Acordei em torno das oito da manhã e para minha surpresa - ou nem tão surpresa assim -, jungkook não estava ali.
Procurei minhas pantufas e calcei-as. Caminhei ainda sonolento até o quarto de jiwan ao lado e assim que abri a porta, encontrei Jungkook dormindo no estofado perto da janela, agarrado a um enorme Pikachu que com certeza não fazia parte da decoração do quarto do bebê, o que indicava que talvez o pertencesse.
Jiwan já estava acordado. Brincava com os dedinhos enquanto olhava para o elefante que tinha sobre a parede, completamente quieto.
— Oi amor. — Cheguei perto do bebê, o fazendo desviar os olhos para mim. — Você cansou o Kookie? — brinquei tocando-o sobre a pontinha do nariz.
O bebê sorriu e se esticou todo quando enfim se espreguiçou. Jogou ambas as pernas e braços para cima, o que me fez rir baixinho.
Peguei-o no colo e percebi sua fralda já cheia de xixi.
— Vamos tomar um banho? — beijei o topo da cabeça, sentindo o cheirinho gostoso que sabia somente pertencer a bebês.
Caminhei até o banheiro do quarto do meu pequeno, e preparei a banheira para o banho, me atentando a temperatura.
Jungkook ainda roncava baixinho, e após pensar muito se devia lhe acordar ou não, decidi pôr deixa-lo ali, descansando, enquanto eu e o bebê tínhamos um tempinho só nosso.
— Vamos explorar a casa? — perguntei ao bebê logo após pôr uma roupinha limpa e pentear seus cabelos, caminhando até o elevador que - por enquanto - mostrava ter grande serventia já que não podia me esforçar demais ainda, e subi até o andar de cima onde segundo Jungkook, era o meu ateliê.
Assim que cheguei ao andar, logo vi que não havia portas ali, o que me preocupou um pouco se pensarmos que daqui a uns anos teremos um pequeno garotinho curioso que com certeza irá querer mexer nas tintas e quadros. Mas ainda assim, era lindo. Bastante sol, dava para ouvir os pássaros com mais clareza a constar que as árvores mais altas estavam mais próximas dali.
O lugar, diferente da casa, era em tons de madeira clara, quase amarelada. Sorri ao ver que Jungkook teve a preocupação de forrar o piso com uma proteção, assim como tinha no meu apartamento, para que tintas que caíssem não estragassem nada ali.
Meus quadros estavam devidamente apoiados, de maneira em que nenhum ficasse danificado e da forma em como instrui ele a fazer. Um armário de portas transparentes e tomando quase uma das paredes por inteiro, guardava todas as minhas tintas e pincéis.
Caminhei ainda ninando Jiwan e fui até a varanda. Suspirei ao sentir a brisa morna do sol que batia ali e vi que no canto da varanda havia um estofado largo e de tecido escuro que mais parecia uma cama por suas dimensões, onde almofadas cobriam parte do local.
— Chimmy? — A voz da mamãe se fez presente no andar de baixo.
— Estou aqui!
Ouvi os passos baixos, e logo ela apareceu.
— O que está fazendo aqui, anjinho? Ouvi que talvez chova um pouco hoje e estava me certificando de fechar as janelas.
— Só estava conhecendo o lugar... — falei-lhe e sorri. — e acho que o céu está azul demais para um dia com chuva.
— A moça do jornal não erra, certo? — ela riu e se aproximou, tocando os cabelinhos de Jiwan. — Kook me disse que aqui será seu lugar de descanso, ele tentou deixar tudo o mais confortável possível.
— Não sei como ele conseguiu fazer tudo isso em tão pouco tempo.
— Ele não fez isso em algumas semanas, anjo. Eu tenho certeza que ele pensou em vocês como família desde o primeiro dia, porque ao menos foi isso que meu coração de mãe achou quando viu o modo eufórico que ele fez toda a mudança e organizou cada coisa. Quando eu cheguei aqui, apenas o seu ateliê estava em reforma, toda a casa já estava pronta, apenas esperando vocês dois.
— Jungkookie é inacreditável, mãe... eu tenho medo de magoá-lo.
— Você não irá. — Mamãe falou olhando também para o céu e riu. — acho que, realmente, não irá chover.
— eu disse, é um dia muito bonito para ser estragado.
Mamãe sorriu e me acompanhou para fora do ateliê.
— Isso aqui é enorme. — falei ainda olhando através do elevador, descendo para o térreo.
— Você não viu nada. — Mamãe disse indo até à cozinha, que só então pude notar seus detalhes, e caramba, também era enorme e inteiramente em tons escuros. — Tem uma casa na árvore lá atrás, e um pequeno chalé dentro da floresta.
— Minha nossa — me animei e olhei ao redor. — eu quero explorar! — sorri completamente eufórico e mamãe riu.
— Vá, deixe o bebê aqui e tome cuidado, ok? Você ainda não pode se esforçar demais. Tem um caminho de pedras que te levará aonde disse.
Assenti e ajeitei o bebê no carrinho, indo assim quase que saltitante para a parte de trás da casa. A cada passo, era uma surpresa diferente. As árvores iam se tornando mais densas pelo caminho de pedras, e os pássaros cantavam alto por todos os lugares.
Quando enfim cheguei à parte de trás, vi que realmente tinha uma casa na árvore ali, o que me deixou tentado a subir, mas ainda assim, respeitar meus limites e talvez explorá-la nas próximas semanas.
Mais a frente, encontrei o tal chalé, que na verdade era uma pequena cabana no meio das árvores. Dentro dele, tinha apenas uma cama, com um pequeno frigobar ao lado, e a porta dava direto para uma pequena piscina que tinha atrás no deck.
O lugar era aconchegante demais. Sentei sobre a cama e observei até mesmo a banheira que havia no canto do lugar e sentindo uma dúvida me assolar instantaneamente.
Será que jungkook já havia levado alguém para ali?
Levantei-me rápido da cama e encarei-a. Era estranho imaginar Jungkook com outra pessoa ao mesmo tempo que eu sabia que tal coisa provavelmente já havia acontecido, então para não pensar demais no meu namorado fazendo sexo com outro, saí do chalé e voltei rápido pelas árvores, me perdendo do caminho de pedra e tentando achar a entrada que dava de volta para a casa.
Não demorou mais do que cinco minutos, mas me sentir perdido debaixo de tantas árvores num lugar que eu ainda não conhecia tão bem foi desesperador. Quando enfim adentrei a casa com meu semblante mais assustado possível, mamãe veio até mim, parecendo tão assustada quanto.
— O que foi? — ela perguntou sem sequer desviar seus olhos do meu rosto.
— Eu me perdi, mãe. — sentei-me sobre o sofá e senti-a sentar ao lado. Sabia que possivelmente já fazia bico, por isso mamãe me abraçou com cuidado.
— Como assim, anjinho?
— Eu fui até o chalé, mas na hora de voltar fui para o lado errado. Eu fiquei desesperado, e piorou tudo quando percebi que estava sem meu celular no bolso... Eu me senti a Jane do Tarzan, todo perdido.
Mamãe me encarou por breves segundos até cair na gargalhada, ficando assim por um longo tempo.
— Mãe! Para de rir... — reclamei cruzando os braços e bufando. — Eu poderia ter morrido, sabia?
— Chimmy, mas e o caminho de pedras?
— Ele sumiu, eu juro!
Ela riu ainda mais alto, quase caindo deitada no sofá.
— Chimmy... Não, não, Jane! — Mamãe realmente parecia se divertir com aquilo.
— Não me chame de Jane!
— É Jane sim, e o Jungkook pode ser o Tarzan, já que ele é dono da floresta. — ela se jogou novamente no sofá, desta vez caindo deitada e não consegui me controlar, começando a rir junto a ela também.
— Para! — Choraminguei um pouco, sem conseguir parar de rir.
Ela respirou fundo, e tentou parar, até que me olhou novamente e caiu na risada.
— Ah meu deus...
[...]
— Boa tarde. — Jungkook veio até nós quando desceu as escadas. Olhei-o e vi sua carinha toda amassada. — Eu dormi demais, me desculpem.
— Você só descansou, meu bem. Estava cansado demais.
Jungkook sorriu para a mamãe e veio até a mim, me dando um beijinho na boca e beijando o topo da cabeça de Jiwan, que já mamava outra vez.
— Como vocês estão? — ele sentou ao meu lado e sorriu;
— Estamos bem. — respondi-o. — mamãe disse que fará algo para comermos.
Ele assentiu e passou o dedo pela bochecha gordinha do bebê que havia largado o bico e já dormia em meu colo.
— Jane, o almoço está pronto! — mamãe disse da cozinha.
— Jane? — Jungkook franziu as sobrancelhas me olhando.
— Uma longa história.
— O que você aprontou? — ele perguntou rindo.
— Eu fui explorar a casa e depois o terreno, mas quando cheguei ao chalé, eu me perdi no caminho de volta, ficando quase uma hora em puro pânico procurando o caminho até a casa...
— Uma hora? Que perigo amor.
— Bom, na verdade foram só cinco minutos, mas Kookie, eu fiquei com medo.
— Poxa. — ele deixou mais dois beijinhos em meus lábios e sorriu. — mas que bom que está tudo bem, certo?
— Certo. — eu também sorri. — mas escuta, a parte da jane, é que quando estava perdido, eu me senti a jane do Tarzan no comecinho, sabe? Quando ela fica sozinha e com medo? Mas agora mamãe não para mais de me chamar assim.
Jungkook ouviu tudo muito quietinho, mas bastou que eu terminasse para ele gargalhar também.
— Amor, tem o caminho de pedra que traz de volta. Você não viu?
— Poxa, mas ele sumiu, eu juro!
— Tudo bem, tudo bem, amor. Só importa realmente que você esteja bem. E tudo bem, eu não me importo que você seja a Jane da nossa relação.
O olhei franzindo o nariz e ele gargalhou novamente.
— Você e mamãe são iguaizinhos. Se eu sou Jane, você é o Tarzan.
— Por mim tudo bem. — Jungkook disse sem se importar nem nada.
— Mamãe disse que combina com você. Você é o dono da floresta, certo?
— Tecnicamente, do terreno. — ele riu. — mas eu também sou namorado da Jane, então acho que a Sun-noona tem toda razão.
— Meninos, venham. — Mamãe chamou arrumando a mesa. Jungkook se pôs de pé e ajudou-a a trazer os alimentos, também trazendo os pratos e talheres. Fiquei de pé e deixei Jiwan deitadinho no carrinho, seguindo-os e sentando-me na mesa. — Aliás, Kook-ah, por que tem uma cama no chalé?
— Para nós ué. — ele deu de ombros e sentou-se também à mesa, puxando o carrinho do bebê para seu lado.
— Como assim, para nós? Tipo, só nós dois?
— É amor, para nós... — ele mexeu as sobrancelhas apontando para minha mãe, e assenti, entendendo na hora.
— Mas então... Você nunca levou uma pessoa lá?
— O quê? Não. Aliás, aquela é a sua cama, você não percebeu?
— Minha cama?
— É. A que tinha no seu apartamento, eu coloquei lá para quando quiséssemos ter um momento... nosso. Espero que não se importe, já que eu fiz sem te perguntar.
— Não, tudo bem. — sorri e olhei rapidamente para mamãe, que estava atenta à organização dos pratos, uma coisa que ela desenvolveu com a arrumação do hotel. Tomando cuidado para não ser ouvido, inclinei-me para Jungkook e sussurrei apenas para ele ouvir — Eu vou adorar passar um tempo com você lá.
Ele sorriu do jeito que deixava meu coração mole, e segurou minha mão, a beijando em seguida.
O almoço seguiu tranquilo. Mamãe, assim como Jungkook, adorava falar e falava sem parar, dando certinhos com ele.
Observei a forma em como eles pareciam felizes e me senti instantaneamente feliz também.
[...]
— Jin-Hyung disse que vem no final de semana nos visitar. Ele teve que viajar até Masan, para uma matéria rápida. Pediu desculpa por não poder vir ver o afilhado antes. — Jungkook falou, enquanto nos ajeitávamos para dormir.
— Tudo bem. — tirei minhas pantufas e deitei na cama, ficando ao lado dele. — Falei com Taehyung também, ele disse que vem no final de semana. Trará os bebês e os maridos.
Jungkook assentiu, e me puxou devagar, me acomodando nos braços quentes enquanto me abraçava.
— E minha surpresa, está quase pronta? — perguntei afastando seus cabelos e o vi negar.
— Quase. — Ele sorriu e me deu um beijo. — Talvez te entregue na sexta.
— Não vejo a hora. Se for algo muito fofinho já aviso que vou te bater.
— Me bater? — ele riu deixando um cheiro sobre meu pescoço. Assenti.
— Provavelmente você irá apanhar de qualquer jeito, já que você sempre é fofo.
— Não se pode falar sobre tapas a um homem que te deseja enquanto está sobre a cama do amor, Chim. É de enlouquecer.
Meus olhos arregalaram-se e Jungkook riu.
— Seu safado! — bati nele e fiz-o rir alto. — está brincando, não é?
— Estou? — ele ergueu a sobrancelha e me beijou brevemente, me encarando de pertinho em seguida. — Você é lindo pra c*****o.
— Você quase nunca fala palavrão. — olhei-o semicerrando os olhos.
— Costumo falar quando estou e******o.
— E você está? — Abri ainda mais meus olhos.
Jungkook se ajeitou na cama e apagou o abajur sem me responder.
— Estou me controlando, Jiminie.
— Não precisa se controlar... Quer dizer, agora sim. Mas não depois, sabe?
— Mesmo? — Ele me olhou outra vez, inclinando-se sobre mim. — mas e os palavrões?
— São excitantes também. Só não fale na frente de Jiwan, ok? Mas comigo, quando estivermos assim a sós... — me aproximei e o dei uma mordida de leve no lábio inferior, enquanto minha mão dedilhava seu abdômen. — Não precisa. Eu gosto. — sussurrei e o ouvi suspirar, me afastando um pouco apenas para encará-los com os olhos fechados.
— Porra... — ele sussurrou, e apertou minha mão. — você me deixa louco, sabia?
— Só mais algumas semanas, Kookie. — mordi meu lábio inferior, sentindo meu próprio corpo esquentar. — Quarenta e cinco dias e estarei liberado...
— Liberado para o quê? — ele perguntou esbanjando um sorriso devasso.
— Para provar você. — ergui minhas sobrancelhas enquanto olhava-o e subi a mão por dentro de sua camisa. — Provar você todo...
— Todo? — Ele se aproximou.
Jungkook me beijou com delicadeza, inclinando-se ainda mais sobre mim e me forçando a ficar completamente deitando, enquanto sentia-o se encaixar entre minhas pernas e me provocar com nossos corpos se tocando de uma forma em como nunca haviam tocado antes.
— Então posso marcar no calendário? — ele quebrou o beijo e me olhou de cima. — Tipo, como fazem em filmes e marcam um X a cada dia que passa?
— Você é um bobo, sabia?
— É que eu sou ansioso. Não sabe a quanto tempo espero para poder te tocar e beijar por inteiro.
— Então não precisa marcar um X — voltei a beijá-lo devagar, ainda sentindo sua pele sobre meus dedos e seu corpo indo de encontro com o meu. — Eu mesmo faço um lembrete no celular.
— É mesmo? — ele sorriu, mordendo meu lábio em seguida.
— Uhum, e lembrarei-o com a mensagem: Dia de fazer amor com o meu Kookie. — respondi-o, rindo baixo. — Vai ser o nosso dia, amor.
— Será o nosso dia. — ele se aproximou novamente, se afundando em beijos, enquanto nossos suspiros se misturavam, mostrando o anseio que nossos corpos sentiam um ao outro e como estavam entregues ao mínimo toque que fosse.
— Eu te amo, Jungkookie. Me sinto bem podendo falar isso agora. Eu te amo muito.
— Eu também te amo.
Ficamos daquele jeito por muito tempo, nos beijando e sorrindo em meio aos nossos longos suspiros e mãos que se apertavam em lugares próprios, fazendo nossos corpos tremerem, mas não matando nossas vontades.
Ficamos daquele modo até que o sono fosse o que prevalecesse. Jungkook ainda me abraçou, me dando bitocas frouxas e sorrindo a cada vez que o som ecoava em nosso quarto. Quando enfim ele se entregou primeiro ao sono, ainda me perdi em sua completa beleza mesmo estando inerte ao mundo e em como eu era sortudo por tê-lo ao meu lado.
No fim, repousei junto ao meu amor. Tentei repousar enquanto me sentia bem. Sentia a paz e a certeza que nos cercavam e sentindo que estava começando a acreditar no nosso para sempre. Poderia mesmo ser real.
Continua...