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2487 Palavras
Meu estomago embrulhado, os pensamentos confusos, e incômodos por tudo meu corpo. Abri os olhos vagarosamente sentindo minha cabeca doer, algo escorria por minhas costas e me causando desconforto. O escuro e o silêncio, assustador, minha respiração ofegante ao me dar conta de estar numa cadeira amarrada. — Ficar se debatendo que nem um peixe desse jeito, não vai te soltar daí! - A voz grossa que eu menos queria ouvir agora surge do escuro. Ele acende a luz ferindo meus olhos com a claridade repentina, tento falar ou gritar, mas ainda sem recuperar meus sentidos muito bem, só havia notado agora que, minha boca estava com uma fita. — Você vai, voltar quietinha, sem problemas e falar para aquele seu namoradinho branquelo, retirar aquela queixa... Hoje eu recebi uma intuição acredita... E eu nem fiz nada, da o seu jeito ou eu vou atrás de você ou melhor ainda da sua mãezinha que ja me aborreceu bastante essa semana! Temos um acordo, Bellzinha? Sentindo as lagrimas escorrer no meu rosto machucado eu apenas acenei com a cabeça assustada, ele me desamarrou, e saiu. Eu m*l conseguia ficar em pé, mas tentei novamente pegar a caixa eu não voltaria sem ela. No caminho tombando e caindo de joelhos vez ou outra, sem conseguir ver o chão com clareza pelas lagrimas e a tontura, supliquei ao meu corpo pra aguentar mais um pouco, e logo eu estava na casa de meu irmão. — Guil... - tentei chama-lo ao entrar pela porta mas, minha voz se recusava a sair. Minhas pernas vacilaram, subi as escadas com muito custo e fui até meu irmão que dormia tranquilo. — Guil... - o toquei. — Bell... O que foi... - ele disse sem abrir isso olhos mas assim que se sentou e me viu seu espanto o fez pular da cama. — Guil me ajuda... Não posso deixar elr machucar a minha mãe... — Bell ... Bell abre os olhos, irmãzinha fala comigo quem fez isso com você? — Eu fui ate a minha casa buscar a caixa... - Lembro de ter largado ela em algum canto da sala. — Foi ele não foi? — Ele cobrou a intimação que recebeu... Disse que iria atrás de mim se você não retirasse a queixa... Eu não to conseguindo respirar direito... — Calma... Calma eu vou pegar água, Fica aqui... - Ele me deitou em sua cama e notei que seu pijama sujou de sangue por ter me deitado em seus braços. Minha cabeça está sangrando? Que d***a, aquele maldito... Ouço meu celular tocar fui até o meu quarto, e ja havia caido, tabtas mensagens e vhamadas perdidas, era do Tomy. Mensagem de Tonto?~ "Oii não falou comigo essa noite, ta tudo bem?" 23:45 "Desculpa te perturbar a essa hora, mas a gente vai se ver amanhã né?" 23:56 "Durma bem! Espero que tenha lindos sonhos" 00:27 "Você nunca demora tanto pra responder ta tudo bem?" 00:30 "Oii?? Estou me sentindo m*l, tem algo errado por favor fala comigo!" 01:04 "To ficando com m*l pressentimento por favor me diz que você ta bem!" 01:23 "Eu vou ai se você não responder!" 01:25 "Meu irmão não me deixa sair por favor me responde" 01:26 45 chamadas perdidas de Tonto? — Parece até ele sentiu... Pensei em responder, mas logo o celular tocou de novo, e eu atendi. — Bell? Bell por favor fala comigo, aconteceu alguma coisa? — Eu to bem... — Sua voz esta estranha, fala comigo meu anjo... Meu peito esta apertado, tem algo errado não tem? — Não se preocupa... Eu to bem. - Minha voz vacilou, senti as lagrimas correrem por meu rosto, lagrimas que ardiam em cima dos cortes de tapas que estavam no canto da minha boca. — Bell você está chorando? - Ouvi ele dizer e respirei fundo. — Eu to bem, preciso ficar sozinha! - Desliguei. A maldita dor na minha cabeça foi me deixando cada vez mais tonta meus pulmões queimavam, me fazendo prender a respiração sem querer e sentindo a dor latejante piorar casa vez mais. — Bell? - Guil me encontrou em meu quarto. — Eu... Não to conseguindo respirar... — Vai ficar tudo bem irmãzinha respira ta bom... Meu deus... Você ta sangrando muito... Eu vou m***r aquele desgraçado! — Odeio a minha vida... Não tenho paz nem pra respirar... - Tentei desabafar entre os soluços. — A p***a da minha vida é depender dos outros sempre e ta sempre na posição da vítima... Eu perdi a única pessoa que me entendia... se ele nunca foi real por que eu sofro tanto com essa ausência? .... Depois de tanto tempo me esforçando pra não ouvir reclamações e sendo a empregada perfeita eu finalmente me livro daquela casa, e pra que ? acabar voltando la e apanhar daquele monstro! Que m***a é essa? Eu não pedi por isso, eu não pedi! Eu só não aguento mais... Eu não consigo mais fazer isso... Toda vez que eu tinha problemas com isso em casa, eu ia ficar com Tomy e esquecer e agora eu nem consigo contar pra ele o que acabou de acontecer, por que não é mais ele! não tenho mais ele, Me desculpa eu sei que eu tenho você Guil no meio desse caos eu ganhei um irmão... Mas não é a mesma coisa, você não viveu comigo tudo o que eu passei até hoje, ele sim, e agora eu sinto que to sozinha... Eu nunca me senti sozinha por que eu tinha o Tom e, agora... Eu só quero me livrar de tudo, de cada lembrança, não posso mais fazer isso... Estava sem fôlego, meu peito subia e descia ardendo, e minha cabeça dois cada vez mais. — Eu... Sinto muito, só queria que essa agonia passasse logo, já faz tanto tempo e nunca vai embora... - Tentei justificar, Meus olhos ardiam como se tivessem pimenta, meu peito rasgava um pouco mais a cada respiração funda. Por um momento, senti que meu corpo desligou a dor de cabeça soou como um longo "pi" e, ouvia ao longe a voz de meu irmão me chamar mas tudo ficou confuso até que eu não enxergasse nada. Guilder P.O.V — Bell? Bell!! Minha irmã revirou os olhos e apagou, começou a se debater e o panico tomou contando meu corpo. — Vira ela de lado! - Matt diz aparecendo atrás de mim, esqueci completamente que minutos atrás o chamei para vir ate aqui para dar um apoio. A ideia inicial era devolver a surra na aquele i****a, mas ele me convenceu a não me rebaixar a tanto. Viramos Bell de lado, Matt ligava para emergência e ouço passos apressados se aproximando. — O que aconteceu com ela? - O garoto de olhos molhados se abaixou ao meu lado. — Tomy, o que faz aqui? - Matt pergunta. — Senti que algo estava errado com ela... Ela tava com a voz estranha na ligação... Eu senti uma dor... Eu não sei explicar eu só vim o mais rápido que pude. — Ele estava passando mal.. Não foi só uma sentimento r**m, ele teve um ataque de panico então o trouxe! Vem vamos por ela no meu carro e ir pro hospital - Dae diz e a pega no colo quando ela parou de se debater. Por favor minha irmãzinha aguenta firme. (...) Meus dedos doiam, estalei cada um deles de todas as formas possíveis até agora, ja se passaram seis horas que estamos aqui, minhas roupas sujas de sangue, que ainda eram o meu pijama, do meu lado o garoto de olhos grandes, e cabelo comprido, Tom? Ele realmente gosta muito da Bell, enquanto eu ia e voltava da cantina do hospital com um novo copo de café, ele sequer se móvel nem para beber água, e toda vez que passa uma hora ele ia até a recepção e perguntava da Bell, ou quando via um dos médicos que nos recebeu no pronto socorro, eu tentava manter a calma pois queria fazer o mesmo que ele, sempre um deles passava com mais duas ou três bolsas de sangue. Mais algum tempo se passou, e a espera internacional finalmente chegou ao fim, o cirurgião que comandava aquele caso se aproximou. — Responsável por Belle Wang? — Eu, ela é a minha irmã! — Bom, sua irmã teve uma lesão grave, houve hemorragia cerebral, conseguimos realizar a cirurgia com sucesso mas ainda não sabemos quando ela vai acordar... Meu chão caiu, ela poderia ficar em coma? — Ela pode não acordar? — É uma possibilidade... — Mas ela esta bem? — Esta sim, ocorreu tudo bem eu recomendo que vão para casa, ela não vai poder receber visitas por enquanto. Olhei para Trás, Dae e Tom pareciam bem cansados. — Certo, obrigado doutor. Ele se retirou e voltei a me sentar ao lado dos dois. — Vocês podem ir, eu vou ficar! — Eu não saio daqui até ver a Bell acordada! - Tom disse me surpreendendo. — Dae pode ir embora, eu quero ficar! - ele se mantém firme com a ideia. — Tudo bem, eu te trago roupas limpas e comida! - Dae diz. — Posso trazer para voce Também Guilder... Tudo bem? - apenas concordei com a cabeça e mantive o foco sem sentido naquele piso branco. (...) Apesar do café, tanto tempo ali, estava cansando meus olhos, que se recusavam a ficarem abertos, passamos a noite acordados Tom sequer comia, e eu estava na mesma. Me rendi ao cansaço, ainda tinha algum tempo até abrir o horário de visita, então me ajeitei naquela cadeira e tentei cochilar. Tomy P.O.V Vi Guil adormecer, e bocejei por instinto. Estava exausto, só queria ver ela logo e ficar sentado ali não estava fazendo o tempo passar. Andei por todo o hospital, acabei por me lembrar da noite em que cheguei a esse hospital, aquela noite... Sou tirado de meus pensamentos vendo alguns médicos correr para um quarto, alguém estava tendo uma parada cardíaca, e por pouco eu também não tive uma quando vi quem era. — Por favor minha princesa... Seja forte. — Senhor por favor se afaste não pode ficar aqui! - Um médico diz pedindo que eu me afastasse da porta. Mais uma hora se passou e meu coração aflito me causava náusea, bao tinha comido e m*l estava bebendo água, eu só queria entrar naquele quarto a ver de olhos abertos e saber exatamente o que aconteceu. O horário de visitas finalmente chegou, Guil foi primeiro, e depois de longos vinte minutos ele volta com os olhos e nariz vermelhos. — Não vou mentir pra você... E ver ela desse jeito me destruiu... Tente ser mais forte do que eu... Fiquei assustado, o que eu deveria dizer para ele? — Vai ficar tudo bem... Que hipócrita da minha parte, eu estava com tanto medo que temia o pior mas me esforçava à cada segundo, para manter isso forte em mim, vai ficar tudo bem, ela vai ficar bem, e vamos sair desse lugar. Apertei meus punhos e respirei fundo, o toque frio da maçaneta do quarto me arrepiou. "Eu consigo". Talvez eu não fosse forte o bastante, pra ver a garota que sorria pra mim com olhos brilhantes, com tubos ligados a aparência e a cabeça enfaixada, e aqueles olhinhos fechados, ela parecia ja ter partido. Toquei sua mão, e estava tao fria. — O que aconteceu com você...? - Sussurrei. As lágrimas caíram, sem aviso. O aperto que senti no peito me causou uma pequena dor de cabeça, uma tontura e uma lembrança borrada. ”— Você... Você ta bem né? Eu não queria causar isso me desculpa eu não queria ir embora eu também to muito m*l, eu vi você se divertindo com seus amigos e surtei... Eu não achei que isso ia acontecer achei que seria melhor pra você viver sem..." Eu tinha dito isso, não me lembro de nada mais do que essas palavras e uma cama de hospital, nenhum rosto, será que era ela? (...) Se passou uma semana, Bell dormia e respirava já sem aqueles aparelhos, eu estava indo com Guil todos os dias no hospital fazer visitas, ainda mantínhamos a esperança de ela acordar até o fim de semana, era segunda feira de novo depois dessa duas semanas algumas coisas aconteceram, Quando soube o que houve a mãe de Bell entrou em desespero, e com ajuda de Guilder conseguiu um mandado de prisão contra o agressor que em poucos dias vai ser julgado e preso, finalmente algo bom no meio desse caos todo. — oi de novo... Seu irmão foi almoçar, então vim mais cedo... Sabe à duas semanas eu tive a impressão de ter lembrado de algo... Um acontecimento semelhante... Tipo você numa cama de hospital... Passava todo meu horário de visita, conversando com ela esperando que ela acordasse ou respondesse, ou que pelo menos pudesse me ouvir. — Sabe... O j**k ta bem preocupado, veio aqui tantas vezes quanto eu, acho que ele gosta de você... - Dizer isso me doeu um pouco mais era nítido o quanto ele tinha carinho pela Bell. — Eu vou tomar sorvete hoje a tarde naquele lugar que costumávamos ir... Vai ser um saco sem você... Então, sera que você pode acordar pra ir comigo? Hm? Segurei o choro, aquele lugar não é mais o mesmo, eu não iria sozinho de qualquer forma, sempre que vengo digo a mesma coisa novamente esperando que ela me respondesse. — Sinto sua falta.... Você...pode me ouvir, Bell? Por favor, sinto que pode me ouvir... Não quero estar errado. Ta tas vezes eu sequer liguei pra algo de fato, como estar certo ou errado, mas eu pudia sentir que ela me ouvia, todos os dias, ou talvez eu só fosse louco de tanto conversar sozinho. Aquele rosto, que todos os dias me esforçava pra trazer alguma lembrança, seria tão hipócrita da minha parte esquecer um rosto tão lindo. Segurei sua mão, e senti aquele calor tao fraquinho, as mãos com dedos frouxos não seguravam os meus, eramos um casal? Por que a cada dia que passa sim to meu peito bater mais forte sempre que lembro do sorriso brilhante que se abre ao me ver. — Se aniversário é em alguns dias... Você não vai querer passar ele aqui... Não é nada divertido... Depois de um tempo ali sentado, ao lado da cama, segurando a mão de Bell comecei a pingar, quase cochilando com a cabeça encostada no colchão. E me assustei quando percebi que o polegar de Bell acariciava minha mão. — Você... Acordou? - Seus olhos ainda estavam fechados, mas ela parecia bem consciente. — Fala comigo... Por favor... Tente abrir os olhos... Ela não abriu, será que não consegue? Corri para fora do quarto em busca do médico, um luz de esperança molhava meus olhos, e o sorriso largo em meu rosto entregava toda a minha alegria. "Por favor... Acorde"
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