Capítulo 14

1161 Palavras
Henrietta enviou um bilhete a Robert, depois que saiu do hospital Collins. Estava ainda sentindo o coração opresso por ver a mãe dele em uma situação lastimável. Estava de fato impressionada pelas pessoas que ali viu. Os pacientes demonstravam de um leve grau de demência, há um nível alto. Alguns eram como a viscondessa viuva, outros pareciam não ter qualquer problema, apenas estavam apáticos. Ela tentou não pensar mais nisso, enquanto olhava pela janela. Havia enviado o bilhete há uma hora, para a mansão Klyne, contudo, não recebeu qualquer resposta dele. Talvez, ele não quisesse ser confortado. Talvez, ele apenas precisasse de um tempo sozinho consigo mesmo. Ela entendia isso, pois quando sua mãe morreu, precisou de um tempo para organizar sua mente e acalmar seu espírito. Ela estava tão triste por perdê-la. Mas, não queria ninguém ao seu lado, pelo fato de que não desejava o olhar de pena de ninguém. Muito menos os falsos pesâmes, ou palavras de conforto que não vinham a alma dessas pessoas. Somente aquele que perdeu sabia a dor. E somente Robert sabia o que era ter uma mãe debilitada. Ela não poderia imaginar a dor dele, mas viu a desvatação em seu rosto. Ela nunca imaginou que ele poderia chorar, de fato. E logo se lembrou do livro que publicou, sendo uma forma de vingança contra ele. Como fora estúpida e infantil! Não deveria ter feito isso. Ele não parecia ser tão vil assim, agora que conhecia seu segredo. Ela escutou batidas na porta e pulou na cadeira da escrivaninha, assustada pela interrupção. - Entre - ela pediu. Mary Ann apareceu na porta. Sua dama de companhia carregava uma carta lacrada. - Senhorita, o senhor Miller esteve aqui pela manhã perguntando da senhorita - ela informou, com um ar de repreensão a Henrietta, que saiu tão cedo de casa, que Mary Ann não pode segui-la - E faz poucos minutos, um mensageiro deixou uma carta dele. A dama de companhia estendeu o envelope para Henrietta. Ela se levantou da cadeira e tomou o envelope da mão de Mary Ann e rompeu o lacre de cera vermelha. Leu a carta, sentindo aborrecimento. Ele pediu uma resposta quanto a ir a ópera aquela noite. Henrietta não queria participar de qualquer evento aquela noite. John havia dito que conseguiu lugares no camarote de família do visconde de Snowden e que seria uma honra tê-la como convidada aquela noite. O visconde e a viscondessa estariam presentes. - Ele está me pedindo para ir a ópera hoje - Henrietta disse, mais para si mesmo do que para Mary Ann. - Deveria ir - a dama de companhia disse, com os olhos brilhantes - Eu gosto de ir a ópera com a senhorita. Henrietta olhou para Mary Ann e percebeu o quanto ela ainda era jovem e bonita. Tinha cabelos claros e olhos verdes. Ela deveria estar casada com alguém, mas era apenas um empregada da família Harrison. Ela devia muito a Mary Ann, por ela não contar tudo que fazia ao seu pai. - Pois bem, nós iremos - Henrietta disse, resignada e largando a carta em cima da escrivaninha. - Verdade? Ó, que maravilha. Precisa responder a carta do senhor Miller, então. Henrietta escreveu a resposta e Mary Ann saiu correndo do quarto, com a carta. Uma hora depois, enquanto olhava para os vestidos em seu armário a resposta veio, em um bilhete simples. John perguntava o motivo para Henrietta esquecer a corrida de cavalo que veriam aquela manhã e se poderia vê-la, antes de irem a ópera, aquela noite. Henrietta revirou os olhos. Ele parecia tão carente de atenção, que isso a irritava muito. Ela não gostava dele. De fato, m*l o conhecia. Não respondeu seu bilhete e o ignorou. Mary Ann ralhou com ela, mas a jovem não a ouviu, apenas preocupada com seu traje de noite. * - Vamos a ópera essa noite - Jasper decidiu, sentado na cadeira de couro do escritório de Henry. A casa de Henry era o local escolhido por Jasper para passar o tempo, quando estava na cidade. Ele tinha sua própria mansão em Mayfair, mas escolhia passar algumas horas da noite com seu irmão Henry e seu primo Robert na casa dele. E o que eles faziam normalmente era beber whisky e fumar charutos. As vezes, jogavam cartas, ou discutiam sobre política. De fato, Jasper apenas arranjava desculpas para estar perto do seu irmão e primo. Ele adorava a companhia dos dois e não importava o que fizessem. - Ópera? - Henry franziu o cenho, com os pés apoiados em sua escrivaninha e os braços cruzados - Está maluco? Eu tenho um bebê pequeno em casa e uma esposa que não gosta de aparecer em público. - Ora, peça para a senhorita Fay ou senhorita Stone cuidar do bebê. Aliás, quando vai contratar uma babá para ele? - Jasper perguntou. Afinal, Henry não havia contratado uma babá para lidar com o próprio filho. Seus filhos tinham a babá e a governanta. Sem elas, ele e Janet teriam enlouquecido. - Eu não quero que meu filho seja cuidado por uma estranha. E confiou nos meus empregados. E Anne não quer isso, tão pouco - ele justificou. - Então, não vai sair essa noite? - Jasper perguntou e olhou para Robert, que estava recostado na janela aberta, fumando seu charuto. Estava estranhamente quieto aquela noite - E você, Robert? Vai sair? Preciso de pessoas para essa noite. - Sou sua segunda opção? - Rober ironizou. - Você é, mas é muito importante- ele zombou. Robert deu de ombros e não disse nada. O que deixou Jasper irritado. - É isso? Vocês resolverem me abandonar essa noite? - ele perguntou, dramático. - Eu não posso ir. Robert por outro lado deve ir - Henry disse. - Estou sendo forçado a ir? Se não, prefiro ficar - Robert disse, parecendo cansado. - Está sendo convocado - Jasper enfatizou - E parece que lady Katherine, a viúva de Ashbourne estará na ópera essa noite. Não era você que tinha interesse nela? Robert ficou em silêncio por um momento. - Se ela está lá, a senhorita Harrison também irá? - ele perguntou. A pergunta surpreendeu Jasper, afinal, aqueles brigavam feito cão e gato. - Bom, eu soube que John Miller irá com ela essa noite. Por que esta interessado em saber? - Jasper perguntou. E uma ideia se passava por sua cabeça. Seria possível estar certo? Seria possível que Robert gostasse da senhorita Henrietta? - Eu não estou - ele negou - Mas, irei com você, se insiste tanto. Jasper resolveu ignorar o fato de que Robert não está sendo sincero. Ele descobriria mais cedo ou mais tarde o segredo do seu primo. Afinal, Robert sempre tentava defender sua honra e fingir que não fazia nada de escandaloso, mesmo que a sociedade afirmasse que ele era um grande libertino. Seria possível, então, seu primo, que parecia não ter sentimentos por nenhuma dama especial, estar apaixonado?
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