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1005 Palavras
Pierre O som do motor da minha Maserati rugia contra o silêncio da noite enquanto nos aproximávamos da mansão. Ella estava sentada ao meu lado, em completo silêncio, mas eu conseguia sentir sua tensão. Seus dedos estavam entrelaçados no colo, os nós brancos de tanto apertar. Eu m*l conseguia pensar em outra coisa além do que aconteceu no evento. A imagem daquele homem tocando Ella ainda queimava na minha mente, como uma ferida aberta que não cicatrizava. Ele ousou se aproximar dela, tocá-la, machucá-la. Não importa quem ele fosse ou o que queria, o destino dele já estava traçado. O sangue ainda estava fresco nas minhas mãos, mesmo depois de tê-las lavado no banheiro do salão. Eu podia sentir o cheiro metálico impregnado em mim, como um lembrete de que perdi o controle. De novo. — Ella. — Quebrei o silêncio, minha voz firme, mas sem hostilidade. Ela não respondeu, apenas virou o rosto para olhar pela janela. Suspirei, frustrado. — Sei que você está assustada. — Minha voz saiu mais baixa dessa vez, quase um sussurro. — Estou exausta — ela respondeu, finalmente, sem me encarar. Exausta. Não de corpo, mas da situação. Era óbvio que ela não estava acostumada a esse mundo, mas agora não havia mais volta. Não para mim. Não para nós Assim que chegamos, Marco estava me esperando na entrada, com sua expressão séria de sempre. Ele sabia exatamente o que tinha acontecido, já que foi ele quem supervisionou a remoção do infeliz do banheiro. — O homem está no depósito — Marco informou. — Estamos prontos para começar quando você estiver. Assenti, tirando o paletó e entregando-o a um dos empregados. — Cuide dela. Não a deixe sair do quarto. — Olhei para Marco, o comando claro nos meus olhos antes de me virar para Ella. — Descanse. Não vou demorar. Seus olhos encontraram os meus por um breve segundo. Havia algo ali, uma mistura de raiva e vulnerabilidade que me atingiu mais forte do que qualquer soco. Mas eu não podia lidar com isso agora. Sem esperar resposta, deixei-a e segui Marco para o depósito. O depósito ficava na ala mais afastada da propriedade, onde eu lidava com os "assuntos sujos". Não era a primeira vez que trazíamos alguém para cá, mas, por algum motivo, a raiva que eu sentia dessa vez era diferente. Assim que entrei, o cheiro forte de mofo e metal me atingiu. O homem estava amarrado a uma cadeira no centro da sala, sua cabeça caída para frente. Havia sangue escorrendo do canto da sua boca, e um dos olhos estava tão inchado que ele m*l conseguia abri-lo. — Quem te mandou? — Minha voz soou fria e cortante, como uma lâmina. Ele levantou a cabeça lentamente, tentando me encarar com o único olho funcional. — Ninguém... foi só um erro — ele murmurou, cuspindo sangue no chão. Erro. Essa palavra me irritou ainda mais. — Você não faz ideia de com quem está lidando, não é? — Inclinei-me para frente, agarrando o colarinho da camisa dele. — Vou perguntar mais uma vez: quem te mandou? Ele riu, um som rouco e sarcástico que me fez apertar minha mão contra sua garganta. — Não é o que parece... — Então me explique. — Minha paciência estava no limite. Ele hesitou, seu olhar oscilando entre mim e Marco, que estava parado no canto com os braços cruzados. — Foi só... curiosidade. Queria saber como é a mulher que conseguiu domar Pierre Tavares. — A provocação na voz dele foi o suficiente para acender minha fúria novamente. Sem pensar, desferi um soco direto no rosto dele, o som dos ossos quebrando ecoando pela sala. — Ela não é assunto seu. A respiração do homem ficou pesada, e ele tossiu, cuspindo mais sangue. — Pierre... — Marco interveio, sua voz calma, mas firme. Eu sabia o que ele estava pensando. Não havia mais informações úteis a serem extraídas. Respirei fundo, tentando acalmar o animal dentro de mim. — Acabem com isso — ordenei, me afastando. Marco acenou com a cabeça e começou a dar instruções aos outros homens. Eu não precisava ver o que aconteceria a seguir. Quando entrei no quarto, Ella estava sentada na poltrona perto da janela. Ela havia trocado o vestido por um robe simples, e seu cabelo estava preso em um coque desarrumado. Ela parecia tão vulnerável naquele momento que algo dentro de mim se apertou. Ela me viu entrar, mas não disse nada. — Está tudo resolvido — informei, sentando-me na beira da cama. — Resolvido? — Ela finalmente falou, sua voz carregada de sarcasmo. — Como se isso fosse um problema qualquer. Eu a encarei, surpreso pela ousadia no tom dela. — Eu cuidei do que precisava ser feito. Você está segura agora. — Segura? — Ela riu, mas não havia humor em seu riso. — Não existe segurança aqui, Pierre. Não para mim. Suas palavras me atingiram de uma forma que eu não esperava. — Eu não vou deixar nada acontecer com você. Ela balançou a cabeça, descrente. — E quem vai me proteger de você? Essa pergunta me deixou sem palavras. Ela estava certa em me temer, mas ouvir isso sair da boca dela era como um soco no estômago. Quando Ella finalmente foi dormir, eu fiquei sentado na poltrona, observando-a. Cada respiração sua parecia ecoar no quarto, e tudo o que eu conseguia pensar era que, pela primeira vez na vida, algo estava fora do meu controle. Ella não era como as outras mulheres que passaram pela minha vida. Ela era fogo e gelo, lutando contra mim a cada passo, mas de alguma forma, isso só me fazia querer mantê-la ainda mais perto. Eu sabia que minha vida não era um conto de fadas, mas agora, com Ella, estava claro que o caos era a única constante. E o que me aterrorizava não era o perigo que rondava ao nosso redor, mas a ideia de perdê-la para ele. Ella era minha. Mesmo que ela ainda não aceitasse isso.
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