capitulo 122

939 Palavras

📓 Isabela Duarte A porta se fechou devagar, com aquele estalo abafado que soou como sentença. E, de repente, o mundo ficou mudo. O corredor estava vazio. Frio. As luzes brancas zumbiam como um coro de fantasmas, e o cheiro de antisséptico se misturava ao gosto salgado das lágrimas que eu nem tentava mais conter. Dei dois passos. Só dois. Mas as pernas falharam, e o corpo cedeu. Afundei no chão do hospital, o jaleco amassando, a touca escorregando do cabelo, o rosto escondido entre os joelhos. O choro saiu sem aviso, rouco, feio, animal. Não tinha mais voz pra conter. A dor vinha em ondas. Primeiro o vazio. Depois o medo. Depois o som da lembrança aquele som maldito de metal se dobrando, vidro quebrando e fogo engolindo o mundo. E então veio a voz dela. Minha mãe. “Cuida d

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