Scarlett.
Com os joelhos tremendo, me encosto na porta fechada do banheiro e tento acalmar minha respiração ofegante. O que quase aconteceu naquela cozinha não deveria ter me assustado tanto, mas foi muito parecido com o que aconteceu antes... muito parecido com aquele lugar sombrio do qual lutei tanto para escapar. A posição — de bruços e indefesa, com um homem determinado a me punir em cima de mim — era familiar demais, e entrei em pânico.
Entrei em pânico como aquela adolescente de quinze anos que eu achava ter enterrado.
Talvez não tivesse sido tão r**m se tivesse sido outra pessoa —
qualquer outra pessoa. Eu poderia ter erguido aquela muralha mental de aço, aquela que me manteve sã antes. Se medo e repulsa fossem tudo o que eu sentisse por Christian, teria sido mais fácil.
Se eu não tivesse tido aquelas fantasias estúpidas sobre ele na prisão, teria sido menos devastador.
Respirando fundo, me obrigo a me levantar da porta e usar o banheiro. Só tenho alguns minutos antes de Christian voltar para me buscar, e não posso me dar ao luxo de desperdiçá-los assim. Enquanto lavo as mãos e escovo os dentes, encaro o espelho, tentando me convencer de que consigo fazer isso — de que posso suportar qualquer punição que ele escolher me impor, mesmo que seja de natureza s****l.
— Seu tempo acabou. — Sua voz grave me assusta, e percebo que estava parada ali, deixando a água correr. — Saia.
O pânico me invade.
— Só um segundo — grito.
Não estou pronta para isso. Não estou pronta para ele. Pela primeira vez em semanas, comi uma refeição normal e tomei um banho, e de alguma forma isso só piora as coisas. Porque agora que me sinto quase humana, tenho plena consciência da minha
nudez e de como estou à mercê de um homem que quer me machucar.
Com o coração acelerado, examino o banheiro. Christian não seria e******o o suficiente para deixar uma arma por aí, mas eu não preciso de muita coisa. Meu olhar
cai sobre a escova de dentes de plástico que acabei de usar, e eu a pego. Usando as duas mãos, quebro o cabo ao meio. Como eu esperava, um lado fica afiado e serrilhado, e eu o seguro com força, escondendo-o na minha mão direita.
Respirando fundo novamente, abro a porta e saio.
— Pronto — digo, esperando que ele não perceba o esforço na minha voz.
— Vamos. — Christian segura meu braço esquerdo, e eu tropeço, de propósito desta vez. Ele se vira para me amparar, e nesse momento eu golpeio para cima com minha arma improvisada, mirando em seu rim. Desligo a parte do meu cérebro que se encolhe ao pensar em machucá-lo, a parte onde essas fantasias ainda vivem, e deixo meu treinamento assumir o controle.
Ele se contorce no último instante, seus reflexos extremamente rápidos, e eu o atinjo de raspão no torso em vez de esfaqueá-lo. A escova de dentes quebrada prende na camisa dele, me obrigando a soltá-la, mas isso não me impede. Ele ainda segura meu braço, então caio no chão, deixando todo o meu peso pendurado nele, e chuto com a perna direita. Meu pé acerta o queixo dele, o impacto me causando uma onda de dor, mas ele cambaleia para trás — o que me dá a fração de segundo que preciso para me livrar de seu aperto.
Levantando-me rapidamente, corro para a cozinha, desesperada para pegar uma faca, mas antes que eu possa dar mais de dois passos, ele me derruba por trás.
Consigo me virar, rolando um pouco enquanto caímos no tapete, e meu cotovelo bate com força em seu estômago duro. O impacto deixa meu braço dormente. Ele continua rolando sem sequer grunhir, e um instante depois me imobiliza, suas mãos segurando meus dois pulsos e os levantando acima da minha cabeça ao mesmo tempo em que suas pernas poderosas prendem as minhas ao chão.
Não consigo me mexer. Estou novamente indefesa sob ele.
Respirando com dificuldade, encaro-o, meu estômago se contraindo de pavor enquanto aguardo sua retaliação. Nossa briga o excitou; consigo sentir o volume duro em sua calça jeans contra minha barriga nua. Ou talvez ele ainda esteja e******o de antes.
De qualquer forma, sei como ele vai me punir.
Ele também respira pesadamente, seu peito subindo e descendo sobre mim. Consigo ver a raiva queimando em seus olhos pálidos — raiva e algo muito mais primitivo.
Para meu espanto, uma pequena onda de calor percorre meu corpo, minha mente trocando o horror da minha situação atual com o prazer estonteante daquela noite. Eu também estava deitada sob ele naquela época, e meu corpo parece não entender que era diferente.
Que o homem sobre mim não quer apenas meu corpo. Ele quer vingança.
Ele abaixa a cabeça, e eu congelo, quase sem respirar enquanto seus lábios roçam minha orelha esquerda. — Você não deveria ter feito isso — ele sussurra, o calor úmido de sua respiração queimando minha pele.
— Eu ia te dar mais tempo, deixar você ficar mais forte, mas chega… Sua boca pressiona meu pescoço, e eu sinto sua língua roçando a área delicada, como se estivesse saboreando-a.
— Você esgotou toda a minha paciência, linda.
Eu estremeço, tentando me afastar daquela boca quente e perversa, mas não tenho para onde ir. Ele está ao meu redor, seu corpo musculoso grande e pesado sobre o meu. A breve explosão de energia que senti após a refeição se foi, minha força inexistente após semanas de privação. Exausta, paro de lutar — e percebo que o tentáculo de calor está se expandindo em minha direção.
meu âmago, me deixando úmida com uma necessidade indesejada.
— Christian, por favor. — Não sei por que estou implorando. Acabei de tentar feri-lo; ele nunca mais terá misericórdia de mim. — Por favor, não faça isso.
A resposta irracional do meu corpo deveria ter tornado isso mais fácil de suportar, mas apenas destaca minha impotência, minha completa falta de controle. Não consigo encarar isso com ele. Isso me destruiria.
— Por favor, Christian…
Ele se move sobre mim, sua boca ainda pairando perto da minha orelha.
— Não fazer o quê? — ele murmura, transferindo meus dois pulsos para uma de suas grandes palmas. Movendo a mão livre, ele a encaixa entre nós, seus dedos deslizando entre minhas coxas para encontrar minha i********e.
— Isso? — Seu polegar pressiona meu c******s enquanto seu indicador me penetra.
Eu me arrepio com a invasão, o calor interno se transformando em uma dor pulsante. Meus m*****s se contraem e sinto meu corpo ainda mais lubrificado, ansioso por um ato que despedaçaria minha alma.
— Não. Por favor, não. — Lágrimas, lágrimas estúpidas e patéticas, vêm e não consigo contê-las. Elas escorrem e rolam pelas minhas têmporas, fazendo-me arder de vergonha pela minha fraqueza.
— Não, por favor…
Seu dedo penetra mais fundo em mim e as antigas lembranças me invadem, levando-me de volta àquele lugar escuro e sufocante. Minha respiração se transforma em ofegância frenética, minha voz se elevando.
— Por favor, Christian, não!
Para minha surpresa, ele para e, com um palavrão, rola para o lado, levantando-se com fluidez.
— Levante-se — ele rosna, agarrando meus braços para me puxar para cima. Assim que consigo ficar de pé, ele me arrasta para a sala de estar e me empurra para o sofá, rangendo os dentes:
— Se você se mexer...
Atordoada, observo-o desaparecer na esquina e reaparecer um instante depois carregando uma cadeira e um rolo de corda. Ele coloca ambos no
meio da sala. Não me mexi — estou tremendo demais para isso — e não ofereço resistência alguma enquanto ele me pega, me coloca na cadeira e amarra meus braços atrás das costas, prendendo-os contra a estrutura de madeira resistente da cadeira. Em seguida, ele usa mais corda para amarrar meus tornozelos às pernas da cadeira, deixando-os afastados.
Quando termina, ele se levanta e me encara. O volume em suas calças jeans ainda está lá, mas o calor em seus olhos esfriou, transformando-os em lascas de gelo familiares.
— Volto em alguns minutos — diz ele asperamente.
— Quando eu voltar, é melhor você estar pronta para conversar. — E antes que eu pudesse responder, ele saiu da sala, me deixando amarrada, nua e sozinha.