Pré-visualização gratuita Início do inferno
Queridas leitoras,
chegamos a mais um lançamento, e ele significa muito para mim. 💖
Adicionar a história à biblioteca é um gesto simples, mas que ajuda imensamente o meu trabalho como escritora. Espero, de coração, que vocês se apaixonem por essa trama tanto quanto eu me apaixonei ao escrevê-la. ♥️
Boa leitura.
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Prólogo
Dario Vitali
Durante muito tempo, acreditei que jamais me deixaria seduzir por uma rosa cheia de espinhos. Eu já havia aprendido que certas belezas não foram feitas para serem tocadas, que algumas flores existem apenas para ferir quem ousa se aproximar demais.
Mas então ela surgiu… e tudo o que eu achava que sabia ruiu.
Ela não era apenas uma rosa.
Era veneno disfarçado de perfume.
Era o doce que antecede a morte.
E, ainda assim, mesmo consciente do perigo, fui incapaz de me afastar.
Havia algo nela que escapava à lógica, algo que me arrancava cada gota de razão e me empurrava para um lugar onde o instinto falava mais alto que o bom senso. A cada olhar, eu me perdia. A cada gesto, afundava um pouco mais.
Tentei resistir.
Tentei arrancá-la do peito como quem tenta extirpar um m*l pela raiz. Mas quanto mais lutava, mais profundamente ela se enredava em mim.
Eu sabia. Sempre soube.
Ela nunca foi feita para mim.
Desejá-la era desafiar a própria morte. Ainda assim, escolhi o abismo. Porque existem rosas que não se escolhe amar… elas simplesmente nos escolhem para sangrar.
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Lavínia Calzeoni
Eu tinha tudo.
Status. Poder.
Ou, pelo menos, era isso que eu acreditava.
Cresci em uma família poderosa e temida, onde regras não eram discutidas, eram obedecidas. Desde cedo, meu pai, Romero Calzeoni, e minha mãe, Melina Calzeoni, deixaram claro que eu tinha um papel a cumprir. Não havia espaço para vontades, apenas para deveres.
Meu pai… Don Romero.
Só o nome já carregava medo suficiente para silenciar qualquer sala.
Aprendi muito cedo a esconder sentimentos. Muitos diziam que eu era fria demais, alguns até me chamavam de sociopata. Mas, para mim, aquilo sempre foi sobrevivência. Em nosso mundo, sentimentos eram armas, e eu jamais entregaria munição aos meus inimigos.
Foi com esse mesmo sangue frio que recebi a notícia que selaria o meu destino.
Aconteceu numa noite comum, durante o jantar. Meu pai trouxe à mesa aquele homem.
Dario Vitali.
No instante em que o vi, soube: não havia escapatória. Meu futuro havia sido decidido sem direito a apelação. Dario era o braço direito de Don Romero, o homem que meu pai parecia amar mais do que a própria filha de sangue.
E eu o odiava.
Cabelos negros como a noite, olhos escuros, frios, sempre me observando com um desprezo silencioso. Um homem que se movia como se fosse dono de tudo, inclusive de mim.
Eu havia acabado de completar dezenove anos quando meu pai largou a notícia sobre a mesa, como se fosse apenas mais um comentário trivial.
— Lavínia, Dario será seu futuro esposo. Espero que, como minha filha, você seja uma boa mulher para ele.
Não respondi.
Não demonstrei reação alguma.
Engoli o ódio e o empurrei para o lugar onde sempre o guardei: bem no fundo de mim.
Dario permaneceu em silêncio, como se aquela decisão não fosse novidade. Talvez não fosse mesmo.
Eu sentia vontade de arrancar aqueles olhos frios com as próprias mãos. Mas não dei a ninguém o prazer de ver minha fúria.
— Pai… só isso? — perguntei, seca.
Ele apenas sorriu e ergueu a taça, propondo um brinde.
Quando o jantar terminou, me levantei em silêncio e subi para o quarto. Dario veio atrás de mim.
O que ele queria agora?
No corredor, ele segurou meu braço. Virei-me devagar, encarando-o como se estivesse diante de um nada. Porque, para mim, era exatamente isso que ele era: um empregado do meu pai. Já cheguei a suspeitar que fosse um filho bastardo, mas vê-lo como meu futuro marido fez essa teoria perder qualquer sentido.
Ele me encarava com intensidade.
— Então você conseguiu, menina.
Soltei uma risada curta e amarga. Pela primeira vez, deixei escapar emoção.
— Consegui o quê? — perguntei, com deboche.
Ele apertou meu braço, aproximando-se demais.
— Todos sabem que a filha do papai sempre consegue o que quer. Esse casamento também foi planejado por você, não foi?
O encarei com puro desprezo.
— Você realmente acredita que eu sonharia em me casar com você? Nem nos seus delírios mais ridículos. Eu te desprezo desde o primeiro dia em que pisou nesta casa, sete anos atrás. E esse desprezo nunca mudou.
Ele riu. Uma risada baixa, sombria.
— Não imaginava que despertasse tanta raiva em você, Lavínia. Sempre achei que você não tivesse sentimentos.
Sustentei seu olhar, fria como lâmina.
— Eu tenho sentimentos. Só não desperdiço com qualquer um.
Com seus vinte e quatro anos, Dario se achava o centro do mundo. Acreditava que todas as mulheres se curvavam a seus pés. Eu jamais seria uma delas.
— Então é isso — ele continuou. — Você será minha mulher, porque seu pai ordenou. Mas não espere uma vida de casal. Vou continuar saindo com outras mulheres, vivendo como sempre vivi. Nunca quis esse maldito casamento.
Soltei uma risada debochada.
— Acha mesmo que me importo com quem você sai ou com quem você transa?
Ele se aproximou ainda mais, passando os dedos por uma mecha do meu cabelo ruivo.
— Mas não pense em sair com outros homens.
Afastei sua mão com nojo.
— Dario, eu espero, sinceramente, que você morra. E que seja uma morte lenta e dolorosa.
Saí sem olhar para trás, deixando-o parado no corredor, apenas me observando em silêncio.
No quarto, eu estava à beira de um colapso. Queria destruir tudo ao meu redor. Meu reflexo no espelho denunciava o caos: cabelos ruivos completamente despenteados, maquiagem borrada, olhos ardendo de ódio. Tudo culpa daquele desgraçado.
Mas, se era isso que ele queria, então eu aceitaria o jogo.
Eu me casaria, sim.
E transformaria a vida de Dario Vitali em um inferno.
Mostraria que até o próprio inferno podia ser mais suportável do que viver ao meu lado.