Respiro fundo antes de entrar no escritório do papai. Sei que se não falar a verdade para ele , tio Edward irá contar.
Bato e entro na sala da presidência.
Papai abre um sorriso quando me vê.
— Lembrou que seu pai trabalha um andar acima do seu?
— Está ficando dramático igual a mamãe.— Rebato.
— Assuntos de negócios, ou veio dar um beijo no seu amado pai?
— Dar um beijo, e ter uma conversa de filha para pai.— Sento na cadeira à sua frente.
— Diga então senhora vice-presidente.— Meu pai assumi uma postura relaxada.
O melhor jeito de seguir com isso é igual arrancar um curativo... rápido.
Baixo meu olhar.
— Eu e Sebastian terminamos...
Espero alguma resposta que não vem. Levanto meu olhar, vejo que ele avalia bem a situação antes de falar algo.
— Vocês namoraram por bastante tempo, o que aconteceu para terminarem o namoro?
Charles Overlord costumava ser um homem calmo e perspicaz, algo necessário para comandar um negócio tão grande como o da nossa família. Essas qualidades só não se aplicavam quando se tratava de mim e minha mãe. Ele tomaria medidas drásticas para qualquer coisa que me afetasse.
— Era muito nova quando comecei a namorar, e vi que não quero mais seguir com esse namoro. As pessoas mudam com o passar dos anos.
Eu tinha que mentir.
— Você não é uma garota fútil que muda de ideia assim do nada.— Era uma droga meu pai me conhecer tão bem assim.
—Pai...— Suspiro.—... Tenho que começar a tomar as rédeas da minha vida. Não sou muito boa no gerenciamento de problemas, e preciso aprender a resolver situações adversas. Um bom começo para isso, é lidar com o fim do namoro. Não quero misturar meu relacionamento com os negócios, já que temos negócios com o Banco Morris à bastante tempo.
— À setes anos para ser mais exato.— Joga no ar.— Achava justo ajudar seu futuro sogro, mas não sou um homem que faz caridade.
Então os negócios com os Morris foi apenas por minha causa.
— Mas agora eles são nossos colaboradores. Quero ser uma boa administradora para o legado da família. Como o senhor mesmo disse um dia estarei sentada nessa cadeira, tenho que aprender a me virar sozinha.
— É tão r**m quando os filhos crescem, era mais fácil quando te botava no colo e te protegia do mundo.
Levanto, beijando seus cabelos grisalhos.
— Preciso amadurecer.— Concluo.
— Vou fazer como você quer.— Papai beija minha mão.— Por mais que seja difícil, não vou me meter, você resolve a situação como achar melhor, filha.
Agora faltava contar para minha mãe, ou deixarei meu pai contar, provavelmente ele ia contar essa noite. Opto pela segunda opção.
[...]
Falta apenas dois dias para minha festa de posse, essa semana saiu uma matéria sobre mim nas revistas. É estranho ver as pessoas falando sobre mim, não sou alguém que gosta dos holofotes.
Hoje é o dia da prova final do meu vestido, minha mãe e Micaela vieram junto. Mamãe ainda não falou nada, mas sinto o olhar inquisidor sobre mim.
Esse vestido é tão justo que nem vou conseguir usar roupa íntima, isso não me agrada, não sou fã de sair por aí sem calcinha. Saio do provador, Micaela arregala os olhos me olhando. Viro de frente para o espelho, cada curva do meus corpo ficou marcada nesse vestido, ele funciona como uma segunda pele mesmo.
— Você está gostosa pra caralho.— Micaela solta.
— Não é pra tanto.— Digo.
— Sua secretária tem razão está um escândalo de linda.— Mamãe concorda.
Volto a apreciar minha imagem no espelho, eu não sou do tipo mulherão, sou bem baixinha, não tenho nem 1.60 de altura, e sou magricela, s***s* pequenos, b***a* pequena, coxas finas, a única coisa que gosto em mim é a cintura fina. Posso dizer que não sou alguém que chama atenção.
— Agora o principal.— Lino coloca o colar no meu pescoço.
O vestido muda completamente de algo casual para algo digno de gala.
— Ficou incrível, Lino.— Mamãe elogia.
Minha mãe levanta olhando o vestido bem de perto.
— Estou bonita, mamãe?
— Linda, querida. Pena que Sebastian não vai te acompanhar nesse momento.
Como desconfiava papai tinha contado pra ela, mamãe gostava de Sebastian.
— Desculpa por não ter contado, nem eu sei lidar direito com isso ainda.
— Quem sabe depois de uma conversa vocês se resolvam. Namoram faz tanto tempo, brigas são normais em qualquer relacionamento.
Vejo Micaela revirando os olhos.
Minha mãe e meu pai começaram a namorar quando ela tinha dezoito e ele vinte. Foram os primeiros namorados, e depois de alguns anos se casaram. Era isso que idealizava, casar com meu primeiro amor que era Sebastian.
Tenho certeza se mamãe soubesse o real motivo do nosso término, ela nunca ia sugerir conversar com Sebastian e nos acertar. Eu tinha muita vergonha do papel de palhaço que fiz e de ainda sentir algo por ele.
— A noite será sua com esse vestido, senhorita Chanel.— Micaela nota meu desgosto.
— Minha filha sempre é a mais linda, mas esse dia será uma verdadeira deusa...— Mamãe me elogia.
[...]
Chegou o grande dia, estou tão nervosa que parece que vou vomitar. Micaela e Carmen vieram me ajudar a se arrumar, mesmo adorando maquiagem gosto de algo mais natural, em penteado quis um coque baixo.
Após o maquiador terminar minha maquiagem e cabelo, me ajudam a colocar o vestido, por ser muito justo é complicado colocar sozinha, e por fim o colar pra fechar com chave de ouro.
— Você está mais brilhantes que as estrelas.— Carmen diz.
— Não é pra tanto.— Digo.
— Claro que é.— Micaela a concorda.— Vai ser a mulher mais linda dessa festa.
Micaela cada vez mais se mostrava uma grande amiga além de secretária.
— Tem certeza que não quer ir?— Pergunto novamente para Carmen.
— Tenho sim, não gosto dessas coisas chics.
— Não vale um esforço nem por mim?— Faço uma carinha fofa.
— Pode parando menina, sou fraca pra esse seu rostinho bonito.— Carmen diz indo para porta.— Desçam logo antes que seu pai venha te buscar.
Desço para o térreo, Micaela me acompanha, meus pais já estão no local da festa. Todos me esperavam, minhas mãos tremem sob o olhar de todas essas pessoas, sorte meu tio ficar como meu par, me dando segurança.
Tudo ocorre bem, meu pai faz um discurso lindo, tenho que me segurar pra não chorar. Chega a hora da dança, após dançar com meu pai, chegou a vez do meu tio.
— Parece que foi ontem que você brincava de boneca e hoje está assumindo o cargo de vice-presidente. Se pra mim é difícil, imagina para seus pais.
— Posso te contar um segredo?— Ele acena que sim.— Estou apavorada, sinto que vou vomitar a qualquer momento, tenho medo de não atingir as expectativas do papai, e sei que os diretores só esperam um erro meu para me comer viva.
— Por isso está começando tão nova na vice-presidência, para aprender tudo com o melhor, depois fica mais fácil quando ser a chefa suprema.— Dou risada da comparação.— Chanel, você é muito inteligente, não se esqueça disso, e você é capaz sim, poucas vezes na vida vi alguém tão dedicada quanto você.
— Obrigado, tio. É bom ouvir palavras de consolo.
— Não são palavras de consolo, são a verdade. E por mais que teu pai te ame, Charles não te daria esse cargo sem acreditar na sua capacidade.
Abro um sorriso com a frase do meu tio.
Danço mais algumas músicas, e vou tomar um ar, mesmo estando friozinho estou suando de nervosa.
— Parabéns, senhorita Overlord.— Paraliso ao escutar a voz do meu ex-sogro.
— Obrigada, senhor Morris.
— Uma pena que meu filho não pode comparecer, ele estava com o rosto todo machucado.
— Vou entrar, que devem estar me procurando.— Só quero sair daqui.
— Vai mesmo acabar com um namoro de tantos anos por um simples deslize.— Entra bem no assunto que estava fugindo.
— Esse assunto diz respeito à mim e ao Sebastian, já nos resolvemos. Como pedi para meus pais não se meterem, peço que o senhor não interfira.
— Você é apenas uma menina mimada, que ganhou tudo nas mãos dos pais. Acha mesmo que vai conseguir tocar o Grupo Overlord sozinha? O que você faria sem ajuda do seu pai? Você precisa do Sebastian para te ajudar, sozinha você vai fazer tudo isso desmoronar igual um castelo de cartas.
As palavras dele me acertam igual facas, não me sinto capaz, ele toca bem na ferida.
— Homens pulam a cerca.— Ele continua.— Acha que seu papai amado nunca fez isso?
— Não fale do meu pai.— Me altero.
— Se você continuar perturbando a senhorita Chanel, chamarei a segurança.— Micaela aparece.
— Sempre tem alguém para te proteger, mimadinha.— Joseph saí resmungando.
Começo a tremer, uma vontade imensa de chorar invade meu peito.
— Você não vai chora.— Micaela pega minhas mãos. — Não vai se deixar abater na sua grande noite, não por causa desse m*l amado. Vai no banheiro e se acalma, eu seguro as pontas.
Faço o que ela falou, reviro minha bolsa procurando o batom para retocar, acho o cartão do senhor Desconhecido. É a mesma bolsa que usei o dia que encontrei o Yohan.
" ...É deprimente ter dormido com só um homem..."
As palavras de Micaela ecoam em minha cabeça. Melhor agir rápido antes que me arrependa.
Saio a procura de tio Edward.
— Tio, preciso que distraia meus pais, para poder sair sem que eles percebam. — Chego falando.
— É um encontro?— Ele franze a testa.— Não me diz que vai se encontrar com o Sebastian?
— Não...
— Menos mal... quem é?
— É um amigo, vamos comemorar, apenas algumas bebidas.
— Sei... Não sendo o Sebastian já tem a minha benção.— Meu tio dá um sorrisinho de lado.— Vai lá, eu distraio o senhor e senhora Overlord.
Pego o celular discando o número.
*Me siga no insta* @ange.pontes