Capítulo cinco

2014 Palavras
1 de setembro de 1991: Frio, era isso que a menina sentia, o calor que fazia alguns minutos atrás no armário tinha se ido e o frio havia ficado em seu lugar. Sienna estava desacordada, mas sua mente continuava a funcionar. Sienna mesmo sentindo frio não conseguia sair do seu "sono", parecia que ela estava presa dentro de sua mente. O subconsciente da garota a fez se recordar daquele dia que a mãe dela foi sequestrada bem em sua frente e foi deixada aos cuidados de Demion, o elfo de sua casa. A garota estava batendo os dentes violentamente e se alguém estivesse com ela afirmaria que ela estava delirando de febre, mas também estariam apavoradas por ver aquela criatura sugando a felicidade daquele corpo. Sienna queria ser salva, mas quem iria notar o desaparecimento de uma novata? Ela queria inutilmente sair daquele estupor de infelicidade, queria sair daquele pesadelo e queria nunca ter ido parar dentro daquele armário. Mas alguns minutos atrás seu interior borbulhava de agonia para sair daquele imenso salão e foi isso que ela fez, quem iria imaginar que um Dementador iria conseguir entrar em Hogwarts? A pequena Sienna clamava por ajuda, mas quem iria escutá-la, se nem mesmo ela gritava? Antes do subconsciente da garota sucumbir na penumbra, ela acordou por breves minutos e vê novamente aquele ser em cima dela. Ela iria tentar falar algo, mas nada saía, então ela viu uma luz, a luz era quente e a fazia se sentir melhor. Ela queria abraçar aquela pequena luz e dizer "obrigada", mas ela estava tão fraca, que a última coisa que ela viu foram olhos, olhos vermelhos. Pareciam dois rubis de tão lindos e enigmáticos que eram e ela queria encontrar aqueles olhos, seu coração e mente pediam por aquilo, mas será que ela lembraria dos olhos que tanto chamaram sua atenção? _ Vermelhos. - Foi a última coisa que ela falou naquela noite, antes de ser levada ás pressas por um garoto de sua casa e com um professor de vestes prestas em seu encalço, ela iria ficar bem ou eles tentavam pensar positivo. Eles sabiam das consequências que um Dementador trazia consigo. As consequências eram severas e fazia a pessoa ficar louca, ou até mesmo cometer suicídio. Eles queriam salvar a pequena garota, mas só dependia dela e de seu psicológico, o que desde o início já apresentava um grande problema. O quanto que ela sofreu? Se perguntava o garoto. ┝┈┈───╼⊳⊰ ? ⊱⊲╾───┈┈┥ 2 de setembro de 1991: A noite que fazia já tinha ido embora e as estrelas que compunham o céu escuro, deram passagem para os raios de luz que fazia o céu ficar colorido e menos tenebroso para aquelas pessoas que estavam acordando. Madame Pomfrey fazia de tudo para acordar a jovem deitada em uma das suas macas, mas tudo parecia inútil. A madame tinha experiência em cuidar de doenças ou sequelas ocasionadas por Dementadores, mas parecia inútil essa experiência. Quando deu meio-dia, o professor de poções, ou podemos nomeá-lo como salvador da menina por conjurar um Patronum, foi até a enfermaria para ter notícias da garota de sua casa e junto a ele, tinha o garoto que havia levado em seus braços a garota. _ Como ela está Papoula? - Perguntou o professor Snape. _ Ela continua dormindo, mas o seu núcleo está em perfeito estado. - Suspirou a madame. _ Menos em um lugar. _ E que lugar seria esse? - Perguntou o garoto, ele tinha uma expressão de dor e de preocupação estampada no rosto. Ele era um bom menino, pensava os dois adultos. _ Seu psicológico, ela tem doenças trouxas e elas nunca foram tratadas, apenas nomeadas. - Aquilo surpreendeu tanto o professor como o aluno. Eles sabiam que tinha algum problema com a menina, mas não pensaram que eram doenças mentais. _ Antes que me perguntem quais são, eu irei falar, mas que apenas fique entre nós. - Fitou os dois. _ Ela tem duas doenças, Ansiedade e Depressão. Se quiserem saber mais dessas doenças, eu posso emprestar para vocês um livro, mas quero ele novamente, entenderam? - Perguntou Papoula aos dois. Ninguém precisava responder, apenas um balançar de cabeças já daria a entender. Todos os dias, os dois foram à enfermaria para ter notícias da garota. Dias vinham e iam, e no total daria duas semanas sem a menina abrir os olhos, aquilo já estava preocupando os dois adultos e o adolescente. A madame Pomfrey não sabia mais o que fazer, apenas torcia para que a menina abrisse os olhos e se não, ela teria que avisar o diretor e ele iria avisar o ministério novamente. O diretor havia avisado os aurores que um Dementador havia conseguido entrar no castelo, mas que todos estavam bem. Que grande mentira! Era isso que todos os Sonserinos pensavam. ┝┈┈───╼⊳⊰ ? ⊱⊲╾───┈┈┥ 17 de setembro de 1991: Depois de duas semanas e três dias, os olhos da garota começaram a tremer e finalmente ela os abriu, a dor em seu corpo a fez gemer e isso chamou a atenção da madame Pomfrey. Papoula nem esquentou a cabeça pela xícara de chá caída no chão, espalhando vários caquinhos de porcelana no piso. _ Senhorita Olwey? - Falou espantada. _Graças a Merlim. _Onde estou? O que aconteceu? - Perguntou rouca, a garganta da menina doía e Sienna sentia que havia levado várias facadas em sua garganta e ela se perguntava se era possível. _ Por Morgana, você ficou inconsciente por duas semanas. Pomfrey continuava a falar, mas fazia seu trabalho com a varinha, confirmando se estava tudo em perfeito estado e vendo que estava tudo ok, ela ainda se punia por não poder curar tudo. Nem mesmo com a magia mais poderosa poderia curar a saúde mental, apenas um psicobruxo poderia fazer isso, mas com bastante esforço do médico e do paciente. _ Duas semanas? - Falou espantada. _ E as minhas aulas? O que vou fazer? Acabei de chegar e já perco duas semanas de aula. E o que houve comigo? Lembro de ficar frio, isso, ficou muito frio e depois vi uma luz, ela era quente e depois. - Pensou um pouco. _ Não me lembro. _ Se acalme, irei falar o que aconteceu, mas para isso você tem que se acalmar. Papoula fazia um pequeno cafuné nos cabelos pretos e cacheados da menina e ela achava a menina uma pequena boneca de porcelana. A garota era pequena, talvez ela medisse 1,55, cabelos cacheados negros com algumas mechas marrons, lábios pequenos e avermelhados, olhos cor de caramelo que na luz do sol tinha um tom esverdeado. _ Você foi atacada por um Dementador, um aluno foi atribuído para te achar e como já estava ficando tarde o aluno chamou o professor Snape para acompanhá-lo. - Respirou Papoula. _ Não demorou muito para os dois acharem um Dementador sugando alguma coisa em um armário de vassouras e quando o professor usou o Patronum, o aluno abriu o armário e você caiu dele. _ Me desculpe por dar trabalho para a madame, não foi minha intenção, mas quando estou tendo uma das minhas crises, prefiro ficar sozinha e mesmo dentro de mim, pedindo por ajuda, minha cabeça. - Apontou para sua cabeça. _ O meu subconsciente diz para que me afaste das pessoas, para poupar elas das minhas energias negativas. Papoula tentava inutilmente ser profissional, mas ver aquela pequena criança já tendo problemas de "adultos", partia seu coração e ela fazia cafuné para confortar aquele coração, mas sabia que apenas cafuné não iria fazer a pequena menina melhorar. _ Pequena, olhe para mim. - Tentou a madame. _Você não precisa estar bem todos os dias e eu sei também que minhas palavras não irão interferir aqui dentro. - Parou o cafuné e apontou para a cabeça da garota. _ Tudo irá resolver com o tempo, mas eu não posso curar isso que você está sentindo, meu anjo, porém, sei de alguém que pode amenizar essas crises e desconforto que você sente. Os olhos da menina já estavam marejados e ela tentava ser forte, e não cair na tentação de aliviar aquela dor gritante dentro do seu ser, mas era demais para uma criança de apenas onze anos. Ela soluçou, chorou, berrou e pediu ajuda, alegando que aquilo era demais para o seu pequeno coração. Realmente, a dor que a menina sentia era demais para aquele corpo e mente tão juvenil, mas tão crescida. _ Marcarei uma consulta com uma amiga minha, ela é uma medibruxa, mas de uma área médica diferente. _ Ela é uma psicobruxa? Eu já ouvi falar desses medibruxos. - Falou fraca, o choro e os berros fizeram o corpo da pequena ficar fraco e sonolento. _ Vejo que é muito inteligente. - Parabenizou a madame. _ E você está certa, minha amiga é psicobruxa e ela se chama Darny Falk, você vai adorar conhecê-la. Mas mudando um pouco de assunto, eu tentei chamar um dos seus parentes aqui, mas ninguém veio. Apenas recebi uma carta de seu elfo, mas não consegui abrir, então imaginei naquele dia que só a senhorita poderia abrir. - Pegou um papel no avental e entregou a menina. _ E o professor Snape, com os alunos do primeiro ano da Sonserina escreveram tudo que você perdeu em suas aulas, então é só você passar para sua letra e estudar para ficar a par de tudo. _ Obrigada. - Agradeceu envergonhada. _ Não me agradeça, agradeça seus amigos e o professor Snape. - Riu se distanciando. _Ah, antes que me esqueça, você falou sobre algo quando ainda estava dormindo, quero dizer, falou duas vezes. _ E o que seria? - Perguntou curiosa. _ Vermelhos, olhos e rubis. Aquelas três palavras não fizeram nenhum efeito no subconsciente de Sienna, apenas a deixou confusa. Quando finalmente deixou de pensar nas palavras e o que seria o significado delas, a garota pegou o envelope e leu as palavras que estavam escritas nele. "De: Demion, o elfo. Para: Sienna Olwey." Ela não pensou duas vezes antes de rasgar o envelope, pegando a pequena carta que tinha nele. ┝┈┈───╼⊳⊰ ? ⊱⊲╾───┈┈┥ "Pequena Sienna, como seu guardião élfico, venho nesta carta parabenizá-la por entrar na Sonserina, a casa que um dos seus pais entrou quando tinha sua idade. Mas também notificá-la por meio desta carta sobre o convite da senhora Malfoy e o estado dos seus cofres em Gringotts e por último, seu ataque por um Dementador. Quando a madame Pomfrey me mandou uma carta notificando seu estado, fiquei apavorado e eu queria muito ir aí para vê-la, mas você me deu ordens precisas antes de sair, que eu nunca poderia pisar os pés no castelo. Nem mesmo para lhe salvar se a senhorita corresse perigo e eu, como um elfo leal a senhorita, acatei as ordens, mas quero saber notícias suas e com mínimos detalhes, se não, você já sabe. Sobre os cofres em Gringotts, uma pessoa intitulada como seu guardião bruxo, sacou uma quantia no cofre da senhora e eu sendo apenas um guardião élfico, não estou autorizado a ir em Gringotts para saber o quanto o homem ou mulher intitulada guardião bruxo está roubando de você, minha senhorita. E por último, mas não menos importante, o convite para a festa na mansão Malfoy e sei que a senhorita odeia festa e de interações sociais desde daquele dia, mas temo que você será obrigada a ir. Lá a senhorita saberá o que aconteceu com a minha senhora e poderemos direcionar suas dores e ódio para a pessoa. Fico no aguardo de sua carta e espero melhoras de sua saúde. Com carinho, o seu guardião élfico." ┝┈┈───╼⊳⊰ ? ⊱⊲╾───┈┈┥ A pequena leu a carta e tentava de todos os modos conter sua magia, ela não queria um desastre na enfermaria. Ela sentia falta do elfo, mas nem mesmo a saudade faria o ódio sumir de dentro dela, uma pessoa estava roubando de sua mãe e ela não poderia ficar calada como sempre ficou. Com tanta raiva e ódio, ela até mesmo se esqueceu do outro tópico, mansão Malfoy.
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