📓 Adrian Monteiro A enfermeira passou por nós no corredor e fingiu que não via. Talvez tenha entendido que aquele tipo de dor não se interrompe. Quando ela finalmente conseguiu respirar sem soluçar, eu soltei devagar, ainda com as mãos nos ombros dela. — Vem. — falei, baixo. — Tu precisa comer alguma coisa. Isa negou com a cabeça, os olhos vermelhos, o rosto manchado de choro. — Eu não quero comer. Eu quero que ela viva. — Eu também. — respondi, firme. — Mas ela vai precisar de ti inteira. E tu tá tremendo. Ela hesitou, mas quando eu levantei, puxei pela mão. E pela primeira vez, ela não resistiu. Caminhamos até a lanchonete do hospital. Aquelas luzes amareladas, o cheiro de café requentado e pão dormido parecia outro mundo dentro do inferno. Sentei ela na cadeira de canto, lo

