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1282 Palavras
A tensão ainda se fazia sentir no ar. A presença de Laurent tinha sido inesperada, mas eu sabia que não era algo que Pierre queria compartilhar comigo. Ele sempre foi tão fechado sobre sua família, sobre sua linhagem. O que ele mostrava para o mundo era um homem firme, controlado e imbatível. Mas o que havia atrás dessa fachada? Eu ainda estava tentando descobrir. O que aconteceu no momento em que ele me defendeu, me fez perceber que ele não era apenas aquele homem frio que eu conhecia. Havia algo mais profundo ali. Algo que me dava segurança, mas também me deixava em uma posição vulnerável, algo que me desafiava a encarar meus próprios sentimentos. Eu sabia que ele era um alfa. E, por mais que eu não tivesse o mesmo poder físico, a intensidade com que ele me olhava me fazia sentir como se ele fosse capaz de tudo para me proteger. Eu sentia isso no toque dele, na forma como ele se aproximava de mim, na maneira como me envolvia, me acalmava e ao mesmo tempo me fazia sentir que eu não precisava ser mais do que eu era. Não precisava ser forte o tempo todo. Quando Laurent finalmente saiu, Pierre não disse mais nada. Ele parecia perdido em seus próprios pensamentos, como se a presença do tio tivesse mexido com algo dentro dele. Não sabia se era raiva ou frustração, mas sabia que ele estava no limite. E o pior, ele não estava compartilhando isso comigo. A casa ficou silenciosa, mas ao mesmo tempo, havia uma estranha sensação de alívio. Algo estava mudando entre nós. Eu sentia isso no ar. Era como se aquela confusão toda tivesse gerado um novo tipo de compreensão, uma que estava mais conectada ao que eu sentia por ele do que eu mesma imaginava. Pierre quebrou o silêncio, seu olhar se suavizando quando ele me chamou, quebrando minha linha de pensamento. — Vamos para a sala de cinema? — Sua voz estava baixa, suave, mas com um tom de convite que eu não consegui resistir. Não era uma pergunta, mas uma oferta silenciosa de conforto, e talvez uma tentativa de nos afastarmos da tensão que ainda pairava em nosso ambiente. Eu concordei, não porque precisasse de uma desculpa para escapar, mas porque sabia que ele precisava disso também. A noite estava se desenrolando de uma forma que eu não sabia como classificar. Mas talvez um pouco de silêncio, um pouco de companhia em um ambiente mais íntimo fosse o que ambos precisávamos. O cinema da casa era uma espécie de refúgio para Pierre. Eu já havia estado lá algumas vezes, mas nunca nesse tipo de momento. Era sempre algo impessoal, assistindo filmes de ação ou dramáticos enquanto ele estava imerso em seus negócios. Mas hoje era diferente. Eu podia sentir que ele queria estar ali, comigo. A sala estava iluminada por uma luz suave que emanava das lâmpadas de parede, criando um clima confortável e tranquilo. O grande sofá de veludo parecia nos esperar. Eu me sentei primeiro, com Pierre ao meu lado, mas ele não demorou a me puxar para mais perto, me colocando suavemente em seu abraço. Ele não disse nada, apenas me envolveu com seus braços, com uma proteção silenciosa, como se quisesse me manter segura, como se eu fosse a única coisa importante no mundo naquele momento. Eu me aconcheguei em seu peito, sentindo seu calor e seu cheiro familiar de madeira e lavanda. Sua respiração era calma, mas um pouco mais pesada do que o normal. Eu sabia que ele estava preocupado, mas ainda assim, a sensação de segurança que ele me transmitia era reconfortante. — Eu quero que você durma comigo hoje. — A voz de Pierre cortou o silêncio, soando baixa, mas cheia de significado. Ele falou de forma suave, mas eu soube que não era uma sugestão. Ele estava pedindo, ou talvez mais que isso: ele estava oferecendo algo que eu não sabia como aceitar, mas que meu coração já respondia de maneira involuntária. Olhei para ele, tentando entender a profundidade do que ele estava pedindo. Havia algo em seu olhar, algo que me dizia que ele não queria apenas me ter ao seu lado fisicamente, mas emocionalmente também. Ele queria me sentir perto, queria me proteger de uma maneira mais intimista. — Pierre, você… — Eu hesitei, sem saber como formular a pergunta que estava na minha mente. Eu estava grávida de seu filho. Eu sentia as mudanças dentro de mim, sabia o que isso significava para ele, mas também para mim. A ideia de dormir com ele, de realmente me entregar a esse momento, me trazia uma mistura de insegurança e desejo. Ele me interrompeu, ainda me segurando, seu peito pressionado contra as minhas costas enquanto ele falava com uma suavidade inesperada. — Eu só quero você comigo, Ella. Só nós dois, sem mais nada entre nós. Nada de conversas, apenas o silêncio que faz sentido. Eu quero que você se sinta segura, que não tenha medo de mim. Que saiba que, enquanto eu estiver aqui, você sempre terá um lugar para descansar, para encontrar paz. Eu fechei os olhos, sentindo uma leve pressão no meu peito. Ele me fez sentir como se tudo o que estava acontecendo ao nosso redor não importasse mais. O mundo, com suas intrigas e ameaças, se distanciava a cada segundo que eu passava nos braços dele. — Eu preciso de você também, Pierre. Eu… eu só não sabia como pedir. Ele sorriu, o toque em seus lábios quase imperceptível, mas o suficiente para que eu soubesse que, apesar de tudo, ele me entendia. Sua mão desceu pela minha cintura, apertando-me ainda mais contra seu corpo. Eu não sabia se aquilo era uma demonstração de afeto, de posse, ou talvez apenas uma necessidade mútua de nos sentirmos completos. Mas, naquele momento, não importava. Pierre apertou um botão remoto, iniciando o filme sem muita cerimônia. No entanto, o que importava era o fato de que estávamos ali, juntos, sem palavras. Apenas a presença um do outro, o conforto do abraço, o calor do corpo de Pierre contra o meu. O filme passou despercebido, como uma simples distração para o que realmente importava. O calor do seu corpo parecia me envolver por completo. Eu me sentia segura, mas ao mesmo tempo vulnerável. A barriga que eu carregava, o filho que ele havia me dado, estava crescendo, e com ele, eu sentia o peso da responsabilidade, da mudança. Mas o que mais me preocupava era o que Pierre pensava. O que ele realmente sentia sobre a nossa situação. Ele era um alfa. Eu sabia o que isso significava. Será que ele estava se sentindo pressionado? Será que ele se arrependeria dessa decisão de ficar comigo? Mas então, ele sussurrou baixinho, quase em um suspiro, como se estivesse compartilhando um segredo só nosso. — Eu não me arrependo de nada, Ella. Nada. Eu respirei fundo, as palavras dele me invadindo com uma sensação de alívio. Eu não precisava mais perguntar. Ele estava ali, comigo, e isso era o suficiente para me fazer acreditar que, talvez, a nossa história tivesse um futuro. Que não éramos apenas dois corpos ocupando o mesmo espaço, mas que algo mais forte nos unia. O filme passou em segundo plano, nossas respirações se sincronizando, e eu senti meu corpo relaxando. A cabeça de Pierre estava repousada sobre o meu ombro, seus dedos acariciando minha pele suavemente. E naquele momento, tudo parecia perfeito. Eu sabia que o que quer que acontecesse depois, naquele instante, eu estava em casa. Não precisávamos de mais palavras. Apenas o conforto do silêncio compartilhado e a promessa silenciosa de que, juntos, poderíamos enfrentar qualquer coisa.
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