Geovanna
Sábado, 20:00
Olhei para o relógio e vi que já era hora. Desliguei a TV e subi para me transformar. Banho tomado, escolhi um vestido azul de manga longa que moldava bem o corpo e um tênis branco para aguentar a noite. Enquanto terminava, o celular tocou.
📞 Ligação
Luana: Vai vir para o baile?
Geovanna: Com certeza.
Luana: Te espero na entrada, então.
Geovanna: Tô saindo agora.
A campainha tocou. Era o Benício. Entramos no carro dele e fomos para o morro. Ao descermos, ele apoiou a mão na minha cintura, possessivo. Luana nos viu na entrada e me puxou de canto imediatamente.
— O que está fazendo com ele, Geovanna?
— Ele me chamou e eu aceitei. Não estava a fim de dirigir hoje — dei de ombros.
Damos um perdido no Benício e subimos para o camarote.
Luana
Eu estava deitada quando lembrei do baile. Me arrumei rápido: cropped preto de manga longa, saia preta e tênis combinando. Desci e encontrei meu primo na sala, ainda com roupa de casa.
— Não vai hoje, PG?
— Acabei de chegar. Vou me arrumar agora. Me espera?
— Espero.
Ele subiu e, vinte minutos depois, desceu impecável: bermuda jeans clara rasgada, camiseta branca e tênis branco. Fomos para o baile e subimos para o camarote. Encontramos PK, MPM e os outros. Geovanna chegou logo depois.
Geovanna
Entramos no camarote e, por um milagre, a Marcela não estava lá. PG veio na minha direção, me puxou pela cintura e me deu um beijão.
— Gostosa... — ele sussurrou, apertando minha b***a.
— Isso porque nem estou produzida hoje — brinquei, pegando um copo de bebida.
Fiquei ali, abraçada com ele, mas de olho no relógio. A ansiedade estava batendo.
— PG, que horas são?
— 23:43. Por quê?
— Nada não.
Tirei o braço dele do meu ombro e puxei a Luana, que estava no colo do PK.
— Vem comigo e não fala nada! — eu já estava com o sangue quente da bebida e da raiva.
Fomos para o meio da pista de dança.
— Que horas são, Luana?
— Meia-noite em ponto. O que foi?
— Olha só, ela veio mesmo — me virei e dei de cara com a Marcela.
— Você fez o que eu te pedi, Geovanna? — ela perguntou com desdém.
— Desculpa, mas eu não obedeço p**a de nível baixo como o seu.
— Ah, mas deveria! Eu te falei que poderia ser seu pior pesadelo.
Ela veio para cima de mim, mas eu fui mais rápida. Acertei um murro seco no estômago dela, derrubando-a no chão, e montei por cima.
— Meu professor sempre disse que uns nasceram para bater e outros para apanhar — falei, enquanto ela tentava se soltar.
— E ele disse que você ia apanhar! — ela gritou.
— Não, querida. Ele disse que eu nasci para matar.
Descarreguei minha raiva em socos no rosto dela até ver o sangue escorrer. Alguém me tirou de cima dela e me levou para o banheiro.
— O que foi aquilo, Geovanna? — Luana perguntou, chocada, enquanto eu lavava as mãos.
— Longa história...
— Por que fez isso? Ela merecia, mas qual o motivo real?
— Ela me ameaçou. E você sabe o que acontece com quem me ameaça. Ela mexeu com fogo e saiu queimada.
Voltamos para o camarote e vi o tumulto lá embaixo. O PG estava na pista, pegou a Marcela no colo e saiu carregando ela. Senti uma pontada de raiva.
— Já vou embora. Já fiz o que tinha que fazer. Avisa o Benício se encontrar com ele — dei um beijo na Luana e saí.
Na entrada do morro, vi a ambulância. PG estava conversando com o paramédico. Ele me viu e gritou:
— Geovanna, espera! Por que fez aquilo?
— Pergunta para a Marcela — respondi sem olhar para trás.
— Onde você vai? Quer que eu te leve?
Ignorei. Continuei andando até chegar na praia. Tirei o tênis e caminhei pela areia, sentindo a água gelada nos pés. Sentei lá por horas, observando o mar e tentando acalmar meu coração. Voltei para casa andando, em uma caminhada longa que serviu para clarear a mente. Cheguei, tomei um banho e apaguei.
Domingo, 13:00
Acordei com uma preguiça enorme. Vesti um short branco, regata cinza e All Star. Tomei um café reforçado e decidi que não dava para fugir. Peguei o carro e fui para o morro. Estacionei na frente da casa da Luana e entrei.
— Oi, Joana.
— O senhor Matheus está no quarto, Geovanna.
— Obrigada.
Subi as escadas com o coração acelerado. Abri a porta do quarto dele e, por um segundo, pareceu vazio. Mas eu sabia que ele estava ali.