Desculpas

1276 Palavras
Antony Desço atrás do cara que encostou na Laura. Encontro o sujeito dando risada com um grupo de amigos, como se nada tivesse acontecido. Chego perto dele e o chamo para conversar. O cara me olha de cima a baixo e arregala os olhos, provavelmente me reconhecendo. Morando há anos nesta cidade e tendo relação com os negócios da família, acabamos sendo conhecidos em alguns círculos sociais. O sujeito levanta sem questionar. Levo-o para o escritório dos seguranças, que fica na parte de baixo, nos fundos do bar. — Senta! — mando. — O que você quer comigo? — Você passou a mão e xingou uma funcionária minha. Aqui ninguém assedia mulheres, você está me ouvindo? — É só uma empregadinha, cara. Que isso? Não vamos criar inimizade por causa disso. Eu sei que você é um cara respeitado, sei que vocês têm influência, mas eu também tenho! Deixo o i****a terminar de falar. Dou uma risada fria. E acerto um soco na cara dele. O impacto faz sua cabeça virar para o lado. Ele cai no chão e, antes que consiga reagir, dou um chute em sua barriga. O sujeito geme de dor. Olho para os seguranças e falo: — Tirem esse verme daqui e convidem os amigos dele a se retirarem também. Deixem todos cientes de que aqui ninguém encosta em nenhuma mulher sem que ela permita. E redobrem os cuidados. Não deixem uma merda dessas acontecer nunca mais. Vocês são pagos para evitar esse tipo de coisa! Os seguranças assentem imediatamente. Subo em direção ao meu escritório, ainda irritado com toda a situação. Mas, assim que chego ao corredor, encontro Yan, a ex dele e minha irmã. Minha irmã vem até mim. Yan está atrás dela, mas logo a situação sai completamente do controle. A ex dele contou sobre nossas pequenas aventuras. Vejo a indignação tomar conta do rosto da Marina. Sem dizer mais nada, ela sai correndo. Passo a mão pelo rosto, frustrado. — Pelo jeito a noite vai ser longa. — resmungo. Yan já está ligando para um dos seguranças para segurar Marina lá na frente, mas o segurança avisa que ela não passou por lá. — A pirralha deve ter saído pelos fundos. — digo. — Vamos, Antony! A gente precisa achar ela! — p***a! — resmungo. Por isso eu não tenho namorada. Ou melhor, por isso eu não quero um relacionamento. É frustrante. Depois de algum tempo procurando sem encontrá-la, resolvemos verificar as gravações das câmeras. Marina saiu pelos fundos, usando a saída do estacionamento. Vamos até o segurança responsável pela área, e ele nos informa que ela saiu de carro com outra mulher. Yan consegue acessar as imagens da câmera que mostram exatamente o momento em que Marina ficou sentada no meio-fio. Na sequência, uma garota de longos cabelos escuros para ao lado dela, conversa por alguns instantes, e as duas entram em um carro e vão embora. — Essa é a Laura. Ela trabalhou lá hoje, mas assediaram a garota e ela foi embora. Eu estava indo te falar, mas não tive tempo. Vocês estavam no corredor e, enfim, tudo aconteceu ao mesmo tempo. Então acho que ela saiu no mesmo horário que a Nina. Pego o contrato de admissão temporária da garota. Lá está o endereço. Sem perder tempo, seguimos até o local. Chegamos a um pequeno prédio, simples e sem qualquer segurança aparente. A portaria está vazia. O portão destrancado. Aquilo me irrita imediatamente. Qualquer um poderia entrar ali. Subimos as escadas e começo a bater na porta. Ninguém atende. Bato novamente, mais alto. Ainda nada. Na terceira vez, praticamente soco a madeira. Logo a porta se abre. Olhos verdes escuros arregalados me encaram. Laura se assusta quando me vê e tenta fechar a porta. — Não fecha a porta, Laura. Seguro a porta aberta e entro no apartamento. Yan entra logo atrás de mim. Vejo o medo tomar conta do corpo dela. Ela treme ligeiramente. E isso me faz prestar atenção em sua roupa. Laura está usando apenas uma camiseta larga. Suas pernas longas, torneadas e de pele oliva estão completamente à mostra. Muito à mostra. Desvio o olhar antes que meus pensamentos tomem um rumo inadequado. — Cadê minha irmã? — Você é maluco? Psicopata? Eu nem sei quem é sua irmã! Eu vou chamar a polícia! Dou mais alguns passos para dentro do apartamento. — A garota loira que saiu com você do bar hoje... você sabe dela? Ela hesita. — Nina? Logo Nina aparece. Laura olha para ela com um olhar questionador. — Você é irmã do babaca? Continuo olhando para ela. Por algum motivo, não consigo desviar o olhar. Ela é completamente diferente das mulheres com quem costumo conviver. Não tem maquiagem exagerada. Não usa roupas caras. Não tenta chamar atenção. Mesmo assim, consegue prender meus olhos de uma forma irritante. Nina e Yan começam a conversar. Após alguns minutos de explicações, eles resolvem ir embora. E me deixam sozinho com Laura. O silêncio que se instala no apartamento é estranho. Ela cruza os braços e me encara. — Me desculpa. Eu não sabia que ela era sua irmã e eu falei para você dar o uniforme para ela ou para sua mãe vestir! — Agora você conhece minha irmã. E minha mãe está morta, infelizmente. Ela arregala os olhos. Imediatamente abaixa a cabeça, sem graça. — Me desculpa! — ela fala baixinho. Por alguns segundos, ela parece sinceramente arrependida. — Você não deveria atender a porta vestida assim, quase nua! Ela se encolhe ainda mais, claramente envergonhada. Percebo tarde demais o quanto minhas palavras soaram duras. Laura sempre parece pronta para se defender do mundo. Como se estivesse esperando ser julgada a qualquer momento. — Laura, não tivemos um bom começo. Mas quero que saiba que eu não concordo com a atitude que aquele homem teve e que ele recebeu a lição dele. Eu queria te pedir desculpas, mas você não quis me ouvir. Me perdoe pelo uniforme curto que te deram. Eles deveriam ter sido mais atentos a isso. Eu realmente sinto muito. Isso chama sua atenção. Ela volta a me olhar nos olhos. Pela primeira vez desde que cheguei. — Tudo bem. Agora você pode ir! Dou uma rápida olhada para a porta. A fechadura parece prestes a cair. Os parafusos estão soltos por causa das pancadas que dei. — Não, Laura. Eu não posso. Ela suspira. — Como assim? — Eu estraguei sua porta. A p***a do seu porteiro está ausente. Eu entrei aqui com facilidade. Então qualquer outra pessoa poderia entrar também. Vou dormir no seu sofá. Amanhã arrumo sua porta e vou embora. Ela abre a boca para discutir. Mas logo fecha novamente. Provavelmente sabe que estou certo. O prédio não é seguro. A porta não está segura. E ela mora sozinha. Sem dizer mais nada, vira-se e entra em um dos cômodos. Alguns instantes depois, retorna carregando um travesseiro e um cobertor. Estende os dois em minha direção. — Boa noite, então! — diz ela. Pego os objetos. — Boa noite. Ela desaparece pelo corredor. Arrumo o sofá. É pequeno. Desconfortável. E definitivamente não foi feito para alguém do meu tamanho. Mas vai ter que servir. Apago as luzes. O apartamento fica silencioso. Fecho os olhos. Por incrível que pareça, adormeço quase imediatamente. Não faço ideia de quanto tempo passa. Talvez minutos. Talvez horas. Mas sou arrancado do sono por um grito assustador. — ME LARGA! ME LARGA! A voz de Laura. Em um único movimento, salto do sofá. O coração dispara. A adrenalina toma conta do meu corpo. Corro pelo corredor sem pensar. Abro a porta do quarto dela e entro imediatamente.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR