Capítulo 70
Antonella narrando
Foram mais de dois dias viajando, eu estava cansada, com sono, tinha passado muito m*l durante a viagem, era obvio que eu jamais voltaria para o mesmo lugar que Toco tinha me encontrado, que a gtente tinha conhecido, eu sabia que esse seria o primeiro lugar que ele me encontraria.
Eu bato palmas na frente daquela casa, logo ela sai de dentro dela, ela me olha de cima a baixo e parecia não acreditar que eu estava ali.
— Eu imaginava ver o d***o aqui na minha frente, mas não você – ela fala me encarando – volta para o lugar que você veio.
— Eu não tenho como voltar para o lugar que eu vim – ela me encara – estou ameaçada de morta, não tenho para onde ir.
— Aqui você não fica, você deveria ter morrido junto com as suas irmãs ou até mesmo no lugar delas.
— Eu não tive culpa pela morte delas, a senhora não pode me culpar.
— Você teve, você foi a única que sobreviveu.
— Eu tentei impedir, elas não me escutaram – eu falo para ela e ela me encara
— Vai embora daqui Antonella – ela fala me encarando.
— Por favor, me deixe ficar. Eu estou grávida – eu falo para ela e ela me encara
— Você está o que?
— A mesma coisa que você, meu pai estendeu a mão para você, quando você estava grávida de três meninas, não era? – ela me encara – criou suas filhas, te deu um lar, te deu tudo.
— Olha onde eu estou – ela fala me encarando – você acha disso agora de lar? – eu olho para os lados – eu vivo nessa lixeira, nesse fim de mundo, nem energia nos temos aqui. VocÊ quer o que? Vai trabalhar como p**a desses caminhoneiros que atravessam essa balça para sustentar essa criança?
— Se for preciso – eu olho para ela – eu não tenho medo de nada e você sabe disso.
— Aqui na minha casa você não vai ficar – ela fala
— Eu não tenho para onde ir.
— Você não foi para uma zona antes? – ela pergunta e eu a encaro – tem uma perto do rio, só descer essa estrada de areia dos infernos e ir até lá. Mas jamais diga que é minha filha, não quero ser relacionada com você.
Ela entra para dentro e uma lagrima desce pelo meu rosto.