Christian.
Eu entro no banheiro e fecho a porta com um movimento controlado, tomando cuidado para não bater com força demais.
Controle — é disso que eu preciso agora.
Controle… e distância dela.
Meu corpo inteiro está tenso, meu p*u está comprimido dentro do jeans como se fosse explodir a qualquer segundo. Nunca estive tão perto de ter uma mulher… e simplesmente parar. Nunca neguei a mim mesmo algo que eu desejasse tanto.
Ela estava ali.
Estendida sob mim.
O corpo longo, esguio, completamente exposto… vulnerável.
Eu poderia tê-la tomado da maneira que quisesse. Poderia ter descarregado toda a minha raiva naquele corpo delicado, afogando aquela fome que vem me consumindo há tanto tempo.
Mas não fiz.
Eu a deixei ir.
— Filho da p**a… — rosno baixo, encarando meu reflexo no espelho.
A fúria está ali, estampada no meu rosto. Fúria… e frustração.
Ela me queria. Eu senti. Senti a resposta do corpo dela, a forma como reagia ao meu toque… e mesmo assim, eu recuei.
Apesar da necessidade queimando nas minhas veias, apesar do desejo quase insuportável… eu não consegui atravessar aquela linha.
Não consegui forçá-la.
Desvio o olhar, passando a mão pelos cabelos curtos, irritado comigo mesmo. Nos últimos anos, fiz coisas muito piores. A serviço de Zaytsev, matei… torturei… homens e mulheres. E não senti nada.
Nada.
Então por que com ela é diferente?
Tomar Scarlett deveria ter sido a coisa mais fácil do mundo. Eu tenho pensado nela, desejado ela, todas as noites pelos últimos dois meses.
E ainda assim… eu parei.
Porque o medo na voz dela era real.
E eu não consegui ignorar isso.
Trinco os dentes com força, levantando a camisa para examinar o torso. Não há sangue onde a arma de Scarlett me atingiu de raspão, mas há um arranhão vermelho, vivo, ardendo.
Ela mirou para matar.
Provavelmente no meu rim.
Se eu tivesse sido um segundo mais lento, estaria sangrando naquele chão, em uma dor infernal… se ela não tivesse simplesmente cortado minha garganta antes.
Minha mandíbula ainda pulsa onde o pé dela me acertou. Um lembrete constante do que ela realmente é.
Perigosa.
Imprevisível.
Traiçoeira.
O mais inteligente teria sido deixá-la com os russos.
— Não. — a negação vem instantânea, física.
Meu corpo inteiro se enrijece só com a ideia.
Agora que ela está aqui… comigo… a simples possibilidade de outra pessoa tocá-la, machucá-la, quebrá-la.
É insuportável.
Algo dentro de mim se fecha, possessivo, brutal.
Ela é minha.
Minha para punir.
Minha para desejar.
Minha.
Ninguém mais vai encostar nela.
Nunca mais.
Com movimentos tensos, eu desço o zíper do jeans, tentando aliviar a pressão que me consome. Fecho os olhos, apoiando a mão na pia, a respiração pesada.
E então… ela está lá.
Na minha mente.
O corpo dela sob o meu. O calor. A forma como se encaixaria em mim, como reagiria, como…
Solto um som baixo, quase um rosnado, a tensão finalmente se rompendo enquanto a imagem dela me arrasta para o limite.
Leva menos de um minuto.
Quando tudo acaba, eu permaneço ali, imóvel, respirando com dificuldade, o corpo ainda vibrando com o resquício da descarga… mas a frustração continua.
Porque não foi ela.
Abro os olhos devagar e encaro meu reflexo outra vez.
E a verdade me atinge com força brutal:
Isso não resolveu nada.
Só piorou.
Porque agora eu sei exatamente o quanto a quero…
E o quanto vai ser difícil continuar me controlando.
Uma criança.
Ela era uma p***a de uma criança quando a colocaram em Moscou… quando a empurraram para aquele mundo e a obrigaram a se deitar com aqueles políticos nojentos.
A fúria que explode dentro de mim é quente o suficiente para me consumir por dentro.
Levei cada grama de autocontrole que eu tinha para esconder isso dela. Se eu não tivesse saído da casa naquele momento, teria socado a parede até meus ossos cederem.
E mesmo agora… uma hora depois… o impulso ainda está aqui.
Então eu desconto no saco de areia à minha frente.
Um golpe.
Outro.
E mais outro.
Cada impacto é carregado de tudo que está fervendo dentro de mim — raiva, frustração, algo mais escuro que eu não quero nomear. O couro range sob meus punhos, balançando violentamente a cada pancada.
Consigo sentir os olhares.
Os outros homens estão observando.
Faz quarenta minutos que estou nisso, sem parar, sem nem pegar água. Suor escorre pelo meu corpo, meus músculos queimam… mas eu não paro.
Não consigo.
— Christian, seu gringo maluco… o que deu em você?
A voz quebra minha concentração.
Eu me viro rápido, o corpo ainda tenso, pronto para outro golpe — mas encontro Diogo ali, sorrindo, os dentes brancos contrastando com o rosto bronzeado.
— Não devia estar guardando essa energia pra sua prisioneira?
— Vai se f***r, pendejo.
Minha resposta sai automática, áspera. Pego a garrafa de água do chão e bebo um gole longo, tentando apagar o fogo na garganta.
Normalmente eu gosto do Diogo.
Mas agora…
Agora estou a um passo de usar ele no lugar do saco de areia.
— Minha prisioneira não é da sua conta.
— Eu ajudei a trazer ela pra cá — ele rebate, ainda com um resquício de sorriso, mas já mais cauteloso. — Então meio que é da minha conta.
A expressão dele muda.
— Foi ela que causou aquele acidente, né?
Passo a mão pelo rosto, limpando o suor.
— O que te faz pensar isso?
Eu achava que só Zaytsev, Peter e eu sabíamos do envolvimento dela.
Diego dá de ombros.
— A gente pegou ela numa prisão russa… e todo mundo sabe que os ucranianos estavam por trás daquilo. Só juntei as peças. E… parece meio pessoal pra você, então…
Ele não termina.
Meu olhar deve dizer o suficiente.
— Como eu disse… ela não é da sua conta.
Minha voz sai fria agora. Cortante.
A última coisa que eu quero é falar sobre Scarlett com qualquer um deles.
Porque isso… isso deveria ser simples.
Vingança.
Direta. Limpa. Inevitável.
Mas não é.
Nada nisso é simples.
A garota amarrada na cadeira da minha sala não é quem eu pensei que fosse… e eu não faço ideia do que fazer com isso.
— Tá, beleza, relaxa — Diogo levanta as mãos, recuando um pouco. Então, com aquele maldito sorriso voltando: — Só me diz uma coisa… você já comeu ela? Mesmo com cheiro de prisão, deu pra ver que…
Meu punho encontra o rosto dele antes que ele termine.
Não é uma decisão.
Não é consciente.
É instinto.
A fúria simplesmente explode.
Diogo cambaleia para trás com o impacto, mas eu não paro. Avanço, derrubando-o no chão, ignorando a dor na minha perna enquanto o imobilizo.
E então eu descarrego.
Um soco.
Outro.
Outro.
O rosto dele vira para o lado com a força dos golpes, o choque estampado nos olhos.
— De Luca, que p***a é essa?!
Mãos firmes agarram meus braços, me puxando para trás. Eu tento me soltar por um segundo, ainda cego de raiva.
— Se acalma, cara!
— O que está acontecendo aqui?
A voz de Zaytsev corta tudo.
Fria.
Autoritária.
Como água gelada jogada sobre chamas.
Minha cabeça clareia o suficiente para eu perceber que Thomas e Eduardo estão me segurando, e Zaytsev está parado na entrada do ginásio, observando.
— Só um desentendimento.
Minha voz sai controlada, mesmo com o sangue ainda pulsando nas têmporas.
Eles hesitam… então me soltam.
Dou um passo para trás, ajustando a postura, forçando a calma de volta para o meu corpo.
Olho para Diogo.
O nariz dele está sangrando. O olho esquerdo já começando a inchar.
Droga.
— Foi m*l, Diogo. — passo a mão pelo cabelo, exalando devagar. — Hora errada.
— É… sem dúvida — ele resmunga, levantando com dificuldade. — Vou pegar gelo pra isso.
Ele sai rápido dali.
Zaytsev me encara, avaliando.
Eu dou de ombros, como se não fosse nada.
Como se eu não tivesse quase espancado um homem por abrir a boca.
Por sorte… ele não insiste.
Em vez disso, menciona uma ligação com um fornecedor de Hong Kong mais tarde — quer que eu esteja presente — e então volta para o escritório.
E eu fico ali.
Com os outros homens.
Atirando em latas de cerveja.
Rindo no automático.
Fingindo normalidade.
E tentando, com tudo que tenho…
Não pensar nela.
Na garota amarrada na minha casa.
Na criança que eles destruíram.
Na mulher que agora… eu não consigo tirar da cabeça.