— Chim, me desculpe... Eu quase morri quando soube que você estava no hospital e eu não estava aqui.
— Está tudo bem jinie, eu e jiwan estamos bem agora.
— Eu sou o pior dindo do mundo, pode dizer... — ele disse fazendo bico. Ri negando.
— Você estava trabalhando, em outro país, não tinha como adivinhar. — o abracei. — E o importante é que você está aqui, agora.
Ele sorriu e me deu um beijinho no rosto.
— Você está parecendo uma bolinha Chimie, sua barriga está tão bonita e redondinha.
— E pesada. — sorri. — Minhas costas parecem que estão sendo pisoteadas, você vai ver quando for a sua vez. Ainda tem meus pés que doem e estão parecendo duas bolotas de tão inchados.
O olhei e ele sorria de um jeito tristonho.
— O que foi? — o puxei para deitar ao meu lado, na cama. — Você está bem?
— Eu e Namjoon começamos a tentar, sabe... A termos um bebê... Mas já faz dois meses e nada.
— E, porque não me contou?
— Eu queria fazer uma surpresa.— suspirou alto e me abraçou. — mas até agora nada chim... Ta demorando tanto.
— Pode tirar essa carinha triste Jinie, e você nem pense em desistir. Eu quero ter um sobrinho também, para brincar com o jiwan.
— Você será o dindo dele também. — sorriu. — Aceita?
— Mesmo? — assentiu. — Claro que aceito, já quero mimar muito.
Jin sorriu, e duas batidas foram dadas na porta.
— Com licença. — um enfermeiro entrou. — Trouxe o almoço do senhor.
— Oh, obrigado. Pode deixar sobre a mesa. — ele sorriu e se retirou.
— Onde está Jungkook? — jin me perguntou.
— Apareceram uns problemas em uma das cafeterias dele, e eu o obriguei a ir. — sorri. — Ele está com medo de me deixar sozinho, e o bebê nascer.
— E o hyun?
— No quarto 623. Ele teve que ser internado ontem, e está em observação.
— Internado?
— U-hum. Ele teve uma queda de pressão brusca ontem, enquanto estava me visitando e quase caiu no chão, à sorte foi o jungkook, que correu e o segurou rápido, impedindo a queda, porque se não ele tinha se machucado feio...
— Meu deus, mas por que isso? Tem a ver com o problema no coração?
— Ligamos para o doutor Nakamoto avisando, e ele disse que é a reação de alguns dos remédios, e que o hyun estava ciente disto... Mas, se isso ocorreu ontem, foi um sinal que o uso das drogas já está piorando o quadro dele, é que ele precisará de um transplante logo, porque não pode continuar tomando por muito tempo. — senti meus olhos arderem, lembrando-se das palavras do médico. — Ele estará amanhã aqui, para acompanhar o tratamento do hyun de perto...
— Ei — Jin me olhou e tocou meu rosto. — Não fique com essa carinha, vai ficar tudo bem.
— Estou com medo, Jin. O Hyun disse que já sabe disso há quase dois anos, e está esse tempo todo esperando um transplante... E se ele não conseguir? Se jiwan crescer sem um dos pais? Eu não quero que ele morra.
— E ele não vai chim! — Se ergueu e sentou ao meu lado. — Fica calmo. O hyun vai conseguir, e ele vai ver esse bebezão nascer e crescer!
Suspirei.
— É o que eu mais quero Jin...
— Relaxa. Agora vem, come. — Me puxou para ficar de pé. — Você precisa se alimentar bem.
Sentei-me à mesa que havia no quarto, e comecei a comer.
Minutos depois Jungkook voltou, e trouxe com ele dois enormes pedaços de torta de morango com chocolate branco.
— Trouxe para os dois, porque sabia que você estaria aqui hyung. — Entregou um ao jin.
— Posso comer o meu depois? Acabei de almoçar e meu estômago está esmagado e não resta tanto espaço assim.
— Sem problema mochi. — sentou ao meu lado e me deu um beijo. — Alguma notícia do kihyun-hyung?
— Ainda não... Você pode ir lá? Estou preocupado e o doutor Nakamoto só chega amanhã...
— Claro que posso. — me deu mais um beijinho e ficou de pé.
— Eu vou com você. — Jin comeu um pedaço da torta e guardou o resto.
— Tudo bem? — Jungkook me olhou apreensivo, por ter que me deixar sozinho.
— Tudo. — assenti e deitei melhor na cama. — Me tragam notícias boas.
[...]
— Eu disse que eu estava bem, não sei a necessidade disso.
— Hyun, deixa de ser chato! É a sua saúde, se o doutor disse que você irá ficar por mais dois dias, é porque você irá. — o encarei da cama. — E, por que você está aqui e não no seu quarto? Você não é médico, e não sabe o que é melhor para você.
— Mas minie, eu tenho tanta coisa para fazer... Preciso ir à empresa e-
— A empresa está sob o comando do Chae! Você não precisa ir lá.
— É hyung, você precisa se cuidar. Focar em você.
— Mas jungkook, e a lalisa? Ela irá amanhã ao apartamento do Minnie.
— Eu posso recebê-la. — jin respondeu. — E a mãe do chim, chega essa sexta, não é? — me olhou e assenti. — ótimo, e também será bom porque aproveito e vejo de perto, todo o projeto.
— Então está decidido, você fica! — falei o encarando.
Hyun bufou todo birrento e cruzou os braços.
Jungkook o olhou e sorriu, enquanto Jin negava com a cabeça.
— Isso é injusto.
— Injusto é você não querer ficar bem... Jiwan nascerá em menos de um mês hyun, e ele precisará de você também, então fique bem!
Ele me encarou em silêncio e permaneceu assim, por longos segundos, até que uma lágrima escorreu pelo rosto, e ele deu um soluço alto.
— Minha nossa! — jin exclamou alto, se aproximando dele.
— Hyung, você está bem?
Hyun colocou as duas mãos no rosto, para cobrir as lágrimas e negou.
— Hyun, o que foi? — Tentei levantar rápido, mas senti dor. — Hyun!
— E-eu serei pai minie... — me olhou com o rosto todo vermelho. — E eu posso morrer a qualquer momento.
Senti meus olhos arderem, já querendo transbordar em lágrimas. Ergui meus braços e o chamei com as mãos para um abraço.
Ele fungou, e veio, sentando devagar ao meu lado.
— Você não vai morrer... — o abracei. — Você vai ver nosso filhote nascer, e crescer. E vai ser um ótimo pai, você quer ver ele te chamando de papai, não quer?
Ele se enroscou no meu pescoço e chorou mais assentindo. Olhei por cima do ombro dele, e vi jin e jungkook nos olhando, de modo apreensivo.
— Eu não vou viver tanto Minnie, eu quero ser chamado de papai, mas estou morrendo... Eu posso morrer hoje, basta meu coração velho parar, e ele já está parando.
— Você não vai morrer hyun! Eu não admito que você me deixe sozinho com ele.
— Você não estará sozinho, você tem amigos, e você tem o Jungkook, e-ele te ama e irá amar nosso bebê.
— Eu amo hyung, mas eu sei que ele irá precisar de você, então não pense nisso. — Jungkook o disse.
— Você não vê? — ele se virou para Jungkook. — Eu estou fraco. Você precisará cuidar dos dois, me prometa, prometa que irá cuidar deles. De jiwan! Por favor, jungkook... Por favor...
Ele encarava Jungkook, enquanto ele o olhava assustado de volta.
— Hyung para com isso...
— Mas é a verdade, eu irei morrer cedo ou tarde... E eu sei que você ama os dois e que o Minnie confia em você... Então assim eu também confio, e quero que me prometa que cuidará deles.
— Hyun olha para mim! — o chamei, mas ele negou abaixando o rosto. — olha para mim, por favor... — negou novamente, então segurei seu rosto, forçando-o a me olhar. — Você não vai morrer, entendeu? Você... não nós! — Coloquei uma das mãos dele sobre minha barriga. — Nós teremos um bebê! Um bebê que precisará muito dos pais. Que precisará muito de você.
— Mas Minnie...
— Não! Eu sei que Jungkook irá cuidar de nós porque é isso que ele diz todos os dias e eu confio e acredito veementemente nele com todo o meu coração. Mas você também é o pai de Jiwan, você me pediu isso, pediu para estar presente e então você estará, entendeu? Você irá viver e ver Jiwan crescer!
Jungkook se aproximou e sentou na cama também, ao lado de Hyun.
— Cara, não seja pessimista. — o tocou no ombro. — Eu não vou conseguir cuidar do mochi e do jiwan sozinho. — sorriu e hyun sorriu junto, enxugando uma das bochechas. — Você precisa me dar uma mãozinha, poxa.
— É, se você e o chimie são dois teimosos, imagina esse bebê? — jinie sorriu. — Nem eu que serei o dindo irei conseguir ajudar jungkook sozinho. Nós precisaremos de você nessa.
Hyun respirou fundo e enxugou a outra bochecha.
— Me desculpem por isso... — ele pediu baixo. — Eu... Eu estou desesperado.
— Eu sei, mas nós vamos enfrentar isso junto, tudo bem? — o olhei sorrindo.
— Estamos nessa com você cara. — Jungkook o apertou sobre o ombro.
— Você é o atual do ex mais legal que eu já conheci. — hyun disse rindo para Jungkook e limpando o restante das lágrimas. — Não dá nem para te odiar jungkook!
Jungkook sorriu e o abraçou de lado. Aproveitei e os puxei devagar, abraçando-os com meu barrigão e chamando Jin para participar.
— Estamos juntos. — disse e senti um chutinho. — Até Jiwan concorda.
Hyun sorriu e alisou minha barriga.
— Eu vou lutar, vou lutar por ele. — sorriu junto ao jin e jungkook enquanto eu assenti.
— E você vai conseguir.
[...]
— Cara, essa torta é divina!
— Hyun, deixe um pedaço para mim! Jungkook me ajuda a sair aqui. — pedi erguendo minhas mãos. Era quase impossível conseguir tal coisa com facilidade no meu estado.
Jungkook correu sorrindo e me ajudou a ficar de pé. Fui até a mesa e tomei o pedaço da torta das mãos do hyun.
— É minha! — falei me distanciando.
— Da próxima vez trago uma torta inteira. — Jungkook disse rindo e me ajudou a sentar.
— Vocês viram que aqui tem um jardim? Poderíamos ir lá. — jin disse, enquanto levantava o pedaço de torta bem alto, para hyun não o pegar.— Peça que eu dou, seu animal!
— Me dá um pedaço, por favor. — hyun sorriu e juntou as mãos.
— Inferno. — Jin rolou os olhos e assentiu. — Você tinha que ser fofo?
— Esse é o meu charme. — Hyun sorriu e pegou a torta.
— Meu deus. — sorri e comecei a comer meu pedaço, sozinho. — Vamos ao jardim depois, e... há! Lembrei, amanhã será o nascimento dos netinhos do doutor Kim.
— É mesmo, você irá visitar os bebês?— Jungkook perguntou, tentando pegar uma lasca do chocolate da minha torta.
— Sai! — puxei a torta e ele sorriu. — Vou sim, eu disse a Taehyung que iria.
— Quem é taehyung? — jin perguntou, enfim dividindo pacificamente a torta dele com hyun.
— É o filho do doutor Kim. — o respondi.
— Ele tem dois maridos jin-Hyung, e um deles está grávido também. — Jungkook falou animado.
— Mesmo? — jin arregalou os olhou. — Dois grávidinhos juntos?
— Jungkook é muito fofoqueiro. — ri negando.
— Fica quieto mochi. E sim hyung, os dois estão grávidos juntos, é muito fofo. O doutor disse que eles foram fazer uma viagem, e dos três, dois voltaram grávidos. O Taehyung de gêmeas, e o Yung de um menino.
— É Yoongi, seu fofoqueiro! — falei e ele revirou os olhos. — faça a fofoca direito pelo menos.
— Enfim, dois grávidos e um não. E os bebês nascerão amanhã.
— Ah que amor. — jin o olhou e hyun comeu o último pedaço da torta. — Você está passando fome?
— Vacilou, perdeu. — sorriu e ficou de pé. — Vou voltar para meu quarto, antes que o cardiologista perceba que eu desliguei as máquinas e fugi.
— Você fugiu? — o olhei surpreso.
— U-hum. E Jungkook me ajudou. — apontou para o comparsa que sorria tímido.
— Desculpa, mas ele me obrigou.
— Eu te obriguei? Eu só disse que queria ver o Minnie e quando comecei a desligar aquelas coisinhas que ficam de olho nos batimentos cardíacos você me ajudou.
— Você está me entregando? Eu não te ajudo mais!
— Vocês são dois idiotas. — Jin falou olhando para os dois idiotas à frente.
— Eu concordo. — olhei para os dois negando. — Você. — apontei para Kihyun. — Volte agora para o seu quarto, e trate de ficar lá até que um médico o libere. E você. — Apontei para jungkook. — A gente conversa mais tarde.
— Mas mochi ele-
— Mais tarde jungkook, mais tarde.
Levantei-me com toda a dificuldade do mundo, e estendi a mão para Jin.
— Vamos ao jardim.
Jin sorriu e assentiu, vindo até a mim, e entrelaçando nossos braços.
— Quando eu voltar não quero ver a sua cara aqui, entendeu? — falei com Hyun que assentiu fazendo um bico. — Jungkook vai com você, e vai chamar um médico para religar todas as máquinas.
— Eu vou? — o olhei com cara de poucos amigos e ele arregalou os olhos. — Tá, eu vou. Vamos.
— Obrigado anjo. — sorri e puxei jin.
[...]
— Chim você pode fazer caminhadas? Não sente dor?
— Estou bem. A dor não está tão grande.
— Vamos sentar ali. — apontou para um banco. — Eu não quero que sinta dor.
Fomos até o banco que ficava de frente ao jardim e principalmente a algumas rosas-amarelas.
— Hyun e Jungkook estão se dando bem mesmo não é? Eu fiquei surpreso quando os vi juntos. Jungkook o respeita demais.
— Jungkook é um doce, Jinie. — fechei os olhos sentindo o vento trazer o cheiro das flores até nós. — E o hyun também... São dois idiotas, mas estão se dando muito bem.
— E pensar que eu cheguei a achar que você realmente não iria dá uma chance ao jungkook. — jin sorriu. — Ele gosta muito de você.
— Ele me ama... Ele diz todos os dias isso e eu ainda não consigo dizer o mesmo de volta...
— Mas isso não é um problema chimie, cada coisa tem seu tempo e ele parece não se importar com isso.
— Eu sei que tem o tempo certo, mas eu me sinto sufocado, sabe? Eu sinto que o meu sentimento por ele é grande, mas está tudo tão confuso que eu não consigo falar, pôr para fora.
— Está tudo bem. — segurou minha mão. — De verdade. "Eu te amo" é uma frase com muitos significados, mas o jeito que você o olha e que se importa, vai bem além disso e dá para ver de longe, que esse coraçãozinho já o pertence... Então relaxa, ele sabe mesmo sem você falar.
— Será...? É que eu tenho medo.
— Medo do quê?
— Medo dele se sentir insuficiente... Ele se dedica tanto, me ajuda, cuida de mim. Até mesmo com Hyun ele se esforça para ter uma relação boa pensando no futuro e no bebê e eu não consigo dizer o quão grato e apaixonado por ele eu sou.
— Você não diz, mas demonstra e isso é o importante. — deslizou a cabeça até apoiá-la sobre meu ombro.— Eu lembro quando foi com Namjoon. Ele ficou atrás de mim por quase dois anos, até eu aceitar o convite para um jantar. E veja só nós hoje. As coisas sempre acontecem no ritmo que tem que acontecer, sem pressa. O importante é que você sabe que ele é seu companheiro. Que está com você, e mesmo já te conhecendo grávido, ele está disposto a cuidar desse bebê também, então não sinta tristeza ou medo, sinta segurança, porque com certeza aquele homem enfrentaria tudo em dobro por você.
Assenti e enxuguei uma lágrima que desceu por minha bochecha sem premiação.
— Eu o quero Jin, o quero feito um louco. — suspirei. — Ele mexe muito comigo, de um jeito diferente, que ninguém nunca mexeu. Ele é doce, cuidadoso, inteligente, e às vezes parece um bebê, mesmo com aquele corpo de deus grego. — sorri. — e eu sei que falar é o de menos, mas eu quero, eu quero poder dizer a ele tudo o que eu sinto.
Meu celular tocou, e vi o nome de Jungkook na tela.
— Acho que ele já deve ter colocado o hyun pro quarto. — Jin disse sorrindo.
Neguei sorrindo e atendi a ligação.
— Oi, anjo.
— Hyung! Volta aqui agora!
— Jungkook o que foi que vocês apronta-
— Mochi, escuta! Ligaram agora de daegu, o kihyun... ai minha nossa, ai minha nossa!
— Kookie, calma! Quem ligou de Daegu? Não estou entendendo nada.
— O que foi? — jin perguntou ao meu lado, parecendo preocupado.
— Eu não sei. — sussurrei.
— Um coração!
— O Quê? — fiquei de pé e jin me acompanhou todo preocupado.
— O hospital geral de Daegu ligou dizendo que tem um coração!
— O que foi chimie? Diz logo!
— Eles estão vindo, hyung, estão vindo para Seul com um coração para Kihyun! Doutor Nakamoto acabou de ligar dizendo que foi avisado também!
— Minha nossa, eu não acredito nisso! — Comecei a pular com a euforia me consumindo.
— É um coração, Jimin! Um coração para salvar o Hyung!
— Chimie não pula! — Jin me segurou e tomou o celular pondo na orelha. — Jungkook o que está acontecendo garoto?
— Um coração hyung, o kihyun irá receber um coração!
— Um coração? Tipo de verdade mesmo?
— Sim hyung, de verdade 'verdadeira'! Venham agora para o quarto, o hyung está surtando e eu também. Alguém precisa estar calmo aqui.
Jin sorriu e assentiu.
— Estamos indo. — E encerrou a ligação.
— Jinie... — sorri já começando a chorar novamente.
— Eu te disse que tudo acontece no tempo certo. — ele me abraçou.
— o hyun não vai morrer!
Chorei dentro daquele abraço, sentindo toda a preocupação, junto ao medo se esvair.
— Ele não vai morrer Jin! — o encarei e sorri. — Ele verá o filho nascer e crescer.
— Ele verá. — Jin confirmou enxugando minhas lágrimas e me dando um beijo na testa. — Vamos?
Respirei fundo, sentindo o alívio dentro do meu coração e assenti.
— Vamos.
Continua...