📓 Isabela Duarte A gente caminhou em silêncio até a lanchonete do hospital. O chão frio, o som dos passos ecoando e aquele cheiro de café velho misturado com desespero. Sentamos num canto, perto da janela, onde dava pra ver a noite encostando no vidro. Ele pediu dois cafés e um sanduíche qualquer. Eu só fiquei ali, mexendo no guardanapo, tentando fingir que não sentia o coração batendo no pescoço. Depois de um tempo, olhei pra porta da ala cirúrgica lá no fim do corredor. — Será que vai demorar ainda? — perguntei, baixo, sem conseguir esconder a ansiedade. Adrian seguiu meu olhar. O rosto dele ficou sério, mas calmo. — Transplante é demorado, Isa. — respondeu, com a voz firme. — É o tipo de coisa que a gente só pode esperar. Suspirei, encostando os cotovelos na mesa. — Esperar é

