Natalya
Não acredito que deixei Andrey me tocar daquele jeito.
Normalmente sinto repulsa por homens, mas Andrey possui um magnetismo que me atrai de forma irresistível. Mesmo sendo um babaca que me sequestrou e me trancou num porão imundo.
Se qualquer outro homem tivesse tentado me tocar, eu teria dado um tapa na mão dele.
Mesmo assim, deixei Andrey me tocar tão intimamente que cheguei a ter um orgasmo. O que diabos deu em mim?
Havia algo no jeito como ele me agarrou e tocou que era bom demais para ignorar. Talvez eu só estivesse cansada e precisasse de atenção. Não sei o motivo. Só sei que gostei de como ele me fez sentir quando me tocou. Eu ainda o odeio.
Depois que ele sai, visto meu pijama rasgado de volta. Então meus olhos pousam no balde cheio dos meus sapatos queimados. Aquele desgraçado. Ele arruinou minha coleção de sapatos que me custou milhares de dólares. Por que diabos eu deixei ele me tocar?
Preciso me concentrar em fugir daqui em vez de deixar meu captor me dar orgasmos.
Escapar, escapar, escapar. Mesmo sem ter para quem voltar. Meu irmão está morto.
Ainda não chorei por ele. Não sei quando vou chorar ou se algum dia vou, e esse pensamento me enche de vergonha. Que tipo de irmã não chora pela morte do irmão? Há uma parte sombria de mim que culpa Sergei por me meter nessa enrascada. Andrey afirmou que eu pagaria pelos crimes do meu irmão, quaisquer que fossem. Seja lá o que Sergei fez, estou sofrendo por isso.
A noite avança lentamente. O medo que me invade quando percebo que preciso fazer xixi é terrível. Meus olhos pousam novamente no baldinho. Não tem jeito.
Vou ter que usar isso. Não quero fazer xixi num balde.
Mas…
Preciso mesmo ir. Não faço xixi há horas e está começando a ficar insuportável. Não vou conseguir segurar por muito mais tempo e me recuso a urinar por cima da minha única roupa. Então, vamos ao balde.
Forço minhas pernas a se moverem em direção a ele, xingando Andrey baixinho o tempo todo.
Me sinto uma i****a enquanto tiro minhas calças e calcinhas e me aproximo do balde. No minuto em que solto a bexiga, sinto alívio e vergonha ao mesmo tempo. Andrey me faz urinar em um balde. Nenhum outro homem me humilhou assim. Eu o odeio por isso.
Quando estou saindo, a porta se abre e um dos homens que Andrey contratou entra — Santiago, se não me engano. Ele tem o cabelo mais claro que os outros dois, mas é bem mais bronzeado.
Levanto-me com dificuldade e ajeito a calça. Não consegui terminar, e há restos de urina ainda na minha bexiga me incomodando. O olhar de Santiago em mim também aumenta meu constrangimento.
— O que você quer?— , pergunto.
Ele não diz uma palavra enquanto se encosta na porta, me observando. Eu bufo. — Responda-me!
Tudo o que ele faz é sorrir.
Meu Deus, os homens que o Andrey contratou são tão ruins quanto ele. Nenhum deles me responde ou respeita meus limites. Sinto falta do meu colchão queen size de luxo e do meu apartamento com cheiro de baunilha. Este porão imundo está coberto de tanta sujeira que tenho medo de pegar alguma coisa.
— Se você não vai dizer nada, então vire-se para que eu possa terminar.—
Aceno com a cabeça para o balde.
Santiago apenas ri.
Deus. Sinto-me invisível e exposta. Sou ignorada, mas tratada como um animal no zoológico.
— Então está bem.— Abaixo as calças e termino de fazer xixi, com o Santiago me observando. Tudo o que eu quero é dar um tapa nele. Mesmo sendo constrangedor, não vou fazer xixi nas calças na frente de ninguém. Vou manter minha dignidade no momento em que puder escapar.
Escapar.
Olho para o Santiago enquanto ajeito a calça, com uma ideia se formando na minha cabeça. Se ele trabalha por dinheiro, pode me ajudar a escapar se eu me oferecer para pagar. É claro que não tenho mais dinheiro desde que o Andrey roubou tudo, mas o Santiago não precisa saber disso.
Tento agir com naturalidade enquanto me sento no colchão. — Então, Santiago, por curiosidade, quanto o Andrey está te pagando?
— Por que você quer saber? — Ele finalmente fala. Vou considerar isso uma vitória.
— Só estou curiosa para saber quanto dinheiro você precisa para participar do sequestro e sofrimento de uma mulher — eu digo.
— Muita coisa. É tudo o que você precisa saber.
— Então, se Andrey tivesse lhe oferecido menos dinheiro, você não estaria aqui agora.
Ele esfrega o pescoço. — Não vou ter essa conversa com você.
— A menos que você goste de me ver sofrer. Você é esse tipo de homem, Santiago? — Alguém que gosta de ver mulheres sofrendo?
— E se eu gostar?
— Então eu diria que isso é errado, claro.— Não adianta mentir. Não sei o quão astuto ele é. Ele pode perceber rapidinho se eu tentar enganá-lo.
— Mas eu queria saber o que mais você faria por dinheiro.
Ele me olha com interesse renovado. — O que você tem em mente?
— Se você me disser quanto Andrey está lhe pagando, eu dobro o valor se você me deixar sair daqui.
Ele zomba.
— Você não tem condições.
— Me conta. Nem preciso saber o número. E, além disso, sou rica, Santiago. Nasci com dinheiro. É tudo o que eu conheço. Posso te oferecer muito dinheiro.
— Tudo bem. Ele me pagou meio milhão de euros.
Merda. Não consigo superar isso. Mesmo que o Andrey tivesse pago mil dólares a ele, eu não conseguiria superar isso.
Mas tudo que preciso é que o Santiago me deixe sair, e se ele fizer isso, eu posso escapar e nunca mais ter que ver o rosto bonito e irritante de Andrey.
— Posso te pagar isso e muito mais. Te dou um milhão se você me ajudar a escapar — Acha que consegue fazer isso?
Ele coça o queixo enquanto me observa. — Não tenho certeza. Acho que vou precisar de mais do que dinheiro para te deixar sair. Você precisa fazer com que valha ainda mais a pena para mim.
Cruzo os braços. — O que mais você quer? Estou te oferecendo um milhão de dólares, Santiago.
Ou seja lá o que isso signifique em euros.
Ele ri enquanto responde:
— Que tal um boquete? — Eu fico imóvel. — Você só pode estar brincando.
— Eu não estou. Eu sei que vocês, garotas americanas, podem ser selvagens. Então, qual é o grande problema? em chupar meu p*u?
O problema é que eu nunca fiz isso antes e não pretendo começar hoje, principalmente com um canalha como o Santiago, que negocia com uma mulher indefesa que só quer escapar ao invés de ajudar uma garota necessitada.
— Não — eu digo. — Meus lábios não vão chegar nem perto do seu pênis. Entendeu?
— Eu não sou uma vagabunda.
— Eu vi como você ficou quando o Andrey tirou fotos suas. Você gostou.
— Eu definitivamente não gostei.
Ele dá de ombros. — Para mim, foi o que pareceu. O quê? Você vai ficar pelada. para ele, mas não quer me fazer um boquete?
— Eu não tive escolha.
— Não importa para mim. — Ele se vira em direção à porta. — Se você me pagar um boquete, eu vou embora.
Droga. Esta pode ser minha única chance de escapar. Mesmo sem querer me degradar, eu valorizo minha liberdade.
Eu forço meus lábios a se moverem para dizer:
— Espere.
Santiago se vira para mim, com um sorriso irônico no rosto.
— Sim?
— Tudo bem — digo com os dentes cerrados. — Eu faço. Mas você tem que me soltar depois.
Senão, eu arranco seu pênis com uma mordida.
— Trato é trato.— Ele abre o zíper da calça e tira o pênis, que já está duro. Nojento. Ele provavelmente ficou duro me vendo mijar e me humilhar. Ele é um verdadeiro canalha.
E o Andrey também, e mesmo assim eu o deixei me tocar. Que p***a é essa?
Santiago se aproxima de mim. — Abre bem. Eu adoro f***r a garganta de uma garota, então é melhor você se virar bem.
Eu olho para ele, incapaz de abrir minha boca. O suor está escorrendo sob meus braços, e meu coração está a mil por hora. Acho que vou desmaiar.
— Se você não quiser fazer isso — diz Santiago — pode dizer adeus à liberdade.
Eu respiro fundo e abro meus lábios.
— Boa menina.— Ele se aproxima, sua ereção a poucos centímetros dos meus lábios. Pela minha liberdade, farei qualquer coisa.
Quando abro mais meus lábios, a porta se abre e lá está ele. Andrey.
— O que diabos está acontecendo aqui? — Seus olhos estão semicerrados enquanto ele olha entre Santiago e eu.
Santiago se afasta, enfiando o pênis de volta nas calças. — Nada.
— Com certeza não parecia nada.— A expressão que passa pelo rosto de Andrey me apavora. É uma calma mortal. Sem raiva. Sem histeria. É como se ele estivesse pensando logicamente sobre o que vai fazer com Santiago. — Você pode explicar?
Santiago gagueja. — Eu, uh, eu...
— Então, você não consegue explicar? —
Santiago aponta para mim. — Foi ideia dela.
— O quê? — eu ofego. — Não! Esse babaca estava me obrigando a fazer isso.
— Não, foi tudo ideia dela, acredite em mim.
— Não, não foi.
— Sim, foi.
— Claro que não foi ideia minha.
— Quieto! — ruge Andrey, interrompendo a mim e Santiago. — Ok, está claro que não obtive uma resposta óbvia. Então, Santiago, me conta o que aconteceu.
— Claro que você perguntaria a ele primeiro — murmuro, cruzando os braços com raiva.
— Ah, vou falar com você também, princesa. Não se preocupe — diz ele, com um sorriso frio, antes de voltar-se para Santiago. — Agora, fale.
Santiago pigarreia, nervoso. — Ela... ela queria me fazer um boquete. Eu não queria. Eu sabia que isso era proibido...
— Bem, é mesmo — diz Andrey entre os dentes cerrados, com uma raiva contida. — Ninguém toca na Natalya. Exceto eu.
Ele se aproxima um pouco mais. — Agora me diz: por que ela pediu isso? Não parece o tipo de coisa que ela faria.
— Uh... — Santiago olha entre mim e Andrey, suando. — Ela é um pouco mais... selvagem do que você imagina. Ela pediu. Não sei o que te dizer...
Andrey o analisa dos pés à cabeça, sua expressão se tornando ainda mais ameaçadora em sua calmaria. — Entendi... — Ele se vira lentamente para mim. — Agora, Natalya, me diga o que aconteceu.
— Ele estava me forçando a fazer isso — digo, tentando manter a calma.
— Por quê? — A voz dele é baixa, porém perigosa.
Não posso dizer que estava tentando escapar. Quem sabe o que Andrey pode fazer comigo se souber? Ele já me bateu, me violou, me humilhou... E, no fundo, sei que isso é só o começo. Há algo ainda mais sombrio na mente dele, esperando para emergir.
— Ele simplesmente apareceu — murmuro, desviando o olhar. — Invadiu o banheiro enquanto eu usava. Não me deu um segundo de privacidade. E depois tentou me forçar a... — minha voz falha. — a fazer aquilo.
Tudo isso é verdade. Só não precisa saber que eu estava trocando aquilo por uma chance de fuga.
— Mentira! — rosna Santiago. — Eu não a forcei. Ela estava tentando escapar!
Merda.
Os olhos de Andrey se acendem com uma nova intensidade. Perigosa. Fria.
— É mesmo? — Ele me encara. — Você estava tentando escapar, Natalya?
Lanço um olhar fulminante para Santiago, mas já é tarde. Me forço a encarar Andrey.
— Sim. Mas você não pode me culpar por isso. É claro que eu quero sair daqui.
— Você tem razão — diz Andrey, dando um leve aceno. — Não te culpo. Não esperaria nada diferente de você.
Pisco, surpresa. — Sério?
— Sim. Você é uma lutadora. Não quer ficar enjaulada. É humano desejar liberdade. — Ele se inclina levemente. — Só ainda não entendi como o p*u do Santiago na sua cara se encaixa nisso.
— Ele me disse que me ajudaria a escapar... se eu fizesse aquilo. E eu estava desesperada.
— Isso é mentira! — protesta Santiago.
Andrey dá de ombros com desdém. — Parece bem verdadeiro pra mim.
Então, sem aviso, ele desfere um soco violento no rosto de Santiago. O impacto o derruba no chão com um baque surdo.
Ofego, recuando até encostar na parede.
— Eu te assustei? — pergunta Andrey, observando cada nuance da minha expressão.
— Hum... sim — admito, num sussurro frágil.
— Ele precisa ser punido, é claro.
— Claro — repito automaticamente.
Santiago geme ao tentar se levantar. Andrey, impiedoso, chuta sua cabeça, derrubando-o de novo. Desvio o olhar.
— Isso te assusta? Me ver machucando o Santiago? — pergunta ele, tranquilo, como se falasse do tempo.
Lanço uma olhada rápida para Santiago, que ainda respira, embora com dificuldade. — Não é exatamente uma maratona de compras na Gucci — murmuro, tentando aliviar a tensão com humor.
— Fofa. Usando humor pra se proteger — diz Andrey, agachando-se ao meu lado. — Mas eu te assusto, não é?
— Você é imprevisível. Eu nunca sei o que esperar de você. E isso... isso te torna assustador.
Ele abre um sorriso largo, mostrando todos os dentes. — Gosto que você me ache assustador. Afinal, é o meu trabalho. Sou o torturador da Bratva. Eu machuco aqueles que nos traem.
Demoro um segundo pra perceber que estou tremendo.
— E, bem... Santiago te traiu, certo? — digo, tentando raciocinar.
Ele dá um tapa leve nos próprios joelhos, satisfeito. — Exatamente! O que significa que é meu trabalho colocá-lo no lugar dele. E também... — Ele levanta uma mecha do meu cabelo, colocando-a atrás da minha orelha com suavidade assustadora. — Também é meu trabalho colocar você no seu lugar.
Engulo em seco. — O que quer dizer com isso? — sussurro.
Ele pisca. — Você vai ver. Mas antes, tenho uma pergunta pra você: como acha que Santiago deveria ser punido?
— O quê?
— Só responde, princesa.
Meus olhos se voltam para o corpo de Santiago, largado no chão, gemendo. — Eu... não sei. Não sou uma torturadora. Não gosto disso.
— Imaginei que não. E é por isso mesmo que vou fazer você ver tudo. O castigo dele... será o seu também. Você vai assistir. Vai aprender.
— Mas... mas você disse que entendia. Que não me culpava.
— E não culpo. Mas também não gostei de te imaginar de joelhos diante de outro homem. Isso, Natalya... isso me deixa bem irritado.
Merda. Merda.
— Por favor, não me faça escolher — imploro, a voz falhando.
Ele dá um tapinha no meu rosto, quase afetuoso. — Tudo bem. Eu escolho por você. E lembre-se: você vai assistir. Você precisa aprender uma lição.
Engulo o choro. — Qual lição?
Ele se levanta, sua voz como gelo. — Que você me pertence. Chega de ideias tolas sobre fugir de mim. Entendeu?
Não consigo responder. Meus lábios não se movem.
Ele se vira para Santiago, os olhos escurecendo com crueldade.
— Tudo bem. Você vai entender em breve.