A sala irrompeu em murmúrios de surpresa. Senti como se o mundo ao meu redor começasse a tremer. Tudo o que eu conseguia fazer era ficar ali parada, respirando, atônita com o que acabei de ouvir.
Denis estava ao meu lado, imóvel como uma pedra.
— O quê...? Sussurrei, sem conseguir encontrar as palavras.
— Filho, do que ela está falando? Perguntou a sua mãe, Marina, espantada.
Denis não respondeu. Os seus olhos estavam fixos em Liza. A loira sorriu amplamente, satisfeita com o impacto de suas palavras.
Os convidados cochichavam entre si. Alguns filmavam com seus celulares. Olga e Victoria nos observavam. Esta última sorriu maliciosamente.
Então era disso que se tratavam as insinuações? Elas sabiam de tudo? Sabiam da história e estavam zombando de mim? Quantos outros colegas de Denis sabiam do caso dele? Cinco? Dez? Todos?
Senti como se não conseguisse respirar. Parecia que todos os olhares estavam sobre mim, e aqueles olhares desconhecidos desencadearam uma onda de vergonha e um desejo ardente de desaparecer.
— Denis, diga alguma coisa. Sussurrei novamente, tentando conter as lágrimas.
Eu já era motivo de chacota, então tive que me controlar para não dar a eles mais motivos para zombar de mim.
Denis finalmente se virou para mim, como se tivesse acabado de se lembrar da minha presença.
— Eva, não é o que você pensa...
Dei um passo para trás, soltando uma risada nervosa. "Não é o que você pensa" soava tão ridíc*ulo. No momento em que ele pronunciou esses clichês, franziu a testa, como se a mentira estivesse rangendo entre seus dentes.
— Então, o que eu devo pensar, Denis? Perguntei. — Aparentemente, Liza contou toda a história. Ela está mentindo?
— Ela...
Liza deu um passo à frente, ainda segurando o microfone.
— Eva, eu não queria que você descobrisse assim, mas a verdade sempre vem à tona. Talvez seja melhor você saber agora, e não depois.
— Liza, cala a boca. Rosnou Denis, mas ela o ignorou. — Sai do palco.
— Olha, eu m*al posso esperar para você morrer, Eva, porque preciso cuidar do meu filho que ainda vai nascer.
— O quê? Eu não entendi. — Morrer? A Eva está doente? Perguntou confusa a mãe do Denis.
— Não se meta nisso, Marina. Disse Pedro, pai de Denis, segurando o braço da esposa.
O sogro a afastou, murmurando algo em seu ouvido. Fiquei sem apoio. Não que eu tivesse muito antes: os pais de Denis sempre ficavam do lado dele, mas desta vez eu esperava algo diferente… Meu mundo estava desmoronando e eu havia perdido o rumo. O que fazer? O que dizer? Onde encontrar refúgio?
Os olhos do meu marido se arregalaram, o rosto ficou vermelho de vergonha e ele invadiu o palco.
— Denis só está com você por pena, mas ele me ama. Então deixe-o ir, dê o divórcio a ele, nós cuidaremos dos seus filhos juntos! Liza conseguiu gritar antes que Denis chegasse ao seu lado.
Cuidar dos meus filhos? Juntos? Que absurdo!
A tensão na sala aumentou como uma nuvem de tempestade prestes a explodir em relâmpagos. Lá estava eu, consumida pela vergonha e pela dor, e cada palavra que Liza dizia era como uma facada no coração.
Denis arrancou o microfone de suas mãos, mas era tarde demais. Suas palavras já haviam ecoado pela sala, se alojado na minha mente.
— Liza, chega! Ele disparou, com a voz embargada pela raiva.
Ela, no entanto, apenas deu de ombros e sorriu.
— Liza, chega!
— O quê? Você não quer que todos saibam a verdade? Se você não consegue resolver isso, eu resolvo por você. Vamos comemorar?
— Eu sou o problema? Ou talvez nossos filhos? O choque inicial passou e a fúria me invadiu. — Irina, Mik ou Dmitri, qual deles é o problema?
Meu coração doeu com suas palavras. Senti falta de ar e um nó na garganta. Denis se virou para mim, com os olhos frios e distantes.
— Eva, vá para casa. Conversaremos lá. Não aqui, na frente de todos.
— Talvez você devesse ter pensado em 'não na frente de todos' antes que essa va&dia me humilhasse publicamente.
— Quem é a va*dia? Eu? Liza gritou. — Você ouviu isso? Ela está me insultando, querido!
— Liza, se acalme. Disse meu marido, sacudindo-a. — Cale a boca.
— O quê? Você está me machucando!
A loira começou a chorar e, para minha surpresa, Denis a soltou imediatamente, assumindo uma expressão culpada:
— Desculpe.
— Isso é ridíc*ulo! Exclamei, erguendo as mãos. — Agora ele está se desculpando com ela? O que está acontecendo, Denis?
— É uma brincadeira! O meu marido gritou de repente. — Uma brincadeira que deu errado. Ha, ha!
Risadas tímidas ecoaram pela sala.
— Vocês acreditaram? Ha, ha. Mas isso não vai se repetir, pessoal. Denis assegurou aos amigos e colegas enquanto se aproximava de mim, segurava meu ombro e sussurrava insistentemente no meu ouvido: vá para casa, Eva. Não piore as coisas.
— Piorar? Você está se ouvindo, Denis?
Os dedos do meu marido me apertaram com força, causando dor. Mas eu não me mexi. A dor física me distraía da emocional. Meu coração estava despedaçado pela ofensa e eu respirava com dificuldade. E Denis manteve a compostura, como se nada tivesse acontecido.
— Eu disse para você ir para casa, Eva. Disse ele, com precisão. — Ela não pode ficar chateada, você não entende?
— O quê?
— Não precisa fazer escândalo. Conversamos em casa. Pai! Leve a Eva com você. Ele me empurrou para os braços do pai, como uma sonâmbula, deixei-me guiar pelas mãos do meu sogro. — E nada de bobagens, entendeu?