A verdade por trás do desespero [Parte um]

3425 Palavras
KIHYUN [Japão, um ano e meio antes da gravidez] Estava me sentindo nervoso, meus dedos soavam, e minha respiração pesava. Doutor Nakamoto, me olhava, com um olhar estranho, talvez de pena, talvez não, com certeza pena. — Mas eu irei viver? Eu tenho apenas vinte e nove anos... — Olhei o doutor nos olhos, suplicando por uma resposta positiva. — Senhor Yoo se acalme. — ajeitou os óculos e me olhou. — O senhor está com insuficiência cardíaca diastólica. — Mas isso significa que posso morrer, não é? — levantei e comecei a caminhar de um lado a outro. — Mas eu sou jovem doutor Nakamoto... Eu não posso morrer! — Senhor, eu já disse, se acalme! — elevou a voz, me chamando à atenção. — Por favor, sente-se. Assenti e me sentei. Meus dedos pareciam ter vida própria, batendo uns aos outros, sobre minhas pernas. — Como te disse, seu diagnóstico foi de insuficiência cardíaca diastólica no ventrículo esquerdo... Os músculos do seu coração estão rígidos, e esse tipo de coisa não permite que ele relaxe, e assim ele não enche de sangue adequadamente. Mas o principal ponto, é que a insuficiência cardíaca faz com que o coração não execute sua função primordial, que é bombear adequadamente o sangue, para alimentar os tecidos e órgãos do corpo, e isso é bastante grave senhor. — Eu te dou quanto dinheiro for necessário, eu só quero a cura! Tem cura? — Para ser sincero com o senhor, existe sim, um "tratamento", que basicamente fundamenta-se em medidas que reduzem os sintomas congestivos, como os diuréticos e nitratos. Contudo, o uso excessivo desse tipo de drogas pode reduzir significantemente o volume diastólico final do ventrículo esquerdo, com consequente redução do débito cardíaco e aparecimento de hipotensão arterial sistêmica... — O senhor está me deixando ainda mais nervoso, porque eu não entendi nada... — Basicamente, podemos iniciar um tratamento com a introdução de drogas como diuréticos, e nitratos, que iriam reduzir a massa ventricular e a hipertrofia. Mas como disse, o uso excessivo pode causar hipotensão arterial que é a situação médica na qual existem baixos valores da pressão arterial. — Mas isso é pior do que a insuficiência? Meu coração está literalmente começando a parar, doutor... — Ambos são ruins, Com os valores da pressão arterial baixo, o senhor pode desenvolver danos aos seus órgãos, o que é chamado de "choque". O risco de um derrame cerebral, e um infarto agudo no miocárdio, é muito grande. — Então mesmo com o tratamento, eu corro risco de morte? Encarei o doutor, sentindo minhas mãos trêmulas. Ele respirou fundo, parecendo ter ainda mais pena de mim, e assentiu. — E essa é a minha última saída? Não há mais nada que possa ser feito? — Claro que há senhor Yoo, a melhor coisa a ser feita no seu caso, é o transplante de coração... Incluirei seu nome na lista de espera, mas preciso que fique ciente que isso pode demorar um pouco. — Como assim demorar? Eu sou um dos mais ricos da Coreia! Diga-me onde posso burlar esse sistema, que burlarei com dinheiro. — Senhor Yoo, eu compreendo que isso seja assustador, mas entenda, assim como o senhor, há uma fila de pessoas com o mesmo problema, ou até mais grave... O senhor não pode burlar a lei, precisará aguardar como os outros, mas iniciaremos o tratamento urgentemente, e isso te dará tempo. Respirei fundo, e passei as mãos pelo meu rosto, sentindo cada centímetro de mim, cair em frustração. Basicamente o que estava ouvindo era, que se eu iniciar o tratamento poderia ganhar algum tempo, mas quanto? E se fosse prolongado demais, eu poderia morrer... Somente um transplante me salvaria. — Ok doutor... Mas me diga quanto tempo até lá? — Isso é incerto... Não há como afirmar. — Eu tenho um noivo, doutor. Um noivo que amo, e que quero casar, e cuidar... Eu poderei fazer isso? Diga-me, eu conseguirei me casar, ou virarei um empecilho na vida dele? — Uma coisa de cada vez senhor Yoo, porque não trás o seu noivo na próxima consulta, e deixa que eu explique para ele? Seria mais fácil, não? — Eu não quero assustá-lo, doutor... Eu tenho medo... — Não tenha medo, o senhor está no melhor hospital de toda Ásia, ficará bem. Assenti, e ouvi todas as informações restantes, mas ao final, tudo o que rodava a minha mente era: EU IREI MORRER! [Um ano e meio depois] Voltei ao Japão para um de minhas muitas consultas com o doutor Nakamoto. Havíamos refeito todos os exames, e a situação já começava a piorar. — Mais de um ano doutor, mais de um ano e nada de achar um novo coração para mim? — Tenha calma senhor, iremos continuar tratando, até conseguirmos! — Eu não tenho tanto tempo assim... Eu me sinto fraco, e eu preciso mentir para meu noivo toda vez. Ele acha que estou em uma reunião de trabalho agora mesmo! — Tente contar a ele, vai ser o melhor... Ele pode te ajudar a aguentar firme! — Não, jamais faria isso com ele... Voltei para o hotel no qual estava hospedado, e não consegui dormir direito durante toda à noite. Pensava em Jimin, e em como ele ficaria arrasado... Ele viveu em Seul sozinho tempo demais, sem família, e eu o disse que eu agora era a sua família, e agora... Agora irei morrer. Eu não posso permitir que ele sofra com isso, não posso deixar que isso aconteça, não posso mais mentir, não posso. Passei alguns dias no Japão, para alguns exames e afins, pensando e analisando tudo que estava acontecendo... E para piorar, estava também preocupado com meu pequeno. Jimin havia me ligado há uns dias atrás, me dizendo que não estava se sentindo bem, que havia vomitado e até sentido algumas tonturas. Passei o contato do melhor hospital de Seul para ele, e o pedi para procurar um médico o mais rápido possível, pois não havia muito que fazer, estando longe. Um dia antes de retornar a Coréia, ele apenas me mandou uma mensagem dizendo que estava sentindo saudade... Uma única mensagem cheia de corações e sentimentos. Meu coração já enfraquecido sofreu com aquilo. Ele era tão amável, tão bondoso, não podia viver ao lado de uma pessoa que estava mentindo e pior, morrendo... Não podia virar sua vida desse jeito, mas me imaginar sem ele, era como se eu nem existisse. É um total impasse, mas o correto a se fazer é não o incluir nesse sofrimento. Ele é jovem, e merece viver feliz, livre, e não preocupado. No dia seguinte, arrumei minhas malas, e retornei a Seul, tentando imaginar uma forma correta para arrumar toda essa bagunça. Assim que o avião pousou, fui até as cadeiras de espera do local, e pensei, pensei, e pensei, por longos minutos, mas nada, absolutamente nada, vinha a minha mente, de uma forma que resolvesse isso, e ele não sofresse. Decidi ir para casa, talvez ter apenas uma conversa com ele, em dois ou três dias... Não sabia ao certo. Assim que cheguei a nosso apartamento, e abri a porta, tudo que estava a minha mente, sumiu, e meus olhos capturaram o ser mais amável, vindo em minha direção, e se enroscando em minha cintura, me dando o maior e melhor abraço que poderia sentir no momento, e um beijo, tão caloroso, e envolvente, que me desarmou por completo. — Senti sua falta. — sorri e o disse, o que era verdade. Meu coração, que já não era nada bom, parecia acender ao vê-lo. — Como você está? Melhorou? Ele apenas assentiu ainda abraçado a mim, como se tivesse dez vezes mais carente. Meu peito doeu ainda mais, como poderia deixá-lo ir, se eu o amava muito... — Vou tomar um banho, e pedimos algo para comer em seguida, ok? O dei o beijo na testa e segui para nossa suíte. Jimin me seguiu, e mesmo não entendendo o porquê, não achei estranho, e apenas segui meu caminho. Assim que entrei no quarto, vi uma caixa vermelha, sobre nossa cama. Olhei para a caixa sem entender e em seguida para trás, onde Jimin estava parado, me olhando em expectativa. — O que é isso? — ergui a caixa, o olhando sorrindo. A verdade é que Jimin sempre me surpreendia. Seja com presente, ou até atitudes. Ele amava mimos, e amava ainda mais me mimar. E eu o queria tão perto, mas precisava o afastar. — Abre. — ele disse, chegando mais perto de mim. Jimin é realmente surpreendente. — É alguma peça de renda? Você sabe como eu amo ver você com elas né? — Brinquei com ele, e não resisti à vontade de beijá-lo. Ele sorriu e negou. — Abre logo seu safado. — disse, cheio de entusiasmo. Estranhei seu jeito, mas decidi abrir a caixa. No primeiro momento olhei o que tinha dentro da caixa, e permaneci quieto. Um tecido com uma única palavra à frente. "PAPAI" Papai? Não, não, não. Não pode ser, pode? Eu pai? Não! Eu irei morrer. MORRER! Senti uma leve tontura, e ainda sem reação, sentei à beira da cama. Peguei o tecido, e vi que se tratava de uma roupinha de bebê, a coloquei sobre a cama, ao meu lado a olhando, sentindo ainda mais medo naquilo. Jimin veio até mim, e parecia nervoso. Minha respiração já estava toda bagunçada, e sentia como se algo apertasse meu coração. Um filho? Um filho que crescerá sem pai...? Oh não. Lembrei-me de vinte e dois anos atrás. Um acidente de carro, uma morte. Um garoto de sete anos sem o pai. "Kihyun, o papai agora está no céu". Ouvia a voz de minha mãe ecoar dentro de mim. "Mamãe, você pode brincar comigo?" "Desculpa filho, a mamãe precisa cuidar da empresa, sem seu pai tudo está dificil". "Mas o papai sempre brincava comigo" "O papai não está mais aqui". A solidão, a tristeza, o frio na barriga. Eu não poderia fazer uma criança sentir o mesmo que senti, é doloroso demais. Jimin se aproximou mais, e tentou me tocar, mas eu estava com medo, então apenas me levantei rápido, e me afastei. — O que é isso? — perguntei de costas para ele, sentindo o clima pesar ali. Ele tentou novamente me tocar, mas segurei suas mãos, antes que o fizesse. — Jimin... Eu... — Eu irei morrer, era isso que tinha que dizer. — Nós, não podemos. Eu fui fraco, não era pra ter dito isso, não, não era. Ele se afastou de mim, assustado, e eu só conseguia olhá-lo sério, com as palavras engasgadas na garganta. EU IREI MORRER! — E-Eu pensei q-que nós... — ele gaguejava nervoso. — Não, Jimin, nós não podemos. Eu... não posso. — Kihyun, calma, eu-. — Não! O interrompi, sentindo meu coração falhar, e tentando achar um modo correto de explicá-lo. — E o que quer que eu faça? Kihyun, eu estou grávido, estou com quatro semanas, amor. Quatro semanas... Um mês! Jimin estava grávido há um mês. — Quatro semanas? Mas como eu pude me descuidar assim... Merda. Jimin eu vou arrumar um jeito ok? Não vou deixar esse... essa coisa mudar nada. Não, não, não seu i****a! A coisa aqui é você! Eu sou o vilão... Eu irei arruinar tudo, eu irei. Mas como iria deixar Jimin sozinho no mundo, ainda mais com uma criança? — Eu não estou acreditando que está falando isso kihyun. Merda... — Eu estou! — estava nervoso, falando besteira, pensando besteira... Estava sem saída. Comecei a tirar minhas roupas, sentindo meu corpo suar. — Amanhã mesmo nós iremos ao médico e resolveremos Eu sabia que estava errado, mas talvez estivesse menos errado do que deixá-lo desamparado com um filho para cuidar sozinho. — Eu não irei a lugar algum. É meu filho. — Ele bateu o pé no chão. — Eu não quero essa criança, Park! — gritei o fazendo ter um leve susto. EU SOU UM i****a! Fala para ele, apenas fale a verdade. Estava travando uma batalha interna com meu subconsciente, o lado correto, e o lado fácil, frente a frente. — Mas eu quero, Hyun! O corpo é meu, e nem você, nem médico algum irá tocar nessa criança! — ele também gritava, e pude o ver tremer. Ele tremia muito. Jimin é assim, ele não desiste fácil. Disse a pior coisa que poderia ter dito, e me amaldiçoou por isso. — E como você irá criar essa criança sozinho? Esqueceu que você vive no luxo graças a mim? Ótimo... Um i****a com o pé na cova e de baixíssimo nível. Eu sou mesmo um lixo... Ele chorou, e senti o arrependimento na mesma hora. Eu fiz o meu homem chorar. — Eu sou um artista e consigo viver com meus quadros. Era verdade, ele era e é o melhor pintor de Seul, senão do mundo. Era uma opinião minha, mas com certeza compartilhada com qualquer um que tivesse o prazer de ver qualquer obra sua. Sorri para ele, tentando o acalmar, mas eu sou um i****a, talvez um dos piores, e ali vi a oportunidade de ser o maior babaca do século. — Pare com esse choro, e eu já disse que não quero essa criança jimin. Está decidido. Eu juro que tentei falar de uma forma correta, mas sejamos francos, existe uma forma correta de dizer isto? Como disse, eu sou um idiota... — Eu não irei tirar! Ele gritou, e em seus olhos vi determinação. Ele não iria tirar realmente, mas como iria criar essa criança sozinho? Diga-me, como? Eu até poderia vê-la crescer até dois ou três, mas e depois? Depois ela iria me procurar, mas eu já não iria está mais lá. Jimin é capaz, ele pode cuidar dessa criança, mas eu não, eu já disse, eu não posso fazer isso com ela. — Então me esquecerá! — falei alto, mas no mesmo instante a dor de tê-lo longe veio, e novamente a ideia de ser um babaca também. — Ou fica comigo enquanto der, ou com esse... esse bebê e sozinho no mundo. Ele podia me escolher certo? Estávamos juntos há três anos, e ele dizia que me amava todos os dias, então poderíamos fingir que nada daquilo aconteceu certo? ERRADO! Ele se levantou com todo o rosto vermelho e molhado de lágrimas, e foi até nosso closet, e buscou uma mala. Senti o desespero me corroer, e o ver determinado a ir, me matar. Mas era isso o que eu queria desde o começo... Eu o queria afastar, mas eu ainda o queria perto, porque tem que ser tão difícil assim? Porque a merda da vida precisa ser tão filha da p**a comigo, ao ponto de mandá-lo escolher entre mim e o bebê. É meu bebê também, eu que o fiz junto a ele... Eu sou o mais babaca, e mais filha da p**a de todo o mundo, com certeza sou. Ele puxou a mala, retornando para o quarto. — Irá mesmo fazer isso? Por favor, não. Por favor, não. Não me deixe sozinho. não me deixe outra vez sozinho no mundo. Ele abriu a mala e a jogou sobre a cama, voltando para o closet, buscando suas coisas. — Jimin, olha o que você está fazendo! Irá mesmo estragar tudo, por causa de algo tão pequeno? Eu te amo, podemos viver bem pelo tempo que temos, só nós dois. Eu estava estragando tudo, mas ao mesmo tempo eu não queria. Amava Jimin ao ponto de enlouquecer por ele, mas precisava deixá-lo ir. Eu era o covarde ali, ele estava mostrando sua força, e eu me escondendo. — Você quem está estragando tudo! Você só pensa em você! Esse era pra ser um momento lindo kihyun. Sabe quantas vezes eu chorei em dois dias? Eu imaginei a sua melhor reação! Eu pensei que me amava. E eu o amo, pensei. — e que todas as vezes que disse que eu era única sua família ao seu lado, fosse real! E é, é real... Jimin era a única família que eu ainda tinha. A única com sanidade suficiente para sorrir para mim, para me amar e sentir minha falta. A única família que me amava como eu realmente era. — mas não, para você eu sou apenas o namoradinho relaxado que vive do luxo que você proporciona. Doeu ouvir-lhe dizer aquilo. Ele é mais, ele é a minha luz, o meu desespero, o meu amor. Mas o que eu sou pra ele? Talvez o amor, mas com certeza o caos. Eu sou a mentira, a morte, sou infelicidade, e a imagem que tenho do meu pequeno chorando a minha frente, é uma comprovação disso. Ele enxugou as lágrimas, e me olhou nos olhos. — Eu tenho uma carreira também, pode não ser grande como a sua, mas é o meu orgulho. Eu estou indo, porque amo o meu filho. Eu o descobri há dois dias, mas já o amo muito e não desistirei de algo que quero por causa de você! — Você está sendo t**o. Não, eu estou sendo covarde. — Eu estou fazendo a coisa certa. Eu pensei que amava um homem, mas amo um covarde. Eu não fiz essa criança sozinho, Kihyun, mas irei cuidar dela dessa forma. Eu estou o perdendo? Ele está se livrando desse saco de lixo, que sou? Era esse o propósito do começo, mas porque eu não me sinto feliz? Eu sou um doente... — Jimin, por favor. Desesperei-me vendo-o fechar a mala e calçar seus sapatos, pronto para ir. — Eu venho buscar o resto das minhas coisas depois. Ele se afastou ainda chorando e se foi. Ele se foi, ele passou por aquela porta chorando, com um filho meu no ventre, e um coração partido. Eu o perdi. Mas era isso não era? Será melhor assim, não será? Não, não será. [...] Dois meses...  Dois meses que não vejo o meu jimin. Mas soube que ele agora está estabilizado em um apartamento no centro. Voltou a pintar e agora estava vendendo seus quadros. Tive que retornar ao Japão, para alguns novos exames, e não me surpreendi quando soube que a situação ainda era a mesma, talvez até pior. Eu vinha me sentindo fraco, mas não podia passar essa imagem. A imagem que tinha que ser mantida era a de um CEO jovem, rico e com um futuro brilhante pela frente. Piada... Uma semana depois, no qual retornei a Seul, sem nenhuma novidade, pensei em ir até Jimin, talvez me desculpar, mas ainda tinha medo. Duas semanas depois, eu passei próximo ao seu prédio, e o vi conversando com um garoto jovem, com uma sacola na mão, e um sorriso enorme no rosto. Sua roupa como sempre estava justa, e pude ver uma pequena bolinha formando em sua barriga, que sempre foi tão magra, e sorri. Sentindo-me o maior i****a do mundo, em não participar daquilo. Dias depois, vi uma matéria sobre ele na revista The Korea to the World, onde Kim Namjoon, falava sobre suas maravilhosas obras, e de como passava um sentimento revigorante. Havia tido uma exposição de arte, onde vários artistas apresentaram seus trabalhos, e mesmo não tendo ido, eu sabia que Jimin estaria no meio, então apenas mandei minha secretária ir, e comprar o quanto de quadros dele ela conseguisse. Ela me trouxe apenas dois quadros, disse que os dele, foram os mais valorizados da exposição. Então olhei os dois quadros, e um em específico, me chamou tanto a atenção. Era como uma flor, e ao meio havia algo pequeno, ligado à flor, e o nome da obra era, "O nascimento, e a vida". Era algo divino. Coloquei ao centro de meu apartamento, como uma lembrança, e todas as vezes que o olhava me sentia melhor. Todos os dias era assim, eu o olhava e sorria. Até que um dia acordei, e olhei para o céu. Estava azul, mas o dia ainda permanecia frio, o tipo de dia preferido dele. Levantei e ainda incerto decidi o procurar. Estava com meu carro, indo em direção ao centro, mas antes de chegar lá, vi uma loja de departamento de bebê. Estacionei meu carro, e fiquei olhando para dentro da loja. Será que ele ainda vai me aceitar? Eu queria tanto me desculpar. Sai do carro, e caminhei até uma pequena praça que havia ali, até parar e sentar em um dos muitos bancos de madeira dali. Olhava ao redor, crianças, animais, casais, todos pareciam felizes demais. Fechei meus olhos e apenas aproveitei a brisa.
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