Vidas, carreiras e reencontros [Parte um]

4438 Palavras
Mais um dia com Jungkook ainda longe de mim. Fazia dois dias que já não o via pessoalmente então era mais um dia somente eu e Jiwan, e agora Yeji, que estranhamente, eu já havia criado um laço muito forte, que diria até ser amizade. — Senhor Park, com licença... Posso entrar? — ela perguntou parando na porta do ateliê. — Não, até você parar de me chamar de senhor. — sorri a olhando. Ela sorriu para mim e assentiu. — Posso entrar, Jimin? — À vontade. Ela entrou devagar olhando para todos os lados, observando as telas. — Woah... Você tem muito talento senhor. — Muito obrigado, Yeji. — sorri e continuei a pintar um quadro que já estava finalizando. Jiwan estava na cadeirinha de descanso, próximo à porta transparente da varanda, olhando e sorrindo, toda vez que um pássaro voava entre as árvores altas ou pousava perto. — O senhor quer que eu te traga um lanche? — Yeji, esse não é seu trabalho, você sabe disso. — É que eu já limpei tudo... Estou sem mais nada para fazer... — Descanse, então. — O senhor não comeu nada desde quando subiu... Irei fazer um lanchinho bem rapidinho, ok? — Então faça para nós dois. — a olhei no canto e os olhos vagavam pelas tintas e pincéis. — Você gosta? — Hm? — De pintar, você gosta? — Ah... Meu pai fazia desenhos quando era mais novo... Deixava-me mexer nas coisas dele... Mas eu só estava admirando mesmo... É muito bonito. - Você acha? — U-hum... — Quer tentar? — Não... Eu não quero te atrapalhar senhor... Vou fazer o seu lanche, com licença. — Senhor está no céu, Yeji! — falei e a vi saindo, sorrindo enquanto assentia. — Faça para nós dois, entendeu? Ela assentiu mais uma vez descendo as escadas. Voltei a pintar meu quadro e logo finalizei, dando apenas os últimos retoques. Depois de alguns minutos, Yeji retornou com dois sanduíches e dois copos de suco. Limpei minhas mãos e sentei junto a ela no chão, enquanto Jiwan brincava com as próprias mãos, ainda olhando as árvores e os pássaros. — A sanduíche está uma delícia Yeji. — Obrigada senhor, quer dizer, jimin... Sorri e me ajeitei melhor no chão, vendo a garota encolhida, ainda olhando os quadros. — Quando quiser pintar, me diga, eu posso te ensinar. — Eu não seria tão boa assim como o senhor... — ela sorriu e me olhou. — O senhor tem muito, muito talento! Tenho certeza que seus quadros fazem muito sucesso... — Ah, Yeji! Eu também pensava assim quando comecei a pintar... Que não pintaria tão bem quanto um profissional sabe? Mas na minha última exposição, todos os artistas coreanos que me inspiraram, estavam lá, e foram os meus quadros que tiveram mais repercussão por lá. Entre vários, os meus foram os mais bem falados no meio... Então isso tudo é relativo, entende? Basta se esforçar que você consegue, até ser melhor que eu. — Mesmo? — ela abriu os olhos me fitando enquanto eu assentia. — Mas olha só, jimin, seus quadros são perfeitos! Eu nunca fui a uma exposição ou algo do tipo... Mas tenho certeza que os do senhor são os melhores sem dúvidas! — Na próxima exposição, eu te levo. Vejo nos seus olhinhos brilhantes que se interessa pela arte. — sorri a olhando. — Estou errado? Ela abaixou o olhar envergonhada, e assentiu. Olhei-a daquele jeito toda tímida e sorri pronto para por meu lado curioso em ação, e saber melhor sobre ela. — Você nasceu aqui mesmo, em Seul? — Nasci em Jeonju... Mas meus pais vieram para Seul quando eu tinha apenas três anos. — E porque eles vieram? — perguntei tomando um pouco do suco. Ela comeu um pedaço do próprio sanduíche antes de continuar. — Trabalho... Eles vieram trabalhar em uma fábrica... Não tivemos a melhor condição de vida, mas meus pais sempre se esforçaram muito. — E você também, né? Eu vi em seu currículo que estudou e se formou... Você deve ser um orgulho para eles. — Me formei apenas no colégio... Não fiz uma faculdade, e não tem muita oportunidade para quem tem somente esse nível de ensino, então não sei se sentem orgulho de mim. — Que besteira! Se formar não é tudo hoje em dia. Jungkook não é formado, mas a mente brilhante dele o fez ser bem-sucedido na vida. Você também pode, basta querer. — Ah... E quem não quer, não é? — ela sorriu mais descontraída. — Mas o senhor Jeon deve ser muito inteligente, eu não sou assim... Não chego nem perto... — Não diga isso, Yeji. Quantos anos você tem? — Dezenove... — Olhe se quiser, eu te deixo pintar, e se você mostrar mesmo que se interessa, eu te faço a minha aprendiz, o que acha? — Eu? Mas senhor... Quer dizer, jimin... Eu não sou nada boa... Eu nunca pintei em uma tela antes, sequer, sei distinguir as milhares de cores que existem. O senhor só teria dor de cabeça comigo... — É o que veremos... — Fiquei de pé, recolhendo meu prato e copo. — Amanhã, depois que terminar o seu expediente, você vem até o ateliê comigo, certo? Isso é, se você quiser e puder, eu não quero te atrapalhar. — Mesmo? Não atrapalha em nada! — ela sorriu e ficou de pé. — Eu quero... Muito obrigada senhor. — Senhor, Yeji? — a olhei arqueando uma de minhas sobrancelhas, enquanto sorria. — Jimin! — ela sorriu de um modo bonito, cheio de felicidade, fazendo os olhinhos curvarem. — Muito obrigada, Jimin. — De nada. Agora vou dar um banho no meu elefantinho, ta? Fique à vontade. Se quiser, pode ir, já que terminou tudo... Ela assentiu e pegou o prato que estava comigo, juntando com o dela para levar à cozinha. Fui até Jiwan, e o busquei, ouvindo o resmungo do bebê que não veria mais os pássaros e as árvores. [...] No dia seguinte, ouvi a campainha da casa tocar logo cedo, e antes que acordasse Jiwan, corri para verificar quem era. — Bom dia! — Kihyun entrou sorrindo, ainda com a cara amassada de sono. — São sete da manhã, hyun... O que você faz aqui? — Kook me disse que hoje seriam suas fotos, e me pediu para vir, porém, ele não me disse qual seria o horário. — Então você resolveu madrugar na minha casa? Kihyun eu passei quase a madrugada toda acordado... — Vai dormir, Minie. Eu vou ficar no quarto do jiwan, caso ele acorde eu escuto e fico com ele. — Por favor, não me acorde antes das dez, ok? Eu preciso descansar... Ele assentiu e caminhou comigo até o andar de cima. — Lalisa foi lá em casa ontem, os últimos preparativos do quartinho chegaram... Ela disse que entrega em duas semanas no máximo. — Quando tiver pronto, avise. Eu vou lá com o kook e o Jiji. Ele assentiu mais uma vez e abriu a porta do quarto do jiwan devagar. Entrei junto a ele, e vi o bebê dormindo de boca aberta, babando. — Ele parece muito com você minie... — Que eu me lembre, quem dorme e baba, é você! E ele tem a sua mania de chutar tudo enquanto dorme. — Sorri e o vi sentar no estofado perto da janela. — Eu vou voltar a dormir, por favor, não me acorde! A moça que limpa, Yeji, chegará em breve, não faça nenhuma piada de adivinha com ela. — Ok, ok... Não é só porque você não gosta que ninguém vai gostar... — Ninguém gosta de saber por que a Fanta se deu bem com a coca cola, hyun... — Chato! Vá dormir que eu vou tirar um cochilo aqui também. Sorri e sai do quarto, voltando para o meu, me jogando no meio dos meus lençóis quentinhos, sentindo o cheirinho do kook, que me fazia matar um pouco da saudade, que era enorme. [...] — Cadê o meu netinho? Já passava das duas da tarde. Kihyun permanecia aqui em casa, porém estava na sala sozinho, em uma reunião via Skype com a empresa. Yeji já havia terminado todo o serviço, e apenas lia um dos meus livros sobre a arte e artista, aprendendo um pouco sobre a pintura em telas, coisa que me deixou bastante feliz, vendo que ela se interessava mesmo pelo assunto. Eu e Jiwan, aproveitávamos o tempo livre, em uma chamada de vídeo com Jungkook e a família dele, em Busan. E no momento a tela era dividida por ele, Sky e senhora jeon, que mimava compulsivamente, jiwan. — Oi vovó! — sorri para a câmera com Jiwan no colo vendo Jungkook ao lado, junto à sobrinha. — Como estão vocês duas? — Chateadas... Era para vocês estarem aqui também! — Não é como se eu não quisesse... Mas tenho um ensaio fotográfico marcado para hoje, junto a uma entrevista. Se eu pudesse remarcar, eu juro que estaria aí também. — Tudo bem, Jimin, eu sei. — ela sorriu. — Tio koko me contou que você agora é uma estrela, é verdade? — Sky perguntou. — Koko? — É como Sky me chama amor. — Jungkook sorriu. — Por isso o coelhinho do jiwan se chama kuku, é para fazer par. — Você é muito doido, kook. — sorri para ele. — e eu não sou nenhuma estrela, Sky... Seu tio que é doidinho. — Como está esse gorduchinho, uh? — minha sogra perguntou. — Queria tanto apertar... — Está bem... Talvez possamos ir ao próximo mês. Quero muito dar um abraço na senhora e conhecer todos. — Eu também, meu anjo. Sky não para de fazer perguntas ao kook, sobre você e o bebê. — Ela é uma fofa. — falei e vi a garota ao lado sorri sem jeito. — Está me ouvindo né, Sky? — Tio koko quer me levar para ficar com vocês nas férias... Eu posso ir? — Claro que pode. Podemos sair juntos, só nós dois... Vai ser bem divertido. — Mas por que só vocês dois? — Jungkook perguntou fazendo bico. — Porque um precisa cuidar do bebê. E Sky e eu podemos gastar dinheiro com muitas besteiras... O que diz Sky? Quando estiver aqui podemos sair para fazer compras e gastar um monte de dinheiro com coisas sem sentido! Eu sou rico agora! — Eu quero sim, tio Ji! — Tio Ji? — Jungkook sorriu para a adolescente do lado. — Ouviu amor? O que essa neném te chamou? — Não me chama de neném, tio koko... Eu já sou bem grandinha! Tenho quase dezesseis! — Vocês têm quase a mesma idade. — sorri. — Dois bebês... E eu gostei do tio Ji, pode me chamar à vontade. — Tudo bem, tio Ji... — ela sorriu mostrando os dentinhos de coelho que talvez fosse uma marca registrada daquela família. — É uma neném sim! Pouco me importa se é só alguns anos mais nova, eu que ajudei a trocar fralda! — Você só brigava comigo, tio... O papai me contou. — Vocês brigavam muito? — Ah, meu genro... Esses dois já brigaram tanto quando mais novos... Faltavam se matar, o bom é que hoje vivem na paz. — É... Amor, Sky disse que quer fazer dança! Eu disse que você gosta de dançar e poderia ajudar ela na escolha da faculdade... Tudo bem? — Tudo ótimo! Olha eu nunca dancei profissionalmente, mas fiz balé e dança contemporânea... Ouvi falar muito bem da escola de artes cênicas de Seul, é ótima, a melhor. Mas a de Busan também é muito boa. Já ouvi falar muito bem dela também... — Eu queria ir para a de Seul, mas o papai não quis deixar... — ela falou toda murchinha. — Ele tem medo... Depois que perdeu a mãe, acha que pode perder qualquer pessoa do mesmo jeito. — O meu anjinho... — Jungkook abraçou a sobrinha que já tinha um bico formado nos lábios. — Seu pai é assim porque ama muito você e seus irmãos... Ele tem medo de que algo aconteça... Mas eu posso conversar um pouco com ele, está bem? Mas não garanto nada, seu pai é muito cabeça dura, você sabe. — Ainda temos mais um ano para decidirmos isso... — minha sogra falou. — agora, me deixa mimar meu netinho de longe mesmo, porque já, já o jimin precisa ir trabalhar. Sorri para a confusão que se formou do outro lado da tela, atrás da atenção de Jiwan, e esperei até que um conseguisse. Enfim, minha sogra ficou mais alguns minutos conversando e brincando com o bebê, mesmo de longe, até que decidiu passar o celular a jungkook. — O hyung ainda está aí? — Jungkook perguntou. — Está. Ele está em uma reunião agora, com o Chae e a empresa, lá na sala... Você já comeu? — Se eu não tivesse comido, eu nem estaria mais aqui, amor... Minha mãe praticamente enfiou comida na minha guela, me ameaçando e tudo. — Que mentira! Ele chegou aqui doido para comer, Jimin, eu só fiz a comida favorita desse safado. — Você mima demais esse garoto, sogra! Olha só a cara de manhoso da peça... — Ele já veio com essa cara safada de fábrica. — Ela sorriu olhando a cara lisa do kook. — Vou deixar que conversem em particular... Tchau anjinho. — Tchau sogra. — Ela ama quando você a chama de sogra, fica toda boba aqui. — Ela é um doce, kook... Mas me diz. Como você está? — Além de com muita saudade de vocês? Eu estou bem... E estou feliz que amanhã mesmo já volto. — Eu não vejo a hora de te ter aqui, amor... Estou morrendo de saudade também. — Jiwan dormiu bem esses dias? — Acho que ele sente sua falta também... Essa madrugada foi pesada. Minha sorte foi Hyun, que chegou e ficou com ele até um pouco mais tarde, para que eu pudesse dormir e descansar. — Ele abusou muito? — O Jiwan? Não, ele está bem comportadinho agora... — Falo do hyung, amor. Ele disse que adora te ver abusado com as besteiras dele. — Jungkook disse rindo. — ah, acho que ele deu uma trégua, ou ficou com dó da minha cara de cansaço, porque até agora está tudo de boa... — Que bom... Ele é um pouco doido, mas é sensato. — Combina com você! — sorri e me aproximei mais do celular. — Tenho uma fofoca para te contar... — sussurrei. — Conta! — ele também sussurrou se aproximando. — Hyun hoje chegou bem cedo, sabe... E estava com a maior cara de sono... Talvez ele não tenha notado, ou esqueceu-se de esconder, mas tem um chupão enorme no pescoço dele. — Woah! — ele abriu os olhos e a boca, me olhando surpreso. — Você acha que foi o- — Chae? Acho que sim... — sorri cobrindo a boca, e olhei para kihyun no sofá da sala. — Eles andam mais íntimos, e eu sempre achei que o Chae era afim dele, você sabe, eu já te contei isso. — U-hum... Mochi, que babado... Será mesmo? Ia ser uma boa né? Tomara que seja mesmo... — Tomara! Ele merece ser feliz, e o Chae consegue entender esse doido. — É sim, o hyung é doido, mas ele é meu amigo... Merece ser feliz, como todo mundo. — É... — Olhei para o lado e vi Kihyun encerrar a reunião, desligando o computador. — Shh! Ele está vindo aí. Avisei a jungkook e o vi assentir rápido sorrindo, à espera do outro. — É o Kook? — Kihyun perguntou se aproximando. — E sim, vem cá. — sorri e puxei o banco do lado para ele. — Oi, kook! — ele sorriu sentando. — Como estão as coisas aí? — Aqui está tudo bem... E você hyung, como que está? — Ah, estou bem... — ele sorriu todo sem jeito. — quando você volta? — Amanhã, durante a tarde eu acho. — Que bom, quero te mostrar umas coisas que comprei. Você vai gostar. — Que coisas? — perguntei me metendo na conversa. — Para fotografar... Jungkook disse que sempre foi muito bom, e que poderia me ensinar... — Qual você comprou hyung? — A D500, é boa, né? — Woah, muito! Uma das melhores! Quando estiver aí, eu quero ver pessoalmente. — O que é D500? — perguntei sem entender nadinha daquilo. — É uma câmera... Espero conseguir tirar boas fotos com ela, principalmente do jiwan... Quero fazer um álbum. — Que coisa de vó. — falei vendo os dois continuar a conversa sobre câmeras fotográficas. — Terminei. — Yeji sorriu, fechando o livro. — Woah, é muito bom, jimin! — Não é? Eu queria poder começar com você hoje, mas com tudo isso, acho que só na semana que vem. — Tudo bem, senhor. O seu ensinamento já vai ser enorme, então não importa quando seja... — Ai que bonitinha... Yeji, você já está liberada, Ok? Aqui não tem muito que fazer mais. — Mas ainda está tão cedo... — Tudo bem, pode ir. Ou pode ficar você que sabe. Eu farei as fotos, se quiser ficar e ver... — Ah, eu quero! — ela se animou e correu para guardar o livro que havia lido. Depois de alguns longos minutos, Namjoon, junto ao fotógrafo, a entrevistadora e uma grande equipe de preparo, chegaram, fazendo a casa silenciosa, se tornar uma grande bagunça de vozes. — Primeiro faremos a entrevista, depois as fotos, ok? — a moça avisou a mim. — Ok... — respondi meio incerto, vendo Kihyun com Jiwan, e Jungkook, ainda em chamada de vídeo, me olhando. — Algum problema, chim? — namjoon perguntou. — Não... Eu só estou um pouco envergonhado... E nervoso. — Ah, chim! Não precisa... Você é a estrela aqui hoje, não precisa sentir vergonha. Assenti sorrindo, e sentei no sofá, junto à entrevistadora, que tinha um gravador apontado para minha cara. Yeji ficou junto à kihyun, jiwan e kook via wifi, no canto. — Bom primeiramente, obrigada por nos receber, senhor Park. É um prazer enorme poder te entrevistar. — Ah, que isso... O prazer é todo meu. — Bom, vamos a primeira pergunta, tudo bem? — assenti e a vi olhar para a folha que carregava nas mãos. — Como o senhor se descobriu pintor? — Na verdade, eu sempre gostei muito de pintar, desde muito cedo, então acho que não foi uma descoberta, sabe? Foi algo que já nasceu comigo, e apenas foi melhorado com o tempo... — Então o senhor pinta desde muito novo? — De certa maneira sim, mas profissionalmente, há uns 12 anos... — Com quantos anos o senhor vendeu o seu primeiro quadro? — Eu tinha quatorze... Foi pela internet. — sorri com a lembrança. — Vendi por quinze mil wons, e ainda fui entregar no centro. — E hoje seus quadros valem milhões... Diga-me, senhor Park, na sua última entrevista, o senhor explicou um pouco como o seu filho te ajudou e te inspirou... Isso é mesmo real? — Muito! Jiwan foi simplesmente a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Ele foi a principal inspiração para que eu estivesse aqui hoje. Meu filho é parte de mim, e todos os dias, quando vejo um sorriso naquele rostinho ainda pequenino, é como se uma nova inspiração nascesse em mim... É algo único. — Isso é lindo senhor... Como o senhor vê o seu futuro? — Eu gosto de pensar no agora. O futuro é algo muito incerto, pois se criarmos muita expectativa em algo, e essa coisa não acontece da maneira em que queremos, acabamos frustrados... Então gosto do hoje, e amo o modo em como tudo está indo na minha vida. — Sabe, todos querem saber... Na sua última exposição, fotos foram postadas, em que o senhor, estava junto a um rapaz... Aos beijos... Seria um possível novo romance, ou apenas um affair? Pergunto-me, quando minha vida íntima virou pauta de entrevista de fofoca? Meu Deus... — Isso não é algo que queria expor assim, muito menos agora... Mas sim. — disse por fim, matando a sede de fofoca dessa, e de vários entrevistadores. — O tal rapaz, é meu namorado. — Meus parabéns pelo novo relacionamento, senhor Park... — ela sorriu, ficando empolgada. — Pode nos contar mais um pouco sobre como tudo aconteceu? Qual o nome do rapaz? Como se conheceram? — Isso é irrelevante Lee. — Namjoon interveio na entrevista e na pergunta. — Está fora do nosso foco. — piscou para a moça. — Infelizmente eu não gosto de falar sobre minha vida íntima e particular desse modo, espero que entenda. — Ah... Ok. — ela sorriu e olhou para o papel que segurava novamente. Olhei para hyun com jiwan nos braços e jungkook no celular e o vi negar com a cabeça, enquanto olhava a moça, totalmente chateado. Ele, melhor que ninguém, sabia bem como era isso. A "fama" deixava a entender que qualquer um poderia falar ou até opinar em nossas vidas, mas não era bem assim. Sorri, quando o vi jungkook levantar o polegar para mim, me incentivando a continuar. Namjoon, logo atrás da moça sorria para mim, talvez por estar contente com o modo em que cortei a fofoca logo pela raiz. — Hm... Retornando, o senhor pretende exportar seus quadros? — Acho que esse é o sonho de todo artista. Ter seu nome e trabalho sendo reconhecido e espalhado por todo o mundo é a coisa mais fantástica que tem, digo, no meu ponto de vista, claro... Mas sim, eu pretendo sim. — Ouvimos rumores, sobre um possível contrato com o exportador Kim joon, esse fato é verídico? — Ainda não há nada resolvido, então não tenho como dar uma resposta concreta. — Mas então, há possibilidade? — Sim, há. Se tudo ocorrer bem. — Tivemos a informação que um comprador levou alguns de seus quadros da última exposição para fora da Coreia, porém, a coleção é privada e o público não pode apreciá-los. Como o senhor se sente em relação a isso? Não acha injusto, ter seus quadros de modo tão privado, em mãos alheias? — Claro que não. — sorri incrédulo. — Como você mesmo ressaltou, ele comprou, ou seja, agora pertence a ele, não são mãos alheias. Eu mesmo tenho vários quadros de artista na qual eu admiro bastante, e estão dentro da minha casa, privados... Na minha opinião, saber que estou sendo admirado por meu trabalho, seja por uma ou cem pessoas, não há diferença alguma, continua a mesma coisa, pois, o que vale é a admiração verdadeira... — Compreendo. É uma boa visão. Após várias e várias perguntas, sem mais nenhuma sobre minha vida íntima, finalizamos tudo, logo indo para a parte das fotos. — Eu estou muito nervoso... E se isso ficar muito r**m? — Minie, olha a sua cara. Você é perfeito, como isso ficaria r**m? — Kihyun disse sentado ao meu lado. — Cadê o jungkook? — perguntei o vendo sem o celular nas mãos. — Acho que a bateria dele acabou... A equipe do Namjoon estava a todo o momento em cima de mim. Arrumavam meus cabelos e faziam minha maquiagem, enquanto ele procurava pelos melhores lugares para fotografar. — É sério, sua cara é perfeita, não dá para sair r**m. — Não é hora de brincar, Hyun. Estou falando sério! — Eu também, minie, você é lindo! — Tenho que concordar, chim. Você é lindo, vai ficar tudo bem. — Namjoon apareceu sorrindo. — Está pronto? — Vou só trocar de roupa. Você já viu? Eu separei três mudas, assim como me pediu. — Sim, vamos começar as fotos aqui dentro, então acho que a listrada que separou é a melhor. Depois continuamos com a de estrelas e por fim, fotografamos lá fora, com a azul, tudo bem? — Tudo ótimo, você que entende disso aqui, então se quer assim, será assim. — sorri e fiquei de pé. — Vou trocar de roupa, e já volto. Ele assentiu, então peguei a primeira troca de roupa e fui até meu quarto. Após estar arrumado, voltei para a sala, vendo hyun e namjoon sorrirem. — Woah! Você está perfeito, Minie! — hyun disse, ainda com jiwan nos braços. — Está mesmo, agora vem, precisamos começar logo, para aproveitar a luz do sol. Assenti e comecei a ouvir as instruções de namjoon. Foram horas, atrás de horas. Todo o preparo e dedicação dele, me ajudava bastante a ficar descontraído. Ao fim, quando estávamos na parte de fora de casa, Namjoon instruiu o fotógrafo nas últimas fotos, enquanto Hyun, Yeji e Jiwan estavam ao meu lado a todo o momento, me apoiando de certa forma. — As fotos ficaram ótimas, acho que já temos material suficiente, obrigado. — Namjoon agradeceu ao rapaz e a toda equipe, vindo até onde eu estava me entregar um copo com água. — Cansativo, não é? — Nossa, nem me fale! Eu nunca pensei que me cansaria tirando fotos... — É minie, a vida de estrela não é nada fácil. Acho bom você já ir se acostumando... — Para você é fácil, é uma das pessoas mais renomadas e influentes de Seul... Já nasceu nas capas de revista, mas eu não irei demorar muito para conseguir. — Bom, ao menos por hoje você se saiu muito bem, chim. Mas agora preciso ir, as fotos ainda irão para a empresa, e lá passaram por todo um tratamento. — Vai enfiar photoshop na minha cara, é? — Como se precisasse né? Iremos apenas tratar da cor, por alguns efeitos... Essas besteiras. Juro não entortar seu nariz, nem por um terceiro braço! — ele saiu sorrindo. — Besta... E você, vai ficar aqui, ou já vai também? Hyun olhou o relógio no pulso, em seguida me olhou, com os lábios prensados. — Tudo bem, eu ficarei bem com o jiwan. — sorri e peguei o bebê. — Tem certeza? Eu prometi ao saeng que ficaria aqui com vocês! — E você ficou agora precisa ir, é compreensivo. — Ok... Mas você tem certeza mesmo, né? — Vai logo hyun... E vê se lembra de esconder direito essa marca no pescoço. — Marca? Que marca? — ele tocou o pescoço desesperado ao perceber. Saí sorrindo, o deixando para trás e me juntei a Yeji. — Minie! — Tchau hyun... Yeji, você está liberada, ok? — ela assentiu e aproveitei para subir para meu quarto junto ao bebê, para enfim descansar.
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