— Eu não sei o que pensar disso! Essa cena é a mais fofa e estranha do mundo! — sorri ao ver Jungkook deitado no meio da sala assistindo desenho animado, junto à kihyun e jiwan, todos bem atentos. — Alguém me diz quem é a criança nesse meio?
— Shh! — Hyun pediu sem nem desviar os olhos da TV. — Fala baixo!
— Senta aqui amor, vem assistir o desenho da galinha conosco também.
— Adoraria, mas tenho que encontrar com um possível comprador hoje... Tudo bem se ficarem sem mim por um tempinho?
— Tudo. — Hyun respondeu, levantando o dedo polegar, no sentido de 'legal' — Ficaremos bem, não é Kook?
— U-hum. — jungkook respondeu balançando os cabelos sorrindo para ele.
— O que estão aprontando? — Olhei para os dois, desconfiado. — Estão muito suspeitos...
— Nada não amor. Quer que eu te leve?
— Não precisa, mas eu vou pegar o seu carro!
— Tá bom.
Fui até onde meu pequeno estava deitadinho no centro da sala, dentro da cadeirinha de descanso, e me abaixei bem em frente, o fazendo desviar os olhos da TV.
— Papai vai sair rapidinho, está bem? Você vai ficar com o papai Kook e o Hyun. — falei e deixei um beijinho no topo da cabeleira escura, e o vi sorrir para mim. — Não se preocupe, eu volto logo, os papais não vão pôr fogo na casa.
Hyun sorriu e senti a mão de Jungkook me puxar para baixo, me fazendo cair sobre ele.
— Quem foi que quase queimou o pano de prato ontem? — ele perguntou com um sorrisinho b***a.
— Aquilo foi um acidente... Mas vocês são meio doidos também, quem confia?
— Você não ia sair, não era? — Kihyun falou sentando ao lado do bebê. — Ta atrapalhando a música da galinha!
— Bobo! — Fiquei de pé e dei um último beijinho em Jiwan antes de sair.
— Tem certeza que não quer que eu te leve? — Jungkook perguntou, vindo até o carro comigo.
— Tenho meu chamego. Cuide bem do jiwan, e fique de olho no hyun, ta? Ele ainda não pode comer nada pesado, ou gorduroso, mas eu sei que querem aprontar algo...
— Está bem amor. — ele se aproximou e me segurou pela cintura, me aproximando devagar.
Sorri e levei meus braços até o pescoço dele, os enlaçando ali. Com um sorriso lindo nos lábios, ele se aproximou mais até tocar meus lábios com os dele, em um beijo calmo, delicado e gostoso.
Desci minhas mãos pelos ombros dele, parando nos braços, suspirando ao sentir os músculos sobre meus dedos, e a língua dele, entrar em contato com a minha, e criarem a própria sintonia.
O nosso beijo era sempre assim, tinha jeito e gosto do primeiro, e era o que eu mais amava nele. Dava um frio bom na barriga, e acelerava o coração. Os toques sempre calmos faziam tudo ao redor parecer congelar, deixando apenas que nossos corpos se sentissem e aproveitassem ao máximo daquela sensação, num tipo de casulo, onde só nós existíssemos.
— Eu amo tanto você... — Ele sussurrou junto a minha boca. — Amo muito, mochi.
Sorri contra a boca dele, e o apertei mais, dando mais um beijo, sentindo tudo de novo.
— Eu também te amo... — disse baixo, encarando os olhos escuros, bonitos.
— Mas eu preciso ir agora... Está bem?
Ele assentiu, e antes de me soltar, me deu mais um beijo, demorado, cheio de saudade, mesmo que nós ainda estivéssemos ainda bem perto.
Despedi-me, e entrei no carro, logo saindo, indo ao encontro do tal comprador.
[...]
Era um escritório fino, bonito. Agradeci aos céus internamente por estar vestido à altura, e não passar nenhum vexame.
Olhei ao redor, e ajeitei minha postura, caminhando até a recepção no meio do local.
— Com licença. — sorri para a moça. — Eu tenho uma reunião marcada com Kim Joon.
— Como é seu nome? — ela perguntou com um sorrisinho no rosto, mas me olhando dos pés a cabeça, deixando nítido o olhar de julgamento.
— Park Jimin. — disse simples, retirando meus óculos, encarando-a.
— Oh, senhor Park?! — ela se atentou e logo ficou de pé. — Senhor Kim já está à sua espera, por favor, me acompanhe.
Assenti e comecei a segui-la, segurando a risada para a súbita mudança do modo de agir dela.
— Só um minuto, irei avisar a sua chegada.
Ela disse por fim, entrando na sala principal, me deixando à espera numas das cadeiras do lado de fora.
Levou menos de um minuto até que retornasse, pedindo educadamente para que eu entrasse.
— Boa tarde senhor Park, já estava ao seu aguardo. — Kim Joon disse educadamente, se erguendo de sua cadeira, para vir me cumprimentar. — É um prazer finalmente te conhecer pessoalmente.
— Boa tarde senhor Kim, o prazer também é meu. — sorri e segurei sua mão em um cumprimento leve.
— Por favor, sente-se. — Apontou para cadeira na frente da mesa para que eu me sentasse, e assim fiz. — Eu estava presente na exposição na qual o senhor estava, e devo dizer que estou muito apaixonado pelo seu trabalho...
— Muito obrigado senhor Kim, é uma honra ouvir tamanho elogio vindo do senhor.
— Não agradeça. É a verdade, Park. Seu trabalho é impecável. Umas verdadeiras obras... Eu mesmo vi o quão delicado e perfeito são. Eles remetem muito ao senhor também, a beleza é enorme, com todo respeito claro. — ele sorriu.
— Novamente, muito obrigado. — sorri. — É realmente gratificante receber elogios bons no que gostamos de fazer.
— Posso te fazer uma pergunta, particular Park? — assenti o olhando. — o senhor é compromissado? Perdão a indelicadeza, mas me recordo de vê-lo acompanhado na exposição.
— Sim... Eu sou. — apenas assenti. Não gostava quando uma pessoa que sequer me conhecia direito fazia perguntas sobre minha vida íntima, e particular. Porém, aquele era um possível comprador, um homem conhecido em comprar artes, e exportá-las para o exterior, sempre dando visibilidade ao artista.
— Isso é bom... Mas enfim, seus quadros foram os mais comentados na exposição, e como já disse, tive a oportunidade e o prazer de vê-los com meus próprios olhos, e você realmente merece todos os elogios. Você tem muito talento, Park.
— Muito obrigado, senhor Kim. — sorri. — sempre tento me esforçar e dar o meu melhor na arte. Pintar sempre foi o meu sonho, e receber um elogio desses, de uma pessoa admirável como o senhor, é muito bom, por isso tento sempre melhorar...
— Não seja tão modesto, Park. Você sabe que é bom, não precisa melhorar em nada, é perfeito. E também não precisa agradecer, é um talento seu, deve aproveitá-lo ao máximo.
— Irei... — sorri sem jeito. Receber tantos elogios assim me deixava envergonhado.
— Mas enfim, vamos ao que interessa. Negócios. — ele sorriu e deu a volta na mesa, sentando sobre ela, bem ao meu lado.
Afastei-me um pouco dele, atrás de mais espaço, me sentindo um pouco acuado.
— Me diga quais os valores em base, dos seus quadros?
— Bom... A média é de cinquenta a cem mil... Mas, recentemente, vendi oito quadros por seis milhões.
— Bom... — ele me olhou sorrindo, e inclinou a cabeça um pouco mais para baixo. — É um bom valor, mas eu posso te fazer valer bem mais, sabe disso não é?
Assenti com um sorriso mínimo, me sentindo incomodado com tanta aproximação, mas logo pude respirar aliviado, assim que ele voltou a ficar de pé, e sentou novamente na cadeira à minha frente.
— Trouxe seus outros trabalhos como combinamos? — ele perguntou me olhando do outro lado da mesa.
— Sim. — sorri e retirei meu ipad de trabalho da bolsa, logo o entregando. — Aqui tem alguns dos que estão prontos.
— Certo. — ele sorriu novamente e começou a dedilhar e observar cada um dos meus trabalhos. — Sinceramente, são perfeitos, não a um sequer ruim... Diga-me, você já exportou?
— Não, quer dizer, dizem que o comprador da exposição, leva os quadros para fora, mas não é nada aberto ao público, para que possam conhecer, é particular.
— Park, park, park... Eu vou te deixar rico garoto... Olha só isso. — ele sorriu olhando as fotos. — Eu gostaria de ver pessoalmente, tenho bastante interesse. O que me diz?
— Tudo bem, mas eu não tenho um local fixo para meus quadros ainda... Eles ficam no meu ateliê, na minha casa.
— Então acho que conhecerei a casa de Park Jimin, uh? Tudo certo por você? Tenho compradores ótimos em todo o mundo, e pessoas que expõem as coleções particulares ao público, que iriam adorar ter um trabalho seu lá.
— Por mim tudo bem. — sorri contente com a ideia de ter mais do meu trabalho espalhado por aí. — Podemos marcar um horário?
— Deixe seu contato, minha secretária entrará em contato com o seu tudo bem?
— É... Eu não tenho um número para contato de trabalho ainda... Mas o senhor pode ficar com o meu número particular, tudo bem?
— Tudo ótimo. Esse eu mesmo faço questão de pegar. — ele disse e logo me entregou o próprio celular. — coloque-o aí.
Peguei o aparelho um pouco acanhado, e anotei meu número, deixando salvo em sua agenda.
— Então, acho que ainda vamos nos ver, não é? — ele ficou de pé vindo à minha frente, e logo me pus de pé também.
— Sim, eu espero que tenhamos muito a conversar ainda. — sorri e segurei a mão que me foi estendida.
— Teremos... Mas posso te dar uma dica? — ele perguntou ainda segurando minha mão sorrindo. Assenti e devagar me desfiz do aperto. — tenta ser um pouco mais, hm, solto? Percebo que você ainda é um pouco mais retraído com elogios, e na sua profissão, ser mais solto, é o mais ideal, sabe?
— Entendi... Muito obrigado pela dica senhor. Bom, mas... Hm, agora vou indo. Nos falamos melhor para tratar da visita.
— Oh, claro. Deixe-me te acompanhar até a porta.
Assenti e mantive certa distância, indo à frente sempre, e somente parei na porta, o esperando abrir.
— Foi um prazer realmente enorme te conhecer Park. — ele disse abrindo devagar a porta.
— Digo o mesmo, senhor Kim. Até mais.
— Até... — ele foi breve, sempre sorrindo.
Fiz uma reverência breve e saí da sala, logo passando pelo longo corredor, e pela recepcionista, que assim que me viu, sorriu totalmente simpática.
Do lado de fora, busquei meu celular para ligar para o Jin, já que ele me fez jurar que assim que tivesse o resultado do meu primeiro comprador, eu teria que ligá-lo.
— Jinie?
— E então? Conseguiu?
— Mais ou menos... Ele elogiou muito o meu trabalho, mas disse que quer ver pessoalmente...
— Você explicou que ainda não tem um estúdio? Que seu ateliê é em casa?
— Sim, mas ele disse que não tem problema...
— Chim! Você nem conhece esse doido, vai que ele é mesmo um doido? Não pode levar na sua casa, isso é sua intimidade... Sua segurança!
— Eu não posso perder trabalho, jin! E com certeza vai ser muito dinheiro, conhecimento... Não tem como dizer não pra isso.
— Por que você não procura um estúdio, e sei lá, aluga? Compra?
— Você sabe que eu moro muito longe, eu teria que estar no estúdio todos os dias, e eu tenho um bebê, esqueceu? Não dá, ao menos ainda...
— Eu realmente acho isso um pouco arriscado. Ao menos deixe para receber esse tal Kim joon quando jungkook estiver em casa, não fique sozinho com ele!
— Jinie, eu sei me cuidar. Mas agradeço muito toda essa preocupação, meu amor.
— Onde você está agora?
— Acabei de sair do escritório dele... Não sei se faço alguma coisa no centro, ou volto logo para casa.
— Jungkook está com Jiwan?
— Sim, ele e Hyun. Os três ficaram assistindo uma galinha que canta, eu não sei muito bem o que é aquilo.
Ouvi a risada única do meu melhor amigo ecoar pela ligação.
— Eu estou indo no cartório, e de lá vou à igreja marcar a data do casamento, quer ir?
— Claro — minha fala foi interrompida pelo bip do celular, informando que tinha outra ligação na linha. — tem alguém me ligando, espera.
Olhei o visor do celular e o nome "Jungkook" piscava sem parar.
— Oi amor.
— Mochi, você está ocupado?
— Não, acabei de sair do escritório, por quê?
— Preciso te perguntar uma coisa... o que a nuvem falou para a outra?
— Quê?
Ouvi a risadinha baixa dele e de Kihyun, intercalando.
— O que a nuvem falou para a outra? — repetiu
— Sei lá, jungkook. O quê?
— Nuvem, que num tem.
A risada dos dois explodiu, fazendo-me prender o riso, mas apenas porque o som era engraçado.
— É sério isso? Onde você aprendeu isso?
— O Hyung me ensinou. Oh, tem outra! O que a mãe açaí disse aos filhos?
— O quê?
— O último açaí fecha a porta.
— Vocês são dois bobos! — Não me contive e soltei uma risada baixa, sentindo vergonha alheia dos dois seres de um neurônio só, que eram pais do meu filho.
— Outra. — quem disse foi kihyun. — O que o bêbado disse quando um fusca buzinou duas vezes para ele?
— Hm, sei lá hyun, o quê?
— Eu também BIBI! — e novamente a risada b***a dos dois ecoou, e ficou mais alta ainda dessa vez.
— Vocês são dois idiotas, sabia? Olha só por quem meu filho está sendo cuidado...
Hyun riu.
— já terminou aí? — perguntou.
— Já.
— Já está mais rico que eu e o kook agora?
— Ainda não, mas tô quase lá.
— Isso é bom... Oh, eu e o kook compramos pizza, quer que deixemos um pedaço para você?
— Não era para contar hyung! — Jungkook reclamou baixo, mas eu pude ouvir. — ele vai surtar!
— Vocês o quê?! — me controlei para não gritar. — Kihyun você não pode comer isso!
— É só um pouquinho... Não vai matar não.
— Que filho da... Você quase morreu i****a, e ainda me solta essa? Estou indo para casa agora, se eu chegar e ver pizza ai, eu juro que vou encher você de porrada, e ainda vou bater no kook também porque ele deveria te impedir, e não ajudar!
— Ai minie, você é chato demais, Tchau.
Antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa, a ligação encerrou.
— Que filho da-
— Chim? — Jinie chamou, e só então me lembrei de que havia o deixado na espera.
— Oi. Desculpa ter te deixado esperando.
— Tudo bem.
— Terei que ir para casa. Hyun comprou pizza e jungkook ainda o ajudou...
— Mas ele não pode comer isso, pode?
— Não pode, por isso que estou indo para lá. Vou quebrar alguns narizes hoje, tenho certeza... Mas me desculpa, ok? Eu realmente queria ir com vocês.
— Tudo bem, Chimie, e oh, se quebrar algum nariz, tira a foto e me manda, ok? Beijos, te amo.
— Também te amo, gravidinho. Tchau.
Encerrei a ligação, e logo fui até o carro de jungkook, girando a chave entre meus dedos.
— Nossa... Uma boneca linda dessa, com um carrão desses... Uau.
Ouvi aquilo e olhei sem entender a cara do i****a ao lado. Era um cara jovem, deveria ter por volta dos 20 anos, alto com um sorriso i****a na cara, me encarando.
— Me deixa te levar para passear delícia... Eu posso te levar muito longe nessa máquina, nessa aqui. — ele disse e segurou a própria i********e.
Eu estava prestes a entrar no carro e deixar aquela babaquice e nojeira para lá, mas ao ouvir aquilo, e ver aquilo, eu não aguentei.
— O que foi que você disse?
— Qual parte? De te levar para um passeio, ou que você é uma delícia e eu posso te levar ao delírio? — ele perguntou ainda sorrindo.
— Isso é assédio, você sabia disso? Quer ser preso?
— Calma, boneca, não precisa ficar irritadinha. Você é uma delícia mesmo... Bem gostosinho, e é só um elogio, não gosta de elogio?
— Irritadinha? — fui a passos largos até o i****a que se atentou mais a mim, botando uma cara assustada a me ver se aproximando. — Repete isso! — retirei meu celular da bolsa. — Repete que estou ligando para a polícia agora mesmo, seu nojento!
— Opa, opa, opa... Também não precisa chamar polícia alguma. Não sabe receber um elogio?
— Elogio? Elogio é você falar sobre o sorriso, a educação, ou o carisma de outra pessoa, e isso quando você tiver i********e para falar com ela, mas o que você fez é assédio! É crime, e é muito nojento seu babaca.
Falei tudo muito rápido, discando o número da polícia, já ficando nervoso.
— Ei, não faça isso! Está louco?
— Louco é você que acha que isso é a maneira correta de tratar alguém. Sua mãe não te deu educação não? — falei com o celular no ouvido, aguardando ser atendido. — Alô, oi, eu quero fazer uma denúncia... U-hum. — Olhei para a cara do babaca à minha frente, completamente assustado.
— Qual foi, baixinho? — ele tentou me intimidar, parando a minha frente. — Desliga isso agora!
— Assédio — falei com a moça que me atendeu. — Acabei de ser assediado em frente ao... — e ao notar que eu não estava mesmo brincando, apenas ouvi o barulho dos passos rápidos no chão deixada por ele. Olhei-o correndo, tentando fugir. — Ele saiu agora mesmo, correndo, mas estava em frente ao escritório Kim joon, e me assediou com palavras de baixo calão, sujas e tocou na própria i********e, insinuando coisas nojentas...
Ela começou a me fazer inúmeras perguntas, tais como o que foi dito, o que foi feito, e a aparência do homem com certa precisão e detalhes.
Deixei também meus dados, e pedi para que, se fosse preciso, eu mesmo iria reconhecer o tal homem caso prendesse-o.
E não mentirei, foi prazeroso ver a cara dele, inteiramente assustado para mim.
De ver que eu, como todos deveriam fazer, não me calei por medo, ou apenas deixei para lá. De que eu reagi sem medo e o mostrei o que uma pessoa assediada deve fazer de verdade, pois, se calar não é uma opção, jamais deve ser.
Depois de tudo aquilo, entrei no carro só querendo dirigir de volta para a casa, mas poucos minutos depois, a polícia me ligou dizendo que haviam pegado o tal homem e me pediram para ir até à delegacia, então fui obrigado a desviar o caminho e ir até o local cujo haviam me informado.
Foi loucura, eu sei, nada disso estava nos meus planos, mas fui mesmo assim. Cheguei a delegacia, e demorou algumas horas, mas fiz reconhecimento do homem e me surpreendi ao notá-lo suando e completamente assustado. Prestei queixa, com meu depoimento e junto a mim, outras duas mulheres também foram chamadas. Mulheres que já haviam feito uma denúncia naquele mesmo dia contra o mesmo homem.
Foi demorado, e até um pouco cansativo, mas quando deixei a delegacia, tive o sentimento de que estava fazendo o certo. Enfim, dirigi de volta para a casa e me preocupei apenas com o tempo, já que meu celular havia descarregado e possivelmente Jungkook e Kihyun estavam enlouquecendo sem saber onde eu estava.
[...]
— Voltei! — falei assim que entrei, sorrindo torto, vendo-os com olhos arregalados.
Jiwan estava no carrinho, com os cabelos metade abaixados e a outra metade espetados, numa tentativa de penteado que não correu muito bem. Jungkook e Kihyun estavam comendo e correram até mim, o que me fez rir.
— Por que demorou tanto? — Hyun perguntou preocupado.
— Tive um problema e fui parar numa delegacia. — sorri e deixei um beijinho em Jungkook, caminhando até a mesa cujo estavam, observando o que estavam comendo. — Ué cadê a pizza?
— Hyung desistiu... — Jungkook respondeu. — Por que você foi a uma delegacia? — ele parou na minha frente, segurando meus ombros e forçando-me a olhá-lo — O que aconteceu?!
— Assédio. — falei, me soltando e indo até jiwan. — um homem me assediou logo após encerrar a ligação com vocês. Eu estava vindo para a casa, mas ele foi escroto e fugiu, mas a polícia pegou.
— Jimin? Você não enfrentou o homem? Sozinho? — Kihyun perguntou com uma carranca na cara.
— Claro que enfrentei. O que esperava? Que eu ficasse quieto? — Neguei. — Quem fez a comida?
— Eu. — jungkook ergueu a mão. — mas você precisa explicar melhor essa história. Quem é esse homem? E se ele vier atrás de você?
— Ninguém vai vir, Jungkook, pode ficar calmo. — falei sorrindo. — Estou com fome.
Ele negou, ainda me repreendendo, mas suspirou no fim.
— Quer que eu faça um prato para você?
— Quero, mas primeiro vou tomar um banho.
— certo, o hyung deu banho no jiwan, e também já deu mamadeira, acho que daqui a pouquinho ele dorme... E nós ainda vamos conversar sobre isso, entendeu? Foi muito perigoso você ter feito isso sozinho, mas também foi muito corajoso. Estou orgulhoso.
Sorri outra vez, sentindo-me ainda melhor.
— Está bem, mas, você — olhei para kihyun. — Não pense que estou bem com você. Se eu souber que está comendo pizza por aí, eu mesmo te mato antes que você morra, entendeu? Essas coisas você só pode comer somente depois de um ano, hyun! E com moderação...
— Eu já entendi... Não vou comer não, ok?
— E nem adianta fazer bico. Eu vou falar com o Chae para ele te vigiar.
— O que o Chae tem a ver com isso?
— Você que tem que responder — sorri e sai rápido, ignorando as perguntas dele, indo tomar um banho.
[...]
— A comida está realmente boa, amor. Parabéns.
— Eu te disse que sabia cozinhar, viu?
— Vamos abrir um restaurante, Kook, e daí ficamos ricos. — hyun falou da sala, brincando com jiwan.
— Nós já somos ricos, Hyung...
— Então ficaremos mais, pronto. Dinheiro nunca é demais mesmo.
— Amor, você viu o e-mail que te enviaram? Vi ontem quando fui olhar o meu, mas esqueci de te avisar, desculpa. — falei.
— E-mail? — ele franziu o cenho e retirou o celular para verificar. — O p***a!
— Olha a boca... — Kihyun o repreendeu.
— o que foi? — perguntei o olhando da mesa, ainda comendo.
— Uma das maiores docerias de Busan, quer fechar contrato comigo!
— Isso é muito bom, Kookie. — o vi sorrindo, mas não era o sorriso que ele costuma pôr quando algo grande assim acontecia. — É bom, não é?
— É ótimo, amor. Mas tem um problema...
— Qual?
— Eu terei que ir à Busan para fechar esse acordo melhor.
— Isso é problema? Busan é perto, você vai rapidinho.
— Se eu for, terei que ficar ao menos uns três dias, para resolver tudo direitinho... Mas eu não posso te deixar três dias sozinho com o bebê... E nem você pode ir por causa da entrevista e das fotos para a revista marcadas para o fim de semana...
— Jungkook-ah! Eu consigo ficar bem por três dias, ok? Pode ir, eu e Jiwan ficaremos bem.
— Eu posso vir para ficar com eles também, kook. Vá tranquilo. — Hyun falou sorrindo.
— Pode ir. Eu vou ficar bem. Não perca uma oportunidade dessas por mim.
— Não é isso... Você tem certeza? O bebê ainda é tão novinho... Dá muito trabalho...
— Tenho sim. Vá e faça o seu nome brilhar ainda mais. — pisquei para ele, o fazendo sorrir. — Eu quero o meu namorado muito famoso.
— Está bem... Então vou aproveitar e vejo se consigo ver o imóvel para a cafeteria também né? — assenti sorrindo, o vendo ficar empolgado. — Também aproveito e fico um pouquinho com a minha mãe...
— Ótimo. Eu adoraria ir conhecer minha sogra também... Mas diga a ela que na próxima, eu e Jiwan iremos.
— Está bem. Então responderei o e-mail e amanhã, se der, já vou à Busan, ok?
Assenti terminando de comer, o vendo todo sorridente enquanto respondia o e-mail.
A sensação é gostosa demais. O ver assim, realizando mais e mais dos próprios sonhos. Crescendo e mostrando o nome em todo o lugar, com orgulho.
Após ter me alimentado, escovei meus dentes, e roubei meu filho dos braços de hyun, louco para ficar um pouquinho com ele.
— Como foi seu dia, uh? Os papais te fizeram muita raiva?
Hyun ao lado sorriu olhando para minha cara.
— Está rindo de quê?
— Você parece um bobão falando com o bebê.
— Até parece que você também não fala assim com ele, não é?
— Falo, mas você fica mais bobão que eu.
— Ata. Porque o cabelo dele está só metade para baixo?
— Estava tudo para baixo, mas bastou um movimento que ficaram todos para cima... Esses daí são os guerreiros que ainda resistem.
— Bobo. — sorri e deitei com o bebê no sofá.
O restante da tarde foi bem tranquila. Hyun ainda ficou um bom tempo conosco, e aproveitou para ninar jiwan o máximo que podia.
Depois que ele foi embora, já a noite, jungkook deu banho e mamadeira, e pôs jiwan para dormir, me dando um tempinho para tomar um banho calmo de banheira que eu tanto vinha pedindo durante o dia.
— Posso entrar aí? — ele parou na porta do banheiro, me olhando e sorrindo.
Assenti e o vi começar a se despir.
— Jiwan dormiu?
— U-hum. — ele disse vindo até a mim, completamente nu. — trouxe a babá eletrônica, acho que dá para ouvir daqui.
Assenti novamente e encostei-me à porcelana da banheira, o observando entrar.
— Você me deixa envergonhado me olhando assim... — ele murmurou, sentando de frente para mim.
— É que você é uma gracinha, não dá para não olhar.
— U-hum... Como foi hoje com o Kim? Eu nem te perguntei...
— Ele me elogiou bastante... Mas disse que quer ver as peças pessoalmente.
— Ele marcou de vir aqui?
— U-hum, mas Jin disse que seria bom você estar aqui também, já que ele é praticamente um desconhecido... Eu não acho que ele tentaria algo comigo, ele é um homem famoso...
— Eu também não, mas estarei aqui com você, quando é?
— Ele ainda não marcou, ficou de ligar e marcar.
— Ok... Amanhã vou para busan de carro, mas se quiser eu posso deixar, e ir de trem já que você tem o bebê e pode precisar dele para uma emergência.
— Não, tudo bem. Que não aconteça, mas se precisar eu chamo um carro particular.
— Quando retornar nós vamos ver um carro para você, tudo bem?
Assenti e bocejei sentindo meu corpo cansado.
— Vem cá, me deixa cuidar de você um pouquinho. — Ele pediu calmo, me olhando.
Sorri e fui devagar até ele, parando sobre as coxas dele, me sentando ali, de costas para ele, atrás de carinho.
— Estou carente... — disse me aninhando, fazendo carinho nas coxas dele.
— Quer beijinho? — ele pediu deixando um sobre meu pescoço.
Assenti e relaxei mais, sentindo as mãos grandes segurarem minha cintura, às vezes se afundando no meu quadril, devagar.
— Isso é tortura, amor... — sorri ao sentir o nariz percorrer por toda a minha nuca, me fazendo arrepiar de leve.
— Estou apenas cuidando do meu pequeno. Posso?
— Deve. — sorri e o beijei rapidinho.
Continuamos com carinhos calmos, ouvindo o som silencioso da noite, com apenas alguns barulhos de grilos e cigarras do lado de fora. O resto do mundo parecia dormir deixando somente nós dois acordados, se cuidando e amando.
— Me dá mais beijinhos. — ele pediu com a voz rouca.
Não aguentando ficar somente em carinhos e suspiros também, me virei devagar e sentei de frente a ele, o abraçando com as pernas e o braços e sendo abraçado também, logo iniciando um beijo lento, com nossas línguas criando o próprio diálogo, enquanto nossos corpos reagiam aquilo, e nossos corações aceleravam em conjunto.
Gradualmente o beijo foi tomando impulso, junto à carícia e a pequenos gemidos, todas as vezes que ele me apertava mais forte, ou que eu puxava devagar os cabelos dele.
Gradativamente, o senti ficar rijo abaixo de mim, o que nem dava para evitar, visto que eu mesmo já estava daquele mesmo jeito.
— Somos dois tarados. — sussurrei em meio ao beijo.
— Somos duas pessoas que se amam... Meu corpo só está reagindo ao teu. — ele disse e apertou de leve minha cintura mais uma vez, me fazendo suspirar com o contato.
Jungkook era o único que me fazia ficar assim. Ele sabia que não havia sido o meu primeiro, mas sabia que era o único. Ele me fazia se perder no raciocínio em poucos minutos, e com um toque, me fazia suspirar, gemer e implorando por mais.
— Eu quero fazer amor com você. — falei beijando-o, me envolvendo mais ali, sentindo o aperto e a dureza logo abaixo, sentindo também o meu próprio corpo implorar. — Quero fazer amor bem devagar... Quero te sentir.
Ele assentiu e voltou a me beijar com calma, num beijo vagaroso, e muito, muito gostoso.