Capítulo 15

1253 Palavras
Não era sempre que Robert ia à ópera, muito menos para ver La Cenerentola, baseado no conto de fadas Cinderela. Ele apreciava óperas ou peças de teatros, mas que representasse algo trágico ou político. Nada sobre o amor, pois ele nem ao menos acreditava nisso. Mas, estava ali por outros motivos, muito mais profundos que não admitia nem para si mesmo. Queria ver Henrietta. Além do mais, sabia muito bem que John Miller não era quem aparentava ser. Ele tinha certeza absoluta que o cavalheiro tinha algum contato com Jenkins. Jenkins teve seus negócios interrompidos em Londres, tendo que ser forçado a ir para Irlanda. Contudo, ainda havia os parceiros dele, além do pessoal que trabalhava para ele na Inglaterra. E que não tinham motivos para serem presos ou deportados. Robert ainda aguardava seu detetive encontrar algumas informações sobre Miller e quem ele seria, mas ainda não havia recebido qualquer resposta, mas Robert tinha certeza de já tê-lo visto no clube de apostas de Jenkins, conversando com ele. Após desembarcar em frente ao teatro, Robert, Janet e Jasper entraram, subindo as escadarias do local. Era o Theatre Royal, com entrada majestosa, com quatro pilares na frente, no estilo grego. Na entrada, eles mostraram seus bilhetes ao guichê e seguiram para o anfiteatro. O camarote deles era de frente para o palco e era reservado para a família Bedford todos os anos. O anfiteatro era revestido em vermelho e dourado, deixando-o suntuoso e requintado. Robert não prestou atenção aos detalhes. Seu único intento de estar ali era ver Henrietta. Estava impaciente e sacou se binóculos para observar a plateia. Ele pode localizar o camarote em que Miller estava. Lá estava ele, ao lado dela, com a mão em seu antebraço, falando em seu ouvido. Robert apertou o binóculo com força, tentando conter a animosidade. Não entendia por que estava tão obcecado por ela? Somente poderia explicar isso com sentimento de posse. Talvez, estivesse realmente acreditando que ela fosse sua. Bom, ela seria em breve. Iria deixar bem claro a Miller. - Parece estar prestes a matar alguém – Janet zombou, ao lado dele. Ele a fitou com impaciência. Lady Bedford sabia ler a pessoas. Além do mais, ele não estava se esforçando para conter suas emoções. - Não que isso seja da sua conta, não é lady Bedford? – ele provocou. Os olhos verdes dela reluziram em divertimento. Ela não estava nem um pouco intimidada pelo ar taciturno dele. Jasper, ao lado da esposa, o fitou em advertência. - Se disser qualquer coisa desagradável a Janet, vou acabar com você na esgrima, pode ter certeza disso – ele ameaçou. - Estou ansioso para vê-lo tentar – Robert disse, com desdém e voltou a olhar a plateia. O maldito Miller falava perto de mais do ouvido de Henrietta. E ela estava mais bonito do que nunca, com seu vestido azul royal, com colo avantajado e mangas curtas. Ela usava um colar de perolas no pescoço, deixando ela ainda mais delicada. Robert ferveu por dentro. Queria expulsar Miller do seu assento e estar ali ao lado dela. Queria toca-la com tanta i********e, que a sociedade ficaria escandalizada. O chamariam de devasso e um demônio. Ele realmente o era, pois seu intento era que assim que o intervalo começasse, as luzes estariam baixas e ele iria encurrala-la em seu lugar. Talvez, alguns beijos. E quando ela partisse, ele a levaria em sua carruagem. Nada iria impedi-lo de fazer isso. - Robert, espero que não esteja pensando em nada indecoroso essa noite – Jasper disse, olhando para o primo, como se soubesse o que ele estava pensando. - Com certeza que não – Robert respondeu, com um o sorriso ferino. Jasper suspirou, exasperado. Olhou para a esposa, buscando ajuda. Ela deu de ombros. - Ele está apaixonado pela senhorita Henrietta. Isso está bem visível – Jasper disse. - Mas, como sabe disso? – ela perguntou surpresa. Foi então que notou que Robert estava com o binoculo apontado para o camarote em que Henrietta estava. Janet sorriu. Era seu intento fazer com que Robert se aproximasse de Henrietta. Já havia notado que algo muito mais profundo acontecia entre os dois. E não estava errada. O primeiro ato aconteceu, de forma que nenhum deles poderia conversar, a não ser que fosse em voz baixa. Mas, Robert não estava interessado nisso. Nem na peça. Seus olhos estavam diretamente na dama que ocupava o camarote do lado esquerdo. Estava tão distante, que ela nem notaria que ele estava ali, do lado observando. Mas, ela usou os binóculos para olhar a plateia e parecia tê-lo visto. Ele não sabia dizer, pois não conseguia vê-la com a luz baixa dentro do anfiteatro. Mas, pode ver claramente quando ela se levantou e deixou o camarote. Ele fez o mesmo, pensando em intercepta-la no corredor. Assim que ele saiu a procurou. Quando a encontrou no corredor iluminado por lâmpadas a gás, pode notar que ela estava ofegante e com as faces afogueadas. O que o bastardo do Miller havia feito a ela? Quando ela percebeu que ele estava a frente dela, o fitou com espanto. - Lorde Klyne – ela disse seu nome em tom de pergunta. - Senhorita Henrietta – ele disse, fazendo uma reverência, a qual ela não imitou. Então, ele puxou a mão enluvada dela, levando aos lábios. Ela estava atônita – Permita-me dizer que esta belíssima essa noite. - Obri...obrigada?- ela disse, em tom entrecortado e tentou soltar sua mão da dele. Ele não permitiu – Milorde deve me deixar partir, imediatamente. Ou criaremos uma cena. - Oh, mas não desejo que se vá – ele disse, em tom baixo e perigoso, puxando-a pela mão e acariciando seus dedos. Ele não desviava o olhar dela e era visível o quanto ela estava envergonhada pela presença dele. Robert não queria aquele efeito, mas não havia como mudar nada, por enquanto – Desejo lhe falar, apenas alguns minutos. O que aconteceu para a senhorita sair tão abruptamente do seu camarote? Ela baixou os olhos, constrangida. - Nada – ela sussurrou a resposta. - Nada? – ele perguntou incrédulo – Parecia estar fugindo de algo – ela não negou, mas também não disse uma palavra sequer. Isso fez com que ele tomasse uma decisão - Insisto que fique no camarote de minha família. - Mas, milorde...isso não...- ela parecia desconsertava e olhava para ele em suplica – Preciso voltar. Seria estranho eu sair do meu camarote. - Com certeza, Miller e seus amigos não vão ficar chateados. A senhorita se sentara ao lado de lady Bedford, para abafar qualquer escândalo – Enquanto ele falava, ele a puxava pela mão, para que andasse, sem esperar um resposta dela. Ela não protestou o que era uma atitude estranha vindo dela. O que o bastardo do Miller havia feito a ela? Precisava descobrir. Com o escuro que fazia no anfiteatro, era difícil distinguir os movimentos feitos pelas pessoas. Somente o palco era iluminado. Então, Robert não saberia dizer o que Miller fez a ela. Quando chegaram ao camarote, falou com Janet, explicando a situação. Henrietta ficou ao lado dela e ele ao seu lado. É claro que ele não deixou de tocar sua mão, sempre que podia. Ela se retraiu e retirou a mão do assento. Aquela noite estava sendo mais difícil do que esperava. Não sabia como controlar suas próprias emoções. Estava desejoso de estar ao lado de Henrietta e assim que pudessem sair daquele teatro, iria leva-la consigo em sua carruagem. E isso era uma promessa.
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