Noah
O frio cessou.
A terra não range mais sob nossos pés, como se gritasse. A poeira assentou.
O sol voltou.
Fraco. Quase tímido. Mas voltou.
Nunca pensei que ver luz outra vez me deixaria assim... quieto por dentro. Como se o caos tivesse feito as pazes comigo.
— A gente pode ir agora. — Lia diz, olhando o céu acobreado com os olhos apertados pela claridade. — Tem certeza? — pergunto, mesmo sabendo a resposta.
Ela me encara. E aquele olhar que ela me dá — cheio de coragem, de feridas e de amor — é a única resposta que preciso.
Lia
A cidade está morta, mas não vazia. Há promessas nos escombros. Há histórias enterradas sob as pedras. E, agora, há nós dois, caminhando por elas.
Encontramos um posto de gasolina abandonado no limite do mapa. O telhado ainda está inteiro. Os vidros, não. Mas quem precisa de janelas, quando se tem o corpo dele pra me aquecer?
Arrastamos caixas, improvisamos uma cama, acendemos velas.
É ridículo. É lindo.
— Lar — eu sussurro, tocando o peito dele quando nos deitamos no colchão rasgado.
— Lar — ele repete. Mas seus olhos estão em mim. Não na cama. Não nas paredes. Em mim.
E então eu vejo.
Ele quer me amar de novo. Mas agora com calma. Com intenção.
Com verdade.
Noah
Ela está deitada sob mim. Pele contra pele. Não há pressa.
Meus dedos percorrem cada centímetro como se a estivessem lendo. E, de certa forma, estão.
Porque o corpo dela é uma carta escrita em cicatrizes invisíveis. E eu sei como decifrá-las.
— Fecha os olhos — murmuro.
Ela obedece. Confiando. Se entregando.
Beijo sua testa. Depois as pálpebras. A curva do nariz. O contorno da mandíbula.
Desço.
Minha língua percorre o pescoço dela, até o ponto onde o pulso acelera. Ela suspira.
— Fala comigo — ela pede, a voz arrastada de desejo.
— Eu sonhei com isso. Com você assim. Sob mim. Por inteiro.
Meus lábios descem mais.
Seios. m*****s duros, esperando meu toque.
Chupo um, devagar. Ela arqueia o corpo. Oferece mais.
Minha mão direita desce. Encontra o centro dela. Já molhada. Quente. Aberta.
— Você sempre fica assim pra mim? — pergunto, pressionando o polegar sobre o ponto que a faz tremer.
— Sempre.
— Boa garota.
Ela geme.
Deslizo dois dedos dentro dela. Movimento lento, depois rápido. Depois de novo, lento. Ela geme com a boca aberta. Os olhos ainda fechados. As pernas se abrindo mais.
Me abaixo.
E a devoro.
Língua. Lábios. Dedos. Ela grita meu nome, cravando as unhas na parede. Gozando com força. Desabando.
Mas eu não termino ali.
Subo. Me posiciono entre as pernas dela. A cabeça do meu p*u pressiona sua entrada.
— Me diz que você é minha.
— Eu sou sua. De todas as formas.
Empurro com força. Profundo. Ela chora de prazer.
Nos movemos juntos. O colchão range. A estrutura do posto estremece. Mas não nos importamos.
A f**a vira dança. A dança vira prece. A prece vira entrega.
Eu acelero. Ela me puxa. Os corpos colidem com urgência e amor e desespero e beleza.
E quando ela goza de novo, gritando, chorando, tremendo sob mim... Eu me deixo ir junto.
Entro fundo. Seguro seu rosto. Olho nos olhos dela quando me perco.
— Eu te amo, Lia.
— Eu também te amo, Noah.
Nosso mundo explode.
Lia
Três dias depois, plantamos um pé de tomate.
Noah construiu uma cerca com pedaços de carro.
Eu costurei dois panos e fiz cortina.
Nosso lar tem cheiro de suor, vela, terra e algo novo: esperança.
— Você está sorrindo. — digo, enquanto ele limpa as mãos sujas de terra na calça.
Ele olha pra mim.
Sorri de novo.
Lento. Verdadeiro. Pacífico.
— Acho que é a primeira vez.
Me aproximo. Encaixo o rosto no pescoço dele. E pela primeira vez desde o fim do mundo, penso:
Talvez isso aqui seja o começo.
O começo de algo que ninguém conseguiu destruir.
FIM