KIHYUN
— Hoje é um lindo dia, não é?
Ainda estava no parque, de olhos fechados, aproveitando a brisa quando ouvi uma voz baixa ao meu lado, e olhei assustado.
Havia um senhor bem idoso sentado ao lado.
Ele me olhou e sorriu, então apenas assenti.
— Vem sempre aqui?
Neguei.
— Está tudo bem?
Neguei.
— Você é mudo?
Neguei e dessa vez sorri.
— Me desculpe...
— Tudo bem. — ele sorriu — Está com problemas?
— Sim... Um baita problemão.
— Quer desabafar com um estranho numa praça? — ele perguntou sorrindo simpático.
O encarei por breves segundos, e me sentei de lado no banco.
— Eu irei morrer, e meu noivo... Meu ex-noivo está grávido, e agora eu queria pedir desculpa, mas me sinto um i****a e tenho vergonha, mas eu o vi sorrir para outro, e meu coração está doendo, e nem é por causa da minha insuficiência cardíaca, porque eu irei morrer, entende? É porque eu o queria de volta, mas ele vai me bater, e com razão.
— Nossa... Calma meu jovem. — ele sorriu e se virou de lado. — Você irá morrer por causa dessa insuficiência cardíaca aí?
Assenti.
— E seu ex-noivo está grávido de você?
Assenti novamente.
— E você quer se desculpar, mas se sente um i****a? E ele vai te bater com razão se fizer isso?
Assenti pela vigésima vez.
— Por que se sente um i****a?
— Porque eu queria isso, eu queria o afastar. Mas aconteceu tudo errado, eu fui um i****a com ele e o bebê, e agora sinto vergonha de mim mesmo.
— O que o senhor fez?
— Eu o humilhei... Eu disse para tirar a criança ou teria que escolher entre mim e ele.
— Nossa... Você foi realmente um i****a.
— É, obrigado por constatar o óbvio.
— Mas ele sabe sobre a sua doença?
— Não... Mas eu pretendo abrir o jogo, pelo menos poderei me afastar do trabalho, e descansar um pouco até morrer, ou pela graça do universo, fazer um transplante.
— Entendo... — ele olhou para frente, e pareceu pensar. — mas se você irá morrer o que tem a perder?
— Como assim?
— Vá, se desculpe viva com seu filho até enquanto puder.
— Ele não permitirá... Eu pedi para ele matar a criança, você compreende?
— Você se arrepende disso?
— Todos os dias... O único culpado disso tudo sou somente eu, ele e o bebê merecem o melhor.
— Então isso é o que importa! Rapaz, você me parece jovem demais, viva e ultrapasse o limite, curta, ame! Não fique aqui nesse banco sofrendo, e contando sua vida para um velho estranho.
— O senhor não é um velho estranho, é um velho sábio.
— Não deixo de ser velho. — ele sorriu.
— Agora vá, viva a felicidade de ser pai enquanto puder.
— O senhor acha que devo realmente ir?
— Já deveria estar lá, agora vai... Xispa, xispa!
Ele abanou a mão, e só pude sorrir. Levantei-me e fiz uma reverência, indo a caminho de meu carro, de um modo tão rápido, que nem me lembrei de perguntar seu nome.
Quando parei de frente ao carro, vi a loja de bebês novamente, e resolvi entrar.
— Posso ajudar? — uma moça simpática perguntou, parando de frente a mim.
— Preciso de algo especial para um bebê que ainda irá nascer.
— para recém-nascido... — ela pensou, e começou a caminhar. Fui seguindo-a, indo para uma sessão mais ao fundo.
— Para um recém-nascido, o melhor são as pelúcias. Essas são pelúcias antialérgicas.
Olhei ao redor, e vi várias pelúcias em formatos de animais.
— Qual o sexo do bebê?
— Ainda não sei...
— Temos de várias cores e formatos. Algumas pessoas não se importam muito com isso de azul e rosa, para tal sexo, mas o senhor pode ficar à vontade.
Assenti e olhei ao redor.
Lembrei-me de uma viagem que fiz uma vez com meu pai, meses antes dele morrer, para a África, e de todos os bichos que havia na savana, apenas um me chamou atenção.
— Você tem algum em formato de zebra? — perguntei à atendente.
— Há sim. — ela se abaixou e buscou nas pelúcias de baixo. — Aqui.
Era uma pelúcia de uma zebra bebê, linda.
— Perfeita, irei levá-la.
Ela sorriu, e caminhou até o balcão.
— Algo mais?
— Não, você pode embrulhar para presente?
Ela assentiu e buscou um papel cheio de corações e algo a mais que não conseguia decifrar.
Com o pacote em mãos, sai da loja, e fui até o prédio dele.
— Com licença, qual o apartamento de Park Jimin? — perguntei a um senhor de idade que estava quase dormindo em sua guarita.
— Um instante... — ele olhou com cara de sono para frente. — Apartamento 278.
Assenti e entrei, ele me chamou algumas vezes, mas fingi não ouvir, e fui até o elevador.
Se Jimin fosse avisado da minha chegada, jamais iria me liberar.
Subi até o quinto andar, e por sorte era o andar correto. No fim do corredor, vi a porta com a numeração 278.
Parei em frente e respirei fundo, toquei a campainha e esperei.
Jimin abriu a porta sorridente, mas congelou no mesmo instante que me viu.
Sorri para ele, sentindo meu coração palpitar.
Tomara que ele não pare agora, isso não é hora de morrer, pensei.
— Posso entrar? — o olhei e ele permanecia do mesmo jeito.
— Kihyun, o que faz aqui?
O estendi o pacote, para ele e dei um passo para frente.
— Podemos conversar? — fiz menção de entrar, pois estava agoniado ali parado, mas ele me impediu, com uma mão em meu peito, travando minha passagem.
— A gente não tem o que conversar.
Ele respirou fundo e pegou o pacote, o colocando no canto.
Reparei melhor nele, e o vi como estava lindo.
Vestia uma calça preta justa, uma camisa branca folgada, mas que a barriguinha já marcava e um casaco vermelho por cima, lindo, ele estava lindo.
Senti uma vontade enorme de abraçá-lo, mas não sabia se podia.
— Jiminie... — toquei seu rosto com minhas mãos. — Me desculpa meu amor.
Ele retirou minhas mãos de seu rosto, e me olhou nos olhos.
— Primeiro não me chame de meu amor, segundo, te desculpar pelo o quê? Por ter chamado o seu filho de coisa e o querer tirar? Por ter me humilhado? Ou por ter rido de mim, como se eu fosse patético?
Respirei fundo, sentindo a mágoa em suas palavras, sentindo a culpa me acertar novamente.
— Jimin... Eu errei, eu sei. Mas estou arrependido... Ele é o nosso bebê.
— Toquei sua barriga, sentindo um arrepio tomar meu braço, e se espalhar por todo meu corpo.
Era meu filho ali, o meu filho...
— Eu quero participar disso agora.
Ele me olhou com o olhar de desdém, talvez chateado ao extremo, querendo socar minha cara.
Não julgo, eu iria querer me socar também.
— Acho um pouco tarde para isso, não? Foram três meses kihyun, você ao menos se preocupou em como nós estávamos? — tirou minha mão de sua barriga.
Abaixei o olhar, sentindo a culpa, a vergonha, o arrependimento...
Meu deus, eu queria ter ligado, eu deveria ter ligado.
Mas... Eu fui covarde.
— Não, né? Estou cansado hyun, eu te esperei muito, com um pedido de desculpa...
Esperou? Ele me esperou, e eu não vim?
— Mas você chegou um pouco tarde demais...
Poderia ter sido diferente... Eu poderia ter feito diferente.
— Jiminie... — supliquei mais uma vez, mas uma voz logo atrás, o chamou mais alto.
— Jimin? — ele olhou por cima dos meus ombros e sorriu.
— Desculpa, mas tenho que ir.
Empurrou-me de leve pelo peito, e passou.
Havia um homem esperando. Um homem bem mais jovem e bem vestido logo à frente. Jimin parecia feliz ao vê-lo.
Senti meu coração falhar, e pedi aos céus que agora fosse minha morte, para assim, não o ver sorrir daquele jeito para outros, mas infelizmente não era.
O olhei mais uma vez, e era como se estivesse em câmera lenta.
— Jimin. — Segurei seu pulso, o impedindo de ir, mas eu já o tinha deixado ir a muito tempo atrás.
— A gente já falou o que tinha para dizer, adeus hyun. — virou e saiu.
Pedaços, era assim que me sentia em pedaços.
Mas sei que o que sinto agora, é pouco para o que ele sentiu.
O rapaz sorriu para ele, e ele o retribuiu.
Ele falou alguma coisa, que fez Jimin sorrir ainda mais, fazendo seus olhos sumirem em uma linha, do jeito que tanto amava vê-lo sorrir.
Continuei parado o olhando, e seu olhar para mim foi como um olhar de pena.
Em seguida o elevador chegou, ele apenas me olhou e com um sutil inclinar de cabeça, ele se despediu, e se foi de vez, me deixando ali, sozinho.
Pensei em ir embora, tipo sumir, ou até morrer.
Mas a voz do senhorzinho da praça invadia a minha mente.
"Você irá morrer, o que tem a perder?"
E eu realmente não tinha nada.
Resolvi esperar Jimin, no hall de entrada, e quando já era noite, o vi descer de um carro tão luxuoso quanto o meu, sorrindo bobo para o motorista. Do mesmo modo como um dia sorriu para mim.
Vi o mesmo rapaz dentro do carro, e só então percebi o que poderia estar acontecendo ali.
Jimin estava seguindo em frente.
Quis sumir, talvez assim tudo se resolvesse. Eu poderia deixar em meu testamento a empresa e tudo que tinha para ele e o bebê, e assim ele poderia ser feliz, com quem sabe o rapaz do carro... Meu filho teria outra imagem de um pai junto à Jimin, e eu apenas morreria.
Assim como tem que ser, mas eu sou sincero... Eu nunca iria conseguir fazer isso, talvez deixasse realmente tudo para ambos, porque afinal, o bebê era o meu único herdeiro.
Mas além de covarde, sou egoísta, e no mesmo instante, quis que aquele bebê me visse como pai, e que eu pudesse mostrar para todos que eu poderia ser o pai que eu não tive.
Até onde eu conseguisse mostrar.
E eu sabia que mesmo depois de minha morte, Jimin não o trataria como eu fui tratado. Não o deixaria sendo cuidado por empregadas para que o império da família Yoo continuasse de pé.
Ele caminhou até a entrada do prédio, mas parou quando me viu, e cheio de ódio, veio até a mim, me olhando de baixo, com as mãozinhas na cintura.
— Será que podemos conversar agora?
— Kihyun qual o seu problema?
— jimin, por favor... Eu sei que eu errei, mas eu só quero 5 minutos, vamos conversar.
— Não há mais nada para conversar, que inferno!
Ele bateu o pé no chão, chamando a atenção do porteiro, e me assustando.
Ele deve realmente me odiar...
— Cinco minutos — insisti. — e nada mais...
O implorei.
Ele pareceu um pouco menos bravo, e respirou fundo.
— Ok, cinco minutos. Mas você não vai entrar no meu apartamento!
Como eu disse um pouco menos bravo.
— Sem problema, podemos dar uma volta?
Ele assentiu e eu faltei pular, sentindo meu coração acelerar.
Ok respira... O coração é fraco, e eu não quero morrer agora.
Começamos a andar na calçada mesmo, lado a lado, e eu ainda me sentia nervoso.
— Olha, você pode começar a falar se quiser. — ele disse me olhando.
Assenti rápido, e tentei juntar algumas palavras, para fazê-lo uma pergunta coerente.
— É... — Nada vinha à mente. — Como você está? Digo como o bebê está?
Ele parou de frente a um playground e me olhou.
— Estamos ótimos, mas foi pra isso que queria tanto conversar? Você poderia ter perguntado lá.
— Não! — neguei rápido com as mãos balançando. — Quer dizer, sim. Eu quero saber como estão, mas não é isso que eu quero conversar com você.
Ele assentiu me observando.
— Podemos nos sentar ali? — apontei para um banco de concreto que tinha no playground.
— Ok hyun, mas lembre: 5 minutos.
Assenti e caminhei com ele, sentando cada um na ponta do banco, deixando um enorme espaço entre nós.
— Pode começar. — ele disse sem me olhar.
— Primeiramente Desculpa. — ele olhou pra mim fazendo uma caretinha. — Estou falando sério jimin, por favor, me desculpa.
— Pelo quê? — ele queria ouvir, queria saber se estava realmente arrependido.
— Por ter te destratado, por ter diminuir, e por querer interromper a gestação sem saber a sua opinião primeiro.
Ele respirou fundo, e enfim me olhou nos olhos.
— Você me magoou muito... Você nem quis conversar. Poxa, apenas me humilhou e não se importou. Foram três meses, Hyun, que você não nos procurou.
Cada palavra era uma tapa na minha cara.
— Eu sei, eu sei, mas jimin entenda... Eu sempre tive medo de ser pai, por conta da minha infância.
Mentira, eu sou um grande mentiroso. Fala a verdade para ele, fala agora!
Nem meu subconsciente gostava de mim.
— Isso não tem nada a ver hyun, você podia ser um pai muito melhor do que o seu foi.
Impossível, aquele homem era perfeito. Mas Jimin não sabia disso, não sabia que o r**m na verdade era eu.
— Eu sei, e é por isso que estou aqui.
— Isso é verdade, eu queria tentar ser um pai pra essa criança. Não para ser melhor que o meu, mas para ser mais do que o meu foi, querer participar da vida dele ainda sendo meio impossível, e tendo o mesmo provável futuro, ou seja, a morte.
— Jimin eu quero isso. Eu quero ser o pai que eu não tive, eu quero participar de tudo... Você pode não me perdoar, mas não me afaste do meu filho, por favor.
Era uma súplica novamente.
Estava na cara que Jimin já não me queria mais, o sorriso para o outro rapaz pareceu sincero, mas mesmo assim ainda tínhamos o bebê, e isso eu realmente queria.
— Eu te afastar? Você mesmo se afastou... Por que não nos procurou em três meses?
Fala, fala logo para ele.
Meu subconsciente implorava.
A vontade de chorar veio, era tão difícil...
— Diz... Porque não nos procurou?
Porque eu sou um lixo, porque eu irei morrer logo, porque eu queria te poupar... Porque eu te amo.
Eram muitos os pensamentos.
— É difícil... Eu não podia te contar. — Mentira, eu podia sim. — eu... Jimin eu estou com uns problemas, e fiquei com medo de atrapalhar a vida de uma criança com isso. — isso era verdade.
— Que problema hyun? — ele procurou meus olhos, mas permaneci olhando para baixo.
— Não importa. — Claro que importa seu i****a.
— O que importa é que eu quero esse bebê, eu quero ser o pai que ele merece, quero me redimir.
Ouvi um suspiro, e em seguida sua voz.
— Olha, por mais que eu queira, eu não posso te afastar. Eu juro pra você, tudo o que quero agora é te bater e fingir que você nunca existiu, mas... Legalmente, você tem direitos paternos sobre essa criança assim como eu.
Levantei meu olhar, sentindo um fio de esperança.
— Mas eu não irei voltar para você. Nunca. Você pode ser o pai que quer ser, até porque não posso impedir, mas será assim... Você lá e eu cá. Nossa história já acabou.
— Mas Minie...
Era óbvio que tudo havia acabado e eu nem sabia o porquê de insistir. Jimin estava feliz, e tinha que continuar assim.
— Está decidido. Minha vida está indo para frente agora, eu sou independente.
— Mas eu já pedi desculpa pelo que disse...
Deixa de ser i****a hyun, ele não vai voltar.
Meu subconsciente parecia gostar de me maltratar.
— Eu sei, e eu já te desculpei, mas não iremos voltar. É isso.
Ele ficou de pé, e só então eu entendi de uma vez por todas, que eu e ele, já não existíamos a tempo.
— Não irei insistir porque sei que errei demais.
Ele assentiu começando a retornar, e eu o segui, indo logo atrás.
Estávamos caminhando em silêncio, mas logo um assunto me veio à mente.
— Mas me diga... Você já sabe o sexo?
O perguntei meio inseguro, com medo de receber um tapa, ou sei lá...
— Ainda não, mas seu nome será Jiwan.
Surpreendi-me com aquilo.
— Já escolheu o nome? — ele me olhou sério. — Desculpa não participar disso junto a você, Jiwan é um lindo nome.
— É sim. Park Jiwan. — parei olhando-o seguir andando, olhando para frente.
— Ele... Ele terá apenas o seu sobrenome?
Ele se virou me olhando feio.
— Sim, algum problema?
— É que... Por pior que seja, eu... Eu sou o pai dele também, né?
Tentei não parecer grosso, mas poxa... Eu queria o meu sobrenome nele.
— Há um dia você não queria saber como estávamos, e agora quer até dar o seu sobrenome?... Não entendo você.
Senti a mágoa novamente em suas palavras.
— Jimin olha... — Segurei seu braço, eu queria explicar o porquê de tudo aquilo. — Eu não tenho muito tempo... É difícil te explicar agora, mas tudo o que eu tenho é dessa criança.
— Como assim não tem muito tempo? O que aconteceu com você?
Ele me encarava, tentando entender, mas nada saía de minha boca.
— É complicado... Mas eu estou sendo verdadeiro com você... Faremos assim, ele não precisa ter meu sobrenome, mas me deixe entrar no registro, me deixe pôr em sua certidão que eu sou o pai biológico.
Eu estava suplicando, e continuaria a suplicar.
Ele me olhou estranho novamente, talvez me achando um louco.
— Ok hyun, como já te disse esse é um direito seu. Pode pôr o seu sobrenome se quiser também, mas, por favor, não me faz arrepender.
Assenti rápido, e não pude conter o sorriso que me aparecera no rosto.
Depois de meses no escuro, eu enfim, estava sentindo alegria, e vendo a claridade.
O abracei em impulso, mas logo me toquei do ato, e me afastei, sentindo a vergonha me preencher.
— Yoo park jiwan...
O nome ecoava em minha cabeça, me enchendo de orgulho.
— Nada disso! — sai de meu mundinho, e encarei jimin, que parecia bem irritado a frente. — Se quiser será Park Yoo Jiwan, ou ficará Park Jiwan apenas.
Sorri de sua pequena birra fofa e neguei.
— Park Yoo Jiwan é lindo. — e realmente era.
Ele sorriu pra mim parecendo satisfeito.
— Agora tenho que ir. — ele disse retornando a andar.
— Ah, sim... — Eu me sentia perdido.
— Eu deixei meu carro próximo, então te acompanho até o prédio.
Ele assentiu e então começamos a andar, conversando mais sobre o bebê.
Jimin me disse que estava com dezoito semanas, mas isso era tão complicado de entender, então me explicou que era o quarto mês de gestação.
Também me explicou o que houve no centro com ele e o bebê, e que o mesmo rapaz que havia visto hoje, tinha o salvado. Fiquei em pânico.
Jimin e o bebê poderiam ter morrido, e eu nem ficaria sabendo. Graças aos céus, eles estão bem.
Despedimo-nos, e então retornei para casa.
Cheguei contente, me sentindo leve, e ao olhar para o quadro dele, me senti mil vezes mais feliz.
Foi então que fui deitar, pensando em como contaria a ele sobre a doença... Ao fim não consegui pensar em nada, e assim dormi.
No dia seguinte, recebi uma ligação de minha secretária, lotada de contratos, audições, burocracias e mais burocracias.
Respirei fundo, e vi que era a hora, de me afastar.
Então foi com essa ideia, que entrei em minhas redes sociais, para deixar uma nota de esclarecimento, e aproveitando meus muitos seguidores, para contar sobre o bebê e a doença também.
Jimin iria me matar, isso é claro. Mas eu não via outro meio de contar a ele, sem ser diretamente em sua cara, correndo o risco de apanhar.
Então basicamente, escrevi a nota da melhor forma possível e a publiquei.
"Olá, aqui é Yoo Kihyun, atual CEO da kabum entertainment, e venho por meio desta nota, explicar alguns acontecimentos recentes em minha vida, e deixar todos os que são fãs da minha empresa, e do meu trabalho, ciente de tudo".
Recentemente tive o prazer de receber a notícia de que serei pai.
A notícia me pegou de surpresa, mas atualmente é a melhor coisa que poderia ter me acontecido.
Espero que apoiem a mim e a meu ex-noivo, Park Jimin nessa nova fase de nossas vidas.
A felicidade é tanta, que invade todo meu peito, acreditem.
Outra coisa que preciso contar para vocês, é que precisarei me afastar por tempo indeterminado, devido a um problema de saúde.
Atualmente estou passando por um tratamento e precisarei me afastar para que consiga melhores resultados.
Peço desculpa por trazer a notícia dessa maneira, mas infelizmente é a realidade. Tentem focar apenas na boa notícia que será a nova vida que está para chegar ao mundo, e acreditem que eu ficarei bem.
"Espero poder retornar em breve, amo muito vocês".
Meio hora, e já era um dos assuntos mais comentados.
A TV já noticiava, e não demorou muito, para receber uma mensagem de jimin.
Minnie: Hyun, é verdade o que eu vi na tv?
Olhei a mensagem e o medo de responder e ele querer me matar, foi grande. Então sentei olhando para a tela, pensando se o respondia ou não.
Eu tinha que enfrentar isso, então pedi aos céus que ele não quebrasse minhas pernas por isso.
Me: Sim, desculpa não ter te contado ontem, fiquei com medo de te assustar.
Não demorou trinta segundos e a resposta veio.
Minnie: Então foi por isso que voltou? Que doença é essa?
Expliquei toda a situação, e também do meu tratamento no Japão. E que eu sabia antes mesmo dele dizer sobre a gravidez, bem antes.
Disse sobre o meu medo sobre a criança sofrer sem um pai, assim como eu, mas também disse que vi o quão forte ele era, e que mesmo sem mim, ele iria se sair bem.
Eu sabia que Jimin iria sofrer com isso, mas talvez assim, afastados, ele sofresse menos.
No mesmo dia, fiz mais um dos tantos exames rotineiros, e vi que meu problema continuava na mesma situação. Sem melhoras.
Tive uma reunião, e quase fui comido vivo, por todos os acionistas, por anunciar um afastamento assim do nada, sem ter avisado com antecedência.
Mas sendo bem franco, eles que se fodam, eu quero paz agora, quero poder curtir meu pequeno, e quem sabe viver mais um ou dois anos para o ver me chamar de "papai".
Quando já estava anoitecendo, recebi uma mensagem de jimin, dizendo que nosso bebê com certeza iria amar a zebrinha, e que teria um ultrassom, na qual eu poderia ir também.
Faltei pular de alegria, mas durou bem pouco, porque lembrei que no mesmo dia de seu exame, teria a reunião para decidir quem ficaria no meu lugar, provisoriamente.
No dia da reunião, cheguei bem cedo, analisando cada candidato que o conselho sugeriu, mas apenas um era adequado, e esse no qual eu já havia escolhido antes mesmo de abrir a pasta, era o meu único amigo ali dentro.
— Chae Hyungwon, você me substituirá.
Falei por fim, deixando todos de queixos caídos, até mesmo o Chae.
Na real, havia muito acima dele naquela empresa, mas ele é meu braço direito, e meu único amigo, então merece o cargo.
Antes de Jimin, costumávamos sair muito, era somente eu e Chae, e nos divertimos muito, mas depois que firmei relacionamento com Jimin, Chae se afastou um pouco, mas ainda era ótimo comigo e completamente de minha confiança.
— Será um prazer senhor. — ele ficou de pé, e fez uma reverência. — farei o meu melhor.
Sorri para ele assentindo.
— Tenho certeza que irá.
Chae além de ser ótimo com os negócios, ele tem a imagem que o povo quer ver. Ele é bonito, anda sempre bem vestido, super educado... Um verdadeiro CEO.
Olhei o relógio e me assustei com a hora, estava quase na hora do ultrassom de Jimin.
Despedi-me rápido de todos, ainda ouvindo reclamações de que havia candidatos melhores, e taquei o "f**a-se eu sou o chefe" para eles, e praticamente sai voando, para a clínica. Felizmente, assim que cheguei, Jimin e Seokjin ainda estavam na entrada, então deduzi que haviam chegado há pouco tempo também.
Os cumprimentei e entramos na clínica.
Já na sala, me apresentei devidamente ao doutor, e ele nos explicou um pouco sobre o exame.
Quando Jimin levantou a blusa, eu me surpreendi. Nunca pensei que veria algo tão perfeito assim de perto e senti uma vontade tremenda de tocar, mas o corpo era dele, e não podia chegar assim tocando, então apenas me expressei com um grande "uau" mostrando que aquilo era realmente incrível.
O doutor começou o exame, e senti muito medo àquela hora, pois descobri que havia chances, bem poucas, do bebê herdar o problema no coração. Mas felizmente, o doutor garantiu que "ele" estava bem.
Chorei, chorei muito de alívio e felicidade, e senti mais vontade ainda de chorar quando o doutor nos mostrou que nosso bebezinho era um meninão.
Eu me culpei tanto... Se pudesse voltar e retirar tudo o que disse, eu fazia, porque a imagem do ser pequenino, que mexia de um lado a outro era a mais perfeita que poderia existir.
Quando saímos da clínica, a ficha realmente caiu.
Eu seria pai, e pai de um menino!
Eu, Yoo Kihyun, seria pai de Park Yoo Jiwan.
A felicidade foi tanta que me peguei pulando e sorrindo, abraçando jimin e agradecendo aos céus por nosso menino.
Seokjin igualmente a mim surtava, e Jimin apenas ria.
O vi pegar o celular, e ligar para alguém de sua lista de contato.
— Está tudo ótimo, adivinha!
Ele sorria para o nada, com o celular ao ouvido.
"Deve ser sua mãe, pensei."
— Sim, você acertou! Jiwan é um garotão...
Sorria, mais e mais, e eu apenas observava sua felicidade.
Como eu fui t**o em achar que ele me escolheria, é óbvio, que ele ama esse bebê desde o dia em que soube.
E eu que fui i****a de não o amar também.
— Comemorar?
Ele sorria com um dedo na boca, roendo o canto da unha, totalmente alheio.
— Está bem, irei te esperar... Tchau jungkook-ah.
Jungkook-ah... JUNGKOOK-AH?
Quem é jungkook-ah?
— Ele também chutou que era menino?
Jin o perguntou, então ele também sabe quem é Jungkook-ah...
— Sim, ele estava bem confiante.
Jimin o respondeu sorrindo, o mesmo sorriso que deu quando viu aquele rapaz... O mesmo sorriso que deu quando se despediu dele no carro, o mesmo sorriso que um dia foi pra mim.
— Quem é Jungkook-ah...?
Eu tinha mesmo que perguntar? Eu sou um i****a viu... Burro, burro.
— Apenas um amigo. Agora, vamos? — olhou para Seokjin. — preciso ligar para minha mãe contar a novidade!
Assenti e o olhei. Ele permaneceu parado, e só então me toquei, que essa era a hora de ir.
— Eu... Hm... Eu posso ir te ver? Digo, para conversarmos sobre o bebê... Comprar as coisinhas.
Eu sou patético, pode dizer.
— Pode, mas me avisa antes, ok?
Assenti e assim sai.
No carro estava lotado de sentimentos, surpreso, alívio, felicidade, ciúmes... Ciúmes? Eu sou a última pessoa que tem o direito de ter ciúmes de jimin, e preciso por isso na cabeça logo, porque parece que o tal jungkook-ah já o tem, e na real, eu que fui trouxa e o perdi, o entreguei de mão beijada, então basta agora focar na minha saúde e no meu bebê.
O bebê... Meu menino... Meu jiwan.
Ah, eu estou tão feliz.
Continua...