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1040 Palavras
Pierre A noite caía como um manto de seda sobre a mansão, mas eu não sentia paz. Meu mundo era feito de sombras e decisões difíceis, mas ultimamente, Ella era a única coisa que realmente ocupava minha mente. Eu deveria estar focado nos negócios, nas transações que sustentavam meu império, mas sempre que fechava os olhos, via seu rosto. Por que ela mexia tanto comigo? Era mais do que o vínculo, mais do que a gravidez. Era ela. Ela tinha algo que eu não conseguia explicar, algo que me fazia querer protegê-la, mesmo quando ela desafiava cada instinto meu. A reunião com meus homens havia acabado há poucos minutos. Meu império, conhecido como Cobra, estava no auge, mas também mais vulnerável do que nunca. Rivais estavam pressionando nossas fronteiras, e traições internas começavam a aparecer. - O Russo está avançando no território do norte. - Dissera Bryan, meu braço direito, horas antes. - Precisamos responder antes que eles pensem que somos fracos. - Responderemos no momento certo. - Eu retruquei, minha voz fria e calculada. Meu mundo era construído em cima de estratégia e domínio. Uma resposta precipitada poderia ser um sinal de fraqueza, e fraqueza não era algo que eu podia demonstrar, nem em meus negócios, nem em minha vida pessoal. Mas Ella era minha fraqueza. E eu sabia disso. Quando entrei em no quarto, ela estava sentada na cama, os cabelos caindo em cascata sobre os ombros. Sua expressão era calma, mas seus olhos, aqueles olhos desafiadores, sempre me diziam mais do que suas palavras. - Não vai dormir? - Perguntei, minha voz mais suave do que pretendia. - Não consigo. - Ela respondeu, sem olhar para mim. Aproximei-me lentamente, como quem se aproxima de um animal arisco. Ella era assim: uma combinação de força e fragilidade que me deixava intrigado. - Está preocupada com alguma coisa? - Sentei-me ao lado dela, tentando ignorar o impulso de puxá-la para mim. - Com tudo. - Ela finalmente me encarou, e havia algo em seus olhos que me fez parar. - Sua vida, meu futuro, nosso filho... Nosso filho. Sempre que ela mencionava isso, meu peito se enchia de uma sensação que eu não sabia nomear. Orgulho? Medo? Talvez um pouco de ambos. - Você não precisa se preocupar. Eu cuidarei de você. De vocês dois. - Esse é o problema, Pierre. Eu não quero que você cuide de mim. Quero minha independência. Aquelas palavras acenderam algo dentro de mim, uma mistura de frustração e desejo de protegê-la. Ella não entendia o mundo em que vivíamos. Ela não entendia o perigo que a cercava. Deixei o quarto, sabendo que não adiantava discutir com ela naquele momento. Fui até meu escritório, onde Bryan estava me esperando. - Alguma novidade? - Perguntei, servindo um uísque. - Algumas. - Ele respondeu, sua expressão séria. - Descobrimos que o Russo está tentando comprar aliados dentro da nossa organização. Meu sangue ferveu. Traição era algo que eu não tolerava. - Descubra quem são. Quero nomes até o amanhecer. Bryan assentiu e saiu, me deixando sozinho com meus pensamentos. Eu sabia que minha vida era cheia de inimigos, mas o pensamento de alguém ameaçando Ella ou nosso filho era insuportável. Mais tarde naquela noite, enquanto Ella dormia, eu a observei em silêncio. Ela estava deitada de lado, uma mão descansando sobre o ventre onde nosso filho crescia. Meu filho. A visão despertou algo primal em mim. Eu era um alfa lúpus, e ela era minha ômega. Mesmo que Ella não quisesse aceitar, ela era minha, e eu faria qualquer coisa para protegê-la. Aproximei-me da cama e deslizei a mão pelo rosto dela, sentindo a suavidade de sua pele. Ela se mexeu, murmurando algo em seu sono, e meu coração, que eu pensava ser de pedra, deu um salto. - Você é minha, Ella. - Sussurrei, mais para mim mesmo do que para ela. Na manhã seguinte, eu precisava ir a um dos meus armazéns, onde alguns problemas estavam surgindo. Bryan insistiu que eu deixasse um time de segurança para proteger Ella, mas eu sabia que isso só a deixaria mais irritada. - Ela não vai aceitar seguranças rondando a casa. - Disse a ele. - Deixe-os discretos, mas alertas. Ele assentiu, e eu saí, minha mente dividida entre o trabalho e Ella. O armazém estava movimentado quando cheguei. Meus homens estavam em alerta, e havia algo no ar que não me agradava. - O que está acontecendo aqui? - Perguntei, entrando no escritório do gerente. Ele parecia nervoso, como se esperasse uma bronca. - Tivemos um atraso nas entregas. Um dos caminhões foi interceptado. - Por quem? - Não sabemos ainda, mas tudo indica que foi o Russo. Minha paciência estava se esgotando. A guerra com o Russo estava se intensificando, e eu sabia que precisaria tomar uma atitude drástica em breve. - Resolva isso. E quero uma atualização até o fim do dia. Deixei o armazém mais frustrado do que quando cheguei. O mundo do crime era implacável, e eu não podia me dar ao luxo de cometer erros. Quando voltei para casa, a primeira coisa que fiz foi procurá-la. Ela estava na sala, lendo um livro, e por um momento, a visão dela me fez esquecer o peso que eu carregava. - Como foi o dia? - Ela perguntou, sem tirar os olhos do livro. - Longo. - Respondi, sentando-me ao lado dela. Ela me olhou de lado, e havia algo em seu olhar que me fez sorrir. - O que foi? - Nada. - Ela disse, voltando a atenção para o livro. Mas eu sabia que não era "nada". Ella estava começando a entender o meu mundo, e isso era ao mesmo tempo fascinante e perigoso. - Ella... - Comecei, mas parei. Como eu poderia explicar para ela o que estava sentindo? Ela olhou para mim, curiosa, mas não insisti. Algumas coisas eram melhores deixadas em silêncio, pelo menos por enquanto. Naquela noite, enquanto Ella dormia ao meu lado, tomei uma decisão. Eu faria o que fosse necessário para proteger minha família, mesmo que isso significasse me tornar ainda mais implacável do que já era. Eu era Pierre Tavares, um alfa lúpus, e ninguém, nem mesmo o Russo, ameaçaria aquilo que era meu.
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