Tempo certo

3183 Palavras
— Chim, me desculpe... Eu quase morri quando soube que você estava no hospital e eu não estava aqui. — Está tudo bem jinie, eu e jiwan estamos bem agora. — Eu sou o pior dindo do mundo, pode dizer... — ele disse fazendo bico. Ri negando. — Você estava trabalhando, em outro país, não tinha como adivinhar. — o abracei. — E o importante é que você está aqui, agora. Ele sorriu e me deu um beijinho no rosto. — Você está parecendo uma bolinha Chimie, sua barriga está tão bonita e redondinha. — E pesada. — sorri. — Minhas costas parecem que estão sendo pisoteadas, você vai ver quando for a sua vez. Ainda tem meus pés que doem e estão parecendo duas bolotas de tão inchados. O olhei e ele sorria de um jeito tristonho. — O que foi? — o puxei para deitar ao meu lado, na cama. — Você está bem? — Eu e Namjoon começamos a tentar, sabe... A termos um bebê... Mas já faz dois meses e nada. — E, porque não me contou? — Eu queria fazer uma surpresa.— suspirou alto e me abraçou. — mas até agora nada chim... Ta demorando tanto. — Pode tirar essa carinha triste Jinie, e você nem pense em desistir. Eu quero ter um sobrinho também, para brincar com o jiwan. — Você será o dindo dele também. — sorriu. — Aceita? — Mesmo? — assentiu. — Claro que aceito, já quero mimar muito. Jin sorriu, e duas batidas foram dadas na porta. — Com licença. — um enfermeiro entrou. — Trouxe o almoço do senhor. — Oh, obrigado. Pode deixar sobre a mesa. — ele sorriu e se retirou. — Onde está Jungkook? — jin me perguntou. — Apareceram uns problemas em uma das cafeterias dele, e eu o obriguei a ir. — sorri. — Ele está com medo de me deixar sozinho, e o bebê nascer. — E o hyun? — No quarto 623. Ele teve que ser internado ontem, e está em observação. — Internado? — U-hum. Ele teve uma queda de pressão brusca ontem, enquanto estava me visitando e quase caiu no chão, à sorte foi o jungkook, que correu e o segurou rápido, impedindo a queda, porque se não ele tinha se machucado feio... — Meu deus, mas por que isso? Tem a ver com o problema no coração? — Ligamos para o doutor Nakamoto avisando, e ele disse que é a reação de alguns dos remédios, e que o hyun estava ciente disto... Mas, se isso ocorreu ontem, foi um sinal que o uso das drogas já está piorando o quadro dele, é que ele precisará de um transplante logo, porque não pode continuar tomando por muito tempo. — senti meus olhos arderem, lembrando-se das palavras do médico. — Ele estará amanhã aqui, para acompanhar o tratamento do hyun de perto... — Ei — Jin me olhou e tocou meu rosto. — Não fique com essa carinha, vai ficar tudo bem. — Estou com medo, Jin. O Hyun disse que já sabe disso há quase dois anos, e está esse tempo todo esperando um transplante... E se ele não conseguir? Se jiwan crescer sem um dos pais? Eu não quero que ele morra. — E ele não vai chim! — Se ergueu e sentou ao meu lado. — Fica calmo. O hyun vai conseguir, e ele vai ver esse bebezão nascer e crescer! Suspirei. — É o que eu mais quero Jin... — Relaxa. Agora vem, come. — Me puxou para ficar de pé. — Você precisa se alimentar bem. Sentei-me à mesa que havia no quarto, e comecei a comer. Minutos depois Jungkook voltou, e trouxe com ele dois enormes pedaços de torta de morango com chocolate branco. — Trouxe para os dois, porque sabia que você estaria aqui hyung. — Entregou um ao jin. — Posso comer o meu depois? Acabei de almoçar e meu estômago está esmagado e não resta tanto espaço assim. — Sem problema mochi. — sentou ao meu lado e me deu um beijo. — Alguma notícia do kihyun-hyung? — Ainda não... Você pode ir lá? Estou preocupado e o doutor Nakamoto só chega amanhã... — Claro que posso. — me deu mais um beijinho e ficou de pé. — Eu vou com você. — Jin comeu um pedaço da torta e guardou o resto. — Tudo bem? — Jungkook me olhou apreensivo, por ter que me deixar sozinho. — Tudo. — assenti e deitei melhor na cama. — Me tragam notícias boas. [...] — Eu disse que eu estava bem, não sei a necessidade disso. — Hyun, deixa de ser chato! É a sua saúde, se o doutor disse que você irá ficar por mais dois dias, é porque você irá. — o encarei da cama. — E, por que você está aqui e não no seu quarto? Você não é médico, e não sabe o que é melhor para você. — Mas minie, eu tenho tanta coisa para fazer... Preciso ir à empresa e- — A empresa está sob o comando do Chae! Você não precisa ir lá. — É hyung, você precisa se cuidar. Focar em você. — Mas jungkook, e a lalisa? Ela irá amanhã ao apartamento do Minnie. — Eu posso recebê-la. — jin respondeu. — E a mãe do chim, chega essa sexta, não é? — me olhou e assenti. — ótimo, e também será bom porque aproveito e vejo de perto, todo o projeto. — Então está decidido, você fica! — falei o encarando. Hyun bufou todo birrento e cruzou os braços. Jungkook o olhou e sorriu, enquanto Jin negava com a cabeça. — Isso é injusto. — Injusto é você não querer ficar bem... Jiwan nascerá em menos de um mês hyun, e ele precisará de você também, então fique bem! Ele me encarou em silêncio e permaneceu assim, por longos segundos, até que uma lágrima escorreu pelo rosto, e ele deu um soluço alto. — Minha nossa! — jin exclamou alto, se aproximando dele. — Hyung, você está bem? Hyun colocou as duas mãos no rosto, para cobrir as lágrimas e negou. — Hyun, o que foi? — Tentei levantar rápido, mas senti dor. — Hyun! — E-eu serei pai minie... — me olhou com o rosto todo vermelho. — E eu posso morrer a qualquer momento. Senti meus olhos arderem, já querendo transbordar em lágrimas. Ergui meus braços e o chamei com as mãos para um abraço. Ele fungou, e veio, sentando devagar ao meu lado. — Você não vai morrer... — o abracei. — Você vai ver nosso filhote nascer, e crescer. E vai ser um ótimo pai, você quer ver ele te chamando de papai, não quer? Ele se enroscou no meu pescoço e chorou mais assentindo. Olhei por cima do ombro dele, e vi jin e jungkook nos olhando, de modo apreensivo. — Eu não vou viver tanto Minnie, eu quero ser chamado de papai, mas estou morrendo... Eu posso morrer hoje, basta meu coração velho parar, e ele já está parando. — Você não vai morrer hyun! Eu não admito que você me deixe sozinho com ele. — Você não estará sozinho, você tem amigos, e você tem o Jungkook, e-ele te ama e irá amar nosso bebê. — Eu amo hyung, mas eu sei que ele irá precisar de você, então não pense nisso. — Jungkook o disse. — Você não vê? — ele se virou para Jungkook. — Eu estou fraco. Você precisará cuidar dos dois, me prometa, prometa que irá cuidar deles. De jiwan! Por favor, jungkook... Por favor... Ele encarava Jungkook, enquanto ele o olhava assustado de volta. — Hyung para com isso... — Mas é a verdade, eu irei morrer cedo ou tarde... E eu sei que você ama os dois e que o Minnie confia em você... Então assim eu também confio, e quero que me prometa que cuidará deles. — Hyun olha para mim! — o chamei, mas ele negou abaixando o rosto. — olha para mim, por favor... — negou novamente, então segurei seu rosto, forçando-o a me olhar. — Você não vai morrer, entendeu? Você... não nós! — Coloquei uma das mãos dele sobre minha barriga. — Nós teremos um bebê! Um bebê que precisará muito dos pais. Que precisará muito de você. — Mas Minnie... — Não! Eu sei que Jungkook irá cuidar de nós porque é isso que ele diz todos os dias e eu confio e acredito veementemente nele com todo o meu coração. Mas você também é o pai de Jiwan, você me pediu isso, pediu para estar presente e então você estará, entendeu? Você irá viver e ver Jiwan crescer! Jungkook se aproximou e sentou na cama também, ao lado de Hyun. — Cara, não seja pessimista. — o tocou no ombro. — Eu não vou conseguir cuidar do mochi e do jiwan sozinho. — sorriu e hyun sorriu junto, enxugando uma das bochechas. — Você precisa me dar uma mãozinha, poxa. — É, se você e o chimie são dois teimosos, imagina esse bebê? — jinie sorriu. — Nem eu que serei o dindo irei conseguir ajudar jungkook sozinho. Nós precisaremos de você nessa. Hyun respirou fundo e enxugou a outra bochecha. — Me desculpem por isso... — ele pediu baixo. — Eu... Eu estou desesperado. — Eu sei, mas nós vamos enfrentar isso junto, tudo bem? — o olhei sorrindo. — Estamos nessa com você cara. — Jungkook o apertou sobre o ombro. — Você é o atual do ex mais legal que eu já conheci. — hyun disse rindo para Jungkook e limpando o restante das lágrimas. — Não dá nem para te odiar jungkook! Jungkook sorriu e o abraçou de lado. Aproveitei e os puxei devagar, abraçando-os com meu barrigão e chamando Jin para participar. — Estamos juntos. — disse e senti um chutinho. — Até Jiwan concorda. Hyun sorriu e alisou minha barriga. — Eu vou lutar, vou lutar por ele. — sorriu junto ao jin e jungkook enquanto eu assenti. — E você vai conseguir. [...] — Cara, essa torta é divina! — Hyun, deixe um pedaço para mim! Jungkook me ajuda a sair aqui. — pedi erguendo minhas mãos. Era quase impossível conseguir tal coisa com facilidade no meu estado. Jungkook correu sorrindo e me ajudou a ficar de pé. Fui até a mesa e tomei o pedaço da torta das mãos do hyun. — É minha! — falei me distanciando. — Da próxima vez trago uma torta inteira. — Jungkook disse rindo e me ajudou a sentar. — Vocês viram que aqui tem um jardim? Poderíamos ir lá. — jin disse, enquanto levantava o pedaço de torta bem alto, para hyun não o pegar.— Peça que eu dou, seu animal! — Me dá um pedaço, por favor. — hyun sorriu e juntou as mãos. — Inferno. — Jin rolou os olhos e assentiu. — Você tinha que ser fofo? — Esse é o meu charme. — Hyun sorriu e pegou a torta. — Meu deus. — sorri e comecei a comer meu pedaço, sozinho. — Vamos ao jardim depois, e... há! Lembrei, amanhã será o nascimento dos netinhos do doutor Kim. — É mesmo, você irá visitar os bebês?— Jungkook perguntou, tentando pegar uma lasca do chocolate da minha torta. — Sai! — puxei a torta e ele sorriu. — Vou sim, eu disse a Taehyung que iria. — Quem é taehyung? — jin perguntou, enfim dividindo pacificamente a torta dele com hyun. — É o filho do doutor Kim. — o respondi. — Ele tem dois maridos jin-Hyung, e um deles está grávido também. — Jungkook falou animado. — Mesmo? — jin arregalou os olhou. — Dois grávidinhos juntos? — Jungkook é muito fofoqueiro. — ri negando. — Fica quieto mochi. E sim hyung, os dois estão grávidos juntos, é muito fofo. O doutor disse que eles foram fazer uma viagem, e dos três, dois voltaram grávidos. O Taehyung de gêmeas, e o Yung de um menino. — É Yoongi, seu fofoqueiro! — falei e ele revirou os olhos. — faça a fofoca direito pelo menos. — Enfim, dois grávidos e um não. E os bebês nascerão amanhã. — Ah que amor. — jin o olhou e hyun comeu o último pedaço da torta. — Você está passando fome? — Vacilou, perdeu. — sorriu e ficou de pé. — Vou voltar para meu quarto, antes que o cardiologista perceba que eu desliguei as máquinas e fugi. — Você fugiu? — o olhei surpreso. — U-hum. E Jungkook me ajudou. — apontou para o comparsa que sorria tímido. — Desculpa, mas ele me obrigou. — Eu te obriguei? Eu só disse que queria ver o Minnie e quando comecei a desligar aquelas coisinhas que ficam de olho nos batimentos cardíacos você me ajudou. — Você está me entregando? Eu não te ajudo mais! — Vocês são dois idiotas. — Jin falou olhando para os dois idiotas à frente. — Eu concordo. — olhei para os dois negando. — Você. — apontei para Kihyun. — Volte agora para o seu quarto, e trate de ficar lá até que um médico o libere. E você. — Apontei para jungkook. — A gente conversa mais tarde. — Mas mochi ele- — Mais tarde jungkook, mais tarde. Levantei-me com toda a dificuldade do mundo, e estendi a mão para Jin. — Vamos ao jardim. Jin sorriu e assentiu, vindo até a mim, e entrelaçando nossos braços. — Quando eu voltar não quero ver a sua cara aqui, entendeu? — falei com Hyun que assentiu fazendo um bico. — Jungkook vai com você, e vai chamar um médico para religar todas as máquinas. — Eu vou? — o olhei com cara de poucos amigos e ele arregalou os olhos. — Tá, eu vou. Vamos. — Obrigado anjo. — sorri e puxei jin. [...] — Chim você pode fazer caminhadas? Não sente dor? — Estou bem. A dor não está tão grande. — Vamos sentar ali. — apontou para um banco. — Eu não quero que sinta dor. Fomos até o banco que ficava de frente ao jardim e principalmente a algumas rosas-amarelas. — Hyun e Jungkook estão se dando bem mesmo não é? Eu fiquei surpreso quando os vi juntos. Jungkook o respeita demais. — Jungkook é um doce, Jinie. — fechei os olhos sentindo o vento trazer o cheiro das flores até nós. — E o hyun também... São dois idiotas, mas estão se dando muito bem. — E pensar que eu cheguei a achar que você realmente não iria dá uma chance ao jungkook. — jin sorriu. — Ele gosta muito de você. — Ele me ama... Ele diz todos os dias isso e eu ainda não consigo dizer o mesmo de volta... — Mas isso não é um problema chimie, cada coisa tem seu tempo e ele parece não se importar com isso. — Eu sei que tem o tempo certo, mas eu me sinto sufocado, sabe? Eu sinto que o meu sentimento por ele é grande, mas está tudo tão confuso que eu não consigo falar, pôr para fora. — Está tudo bem. — segurou minha mão. — De verdade. "Eu te amo" é uma frase com muitos significados, mas o jeito que você o olha e que se importa, vai bem além disso e dá para ver de longe, que esse coraçãozinho já o pertence... Então relaxa, ele sabe mesmo sem você falar. — Será...? É que eu tenho medo. — Medo do quê? — Medo dele se sentir insuficiente... Ele se dedica tanto, me ajuda, cuida de mim. Até mesmo com Hyun ele se esforça para ter uma relação boa pensando no futuro e no bebê e eu não consigo dizer o quão grato e apaixonado por ele eu sou. — Você não diz, mas demonstra e isso é o importante. — deslizou a cabeça até apoiá-la sobre meu ombro.— Eu lembro quando foi com Namjoon. Ele ficou atrás de mim por quase dois anos, até eu aceitar o convite para um jantar. E veja só nós hoje. As coisas sempre acontecem no ritmo que tem que acontecer, sem pressa. O importante é que você sabe que ele é seu companheiro. Que está com você, e mesmo já te conhecendo grávido, ele está disposto a cuidar desse bebê também, então não sinta tristeza ou medo, sinta segurança, porque com certeza aquele homem enfrentaria tudo em dobro por você. Assenti e enxuguei uma lágrima que desceu por minha bochecha sem premiação. — Eu o quero Jin, o quero feito um louco. — suspirei. — Ele mexe muito comigo, de um jeito diferente, que ninguém nunca mexeu. Ele é doce, cuidadoso, inteligente, e às vezes parece um bebê, mesmo com aquele corpo de deus grego. — sorri. — e eu sei que falar é o de menos, mas eu quero, eu quero poder dizer a ele tudo o que eu sinto. Meu celular tocou, e vi o nome de Jungkook na tela. — Acho que ele já deve ter colocado o hyun pro quarto. — Jin disse sorrindo. Neguei sorrindo e atendi a ligação. — Oi, anjo. — Hyung! Volta aqui agora! — Jungkook o que foi que vocês apronta- — Mochi, escuta! Ligaram agora de daegu, o kihyun... ai minha nossa, ai minha nossa! — Kookie, calma! Quem ligou de Daegu? Não estou entendendo nada. — O que foi? — jin perguntou ao meu lado, parecendo preocupado. — Eu não sei. — sussurrei. — Um coração! — O Quê? — fiquei de pé e jin me acompanhou todo preocupado. — O hospital geral de Daegu ligou dizendo que tem um coração! — O que foi chimie? Diz logo! — Eles estão vindo, hyung, estão vindo para Seul com um coração para Kihyun! Doutor Nakamoto acabou de ligar dizendo que foi avisado também! — Minha nossa, eu não acredito nisso! — Comecei a pular com a euforia me consumindo. — É um coração, Jimin! Um coração para salvar o Hyung! — Chimie não pula! — Jin me segurou e tomou o celular pondo na orelha. — Jungkook o que está acontecendo garoto? — Um coração hyung, o kihyun irá receber um coração! — Um coração? Tipo de verdade mesmo? — Sim hyung, de verdade 'verdadeira'! Venham agora para o quarto, o hyung está surtando e eu também. Alguém precisa estar calmo aqui. Jin sorriu e assentiu. — Estamos indo. — E encerrou a ligação. — Jinie... — sorri já começando a chorar novamente. — Eu te disse que tudo acontece no tempo certo. — ele me abraçou. — o hyun não vai morrer! Chorei dentro daquele abraço, sentindo toda a preocupação, junto ao medo se esvair. — Ele não vai morrer Jin! — o encarei e sorri. — Ele verá o filho nascer e crescer. — Ele verá. — Jin confirmou enxugando minhas lágrimas e me dando um beijo na testa. — Vamos? Respirei fundo, sentindo o alívio dentro do meu coração e assenti. — Vamos. Continua...
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