Pré-visualização gratuita Episódio 1
— Você viu o Denis?
— Não.
Estávamos comemorando o aniversário do meu marido. Estavam prestes a servir o bolo, mas parecia que o aniversariante tinha simplesmente desaparecido. Ele sumiu sem que ninguém percebesse, então me vi vagando pelo restaurante me sentindo um pouco ridíc*ula enquanto perguntava aos convidados.
— Talvez ele tenha saído para fumar. Brincou Marco, um paramédico.
Hoje, no “Mirrors”, estavam muitos colegas do Denis. Decidimos não comemorar apenas com a família, mas fazer uma festa completa, combinando o aniversário dele com sua recente nomeação como chefe do departamento de cirurgia.
— Ele não fuma.
— Bem, talvez ele esteja no banheiro então. Acrescentou o homem, dando de ombros. — Não é como se ele tivesse simplesmente desaparecido.
Forcei um sorriso para a piada sem graça, mas mesmo assim fui ao banheiro. Para minha surpresa, o banheiro masculino estava fechado. Depois de perambular pelo restaurante de dois andares, finalmente precisei ir à seção feminina.
Ao abrir a porta, deparei-me com uma cena cômica: duas colegas de Denis, as loiras Olga e Victoria, estavam sentadas nos vasos sanitários, cada uma com uma taça de champanhe na mão, conversando animadamente.
— Ah, Eva! Você chegou na hora certa! Exclamou Olga ao me ver. — Entre e junte-se a nós.
— O que está acontecendo aqui?
— Conversa de meninas. Riu Vic. — Por que você está tão séria? Onde está o seu Denis?
— Ele sumiu em algum lugar. Suspirei. — Estou procurando por ele em todo o restaurante...
— Não se preocupe, Eva. Olga tentou me tranquilizar. — Ele está em algum lugar, vai aparecer logo. Conte-nos, o que há de novo com você?
— Nada de novo. Respondi desinteressadamente. Sentia uma estranha sensação. — Tudo na mesma. Retoquei a maquiagem e tentei ligar para meu marido novamente, mas ele não atendeu.
— Não acredito. Murmurou Vic lentamente. — Tão bonita, com um marido cirurgião renomado e, além disso, ele foi promovido.
— Não tenha inveja. Disse Olga, sorrindo. — E onde estão seus filhos?
— Em casa com uma babá temporária. Admiti. — Comemoramos em família ontem e hoje queríamos dar uma festa para os amigos e colegas do Denis.
—Que bom para você. Tudo pelo seu marido. Comentou Vic docemente, embora eu não gostasse nada do sorriso dela. —E pela casa, pela festa e por você mesma. Não entendo como você conseguiu ter três filhos e se manter em tão boa forma. Eu engordo só de respirar, e você…!
— Genética. Respondi secamente, sem mencionar que era uma completa mentira.
Aprendi há muito tempo que para ter uma boa aparência, é preciso trabalhar duro. A genética não ajuda, especialmente depois dos trinta. — Você tem sorte, com a sua aparência e o seu marido. Onde disseram que vocês pretendem passar as férias? Nas Seychelles? Perguntou Vic, inclinando a cabeça para o lado, com um brilho frio e furioso nos olhos.
— Na Geórgia. Ainda não juntamos dinheiro suficiente para as Seychelles.
— Bem, vocês vão juntar. Denis certamente vai ganhar o suficiente. Cirurgiões são bem pagos, especialmente os verdadeiros profissionais. Só lembre-se de permitir que ele tenha algumas fraquezas, ou ele vai fugir com outra. Comentou Vic, erguendo as sobrancelhas.
Senti um arrepio percorrer minha espinha.
— Como assim?
— Ela está só brincando. Disse Olga, cutucando-a com o cotovelo.
As mulheres trocaram olhares, e eu tive a sensação de que o ar estava carregado não só de fofoca, mas de algo pior. Era como sentir a tensão antes de tudo explodir, mas decidi ignorar. Era só conversa fiada de garotas que tinham bebido demais.
— Nada demais. Vic deu de ombros. — É que, sabe, todos os homens têm seus segredos e fraquezas. O importante é saber lidar com eles.
— Não entendi o que você quis dizer.
— Ah, não leve a sério. Olga interrompeu, tentando amenizar a situação. — Estamos só especulando sobre onde o Denis foi. Talvez ele esteja planejando uma surpresa para você.
— Que tipo de surpresa?
— Romântica. Vic riu.
— Você está indo longe demais, minha amiga. Sussurrou Olga.
— E daí? Todos os homens são iguais, que a nossa Evita não se esqueça disso. Dizem palavras doces, prometem o mundo e depois adeus!
— Se você tem algo a me dizer, diga logo. Não entendo suas insinuações. Respondi, sentindo-me amarrada da cabeça aos pés, olhando para as mulheres no espelho.
— Ah, Eva, não se preocupe. Comentou Victoria, erguendo os olhos. — Você sabe o que dizem: se um homem desaparece, é por causa de uma traição ou uma surpresa. Mas o seu Denis não é uma dessas coisas, é?
De repente, a porta se abriu e uma jovem loira entrou no banheiro. Reconheci-a imediatamente: era Liza, uma das enfermeiras que trabalhava com Denis. Tínhamos nos visto algumas vezes, mas nunca havíamos conversado. Ela parecia um pouco desarrumada: batom borrado, cabelo despenteado e vestido amassado. — Nossa, Liza, você parece que lutou contra o vento. Riu Vic. — E acho que sei o nome do vento.
A jovem se aproximou do espelho, começou a retocar a maquiagem e comentou, sem desviar os olhos do reflexo:
— É difícil conter a paixão quando existe amor verdadeiro. Sorriu maliciosamente e me olhou pelo espelho. — Não é verdade, Eva Valentinovna?
— O quê?
— Bem, você sabe muito bem o que é o amor verdadeiro com um homem especial. Acrescentou a loira. —Invejo sua família perfeita. Provavelmente não sou a única.
Senti como se tivesse sido atingida por um raio. M*al conseguia conter a vontade de desabafar tudo o que me passava pela cabeça. Mil perguntas fervilhavam na minha mente, mas eu não queria causar um escândalo na frente dos colegas do meu marido. Então, simplesmente reuni toda a minha coragem e perguntei:
— Liza, você viu meu marido? Ele desapareceu e eu não consigo encontrá-lo.
Seus movimentos pararam por um instante, mas então, com uma expressão inocente, ela respondeu:
— Não, não o vi. Disse ela, continuando a arrumar o cabelo. — Talvez ele esteja na sala de estar.
Vic e Olga trocaram olhares, e percebi que estavam se divertindo com a situação. Eu já estava cansada, então saí do banheiro. No corredor, finalmente encontrei meu marido.
— Denis! Onde você estava?
— E você? Ele perguntou, ajeitando o paletó.
— Eu…
— Vamos, Eva. Disse ele, pegando meu braço. — Já vão servir o bolo. Todos estão esperando por você.
— Por mim?
Os músicos tocavam uma melodia suave. Todos conversavam e riam. Havia muitos convidados. Quando entramos, Denis e eu chamamos a atenção, e o salão irrompeu em aplausos e gritos de parabéns.
Menos de cinco minutos depois, os funcionários trouxeram um bolo de cinco andares adornado com flores e velas. No centro, havia a figura de um cirurgião com um bisturi. Um presente simbólico para Denis em sua nova função. Sorri. Parecia que meus medos eram infundados.
— Muito obrigado a todos. Exclamou Denis, erguendo o copo em agradecimento. — Vocês são todos muito importantes para mim e estou feliz por compartilhar esta noite com vocês.
De repente, a música parou e Liza subiu ao palco. Ela pegou o microfone e o salão ficou em silêncio.
— O que ela está fazendo? Perguntou meu marido, franzindo a testa.
— Prezados colegas, quero parabenizar pessoalmente nosso maravilhoso chefe. Começou ela, com voz confiante e sorriso radiante. — Tenho até um presente especial para ele.
Vi Denis se mexer inquieto. Seus pais olhavam ao redor, confusos, entre nós e o palco.
Liza tirou uma pequena foto do bolso e a mostrou para todos.
— É uma ultrassonografia. Ela declarou. — E quero anunciar que Denis será pai em breve. Parabéns, querido.