📓 Adriel Monteiro O médico voltou no fim da tarde, o rosto cansado, mas calmo. — Senhor Monteiro… ela estabilizou. — disse, com aquele tom técnico que tenta esconder humanidade. — Pode entrar por alguns minutos, mas precisa estar com os equipamentos de proteção. Assenti, rápido. Nem deixei ele terminar. Vesti o avental, a máscara, o protetor facial, e senti o cheiro de hospital se infiltrar em tudo aquele misto de álcool, esperança e medo. A UTI era fria, branca demais. O som dos monitores era o único que fazia sentido ali dentro. E no meio de tudo, ela. Serafina. Pequena demais pra tanto fio, pra tanto tubo. Mas viva. Me aproximei devagar. O coração batia como se fosse o único som que o mundo tinha. Encostei os dedos na beira da cama, depois peguei a mão dela gelada, leve,

