Eduarda narrando Continuei olhando nos olhos dele, e aquela sensação de segurança não passava. Pelo contrário, crescia a cada segundo, como se ele fosse o único lugar onde eu realmente podia baixar a guarda. Eu nunca tinha me sentido assim. Nunca. Com ninguém. E quando ele falou que não ia fingir que aquilo não existia… alguma coisa dentro de mim se soltou. Não foi um estalo. Foi um desabrochar lento, como se eu tivesse guardado tudo aquilo por tanto tempo que finalmente descobrira a chave. — Eu quero… — ouvi minha própria voz dizer, antes mesmo de racionalizar. Ele ficou em silêncio por um segundo, e aquele instante pareceu uma eternidade. — Quer o quê? — perguntou, com a voz grossa, os olhos fixos nos meus. Engoli seco. Minhas mãos geladas, meu peito quente. Mas eu não recuei. —

