22 de setembro de 1991:
Naquela tarde de domingo, de um céu tão claro com poucas nuvens a vista, andava uma mulher.
A mulher estava vestida com um vestido preto que ia até os seus calcanhares, com cabelos cacheados negros que batiam na sua cintura que era fina e curvilínea. Mas a máscara de prata em sua face fazia todos sentirem medo e eles conheciam aquela mulher por causa daquela máscara, devido à sensação que ela dava, parecia que a mulher era um Dementador pela sensação de incapacidade e morte.
Naquele momento ela andava pela rua principal do Beco Diagonal, trazendo a sensação de frio e medo, acarretando a todos que passavam por perto arrepios na espinha.
A mulher ia em direção ao Gringotts e um homem com cabelos negros parecidos com os dela já tinha saído recentemente daquele banco, se ele a visse, talvez ele iria chorar ou gritar para Merlim um obrigado, mas não era possível, infelizmente.
A mulher olhou para o banco e olhou a pequena escadaria que tinha, ela levantou sua perna esquerda e colocou o seu pé no degrau da entrada de Gringotts, uma aura n***a que estava em volta da mulher se expandiu e cobriu todo o banco.
Aquilo avisou que ela estava ali e não estava muito contente com algo, o par de guardas que estava na entrada, olharam para o lado se tremendo, mas fizeram uma mesura por respeito aquela mulher.
Ela nem se importou com os dois, mas a aura n***a que estava em sua volta, sim, ela se soltou da mulher e presenteou os dois guardas com palavras de morte e vingança.
Quando a mulher entrou no banco, alguns duendes se ajoelharam nem mesmo prestando atenção em seus clientes e outros se esconderam.
A aura estava tão densa que estava fazendo alguns bruxos passarem m*l e mesmo assim, ela não ligou. Quando a mulher ficou frente a frente de Snaglok, ele engoliu em seco e já sabia o motivo dela estar ali, mas Caspra estava com Sienna e se a mulher visse a menina, ninguém saberia o que poderia acontecer com todos que estavam no banco.
_ Vim ver o Caspra. - Sua voz melodiosa e sedosa dava arrepios em todos que podiam ouvir.
_ Minha Lady. - Presenteou a mulher com uma mesura. _ O chefe está com alguém em seu escritório ainda.
_ E quem seria? - Enrugou a testa por baixo da máscara.
_ Não posso dizer quem está com o Caspra, minha Lady, me perdoe.
_ Entendo. - Falou monótona. _ Irei esperar ao lado de fora do escritório do Caspra. - Proferiu andando até a porta dos fundos que dava para o corredor.
_ Mas minha Lady. - Foi interrompido.
_ Não diga nada, minha conversa com você já acabou, esperarei Caspra em frente da porta dele.
_ Claro.
A mulher andou até a porta dos fundos e a abriu, o corredor tinha alguns castiçais, mesmo assim, era m*l iluminado. A mulher andou até uma parede e se encostou e esperou a pessoa sair do escritório do Caspra.
Não demorou muito e a pessoa saiu do escritório, a garota não a viu, mas a mulher sentiu seu coração apertar, ela estava tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. A mascarada respirou fundo e entrou no escritório do duende, fazendo que ele tomasse um susto, mas nada prejudicial a sua saúde.
_ Minha Lady. - Fez uma reverência. _ O que posso fazer por você hoje?
A mascarada fechou a porta e se sentou na cadeira de frente para o chefe dos duendes, ela tinha muita coisa para resolver.
_ Quero saber de tudo e você vai me contar. - Sorriu por debaixo da máscara.
_ Claro, Lorde das Trevas já está neste ano como você previu. - A mascarada interrompeu o duende.
_ Eu não previ, eu induzi Destiny a dar uma data para o Lorde.
_ Sempre me esqueço deste detalhe.
_ Mas não deveria.
_ Você sempre se esquece que se não fosse por uma carta minha, você nunca saberia da verdade. - Sorriu mostrando os dentes pontudos.
_ Sim, esqueço, mas você sempre me faz lembrar e eu agradeço por isso. Se não fosse por você, eu ainda estaria naquele ano sendo caçada pelos trouxas.
_ Aquele ano para você foi horrível, minha amiga. - Sorriu triste. _ Os documentos ainda são válidos. - Mudou de assunto rápido.
_ Pensei que já tinha se expirado, já que não mudei o passado da garota.
_ Você não mudou o passado, mas sim, o futuro, o documento alegando que Destiny está morta vai se expirar em 25 de dezembro. - Mostrou o pergaminho. _ Tem certeza de que não vai salvá-la?
_ Ela precisa amadurecer mais rápido, Caspra, no antigo passado da garota, ela foi salva em poucos meses e ela era da Grifinória.
_ E hoje ela está na Sonserina, você sem querer acabou induzindo a menina.
_ Não fiz por querer e você sabe disso. Ela foi do quarteto de ouro e odiava qualquer Sonserino, principalmente o pai.
_ Isso não mudou muito.
_ Apenas mudou que ela não será traída pelos seus amigos devido a um pedaço de pergaminho e não será queimada viva.
_ O futuro de nossa pequena garota foi muito c***l e o seu também foi.
_ Mas fui inteligente o suficiente para criar dois vira tempo.
_ Não se esqueça que Lorde das Trevas também criou um.
_ Não ligo para ele.
_ Mas foi para o passado por causa dele. - Zombou.
_ Caspra! - Falou nervosa. _ Você sabe muito bem que eu só voltei devido aos trouxas, eles derramaram muito sangue mágico e nenhum bruxo sabia o que era para fazer. Nossos escudos não eram eficazes para balas ou até mesmo as bombas. Éramos os fracos.
_ E foi por isso que você renegou sua varinha.
_ Eu não fiz isso, eu apenas a enterrei no túmulo de minha mãe. Tive que aprender com muito custo controlar a minha magia.
_ Hoje você controla com ajuda da magia n***a e por causa disso você está morrendo! - Caspra bateu sua mão enrugada na mesa de madeira.
_ Não estou morrendo por causa dessa magia! Estou morrendo devido a Maledictus Tempus. - Seus olhos ardiam, mas a mulher não queria se dar o prazer de chorar, ela já chorou de mais. _ Ela está pior, Caspra, mesmo que eu quisesse salvar a garota, não iria conseguir.
_ Então você vai partir antes de a menina ser sequestrada? - Pontuou Caspra.
_ Não, partirei no aniversário dele.
_ Então você deve salvar a menina! - Bateu suas mãos brancas e meio rosadas na mesa. _ Sienna é minha amiga e se você me contar onde será o cativeiro dela eu... - A mulher não o deixou terminar.
_ Caspra, ela precisa ser sequestrada, o mundo precisa dela e para isso, ela deve sofrer.
_ Ela já sofre devido a sua chave!
_ Caspra! - Gritou.
O duende respirou fundo e tentou se acalmar, ele achava um absurdo não conseguir salvar aquela menina. Ela era amiga dos duendes, o que ele falaria para seus companheiros? Que ele sabia que isso iria acontecer, mas ficou calado por medo de mexer com o tempo?
Besteira, ele tinha medo da mulher que estava a sua frente, a mulher que tinha uma Maldição do Tempo.
A mulher que estava virando um relógio e tinha poucos meses para arrumar tudo que estava faltando.
_ Irei me acalmar, me perdoe. - Tentou se acalmar, mas era difícil.
_ Caspra, mesmo que eu tivesse mais tempo no passado, não poderia salvá-la. - O duende queria falar, mas não abriu a boca. _ Eu não sou deste tempo e não posso mais mexer nele, eu já mexi demais.
_ Então, apenas me conte onde ela ficará presa, eu... - Lágrimas caiam dos olhos do duende.
_ Não chore, Caspra, isso que estou fazendo é para o bem de todos. - O duende não a deixou terminar.
_ Mas não será para o bem de minha amiga. - Pegou o lenço em seu bolso e secou as lágrimas de seus olhos. _ Percebo que nada irá fazer você mudar de ideia, então me diga, o que você veio fazer aqui além de renovar o pergaminho?
A mulher sorriu por baixo da máscara, ela se sentiu feliz por aquela menina, ela tinha amigos que sentiriam sua falta e ela estava feliz por Sienna.
_ Em dezembro não estarei aqui em minha forma humana, como você bem sabe, irei virar um relógio, então venho aqui para pedir que você venha em minha casa e me pegue.
_ Você quer que eu guarde você em um dos meus cofres?
_ Não quero ser guardada em qualquer cofre, eu quero ser guardada no cofre de Sienna e quando ela voltar, quero que você me entregue a ela.
O duende pressionou a ponte de seu nariz e suspirou cansado, ele deveria pedir férias ou se aposentar o mais rápido possível.
_ Você pelo menos pode me dizer os meses que a Sienna ficará em cativeiro?
_ Meses? Ela não ficará presa por meses, Caspra.
_ Então serão semanas? - Perguntou abrindo um sorriso.
_ Sinto em lhe informar, Caspra, mas a garota não ficará presa por semanas ou meses.
_ Será dias? - Ele não queria pensar no pior.
_ Será por três anos.
O duende arregala os olhos e começa a chorar como se não houvesse o amanhã. Ele sentia pena de sua amiga, ela ficará três anos em cativeiro, e nem mesmo poderá ajudá-la a escapar, ele é um amigo muito m*l.
_ Não chore igual uma criança, ela será salva depois de três anos.
_ Mas sairá de lá traumatizada, perderá anos de escola. - Quase gritou. _ Pelo menos ela estará conosco depois de três anos.
_ Perdoe-me novamente, mas ela não irá para casa depois de três anos em cativeiro.
_ Como?
_ Ela só voltará depois que ela completar dezessete. Claro, se minhas contas estiverem corretas e se eu não mudei muito o futuro, talvez ela até mesmo seja raptada mais cedo ou até mesmo mais tarde.
_ Isso...
_ E você irá falsificar outro documento.
_ Não, não irei mais falsificar mais nada, nem por um milhão de galeões.
_ Mas eu não iria lhe dar nenhum galeão. - Sorriu perversa, que pena que o duende não podia ver sua face. _ Você irá falsificar por bem ou por m*l. - A aura n***a cobriu todo o escritório dando calafrios no duende.
_ O-o que eu posso fazer por você, minha bela dama? - Gaguejou, mas ficou firme sem demonstrar medo perante aquela mulher.
_ Você irá falsificar um documento de óbito, Sienna Dolohov estará morta em 1991.
_ Por Gringott! Você quer que todos pensem que ela morreu para ninguém a procurar? Não posso fazer isso, como ela irá escapar sem ajuda.
_ Nicolás e Canopus irão encontrá-la, então não se preocupe. - Lembrou-se de quando ela entregou o segundo vira-tempo para os dois.
O duende mais uma vez arregalou os olhos, a mascarada só poderia estar contando uma piada. Por aqueles dois? O que Sienna fez para merecer aquilo que ela irá sofrer?
_ Mas Canopus é... - Calou-se. _ Irei fazer isso quando alguém perguntar sobre ela, com certeza será o pai ou o elfo dela.
_ Não.
_ Como? - Perguntou confuso
_ Será Lorde das Trevas. - Ele congelou.
_ Então quando ela for sequestrada irei mandar uma nota para ele informando sobre o ocorrido. Não quero que ele quebre meu banco.
_ Estou indo embora, até algum dia, Caspra.