que ele temia ouvir. — Receio que isso exija compensação adicional — diz Zaytsev com suavidade. — Como você sabe, não costumo tomar partido em conflitos como esse. — Sim, sabemos — responde Romanov. Ele leva à boca um pedaço de peixe salgado — e mastiga lentamente, observando Zaytsev com um olhar avaliador e impassível. — Talvez você reconsidere essa posição no nosso caso. A União Soviética pode ter acabado, mas nossa influência nesta região permanece… considerável. — Eu sei muito bem — diz Zaytsev, com um sorriso afiado e predatório. — Acha que eu estaria sentado aqui se não soubesse? Mas neutralidade é uma mercadoria cara de se abandonar. Tenho certeza de que entende. O olhar de Romanov se torna mais duro. — Entendo. Estou autorizado a oferecer vinte por cento acima da sua taxa habitual pela cooperação. — Vinte por cento? — Zaytsev solta uma risada baixa. — Quando vocês estão reduzindo meus lucros potenciais pela metade? Não me parece suficiente. Depois que traduzo, Romanov serve-se de vodca, girando o líquido transparente no copo antes de falar novamente. — Vinte por cento a mais — diz ele por fim — e o terrorista da Al-Quadar capturado será entregue sob sua custódia. Ele faz uma pausa, deixando as palavras se acomodarem no ar pesado da sala. — Esta é nossa oferta final. Traduzo as palavras dele e lanço outro olhar discreto para o homem loiro, inexplicavelmente curiosa para ver alguma reação. Christian de luca não disse uma única palavra durante toda a reunião, mas sinto — com uma certeza quase instintiva — que ele observou tudo. Que absorveu tudo. E, pior ainda… Que me observou. Ele suspeita de alguma coisa? Ou é apenas atração? Seja qual for o motivo, isso me preocupa. Homens como ele são perigosos por natureza. E tenho a sensação inquietante de que Christian de luca é mais perigoso do que a maioria. Há algo nele que não combina com simples lealdade ou eficiência. É como se ele estivesse sempre três movimentos à frente de todos na sala. — Então temos um acordo — diz Zaytsev. É nesse momento que percebo que está feito. Aquilo que Petrov temia está se concretizando. Os russos conseguirão as armas para os chamados “combatentes da liberdade”, e o caos na Ucrânia atingirá proporções épicas. Uma parte de mim registra o peso político daquilo. Outra parte simplesmente arquiva como informação. No fim das contas, é problema de Petrov, não meu. Meu trabalho é sorrir, parecer agradável e traduzir — o que faço pelo restante da refeição, mantendo a postura perfeita, o tom controlado e a expressão serena. Quando a reunião termina, Romanov permanece no restaurante para conversar com o proprietário. Eu saio acompanhada de Zaytsev e de luca. Assim que atravessamos a porta, o frio cortante me atinge como um tapa. O casaco que estou usando é elegante, perfeitamente ajustado ao meu corpo — mas completamente inútil contra o inverno russo. O frio atravessa o tecido e se infiltra direto nos ossos. Em segundos, meus pés parecem blocos de gelo, as solas finas dos meus saltos altos oferecendo proteção quase inexistente contra o chão congelado. Preciso agir rápido. — Vocês se importariam de me dar uma carona até a estação de metrô mais próxima? — pergunto quando eles se aproximam do carro. Minha voz sai controlada, mas meus dentes quase batem. Estou visivelmente tremendo, e conto com o fato de que até criminosos implacáveis não deixarão uma mulher bonita congelar sem motivo. — Fica a uns dez quarteirões daqui. Zaytsev me observa por alguns segundos, avaliando. Então faz um gesto curto para de luca. — Reviste ela. Meu coração acelera imediatamente quando o loiro se aproxima. O rosto dele permanece inexpressivo enquanto as mãos grandes e firmes percorrem meu corpo da cabeça aos pés. É uma revista profissional — técnica, objetiva. Ele não tenta ultrapassar limites, não há insinuação no toque. Ainda assim, quando termina, estou tremendo por outro motivo. O frio dentro de mim é agravado por uma onda indesejada de consciência física. Não. Forço minha respiração a se estabilizar. Essa não é a reação que preciso ter. Ele não é o homem ao qual devo reagir. — Ela está limpa — diz de luca, afastando-se. Eu solto o ar devagar, tentando disfarçar o alívio. — Certo, então. — Zaytsev abre a porta traseira para mim. — Entre. Eu entro e me sento ao lado dele no banco de trás, agradecendo mentalmente quando de luca assume o banco da frente ao lado do motorista. Agora estou na posição ideal para agir. — Obrigada — digo, oferecendo meu sorriso mais caloroso a Zaytsev. — Eu realmente agradeço. Este está sendo um dos piores invernos dos últimos anos. Para minha decepção, não há sequer um lampejo de interesse no rosto bonito do traficante. — Sem problema — ele responde, já puxando o celular. Um sorriso surge em seus lábios sensuais enquanto lê a mensagem na tela e começa a digitar uma resposta. Eu o observo atentamente. O que poderia tê-lo deixado de tão bom humor? Um acordo fechado com sucesso? Uma oferta melhor do que o esperado? Seja o que for, está desviando sua atenção de mim — e isso não é bom. — Vai ficar muito tempo na cidade? — pergunto, suavizando a voz, deixando-a mais baixa, mais envolvente. Quando ele olha para mim, cruzo as pernas devagar, o comprimento delas destacado pela meia-calça preta e sedosa que estou usando. — Posso lhe mostrar a cidade, se quiser — acrescento, sustentando seu olhar, tornando minha expressão o mais convidativa possível. Homens não sabem diferenciar isso de desejo genuíno. Se uma mulher parece querer, eles acreditam que ela quer. E, para ser justa, a maioria das mulheres realmente o desejaria. Ele é mais do que bonito — é impressionante. Mulheres fariam qualquer coisa por uma noite na cama dele, mesmo com aquela aura sombria e c***l que percebo sob a superfície. O fato de ele não despertar nada em mim é um problema meu. Um problema que preciso resolver se quiser concluir minha missão. Não sei se Zaytsev percebe algo errado em mim ou se simplesmente não sou o tipo dele, mas em vez de aceitar minha oferta, ele apenas me lança um sorriso frio. — Agradeço o convite, mas partiremos em breve. E temo estar cansado demais para fazer justiça à sua cidade esta noite. Merda. Escondo minha frustração atrás de outro sorriso. — Claro. Se mudar de ideia, sabe onde me encontrar. Não posso insistir mais sem levantar suspeitas. O carro para diante da entrada da estação de metrô. Eu desço, tentando formular mentalmente como vou explicar meu fracasso nesse aspecto da missão. Ele não me quis? Sim, isso vai soar excelente no relatório. Solto um suspiro e aperto o casaco contra o peito, apressando-me escada abaixo para o metrô subterrâneo, determinada ao menos a escapar do frio — mesmo que não tenha conseguido avançar um centímetro com meu verdadeiro alvo. E, enquanto desço para o calor abafado da estação, não consigo evitar a sensação desconfortável de que, apesar de tudo, não foi Zaytsev quem realmente me avaliou naquela noite. Foi Christian de luca.

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