📓 Adrian Monteiro Ela ainda tremia quando me olhou. O rosto inchado de chorar, o batom borrado, o olhar cansado mas ainda assim, linda. Linda do jeito que dói. Eu respirei fundo e deixei sair: — Eu já paguei, Isa. Ela piscou devagar, o olhar se estreitando. — O quê? — O transplante. Os custos. Tudo. — repeti, sem gaguejar, sem esconder. — Já tá pago. Silêncio. Aquele tipo de silêncio que parece sugar o ar da sala. Ela demorou um segundo pra entender, e mais um pra reagir. — Tu fez o quê? — a voz dela saiu trêmula, entre incredulidade e raiva. — Sem falar comigo? — Eu não precisava da tua permissão pra salvar a tua irmã. — respondi, firme. — Ela é da tua família… e agora, também é da minha. O olhar dela mudou. Primeiro espanto. Depois confusão. Por fim, o medo disfarçado de

