Senti o ambiente se iluminar e a sensação quente bater em minhas pernas. Abri os olhos devagar, tentando me acostumar com o claro, e assim que consegui assimilar o que estava acontecendo, vi jungkook segurando jiwan, enquanto uma bandeja muito bem produzida e organizada de café da manhã estava ao meu lado, no móvel de cabeceira.
— Bom dia, amor. Fiz o teu café e trouxe na cama, com direito a plateia e tudo.
Ergui a mão o chamando e assim que o senti perto, abracei me enchendo novamente de amor, deixando um beijinho na testa dele e de Jiwan.
— Bom dia meu chamego... Bom dia filho.
— Come o que eu fiz... — ele indicou a bandeja. — Eu já dei banho nele, e dei a mamadeira.
— Já? — franzi o cenho. — Que horas é?
— Quase dez da manhã... Você dormiu a noite todinha.
— Acho que fiquei muito relaxado ontem... — sorri e peguei um morango da bandeja. — Você já comeu?
— Já... Terei que sair daqui a pouco.
— Mas já? — Fiz um bico e me aninhei nele novamente, brincando com o bebê sorridente em seus braços. — eu já estou morrendo de saudade...
— Eu volto logo, tudo bem? Serão somente alguns dias, e assim que chegar lá, eu te ligo.
— Tudo bem. — deixei um beijinho no queixo dele, e voltei para comer o meu café da manhã preparado com muito carinho.
— Fiz o seu suco favorito de maracujá com hortelã adoçado com mel e deixei os ovos do jeitinho que você gosta.
— como você pode ser tão perfeito?
— Eu me esforço. — sorriu e me olhou. — pedi ao hyung que venha no dia das suas fotos, está bem? Namjoon-hyung também vem.
— Claro que vem, ele é o principal naquela revista quando o assunto é arte... Ele te contou que já foi marcar a data do casamento?
O vi assentir e sentar ao meu lado, me olhando com um sorrisinho bonito no rosto, logo iniciando um carinho no meu rosto.
— Ele estava muito feliz...
— Jin também. É um sonho deles que está se realizando. Na verdade, dois, se contar com os bebês...
— Eles merecem tudo isso. — ele disse e parou o carinho, me encarando. — Está tudo bem mesmo, eu ir?
— Está sim, amor.
— Ok... Amanhã a moça contratada virá. Ela vai ficar aqui em casa até às quatro... O que me preocupa é você ficar sozinho durante a noite...
— Eu vou ficar bem sozinho, está bem? Eu prometo.
— vem cá, vem. Eu quero ficar agarradinho com vocês dois o máximo que puder.
Sorri e busquei o pote com morangos, me apoiando no ombro dele, ficando de frente a Jiwan.
— Ele me prometeu que vai ficar bem quietinho. — kook disse fazendo um carinho leve em meus cabelos. — Disse que vai se comportar, não é?
— Ele te disse é? — sorri olhando o bebê. — daquele jeitinho?
— U-hum, com direito a gritos e tudo.
Sorri e toquei o nariz pequeno do bebê o fazendo se encolher todo para depois soltar uma gargalhada.
Continuamos daquele jeitinho, agarrados, brincando com o bebê e comendo muito morango.
Depois de um bom tempo daquele jeito, tivemos que nos separar a contragosto, para que ele preparasse uma pequena mala.
— Deixei um sanduíche preparado para você levar caso sinta fome. — avisei deixando o embrulho na mala. — pega uma garrafinha com água também, o tempo está bem seco apesar de bem frio também.
— Amor, a viagem não dura nem quatro horas direito.
— Mas mesmo assim, leve. — avisei o vendo sorrir. — Pare de rir, i****a! Vou deixar de mão...
— O meu deus. — ele veio até mim, já arrumadinho. — Não estou reclamando, amor. Aliás, muito obrigado por cuidar de mim.
— Fique atento ao trânsito, tudo bem? Olhe os retrovisores e o semáforo direitinho, você é meio doido...
— Eu também vou sentir saudade. — ele sorriu e me abraçou, deixando um beijinho na minha bochecha. — Assim que chegar lá, eu te ligo. E vou fazer o possível para voltar rápido.
— Está bem, amor. — o abracei forte e selei nossos lábios com um beijo já cheio de saudade.
Jungkook se afastou de mim, e foi até o bebê no carrinho, se despedir, com muitos beijinhos e sorrisos.
— Tenha cuidado. — disse uma última vez, já do lado de fora da casa.
— Vou ter, não se preocupe. — ele sorriu e deixando um último beijo, antes de entrar no carro.
Eu, junto à Jiwan, o vimos sair. Meu coração se apertou no peito já morrendo de saudade e preocupação.
— Agora somos nós dois. — falei para o bebê nos meus braços. — está com fome?
Ele sorriu para mim, mostrando a gengiva lisinha, talvez me respondendo.
Entrei, junto a ele, e preparei a mamadeira, já aproveitando para deixar preparar o meu próprio almoço também.
O restante do dia foi totalmente calmo, somente eu e Jiwan.
À noite, logo após colocá-lo para dormir quietinho no berço, tomei um banho demorado, aproveitando para fazer alguns procedimentos estéticos para o corpo e o cabelo também.
Para dormir foi um pouco estranho. O costume do calor e do corpo de Jungkook fez muita falta, junto ao carinho que ele sempre fazia antes de dormir, fazendo com que eu demorasse a dormir.
Mas bastou uma ligação dele da mesma maneira em busan, que assim que encerramos, o sono veio da forma mais calma e pacífica possível.
[...]
— Bom dia, filho. — Entrei no quartinho dele, vendo apenas as perninhas para cima.
Me aproximei e lá estava o meu bebê com o típico sorriso no rosto, com os cabelinhos todos para cima.
— Você nem me acordou de madrugada, amor?
Estranhamente, Jiwan está seguindo essa rotina. Durante o dia está mais ativo, mesmo que ainda tire alguns cochilos, e à noite, dorme tranquilamente, sem acordar uma vez sequer.
— Vamos tomar um banho? — retirei o espetadinho do berço indo até a suíte, preparar a banheira dele.
Após verificar a temperatura até deixar na correta, dei início ao banho que não foi nada fácil. Metade do banheiro já estava todo molhado nos dois primeiros minutos. Jiwan sempre esperneava e sorria toda vez que a água batia em mim, mas parecia que com o tempo, ia pegando mais jeito naquela bagunça, o que intencionava o alcance e a força da água, indo até nas paredes.
— Acho que vou mudar seu apelido de elefante para peixe, nunca vi gostar tanto de água.
Começamos a brincar com a espuma que se formou na superfície da banheira. Sempre que a água ia e vinha, batendo sutilmente a espuma na pele dele, uma gargalhada alta ecoava no banheiro.
— Você consegue se divertir até com água, pequeno?
Quando estávamos terminando, ouvi a campainha da casa tocar, e me apressei a enrolar o bebê para atender a porta, já ouvindo gritos com o meu nome do lado de fora.
— Parece que vai morrer! Quanto desespero. — abri a porta vendo Jinie tomar ar para gritar mais uma vez, logo desistindo ao me ver. — você parece um louco gritando assim...
— Eu pedi para ele esperar, mas ele é assim, você sabe. — Namjoon disse ao lado sorrindo.
— Entrem, entrem! — pedi dando as costas para ambos, ainda com o bebê enrolado numa toalha nos braços.
— O que estavam fazendo? — jin perguntou entrando.
— Acabei de dar banho nele. Fiquem à vontade aí, eu vou pôr uma roupa nele.
— Me deixa fazer isso? — ele pediu vindo até nós. — E você precisa de um banho também, ainda está vestindo pijama, os cabelos estão para cima e... Por que você está todo molhado?
— Longa história. Você sabe vestir um bebê? — entreguei Jiwan a ele. — Vem, eu te mostro onde estão as roupas e fraldas.
— Eu quero ir também! — Namjoon fechou a porta e começou a nos seguir, indo até o quartinho do bebê.
— Sabe pôr uma fralda, né? — perguntei a Jin.
— Não. — ele disse rindo. — Mas eu aprendo.
— Me deixa te mostrar.
Tomei a frente, fazendo todo o trabalho devagar, reparando na cara do namjoon que nem piscava, gravando mentalmente como fazia aquilo.
— No começo é um pouco difícil, mas depois vocês pegam o jeito. — finalizei a fralda, e indiquei o closet. — Pegue uma roupinha que não esquente muito, e também não o deixe com frio.
— E como eu vou saber disso? — Namjoon perguntou indo até lá.
— Você vai saber.
Depois de alguns minutos, ele voltou trazendo um body branco, junto a uma calça de tecido fino.
— Essa está boa? — perguntou incerto.
— Está ótima. Viu? Você acertou. Agora vem, veste ele.
Ele assentiu todo empolgado, e logo começou a pôr a roupa no bebê. Era incrível o jeito como ele, mesmo sem experiência alguma, tinha um cuidado e habilidade absurda com o bebê e o modo em que colocava tudo.
— Você foi muito bem, hyung.
— Fui mesmo? — ele perguntou com um sorriso orgulhoso. — Não é tão difícil...
— Vem. Me dá ele. Eu arrumo os cabelos. — Jin pediu já com a escovinha nas mãos.
— Boa sorte. Eu vou tomar um banho, ta?
Ambos assentiram sem nem me olhar, se divertindo em poder arrumar e tomar conta do bebê.
[...]
Assim que tomei banho, desci para a parte principal da casa, encontrando namjoon e jin no sofá, brincando com o bebê.
— Eu ainda não perguntei o que vocês vieram fazer aqui?
— Te fazer companhia. Jungkook disse ao namjoon que estava viajando, e eu o arrastei até aqui. Não ia deixar o meu pítico sozinho com um bebê nessa casa gigante.
— Eu não vou ficar sozinho. Daqui a pouco a moça que o jungkook contratou para trabalhar aqui, chega.
— Eu sei, ele também disse isso, mas eu quis vir mesmo assim, e olha só, eu vim.
— Amanhã eu venho fazer as fotos, ta? Acho bom você separar umas três roupas diferentes, já que é sempre bom tirar fotos diferentes. — Namjoon disse. — A entrevista não será comigo, mas vou supervisionar também.
— Está bem.
Caminhei até a cozinha para preparar a mamadeira de jiwan e logo ouvi a campainha tocar novamente.
— Deve ser ela, atende aí para mim?
Namjoon ficou de pé e foi até a porta. Assim que abriu a porta, uma moça baixinha, de cabelos pretos apareceu.
— Bom dia... senhor Park?
— Não, Kim namjoon. — namjoon sorriu, mas deu espaço para a moça. — Ele está lá dentro, pode entrar.
Ela assentiu com um sorriso contido e entrou um pouco acanhada.
Assim que viu Jin e o bebê, fez uma reverência breve, e me olhou na cozinha.
— Pode vir. — sorri para ela, chamando-a. — Você é a Yeji, isso?
— Isso mesmo, senhor.
— Por favor, sem senhor. — sorri. — me chame apenas de jimin, está bem? — ela assentiu sorrindo. — Jungkook já tratou tudo certinho com você?
— Sim... Quer dizer, basicamente. Ele me explicou o trabalho, mas caso o senhor queira acrescentar algo, fique à vontade.
— Não, não, não! Eu não quero te atrapalhar no seu trabalho. Aquele ali — apontei para o bebê. — É Jiwan, meu filho. Moramos eu, ele e jungkook aqui. Você vai ficar até às quatro, certo?
— Sim...
— Certo. Pode ficar à vontade mesmo. Se precisar de algo, ou tiver alguma dúvida, não hesite em falar. Vou te mostrar todo o lugar.
— Está bem, senhor Park... Quer dizer, Jimin. — ela sorriu timidamente para mim.
Mostrei toda a casa a ela, deixando sempre bem explícito que ali, ela teria total liberdade, e sempre que precisasse, poderia me chamar, ou até mesmo jungkook, caso tivesse alguma dúvida.
— Este é meu ateliê. O bom seria você excluir esse cômodo, está bem? É porque há tintas e telas em todos os lugares, e em lugares específicos também, então para que não possa estragar, prefiro que eu mesmo limpe, compreende?
— Sim... Então esse cômodo eu não entro, certo?
— Basicamente... — sorri — não quero que ache que sou algum doido, ou um chato... É que são materiais delicados e do meu trabalho... Você pode vir à hora que quiser aqui, mas quando eu estiver, está bem?
— Tudo certo, senhor. Quer dizer... — ela riu tímida — Tudo certo, Jimin...
— Então ok. Eu vou cuidar do bebê e talvez fazer algo para comer, pois ainda não tomei café... Você quer se juntar a nós?
— Ah, não precisa... obrigada.
— É sério! Venha, vamos descer e comer algo juntos.
— Mas senhor... quer dizer, Jimin... eu vim para trabalhar... não posso te atrapalhar desse jeito.
— E não irá. Ao menos conversamos e agilizamos algumas coisas. Você trouxe seus documentos?
— Sim. — Ela sorriu e retirou-os da bolsa. — Tudo o que o senhor Jeon me instruiu a trazer tudo certinho.
— Certo. Mas por favor, o chame de Jungkook também. Ele vai se sentir mais à vontade com você assim...
— Tudo bem... Ele está aqui?
— Não, está em uma viagem a trabalho. Mas vamos, conversamos melhor lá embaixo.
Resolvemos descer, e encontrar com jin e namjoon na parte de baixo da casa, ainda brincando com o bebê.
— Vocês já tomaram café da manhã?
— Já, mas se for me oferecer, eu vou aceitar! Esses bebês me matam de fome. — Jinie disse apontando para a barriguinha.
Yeji olhou sem jeito para ele, instintivamente para a barriga ainda lisa. Jin a olhou e sorriu, acariciando levemente a barriga.
— Ainda são novinhos, por isso não há volume... Mas acredite, já estou com dor nas costas. — ele disse para a moça.
— Tenha vergonha, Seokjin. Você completou dois meses agora. — falei rindo, preparando torradas com geleia para todos nós. — Jiwan, sim, dá dor nas costas. Eu já nem aguento mais.
— Se me permite dizer, Jimin. Seu bebê é lindo... E é bastante sorridente também. — ela sorriu para o bebê no colo de Namjoon, que sorria sem parar para ele.
— É mesmo, mas ele puxou ao pai, o outro pai, não estou falando do Jimin. — Jin falou sorrindo.
— Você é mesmo meu amigo? — indaguei.
— Ele tem seus olhos... — Yeji falou. — Há muitos traços semelhantes.
— Eu o acho muito parecido com Kihyun. Eles são quase cópias idênticas.
— Kihyun? — ela franziu o cenho aceitando uma das torradas que ofereci. — Muito obrigada...
— É, o pai do bebê... Você deve conhecê-lo em breve, já que ele virá amanhã aqui.
— Ah... — ela assentiu comendo a torrada ainda um pouco acanhada.
— Vou te explicar. — Jin a olhou sorrindo, vendo a confusão no olhar dela. — Aqui é um pouco doidinho, mas é fácil. Jimin e Hyun fizeram um filho, porém Jimin agora namora o Jungkook, que por acaso, se tornou amigo de Hyun. Ou seja, você vai ver três idiotas aqui nessa casa, chamando esse bebezinho de papai toda hora por aí...
A moça ouviu tudo atenta, e logo após o fim, continuou olhando Jin, tentando entender.
— Você se acostuma com o tempo — sorri bebendo um pouco do meu café.
— Tudo bem. — ela aceitou mais uma torrada, ficando de pé devagar. — Se o senhor não se incomoda, começarei meu trabalho agora...
— Tudo bem. Já sabe né? Qualquer coisa basta me chamar!
— Tudo bem... Com licença.
Ela saiu ainda acanhada e foi até o local onde disse que poderia deixar as coisas durante o expediente.
Jungkook ajeitou um quarto que ficava no andar debaixo, ao lado da sala onde ele costuma desenhar.
Havia deixado tudo bem bonitinho para a moça. Ele colocou um sofá, uma tv, um armário com senha, para que ela pudesse ter mais privacidade com suas coisas, e ar condicionado. Era um lugar de descanso, onde se ela quisesse, poderia passar o horário de almoço e até mesmo o de descanso obrigatório.
— Isso é estranho... Desde quando eu morava com Hyun, eu não gostava de comandar ninguém... Então sempre fazia amizade com os empregados da casa.
— Ela só vai limpar? — jin perguntou ainda devorando as torradas.
— É. Jungkook queria contratar uma cozinheira, e uma babá também, o que é completamente desnecessário, visto que graças a deus, temos condições físicas de fazermos isso nós mesmos. Yeji é apenas uma ajuda extra aqui.
— entendo... Chim, eu trouxe algumas coisas para escolhermos para o casamento.
— Então vai ter o casamento na igreja?
— Estou tentando conseguir, mas se eu não tiver esse homem no altar, eu morro. — Kim dramático Namjoon disse. — E Seokjin, junto a minha sogra, me matam também. Ou seja, toda a família Kim dele, e a Kim minha, vai estar presente. O que seria somente uma pequena festa se tornou um grande casório.
— Eu quero você e jungkook como padrinhos. Vou falar com os três kim's também os convidando para serem padrinhos.
— Eu aceito sem nem precisar perguntar de novo, você sabe. Jungkook também.
— Ótimo. Vou mandar uma mensagem para Taehyung, e quem sabe ele também não nos ajude a escolher, não é?!
— U-hum. — Fui até Namjoon e peguei Jiwan, o ninando. — já, já ele dorme, daí podemos ver tudo isso direitinho.
Eles assentiram ainda comendo.
Fui até a sala, onde estava mais calmo, e embalei jiwan em um ninar calmo, cantando uma das musiquinhas que jungkook sempre cantava para fazê-lo relaxar.
[...]
— O que é, o que é? Foi feito para andar, mas não anda?
— Eu sei lá Jungkookie, pelo amor de Deus! — gargalhei pela milésima vez ao ouvir mais uma das piadas bobas que ele aprendia na internet.
Estávamos a horas numa ligação regada a saudade, piadas bobas e risadas, muitas risadas. Depois que Jin e Namjoon foram embora, Yeji ficou o restante da tarde em casa, e até me ajudou um pouco com a lista do que precisava comprar para casa.
Jungkook havia saído com um amigo para jantar em Busan. Eu não sabia de nada daquilo, mas também não era como se ele precisasse me avisar. Mas ele parecia um tanto estranho ao me contar aquilo quando iniciamos a ligação.
A única chateação que tive - o que ainda julguei errado de sentir -, foi que primeiro soube daquele jantar através de uma foto que ele postou em sua rede social e marcou o amigo. Não perguntei, sabia que não deveria, e no fim, ele mesmo me contou.
Aquilo sim, de verdade, me fez ficar um pouco m*l, mas comigo mesmo.
Porque eu já estava me sentindo um pouco inseguro pela sensação de abandono me tomar sem explicação alguma. Mas foi difícil não lembrar de que quando Hyun se afastava de mim, mentia, mesmo que fosse por conta da doença, mas ainda me fazia m*l.
Passei boa parte da noite, me sentindo estranho, triste, e Jin até me enviou uma foto da barriguinha para tentar me animar.
Mas mesmo me aliviando um pouco com tudo isso, era inevitável afastar a sensação de dentro de mim. Sabia que demoraria um pouco para me afastar de vez. Seria um crescimento meu, único e particular.
Mas a sensação ainda era uma coisa que ainda estava marcada de forma intensa em mim. Ela me fazia sentir como se ainda não fosse totalmente suficiente para um relacionamento, que seria facilmente descartado.
Jungkook e Hyun eram duas pessoas diferentes... Hyun teve os motivos dele, o que me machucou muito, mas já havia conquistado o meu perdão.
Jungkook era meu namorado. Dormíamos e acordávamos juntos, fazíamos basicamente tudo junto. Tínhamos amor e até tínhamos um bebê nessa relação. Então, ele estar longe, me maltratava um pouco sim, mas não significava que estaria mentindo para mim também, somente por não falar de algo tão bobo...
Ele tinha uma vida, e aos poucos eu estava aprendendo e fazendo parte dessa vida, então tinha apenas que focar no meu amor, e afastar toda a negatividade para lá.
— Diz amor, o que foi feito para andar, mas não anda?
— Hm... Sapato?
— A rua chimmy! Meu deus...
— Você parece ter doze anos, jungkook! E está gastando nossa ligação com piadas assim. Não quer falar p*****a, não? É mais divertido.
— Amor! Só mais uma. Qual o animal mais antigo do mundo?
— Qual?
— A zebra.
— Por que a zebra?
— Porque ela ainda está em preto e branco!
— Ok, já chega.— ri me enrolando todo no edredom.
— O que está fazendo agora?
— Estou deitado... Com frio. Jiwan já dormiu, então estou aqui sozinho...
— Eu faria tudo para voltar o mais rápido possível, você sabe, não é?
— É claro que sei, amor, mas também sei que está aí por um bom motivo. Me diz, como foi? Fechou contrato?
— Sim... Iremos começar com duzentas entregas mensais de tortas, depois, dependendo de como seremos, podemos aumentar... Mas eles disseram que vão pôr minha marca neles, dá para acreditar? Eles vão vender mostrando que são minhas tortas, amor!
— Claro que dá para acreditar, Kookie. Suas tortas são as melhores do mundo! Duzentos são poucos, deveriam ser dois mil.
— Menos, chimmy. — ele sorriu e bocejou.
— Esta cansado, não é?
— Não, não. Eu quero ficar mais um pouquinho com você...
— Estamos numa ligação há quase três horas Kookie... Eu me sinto um adolescente bobo apaixonado, e isso nem é r**m.
— Eu também, amor. Eu sinto muito a sua falta, principalmente à noite...
— Quer dormir sem desligar o celular? — sorri para minha própria ideia boba.
— Quero, mas daí seremos mesmo dois adolescentes bobos. — ele respondeu sorrindo. — Aceita a solicitação para chamada de vídeo.
Ajeitei-me melhor na cama e aceitei o pedido da câmera. Sorri todo bobo quando vi jungkook deitado, com os olhinhos quase fechados sorrindo.
— Você está lindo, Kookie... Eu queria muito beijar você agora...
— Não diz isso que eu tenho vontade de entrar naquele carro agora e ir embora agora mesmo.
— Você ainda vai olhar o imóvel, né?
— U-hum... Amanhã irei almoçar com minha mãe, e depois vou lá.
— Você está na casa de busan? Pensei que estaria com sua mãe...
— Dormi lá ontem, mas vim aqui dar uma olhadinha e lembrei como é boa a cama que tem aqui. — ele sorriu e se ajeitou mais, puxando a coberta até o pescoço. — Quer conhecer a casa?
— Eu prefiro pessoalmente. Vamos nos despedir agora, tudo bem? Estou vendo nos seus olhinhos o quanto de sono você tem.
— Está bem... Dorme bem, tudo bem? Eu te amo muito, muito, muito! Depois de amanhã eu prometo voltar para você e para o nosso bebê.
— Eu vou contar cada segundinho... Eu também te amo meu chamego, amo muito!
— Não é para desligar? — ele perguntou sorrindo.
— Não. Vamos ficar assim, é estranho, mas é muito legal.
Ele assentiu e apoiou o celular da maneira que dava para vê-lo.
Aproveitei e coloquei meu celular no canto também, ficando de frente para jungkook, mesmo estando tão longe.
— Isso aí atrás, é uma janela? — perguntei vendo a cortina branca aberta, deixando o vidro transparente amostra.
— Na verdade, é uma porta... Essa aqui é a nossa varanda amor. Você vai se surpreender com o que tem depois daquela porta.
— Não quero saber agora, quero ver pessoalmente e me surpreender, certo?
Ele assentiu mais uma vez, bocejando e fechando os olhinhos.
— Acho que a minha bateria está acabando... — ele sorriu ainda de olhos fechados.
— Então dorme...
Ele apenas assentiu novamente, ficando quietinho e em silêncio.
Observei a imagem do meu amor dormindo, tão tranquilo e em paz, o que só fez a minha saudade aumentar. Eu só queria poder abraçar e dormir no calor dele. Nunca pensei que sentiria algo assim por alguém, mas jungkook é o que chamo de intensidade, e eu gosto da nossa intensidade.
Eu o amo, amo muito, e ficar um dia todo sem ele, significa ficar um dia todo triste... Não completa, mas em partes. Jiwan me faz lembrar-se dele. O que me deixa um pouco mais tranquilo e bem. Nosso filho, mesmo não contendo o DNA dele, tem muitas características do kook.
O sorriso fácil é o mais semelhante. Todas as vezes que ele apenas me olha e sorri, é como se Jungkook estivesse ali, conosco. É boa a sensação, mas não se compara em tê-lo por perto.
Então, com o coração regado à saudade, é que meus olhos capturam uma última vez a imagem dele dormindo serenamente.
Desejo uma boa noite uma última vez, mesmo ele não ouvindo mais. Sorri ao ouvir um ronquinho baixo dele, e fui aos poucos sentindo o meu cansaço.
Aos poucos, ouvindo aquele som que tanto me trazia paz, fui descansando, até estar num sono profundo, tranquilo e calmo, com o meu amor.
Continua...