Noah
Eu disse que ia esperar.
Eu menti.
Não existe depois no mundo em que vivemos. Não quando o céu queima a pele. Não quando um passo errado pode te colocar diante de uma emboscada. Não quando a mulher que você tentou esquecer por anos te olha como se fosse o último homem na Terra... e, mesmo assim, ainda te escolhe.
Lia está diante de mim, com o cabelo solto em ondas desordenadas, os olhos queimando promessas e feridas, o peito arfando com algo que não é medo — é desejo.
Por mim.
Pelo homem que nunca soube amar direito.
E agora ela está aqui. Esperando que eu a toque como se merecesse.
Não mereço. Mas mesmo assim... eu toco.
Meus dedos encontram o rosto dela, traçam o contorno da bochecha, da mandíbula, da curva do pescoço. Cada traço dela é uma cicatriz aberta dentro de mim. Uma lembrança do que eu nunca deveria ter desejado... mas desejei. Todos os dias. Todos os malditos dias.
Ela fecha os olhos e suspira quando meus lábios tocam a clavícula dela. A pele é quente, viva, delicada. Um contraste violento com a dureza das minhas mãos, dos meus pensamentos, da minha alma.
— Noah... — ela sussurra.
Esse som. O meu nome, nos lábios dela. Não existe arma mais letal.
Eu a empurro levemente contra a parede do quarto improvisado da casa onde nos refugiamos. A estrutura ainda resiste — assim como ela. Mas eu sei que estamos à beira de ruir.
Minhas mãos descem pelo corpo dela. Lentamente. Como se estivessem aprendendo um idioma novo. A camiseta que ela veste é fina. Quase transparente com a umidade da tempestade. Puxo com cuidado, mas não com doçura. Não há espaço para doçura aqui.
Ela ergue os braços e a peça se vai.
Fico imóvel por um segundo.
O tempo para.
A visão dela — pele clara marcada por pequenos hematomas do mundo, s***s firmes, os m*****s duros com o frio ou com o desejo (talvez ambos) — me desmonta.
— Você é real. — murmuro, mais pra mim do que pra ela.
— Toca em mim, Noah. Não pense. Só... toca.
E eu obedeço.
Deslizo as mãos por seus braços, costas, cintura. Minha boca segue o caminho do abdômen até o centro dela. O gosto é salgado. Humano. Necessário.
Ela geme baixo, arqueando o corpo contra o meu toque.
Eu devoro cada som.
Cada estremecer.
Cada pedido silencioso.
Me ajoelho diante dela, puxando a calça pelos quadris, e quando a boca encontra sua pele, ela grita meu nome com a urgência de quem está morrendo — e renascendo.
Minutos se tornam eternos.
Minha língua aprende os ritmos do corpo dela com precisão de quem estudou isso por anos em pensamento.
E talvez eu tenha.
— Noah, eu... — ela tenta falar, mas eu não deixo. Pressiono os dedos nas coxas dela, segurando-a firme enquanto a língua dança sobre o ponto exato que faz o corpo dela estremecer.
Ela goza com a cabeça encostada na parede, os olhos fechados, os lábios entreabertos e as mãos em punhos.
A visão me quebra.
Me eleva.
E me condena.
Eu me levanto. Ela ainda está sem fôlego. A pele ruborizada, os s***s subindo e descendo com a respiração pesada. Olha pra mim como se eu fosse a única coisa que ainda faz sentido.
— Agora é você — ela diz.
— Não. — minha voz é grave, rouca. — Isso não é sobre mim.
— Mas eu quero.
Ela se aproxima. Toca minha camiseta. Começa a tirar.
Eu deixo.
Quando a peça cai, o silêncio entre nós muda.
Ela vê.
As marcas. As cicatrizes. As tatuagens tortas feitas com tinta de caneta e agulha suja nas celas improvisadas dos Barracos. Cada linha uma morte. Cada ponto, uma promessa quebrada.
Ela desliza os dedos por elas.
E eu quase recuo.
Mas fico.
Porque ela não para.
Ela não julga.
Ela aceita.
— Você é lindo. — ela sussurra.
Não. Eu sou feio por dentro. Mas ela não vê isso agora.
Ou vê... e ainda assim, fica.
Ela desabotoa minha calça. Me livra da última barreira.
E quando me toca, o mundo desaparece.
Minhas mãos a puxam de volta pra mim. A boca dela encontra a minha e o beijo agora é selvagem. Sem controle. Sem espaço para hesitação.
A deito sobre o colchão fino. Me posiciono entre suas pernas. Olho em seus olhos.
— Tem certeza?
— Eu esperei por isso por anos, Noah.
Entro nela com um só movimento. Lento. Profundo.
E tudo o que sou se perde dentro dela.
A sensação é crua. Bruta. É como voltar à vida com dor e prazer ao mesmo tempo.
Ela me envolve com as pernas. Os quadris seguem o ritmo que construímos juntos — sem pressa. Sem pudor.
Somos dois sobreviventes tentando encontrar humanidade na única coisa que ainda resta: o toque.
Ela geme o meu nome. Uma, duas, três vezes. Eu grito o dela quando venho, enterrado até o fim, tremendo como se tivesse cruzado um campo de batalha.
Desabo sobre ela.
Mas é aí que tudo desmorona.
Porque não é só prazer.
É culpa.
É amor e maldição.
E eu não posso dar isso a ela.
Me levanto devagar. Me visto sem olhar. Ela ainda está deitada. Observa. Sente.
— Noah?
— Eu preciso de ar.
— Não fuja.
Mas eu fujo.
Mesmo sem sair do quarto. Mesmo com os pés no mesmo lugar.
Eu me afasto dela com o silêncio.
Com a frieza.
Com a ausência de palavras que sei que ela merece.
Mas não posso dar.
Porque o que fizemos foi perfeito.
E isso é o que me assusta.
O perfeito não sobrevive ao mundo em que vivemos.
E eu... Eu sou feito pra matar o que é bom.