Episódio 1

1348 Palavras
— Você viu o Denis? — Não. Estávamos comemorando o aniversário do meu marido. Estavam prestes a servir o bolo, mas parecia que o aniversariante tinha simplesmente desaparecido. Ele sumiu sem que ninguém percebesse, então me vi vagando pelo restaurante me sentindo um pouco ridíc*ula enquanto perguntava aos convidados. — Talvez ele tenha saído para fumar. Brincou Marco, um paramédico. Hoje, no “Mirrors”, estavam muitos colegas do Denis. Decidimos não comemorar apenas com a família, mas fazer uma festa completa, combinando o aniversário dele com sua recente nomeação como chefe do departamento de cirurgia. — Ele não fuma. — Bem, talvez ele esteja no banheiro então. Acrescentou o homem, dando de ombros. — Não é como se ele tivesse simplesmente desaparecido. Forcei um sorriso para a piada sem graça, mas mesmo assim fui ao banheiro. Para minha surpresa, o banheiro masculino estava fechado. Depois de perambular pelo restaurante de dois andares, finalmente precisei ir à seção feminina. Ao abrir a porta, deparei-me com uma cena cômica: duas colegas de Denis, as loiras Olga e Victoria, estavam sentadas nos vasos sanitários, cada uma com uma taça de champanhe na mão, conversando animadamente. — Ah, Eva! Você chegou na hora certa! Exclamou Olga ao me ver. — Entre e junte-se a nós. — O que está acontecendo aqui? — Conversa de meninas. Riu Vic. — Por que você está tão séria? Onde está o seu Denis? — Ele sumiu em algum lugar. Suspirei. — Estou procurando por ele em todo o restaurante... — Não se preocupe, Eva. Olga tentou me tranquilizar. — Ele está em algum lugar, vai aparecer logo. Conte-nos, o que há de novo com você? — Nada de novo. Respondi desinteressadamente. Sentia uma estranha sensação. — Tudo na mesma. Retoquei a maquiagem e tentei ligar para meu marido novamente, mas ele não atendeu. — Não acredito. Murmurou Vic lentamente. — Tão bonita, com um marido cirurgião renomado e, além disso, ele foi promovido. — Não tenha inveja. Disse Olga, sorrindo. — E onde estão seus filhos? — Em casa com uma babá temporária. Admiti. — Comemoramos em família ontem e hoje queríamos dar uma festa para os amigos e colegas do Denis. —Que bom para você. Tudo pelo seu marido. Comentou Vic docemente, embora eu não gostasse nada do sorriso dela. —E pela casa, pela festa e por você mesma. Não entendo como você conseguiu ter três filhos e se manter em tão boa forma. Eu engordo só de respirar, e você…! — Genética. Respondi secamente, sem mencionar que era uma completa mentira. Aprendi há muito tempo que para ter uma boa aparência, é preciso trabalhar duro. A genética não ajuda, especialmente depois dos trinta. — Você tem sorte, com a sua aparência e o seu marido. Onde disseram que vocês pretendem passar as férias? Nas Seychelles? Perguntou Vic, inclinando a cabeça para o lado, com um brilho frio e furioso nos olhos. — Na Geórgia. Ainda não juntamos dinheiro suficiente para as Seychelles. — Bem, vocês vão juntar. Denis certamente vai ganhar o suficiente. Cirurgiões são bem pagos, especialmente os verdadeiros profissionais. Só lembre-se de permitir que ele tenha algumas fraquezas, ou ele vai fugir com outra. Comentou Vic, erguendo as sobrancelhas. Senti um arrepio percorrer minha espinha. — Como assim? — Ela está só brincando. Disse Olga, cutucando-a com o cotovelo. As mulheres trocaram olhares, e eu tive a sensação de que o ar estava carregado não só de fofoca, mas de algo pior. Era como sentir a tensão antes de tudo explodir, mas decidi ignorar. Era só conversa fiada de garotas que tinham bebido demais. — Nada demais. Vic deu de ombros. — É que, sabe, todos os homens têm seus segredos e fraquezas. O importante é saber lidar com eles. — Não entendi o que você quis dizer. — Ah, não leve a sério. Olga interrompeu, tentando amenizar a situação. — Estamos só especulando sobre onde o Denis foi. Talvez ele esteja planejando uma surpresa para você. — Que tipo de surpresa? — Romântica. Vic riu. — Você está indo longe demais, minha amiga. Sussurrou Olga. — E daí? Todos os homens são iguais, que a nossa Evita não se esqueça disso. Dizem palavras doces, prometem o mundo e depois adeus! — Se você tem algo a me dizer, diga logo. Não entendo suas insinuações. Respondi, sentindo-me amarrada da cabeça aos pés, olhando para as mulheres no espelho. — Ah, Eva, não se preocupe. Comentou Victoria, erguendo os olhos. — Você sabe o que dizem: se um homem desaparece, é por causa de uma traição ou uma surpresa. Mas o seu Denis não é uma dessas coisas, é? De repente, a porta se abriu e uma jovem loira entrou no banheiro. Reconheci-a imediatamente: era Liza, uma das enfermeiras que trabalhava com Denis. Tínhamos nos visto algumas vezes, mas nunca havíamos conversado. Ela parecia um pouco desarrumada: batom borrado, cabelo despenteado e vestido amassado. — Nossa, Liza, você parece que lutou contra o vento. Riu Vic. — E acho que sei o nome do vento. A jovem se aproximou do espelho, começou a retocar a maquiagem e comentou, sem desviar os olhos do reflexo: — É difícil conter a paixão quando existe amor verdadeiro. Sorriu maliciosamente e me olhou pelo espelho. — Não é verdade, Eva Valentinovna? — O quê? — Bem, você sabe muito bem o que é o amor verdadeiro com um homem especial. Acrescentou a loira. —Invejo sua família perfeita. Provavelmente não sou a única. Senti como se tivesse sido atingida por um raio. M*al conseguia conter a vontade de desabafar tudo o que me passava pela cabeça. Mil perguntas fervilhavam na minha mente, mas eu não queria causar um escândalo na frente dos colegas do meu marido. Então, simplesmente reuni toda a minha coragem e perguntei: — Liza, você viu meu marido? Ele desapareceu e eu não consigo encontrá-lo. Seus movimentos pararam por um instante, mas então, com uma expressão inocente, ela respondeu: ‍​‌‌​​‌‌​​​​​​​​​​​​​​‌​​‌​​​‌‌​​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌‌‌‍— Não, não o vi. Disse ela, continuando a arrumar o cabelo. — Talvez ele esteja na sala de estar. Vic e Olga trocaram olhares, e percebi que estavam se divertindo com a situação. Eu já estava cansada, então saí do banheiro. No corredor, finalmente encontrei meu marido. — Denis! Onde você estava? — E você? Ele perguntou, ajeitando o paletó. — Eu… — Vamos, Eva. Disse ele, pegando meu braço. — Já vão servir o bolo. Todos estão esperando por você. — Por mim? Os músicos tocavam uma melodia suave. Todos conversavam e riam. Havia muitos convidados. Quando entramos, Denis e eu chamamos a atenção, e o salão irrompeu em aplausos e gritos de parabéns. Menos de cinco minutos depois, os funcionários trouxeram um bolo de cinco andares adornado com flores e velas. No centro, havia a figura de um cirurgião com um bisturi. Um presente simbólico para Denis em sua nova função. Sorri. Parecia que meus medos eram infundados. — Muito obrigado a todos. Exclamou Denis, erguendo o copo em agradecimento. — Vocês são todos muito importantes para mim e estou feliz por compartilhar esta noite com vocês. De repente, a música parou e Liza subiu ao palco. Ela pegou o microfone e o salão ficou em silêncio. — O que ela está fazendo? Perguntou meu marido, franzindo a testa. — Prezados colegas, quero parabenizar pessoalmente nosso maravilhoso chefe. Começou ela, com voz confiante e sorriso radiante. — Tenho até um presente especial para ele. Vi Denis se mexer inquieto. Seus pais olhavam ao redor, confusos, entre nós e o palco. Liza tirou uma pequena foto do bolso e a mostrou para todos. — É uma ultrassonografia. Ela declarou. — E quero anunciar que Denis será pai em breve. Parabéns, querido.
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